PÁGINA 3BOLETIM INFORMATIVO
ANO 3, N.º 9
Nos dois últimos anosa Pioneer pretendeu testarmilho transgénico (
Ponte daBarca/Cadaval em 2005 ePonte da Barca/Arcos de Valdevez em 2006
) masenfrentou fortes dificuldades:as câmaras do Cadaval e dePonte da Barca rapidamentese declararam Zonas Livresde Transgénicos e todas pro-duziram pareceres onde dei-xavam clara a sua rejeiçãoquanto a tal escolha. Aempresa acabou por se verforçada a desistir de taisintenções, em parte por defi-ciências graves na documen-tação apresentada.Nos dossiers técnicosque serviram de base aospedidos de autorização a Pio-neer deixava aspectos funda-mentais completamente omis-sos. No tocante ao impactoambiental (impacto em espé-cies não alvo, a possibilidadede contaminação de varieda-des tradicionais ou a induçãode resistência nas pragas) aPioneer optava por afirmar aausência de risco, com 100%de optimismo e 0% de funda-mentação científica. O planode monitorização (obrigatório)era apresentado de forma tãoabstracta que não comprome-tia com coisa nenhuma. Damesma forma não era consi-derada a necessidade de umacaução ou seguro de riscoambiental ou agrícola, ou ainformação aos agricultoreslimítrofes dos terrenos emcausa.Em 2007 a Pioneervolta a tentar, desta vez asso-
Ensaios com transgénicos em Portugal
Empresas da engenharia genética voltam a desrespeitar os cidadãos
PIONEER CANCELA DOIS PEDIDOS DE ENSAIOS DE TRANSGÉNICOS MAS VOLTA A TENTAR ASSOCIANDO-SE À SYNGENTA
ciada à Syngenta e com trêsnovas localizações:
Alcoche-te, Salvaterra de Magos eRio Maior
, tendo começadona primeira semana de Feve-reiro a consulta pública demais um conjunto de pedidospara ensaios experimentaisde milho transgénico nãoautorizado para cultivocomercial. Alcochete é uma esco-lha irónica: a sua AssembleiaMunicipal aprovou, por una-nimidade, a criação de umaZona Livre de Transgénicosem 28 de Dezembro de 2006.Em relação aos ensaios agorapropostos pela Pioneer/Syngenta,
o presidente da Assembleia Municipal de Alcochete,
Dr. Miguel Boiei-ro, já declarou que «
Somoscontra todo o tipo de expe-riências, não suficiente-mente seguras sob o pontode vista científico e ético,que podem pôr em causa abiodiversidade presente efutura
. A actual geração nãotem o direito de alienar asegurança e o bem-estar dosseres humanos e outros que, aseguir, virão habitar o Plane-ta». Esta atitude provocatóriaao poder local por parte daPioneer e da Syngenta revelaum total desrespeito pela von-tade dos cidadãos na declara-ção das zonas livres de trans-génicos. Embora as ZonasLivres de Transgénicos care-çam ainda de fundamentaçãolegal em termos europeus, asua criação e vantagens sãoreconhecidas ao mais altonível. No «Relatório sobre acoexistência de culturas gene-ticamente modificadas comculturas convencionais e eco-lógicas» (2003/2098(INI)) oParlamento Europeu reconhe-ce que
a proibição regionaldo cultivo de transgénicosé provavelmente a formamais eficaz e de baixo cus-to para evitar a contami-nação das culturas conven-cionais e biológicas
. Em termos científicos,o cultivo de milho transgénicoexperimental envolve impactoambiental significativo,nomeadamente em espéciesnão-alvo. O próprio IUCN,uma estrutura internacional aque pertence o governo portu-guês, aprovou em 2004 e reite-rou em 2006 um apelo à cria-ção de uma
moratória mun-dial à libertação de quais-quer transgénicos noambiente «até que sedemonstre a sua seguran-ça para a biodiversidade,saúde humana e ani-mal»
(Resolução 3.007). Acima de tudo, nem aPioneer nem a Syngenta semostram merecedoras de con-fiança.
Na Pioneer os inci-dentes e desmandos comsementes transgénicas for-mam já uma longa lista
.Em 1999 na Alemanha e naSuíça a Pioneer vendeusementes contaminadas comtransgénicos. A mesma coisaaconteceu na Áustria em 2001e em Itália em 2003. Na Croá-cia em 2004 queimaram-sedois mil hectares de milho damesma empresa também por
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