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Exmo(a) Sr.(a)
Presidente do Institutodo Ambiente
Serve o presente ofíciopara apresentar os comen-tários da nossa associaçãono âmbito do processo deconsulta pública referidoem epígrafe.
Razões científicas
A transgenese é um ramoda biotecnologia que emambiente controlado (delaboratório) tem permiti-do significativos avançoscivilizacionais, como porexemplo a produção devacinas e medicamentos.A libertação deli-berada de organismosgeneticamente modifica-dos (OGM) na Natureza,quer para fins comerciaisquer para fins experimen-tais, tem provocado inten-sa polémica dividindo acomunidade científica e,por sua vez, vários gruposda sociedade, instituiçõespolíticas e muitos cida-dãos.Com rigor cientí-fico não é possível evitartotalmente a contamina-ção por transgenes, mes-mo respeitando regras(ainda que rígidas), devi-do à polinização cruzada,à capacidade dos genes“saltarem” para outroscromossomas (através debactérias, por exemplo),ao arrastamento desementes pelas chuvas,etc. Assim, é possívelprever que os impactosserão de difícil controloou mesmo irreversíveis.Por outro lado,têm sido cientificamentedesenvolvidas melhorespráticas agrícolas, como éo caso da protecção inte-grada e da agriculturabiológica, pelo que exis-tem actualmente alternati-vas ao cultivo de OGM,mas com riscos muitomenores e ainda, procu-rando a sustentabilidade amédio e longo prazo daprodução agrícola.
Impactes e riscos para aAgricultura e o Ambien-te
Começam a ser conheci-dos alguns impactes doOGM como a contamina-ção de variedades conven-cionais e biológicas, porpolinização cruzada,inclusivé a partir deensaios de campo; a con-taminação de outras espé-cies agrícolas diferentesdas transgénicas; o apare-cimento acelerado deresistência e de plantasinfestantes multi-resistentes a herbicidas;resistência dos insectos aoBt; etc. Estas situações
 
tornam os OGM com estetipo de resistências inúteisnessas áreas.Sabe-se também,que o Bt produzido portransgenes difere do Btusado como fitofármaco,devido ao facto de estarpermanentemente activo,não sendo deste modoselectivo, bem como per-siste no ambiente (solo,etc), por tempo aindaindeterminado, não infe-rior a um ano, e em níveiscerca de 2000 vezes supe-riores.No caso em aná-lise, o milho será trituradoe enterrado, os níveis deinsecticida (Bt) presentespoderão ainda ser superio-res comparativamente aocultivo comercial.
Razões comerciais
O mercado de OGM éessencialmente a indústriade alimentos compostospara animais, devido, emparte, à falta de rotulagemnos produtos de origemanimal quanto à sua ali-mentação.Para a alimenta-ção humana tem havidouma crescente procurapelos produtos biológicos,embora ainda incipienteno nosso país, por razõesque não interessa aquiaprofundar, contudo éinquestionável que têm
 ANO 1, N.º 4
Participação do MPI na consulta públicados ensaios com milho transgénico
 Agosto de 2005
 Editorial
 Aqui estamosmais uma vez divulgan-do algumas activida-des do MPI e outrosassuntos que julgamosser do vosso interesse.Neste boletimqueremos destacar o facto de ter sido fotoco- piado em papel recicla-do, por finalmente ter-mos encontrado papel A3 reciclado. Comoassociação de defesa doambiente consideramoseste aspecto importan-te, porque devemos ser coerentes com os nossosobjectivos e os nossosargumentos.Votos de boas fériasO Presidente da Direc-ção Humberto Pereira Ger-mano
Nesta edição:
Boletim informativo
MPI—Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente
Polémica sobre João Fidal- go Aterro Sanitário do Oeste 
aquisição do terreno 
4 e 5 Ambiente e Cidadania Breves 6 e Paisagem Protegida de Montejunto 7 
 
sido dados passos importantes.Decorre do exposto, que omercado dos OGM sofre vários con-dicionalismos e não responde àsexigências e procura do mercado,pelo menos ao nível dos consumido-res finais.
Informação disponibilizada
A Pioneer não indica qual a monito-rização que irá efectuar, nem qual acobertura em termos de responsabi-lidade civil caso algum agricultorseja prejudicado.De referir ainda que, nãoconsta na documentação para con-sulta uma avaliação dos riscosdecorrentes do ensaio com as espe-cificidades de cada local e da suaenvolvente, que necessariamenteserão distintas, uma vez que perten-cem a regiões muito diferentes, umna Extremadura e outro no Minho.
Considerações finais
 
