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Principais caracterís-ticas e condicionantesda Quinta de S.Francisco
1- Está
condicionada,na sua quase totali-dade, pela ReservaEcológica Nacional
,sob o critério da pro-tecção de cabeceirasde linhas de água, quepertencem à baciahidrográfica do RioReal, principal afluen-
 
te da Lagoa de Óbidos.Trata-se de uma áreacôncava, onde se pre-tende facilitar a máxi-ma infiltração e evitara escorrência superfi-cial e a consequenteerosão do solo.2- Situa-se na
zona derecarga do sistemaaquífero do Grés deTorres Vedras
, consi-derado pelo Institutoda Água (INAG) noestudo “Definição,caracterização e carto-grafia dos sistemasaquíferos de PortugalContinental” - Fev.1997, como um dos 60grandes aquíferos,pelo que possuí inte-resse regional e umaimportância estratégi-ca para a políticanacional de recursoshídricos.
 ANO 2, N.º 5
Aterro Sanitário do Oeste
Aspectos hidrogeológicos
O estudo que o MPI fez sobre a Quinta de S. Francisco,apoiado por dois pareceres do hidrogeólogo Prof. José Martinsde Carvalho, evidenciaram a importância deste local em termosde recursos hídricos, dos quais destacamos o facto de pertencerà zona de recarga do principal lençol de água do Oeste, oSistema Aquífero do Grés de Torres Vedras.
Novembro de 2005
 Editorial
 A
água
é um dos recur-sos naturais essenciais àvida na Terra. Infeliz-mente, o Aterro Sanitáriodo Oeste é um mau exem- plo em termos da actua-ção das entidades compe-tentes na defesa desterecurso, pelas razõesexpostas nesta edição.Contudo, consideramosque os cidadãos conti-nuam a ter um impor-tante papel na defesa daágua, pelo que nunca sãodemais os comportamen-tos que levem à protecçãoe poupança deste recurso. Despeço-me esperandoencontrar-vos no Conví-vio para sócios e nãosócios a realizar no sába-do, dia 19 de Novembro, pelas 18.00, no Vilar(cave do pavilhão)
O Presidente da DirecçãoHumberto Pereira Germa-no
Nesta edição:
Boletim informativo
MPI—Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente
ATERRO SANITÁRIO DO OESTE 
—Aspectos hidro- geológicos 1
Ambiente e Cidadania: 
Poupar água Proteger e despoluir a água 6 
CONVITE PARA CONVÍ-VIO / MAGUSTO
última
 
3
 
Legenda:
 
Cinza claro (J5) –Camada geológicado Portlandiano(constituida prin-cipalmente porargilas)Cinza (C1) —Camada de grés deTorres VedrasCinza escuro—Área de implanta-ção do aterro
 
3- A
vulnerabilidade do aquí-fero existente no local
, o siste-ma aquífero do Grés de TorresVedras, é de 160-179 (
média aelevada
) atribuído às fundaçõesJurássicas, conforme consta noParecer do Prof. José Martinsde Carvalho “Nota técnicasobre as implicações nos recur-sos hídricos subterrâneos daconstrução do Aterro Sanitáriodo Oeste na Quinta de S. Fran-cisco”, na pág. 6 em que sereportou ao trabalho de LoboFerreira e outros, de 1995, inti-tulado “Desenvolvimento deum inventário das águas subter-râneas de Portugal”, volumes 1e 2, LNEC.4- Os recursos hídricos subter-râneos existentes no local sãoevidenciados no “Relatóriogeotécnico para Acoril –Empreendimentos S.A., AterroSanitário do Oeste”, Sopecate,Setembro de 2000, em que foidetectada água em todos osfuros e por determinação docliente foram colocados tubospiezómetros em 3 furos, verifi-cando-se que o nível da águaestabilizou às seguintes profun-didades: 9,10 metros (furo n.º1), 7.35 metros (furo n.º 2) e22,85 metros (furo n.º 5).5- Relativamente aos recursoshídricos superficiais, o nívelfreático varia dos 0,60 metros a3 metros, segundo o “Parecersobre as Condições Geológicase Geotécnicas do Terreno paraa Instalação do Aterro de resí-duos Sólidos Urbanos”, GAO,1998, tendo sido detectada águaem 53% dos poços efectuados.6- Segundo o mesmo parecer, aQuinta de S. Francisco apresen-ta variabilidade litológica, exis-tindo: a) níveis gresoso, greso-calcáreos, que não apresentamcaracterísticas de depuração emostram elevada vulnerabilida-de à poluição; b) níveis predo-minantemente arenosos; c)níveis predominantemente argi-losos. Assim, preconiza-se a “...realização de uma campanha deprospecção geotécnica comple-mentar...”.Para analisar cientificamente ascondições hidrogeológicas exis-tentes na área de localização doASO para uma melhor com-preensão das implicações daconstrução do Aso na Quinta des. Francisco sobre os recursoshídricos, pedimos a colaboraçãodo Eurgeol Prof. José Martinsde Carvalho, de que resultaramdois pareceres.Na opinião do especialista Eur-geol Prof. José Martins de Car-valho
“...não parece defensá-vel, numa óptica global deordenamento do território, e aonível dos conhecimentos obti-dos com os estudos realizados,instalar o Aterro Sanitário doOeste sobre o único aquífero deimportância regional reconhe-cidamente existente.”
Devido adiversas falhas detectadas nosestudos consultados levaram-noa sugerir a
“...re-selecção dedois ou três locais consideradosmais próprios para a instalaçãodo Aterro Sanitário...”
. Peloque,
“A selecção da Quinta deS. Francisco para a instalaçãodo Aterro Sanitário do Oestenão atendeu ao princípio da precaução preconizado na Directiva – Quadro da água
GINA 2 BOLETIM INFORMATIVO
ANO 2, N.º 5
O MPI denunciou o processo de escolha da Quinta de S. Francisco para a loca-lização do ASO e alertou as diversas entidades competentes quanto às suas carate-rísticas hidrogeológicas, mas infelizmente essas entidades tiveram, em nossa opi-nião, uma actuação inaceitável num estado de direito.
As entidades envolvidas nesteprocesso assim como as autori-dades competentes, quer nacio-nais quer comunitárias, revela-ram uma postura que nos pareceincorrecta desvirtuando o seupapel de promotores do interes-se comum e da legalidade.Assim:
1- Emissão de Declaraçãopela DRARNLVT sem funda-mento técnico
A Direcção Regional doAmbiente e Recursos Naturaisde Lisboa e Vale do Tejo, emi-tiu em 4 de Junho de 1997 aDeclaração 9/97, atestando queo projecto “
Solução Intermuni-cipal para os Resíduos Sólidosda Região Oeste não se situa
 
