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Tome nota:
Coloque aspilhas no pilhão!Entregueaparelhoseléctricos velhosnas lojas ousolicite arecolha àCâmaraMunicipal
(ver pág. 7)
 
Nesta edição:
Crise Alimentar
1
Memóriaagrícola
3
“A Carne é Fraca”
 
4
Apelo MPIe Quercus
5
AlimentaçãoEcológica
7
Anúncios
8
MPI
 — 
Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente
B
OLETIM
 
I
NFORMATIVO
 
Junho de 2008
Ano 4, N.º 13
Estamos a fazer um enorme esforço para dar cada
vez maior visibilidade ao MPI. Felizmente, vamos ten-do alguns apoios e a pouco e pouco vai-se conseguindo
melhorar a nossa participação em diversos eventos e
temas.
No sentido de melhorar a comunicação com ossócios chamo a atenção para o anúncio na última pági-na deste boletim, em que se solicita os endereços elec-trónicos dos sócios que possam e queiram receberinformação por essa via.
 
Agradeço a colaboração dos sócios e esperamos con-tinuar a merecer a vossa confiança.
 
O Presidente da Direcção
 Humberto Pereira Germano
EditorialCRISE ALIMENTAR: Q
UE
 
CAUSAS
? Q
UE
 
SOLUÇÕES
?
Numa conferência de imprensa realizada no edifício da Junta de Freguesia do Vilar, no dia 17 de Abril
-
Dia Internacional da Luta Camponesa, a Plataforma Transgénicos Fora (onde o MPI está integrado) e aAssociação de Agricultores do Distrito de Lisboa alertaram para a situação vivida e exigiram políticas agríco-las e energéticas sustentáveis.
 
A crise alimentar que está instalada, a comunicação tem abordado frequentemente sobre o assunto,estando a fome a afectar não só os mais pobres, mas também a classe média.
 
As causas apontadas para as subidas descontroladas dos preços são várias: o
aumento do consumo de car-
ne a nível mundial
 
(e o nosso país não é excepção) que desvia grande parte dos cereais e leguminosas para ofabrico das rações em vez de alimentarem directamente as pessoas; as quebras de produção devido às altera-ções climáticas, contudo esta situação verificou
-
se pontualmente nalguns países, mas em termos globais aprodução agrícola em 2007 foi superior em cerca de 5% em relação a 2006, segundo a FAO (o organismo dasNações Unidas para a alimentação e agricultura); políticas agrícolas europeias
que se revelam erradas;
aumento do preço do petróleo, um importante factor de produção na agricultura e que também encarece o
Sábado, 28 de Junho de 2008
21:00
 
Documentário sobre transnicos e seus riscos paraa agricultura e a saúde
(duração: 37 minutos), seguido de DEBATE
 
Sede da União dos Amigos de Palhais
( actividade conjunta do MPI e Assoc. União Amigos de Palhais como o apoio da Junta
de Freguesia do Vilar, no âmbito do processo de Agenda 21 Local da freguesia)
PROJECÇÃO DO FILME “TRANXGÈNIA”
 
 
transporte de mercadorias;
desvio para a produção de agrocombustíveis
 
(erradamente chamados biocombustíveis) de milho, trigo e outras culturasalimentares, no entanto esse desvio é ainda reduzido, apenas 2% do totalda produção agrícola; mas na realidade
especulação
 
devido às expectati-vas criadas com a produção dos agrocombustíveis, pelas metas estabeleci-das nos EUA e na EU, é a principal razão que encontramos para a súbitaescalada dos preços.
 
As subidas de preços verificam
-se por todo o mundo e as manifesta-
ções de rua, do México a Marrocos, do Brasil ao Bangladesh, já conduzi-ram a mortes e prisões. Segundo a FAO, o organismo das Nações Unidaspara a alimentação e agricultura, o custo das principais matérias
-primas
agrícolas subiu, a nível mundial, perto de 40% apenas em 2007. O trigoatingiu o valor mais alto em 28 anos, e o arroz, milho, soja e óleos duplica-ram (nalguns casos triplicaram) em dois anos o seu preço ao consumidor.
 
Os resultados são catastróficos sobretudo nas regiões menos desenvol-vidas, as Nações Unidas estimam ainda que, face às presentes tendências,até 2025 mais 600 milhões de pessoas estarão a passar fome para além dos800 milhões que já a sofrem cronicamente neste momento.
 
Em vez de reconhecer as causas e procurar novas estratégias, a agro
-
indústria portuguesa, em particular a dos alimentos compostos para ani-
mais, reclama mais do mesmo: apoios do estado e acesso irrestrito a trans-
génicos não autorizados na UE. Mas, tal como o mais recente estudo da agricultura global pôde constatar,
os
transgénicos não são de todo a solução para o presente nem para o futuro próximo
, nem contribuem para o que
realmente interessa a qualquer sociedade: eliminar a fome e a pobreza, melhorar as condições de vida da popula-ção rural e promover um desenvolvimento sustentável, justo, social e ambientalmente equilibrado. Nesta avalia-ção de 2500 páginas (o IAASTD, que envolve dezenas de países e organizações), realizada por mais de 400 cien-tistas e especialistas ao longo de quatro anos e trazida este mês a público, as
soluções para
as almejadas
soberania
e segurança alimentares
passam sobretudo pela
valorização das actividades tradicionais
, pela salvaguarda dosrecursos naturais e
protecção da produção local
, e pela
canalização da produção agrícola para o consumo alimen-
tar directo, em vez de ser desviada para outros fins.
Mudanças, precisam-se
Assim, de acordo com o princípio da precaução, e assumindo um ponto de vista assente na coerência, a políti-ca europeia e nacional em matéria de agricultura e alimentação deve ser urgentemente corrigida:
 