As novas variedades de milho trans-génico a testar, possuem idênticascaracterísticas a algumas já cultiva-das com fins comerciais, cujosimpactes começam a ser conheci-dos, conforme referidos atrás.Os OGM não satisfazem asexigências da maioria dos consumi-dores, de acordo com as estatísticassobejamente conhecidas.Não é possível cientifica-mente garantir a ausência de disse-minação dos transgenes quandodeliberadamente libertos na Nature-za.A contaminação por trans-genes poderá condicionar um direitofundamental em democracia que é odireito de escolha por não OGM.Há alternativas aos OGMpara a produção agrícola e quesimultaneamente respondem àsexpectativas dos agricultores e dosconsumidores, e enquadram-senuma perspectiva de desenvolvi-mento sustentável.Foi declarada a área da fre-guesia do Vilar como zona livre deOGM, pela Assembleia de Fregue-sia respectiva. Foi exigida a proibi-ção do cultivo de OGM para a áreado concelho do Cadaval, pelaAssembleia Municipal desse muni-cípio e, ainda, a mesma exigênciapara a área da Comunidade Urbanado Oeste, até à publicação de legis-lação específica, pela respectivaAssembleia.A falta de clarificação dosefeitos dos OGM sobre o ambiente,a agricultura e a saúde pública, podepor si só sustentar a aplicação doPrincípio da Precaução.Decorre do atrás exposto que,
consi-deramos que os ensaios de camporeferentes ao presente processo deconsulta pública não devem serrealizados.
Com os melhores cumprimentos *
GINA 2 BOLETIM INFORMATIVO
ANO 1, N.º 4
Polémica sobre João Fidalgo (ex-presidente do conse-lho de administração da RESIOESTE)
Transcrevemos aqui um artigo publica-do no jornal “O Independente” a30/5/2005, assinado por Francisco Tei-xeira, com o título “Águas conturba-das” e a reacção de Gonçalo Rebelo deAndrade (vogal da Direcção do MPI) aesse artigo.
Águas conturbadas
Governo nomeia para presidente daEPAL e administrador da Águas dePortugal ex-responsável por umaterro que foi afastado por suspei-tas de gestão danosa
O ministro do Ambiente, Nunes Cor-reia, vai nomear para presidente daEPAL – Empresa Pública de ÁguasLivres e administrador da holdingÁguas de Portugal um antigo adminis-trador de um aterro da zona centro afas-tado em 2002 por suspeitas de gestãodanosa.João Fidalgo foi um dos res-ponsáveis pelo encerramento do aterrodo Oeste e pela “desastrosa” aquisiçãodo terreno onde foi construída esta esta-ção de tratamento de lixo. O caso justificou queixas ao MinistérioPúblico e a abertura de uma comissãoparlamentar de inquérito. No entanto,passados três anos, Fidalgo é promo-vido: passará a gerir uma das maioresempresas de águas do país, responsá-vel pelo abastecimento de mais de 30concelhos das zonas Centro e Sul.
Cheira mal.
A passagem de JoãoFidalgo pela Resioeste – empresaproprietária do aterro sanitário doOeste – ficou “manchada” depois deIsaltino Morais ter visitado nas insta-lações sem aviso prévio. À vista doentão ministro do Ambiente estavamas insistentes denúncias da Comissãode Ambiente do Cadaval e do Movi-mento Pró-Informação. A situação era“insustentável”, segundo relatouentão o ex-ministro, porque o aterrosanitário não realizava “os tratamen-tos de lixiviados” e a estação nãofuncionava. Durante o Inverno de2002 a “piscina” onde eram armaze-nados os resíduos entro em colapso einundou a área envolvente. Os resí-duos que deveriam ser tratados acaba-ram por ser absorvidos pela terra.Conclusão? João Fidalgo foi despedi-do, “sem rei nem roque”, para gáudiodos ambientalistas e do presidente daCâmara Municipal do Cadaval, osocial-democrata Aristídes Sécio. Isal-tino Morais fez, na altura, deste casoum ponto de honra.Mas as suspeitas não ficampor aqui. A comissão parlamentar deinquérito encarregada de “passar apente fino” a gestão da Resioesteestranhou a forma como foi adquiridoo terreno que deu lugar ao aterro. AAssociação de Municípios do Oesteavaliou o imóvel em 1,6 milhões deeuros mas João Fidalgo aprovou a suaaquisição pelo dobro do valor: cercade três milhões.Surgiu então um novo pro-blema. O terreno estava integrado nareserva natural e foi necessária a suadesafectação. O caso foi entregue àmulher de Fidalgo, directora regionaldo Ambiente. Madalena Presumido
 