nem é adjacente a uma zonasensível do ponto de vista doambiente e não terá efeitosnegativos significativos sobreas pessoas, a água,...”
(indispensável para a candi-datura ao Fundo de Coesão),sem ser apoiada em qualquerestudo ou parecer técnico, sen-do que nessa data esta mesmaDirecção Regional tinha apre-
 
(U.E.) recentemente aprova-da”.
 Ministros uma proposta de deli-mitação da REN (que integra aquase totalidade do local para aconstrução do aterro) que foiaprovada pela Resolução doConselho de Ministros n.º189/97, de 29 de Outubro de1997 e tinham já sido caracteri-zados os principais sistemasaquíferos de Portugal Continen-tal pelo INAG.
2- Emissão de Parecer pelaDRARNLVT quanto à afecta-ção dos recursos hídricos semreferência ao aquífero do“Grés de Torres Vedras”
Em 11 Abril de 2000, a Direc-ção Regional do Ambiente eRecursos Naturais de Lisboa eVale do Tejo, emite um parecerfavorável à localização do Ater-ro Sanitário do Oeste na Quintade S. Francisco, quanto à afec-tação dos recursos hídricos,sem que seja feita qualquerreferência ao aquífero do “Grésde Torres Vedras” e às medidasminimizadoras dos impactes dainstalação do aterro na sua áreade recarga.Tal omissão é incompreensível,dado que se trata da autoridadenacional com competência parase pronunciar sobre a afectaçãodos recursos hídricos !
3- Selecção do local do ASOcom base em critérios políti-cos
O critério de selecção do localpara o ASO foi meramentepolítico, a confluência dosmunicípios de Cadaval, TorresVedras e Alenquer.Foi realizado um estudo demacrolocalização, em que secompararam 10 locais da região
 
Oeste em 2000 (“Estudo delocalização do Aterro Sanitáriodo Oeste, IPA, Jan. 2000), devi-do à pressão da opinião públicaregional e após a aquisição doterreno (a escritura de permutae compra e venda é datada de27 de Janeiro de 1999). Vindo aconfirmar-se a suspeita de queas suas conclusões não seriamfiáveis.
4- Não realização de umaAvaliação de ImpacteAmbiental
Não foi realizada uma Avalia-ção de Impacte Ambiental, queconsiderámos obrigatória devi-do, entre outras razões, ao pos-sível impacte negativo signifi-cativo sobre o Sistema Aquíferodo “Grés de Torres Vedras”,uma vez que, nos termos doartigo 2º a Directiva 85/337/ CEE, de 27 de Junho de 1985,relativa à avaliação dos efeitosde determinados projectospúblicos e privados no ambien-te, “Os estados-membros toma-rão as disposições necessáriaspara que, antes da concessão daaprovação, os projectos quepossam ter um impacto signifi-cativo no ambiente, nomeada-mente pela sua natureza,dimensões ou localização, sejasubmetidos à avaliação dos seusefeitos”.Os projectos de aterro para resí-duos urbanos não perigososestão incluídos no Anexo II dadirectiva, com as alteraçõesintroduzidas pela Directiva97/11/CE de 3 de Março, peloque a sua sujeição a uma avalia-ção de impacto ambiental nostermos da directiva é deixada àapreciação dos estados-membros. No entanto, estepoder discricionário pode ser
 
limitado pelo artigo 2º acimatranscrito.Para contornar esta disposiçãolegal, o Estado Portuguêscomeçou por negar às autorida-des europeias a existência doaquífero de importância estraté-gica, alegando que todo o Oestepossui aquíferos o que dificultaa escolha de um local para oaterro. Contudo, a ComissáriaEuropeia do Ambiente admitiu,quando interpelada no Parla-mento Europeu, que
“Se, umavez analisados todos os esclare-cimentos apresentados pelasautoridades portuguesas, aComissão confirmar que, ape-sar de tais esclarecimentos, olocal escolhido para o projecto possui, designadamente, aquífe-ros considerados como reser-vas estratégicas para a região,e que, consequentemente, o projecto é susceptível de exer-cer impactos significativos noambiente, a Comissão ver-se-áobrigada a recorrer a todos osinstrumentos jurídicos previstosno Tratado CE para assegurar a correcta aplicação do direitocomunitário.”
.Perante a prova inequívoca daexistência do aquífero deimportância regional, o EstadoPortuguês alegou, que dos estu-dos efectuados (Estudo de Inci-dência Ambiental – IPA 1998,Estudo de Localização do ASO– IPA 2000) é possível concluirque o projecto não produziráimpactes significativos sobre oaquífero.No entanto, no Estudo de Inci-dência Ambiental – IPA 1998pode ler-se na página 103, porexemplo, o seguinte:
“Os elementos disponí-
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ANO 2, N.º 5

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