 
do câmbio.
Nada se perde.
Mudam-se os tempos,mudam-se as vontades. O mesmoJoão Fidalgo foi “reciclado” pelogoverno socialista e tomará posse atéao final deste mês como presidente daEPAL – Empresa Pública de ÁguasLivres e administrador da “holding”Águas de Portugal. As dificuldadesque, aparentemente, teve em gerir umaterro não condicionaram a escolha,como confirmou ao Independente oMinistério do Ambiente: foi o nomeproposto pelo “accionista maioritá-rio”, o Estado, e falta apenas agendara data da tomada de posse. A confian-ça política e pessoal está implícita.“Foi o ministro que propôs o nome”,diz o gabinete de Nuno Correia.
Reacção de Gonçalo Rebelode Andrade
Caro Sr. Jornalista,Não tenho o prazer de o conhecermas queria dizer-lhe que fiqueiencantado com o seu artigo noPúblico, do dia 25 de Maio, relati-vo ao
premiado 
Dr. João Fidalgo.Sou membro fundador do MPI,Movimento Pró Informação sobreo Aterro Sanitário do Oeste. Hojeeste movimento tem forma legal eé uma ONG na área do ambientee cidadania.Sou ainda presidente da Comis-são de Ambiente da AssembleiaMunicipal do Cadaval e membrodeste orgão da administraçãolocal. Faço ainda parte da Assem-bleia de Freguesia de Pêro Moniz(freguesia do ASO).Como calcula estou muito dentrode todas as ilegalidades, mentirase trafulhices feitas pela administra-ção da Resioeste presidida peloSr. Dr. João Fidalgo. Que agorarecebe o prémio de fiel e dedicadoexecutante.Pareceres forjados, atentadoscontra a lei em matéria de REN ede leis que regulamentam projec-tos de aterros sanitários, estudosmanipulados por distintos profes-sores universitários numa encena-ção escandalosa, compra de terre-no por valores sem justificação nomercado, campanhas milionáriasde desinformação encomendadasa especialistas, festa de inaugura-ção em vésperas de eleições quecustou mais de 30.000 contos…De tudo um pouco teve este pro-cesso.Só que os Srs. Professores Uni-versitários e quem interveio nesteprocesso nunca esperaram queum grupo de cidadãos estudas-sem todos os processos.Tudo isto foi por nós denunciadoem devido tempo, mas em vão.Nem sequer pareceres de juris-consultos como o Dr. Mário Este-ves de Oliveira demoveram osresponsáveis por todo este pro-cesso, bem protegidos tambémpelos representantes locais do PS.Digo PS, neste caso, mas olheque para mim são todos iguais.Calhou ser o PS neste processo.Infelizmente em Portugal a Socie-dade Civil é só para
Inglês Ver 
. Ospolíticos bem podem falar daimportância da sociedade civil,mas quando lhe dói, a conversa éoutra. Nunca se sujeitam a críticasnem nunca modificam as decisõespor pressão de cidadãos esclare-cidos e informados. O próprio Jor-ge Sampaio chamou-nos funda-mentalistas quando andou a pro-mover a campanha do PS noCadaval…Quando os cidadãos se organizamordeiramente para discutir de for-ma racional e fundamentada osproblemas que os afectam e que-rem exercer o seu direito (e obri-gação) constitucional de fiscalizaro bom ambiente e o cumprimentodas leis em vigor, como foi o nos-so caso, os políticos marginalizam-nos e abafam as nossas preten-sões. Optaram pela acusação fácilde que são arruaceiros, de quenão respeitam o interesse dasmaiorias, e por aí adiante. Foi istoque aconteceu no ASO. Foi assimque o actual Exmo. Sr. Primeiro-ministro actuou, exercendo todo oseu poderio para manipular tudo etodos. Desde o Instituto dos Resí-duos (marioneta do Ministério doAmbiente), à DRALVT com oescândalo do parecer da mulherdo Dr. J. Fidalgo tudo foi permitidoao Sr. Ministro do Ambiente daaltura e agora nosso ilustre Pri-meiro-ministro.E de nada nos valeram os inope-racionais tribunais cuja isençãonós temos razões para por emcausa. Há muitas histórias e fac-tos á volta do que lhe afirmo aqui.Nem sequer a Procuradoria deuandamento às nossas queixas edenúncias.E até um ténue parecer desconfor-tável para o Sr. Eng.º Sócrates porparte do Provedor de Justiçamereceu violentos ataques doMinistério do Ambiente ao Prove-dor.Até a casa do cidadão nos foivedada para prestar esclarecimen-tos públicos.O crime compensa em Portugal eos políticos e as máquinas partidá-rias afundam-nos porque tudodominam e tudo manipulam.Aguardo com alguma curiosidadepara saber qual será o prémio doAdministrador Delegado da altura,Eng.º Delfim de Azevedo.Uma experiência desoladora eque queimou muitas energias eboas intenções de muita gente. Éeste o resultado da
pedagogia 
danossa classe política. Temos umpaís com dirigentes que não pres-tam e uma opinião pública cadavez mais desiludida e desinteres-sada.Mas sabe bem ler um artigo comoo seu, embora não sirva paranada pois eles lá ficarão e ganharordenados ricos e a fazer os seusnegócios. E assim sucessivamen-te.Aceite os meus cumprimentos eparabéns pela coragemGonçalo Rebelo de Andrade *
PÁGINA 3BOLETIM INFORMATIVO
ANO 1, N.º 4

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