– 
 
a importação de carne proveniente de animais alimentados com transgénicos não autorizados para consumo
na UE deve ser proibida;
– 
 
a aprovação de novos transgénicos deve ser sujeita a uma avaliação de impacto na agricultura tradicional e
familiar;
– 
 
a meta de incorporação de 10% de biocombustíveis (provenientes de produção agrícola) nos transportes até
2020 deve ser abandonada;
– 
 
os apoios à agricultura devem ser dirigidos para o apoio às actividades de diversificação e policultura, maxi-mização da soberania alimentar, redução do consumo de agroquímicos, criação de postos de trabalho e sustenta-ção das comunidades em espaço rural.
 
Outras medidas como a revisão do Acordo de Blair House, que veio limitar o cultivo europeu de matérias
-
primas importantes para a alimentação animal, como a soja, é igualmente fundamental. A pressão e apoio porparte da indústria de produção animal para que novas medidas permitam aumentar o cultivo na Europa dasvariedades tradicionais para estes fins não só seria benéfico como bem
-vindo pelos consumidores portugueses.
Portugal deve competir na qualidade e diversidade
Todas as pequenas regiões têm necessariamente que optar por competir na qualidade e na diversidade enunca no preço ou na quantidade. Infelizmente, em Portugal, constatamos que frequentemente por uma aposta
CRISE ALIMENTAR: Q
UE
 
CAUSAS
? Q
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SOLUÇÕES
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CONTINUAÇÃO
 
DA
 
PÁGINA
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OLETIM
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NFORMATIVO
 
MPI
n.º 13 - Junho de 2008
 
Segundo a FAO, o organismo das
Nações Unidas para a alimentação e
agricultura, o custo das principais
matérias
-
primas agrícolas subiu, anível mundial, perto de 40% apenas
em 2007.
 
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OLETIM
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NFORMATIVO
 
MPI
n.º 13 - Junho de 2008
 
O MPI apoiou a realização de uma actividade que envol-veu todas as crianças do 1º ciclo do ensino básico do Vilar,numa iniciativa da Associação de Agricultores do Distrito de
Lisboa.Esta actividade realizou-se em duas fases: a primeiradecorreu no dia 20 de Janeiro com o cultivo dos cereais deInverno, tendo sido cultivados 4 variedades de trigo
(Almansor, Maçaruco, Laureano e Barbela), 2 variedades decevada (Dística e Comum), aveia e espelta (ou faro, emetrusco, povo que existiu antes dos Romanos na penínsulada Itálica, de onde deriva a palavra “farinha”); e a segunda
realizou-se no dia 24 de Abril com o cultivo dos cereais de
Primavera, o milho (várias variedades tradicionais), tendo
-se
previamente realizado uma pequena sessão de esclareci-mento sobre transgénicos.
 Os objectivos foram: alargar o horizonte dos conhecimen-
tos em relação à produção de alimentos; conhecer o modo
tradicional de cultivo de cereais; compreender que os
cereais são uma necessidade básica para a nossa alimentação.
 
As profundas alterações no modo de produção de alimen-tos sentidas nas últimas décadas, passando de uma produçãoartesanal com a utilização de muitas variedades (consoante asua adaptação às várias regiões) pela mão de muitos agricul-
tores, para uma agricultura industrializada, que utiliza pou-
cas variedades agrícolas e com poucos agricultores, em tam-bém poucos países, e a alteração dos hábitos alimentares,com aumento do consumo de carne e diminuição do consu-mo de cereais, são motivos mais do que suficientes para aler-tar os mais novos para estas questões.
 
M
ANTER
 
VIVA
 
A
 
MEMÓRIA
 
AGRÍCOLA
 
cega na competitividade. Esta estratégia compromete o desenvolvimento sustentável e o respeito pelas geraçõesfuturas. Estamos convictos de que Portugal está num ponto de viragem em que a opção por novas estratégias,ecológicas e competitivas, ainda é possível!
 
O mercado nacional e internacional procura produtos animais livres de transnicos
Uma estratégia de marketing que permite a diferenciação da agropecuária de qualidade é a rotulagem deprodutos de origem animal (carne, leite, ovos) como livres de transgénicos ou sem OGM, ou seja, em que foramexcluídas as rações transgénicas. Como a actual lei não impõe a rotulagem destes produtos quando provenientesde animais que tenham sido alimentados com OGM, os consumidores actualmente não podem optar por uma
cadeia alimentar 100%natural.
Não existe ainda evidência científica de que os transgénicos sejam seguros
Não se pode dissociar a questão do cultivo de transgénicos dos seus potenciais riscos, nomeadamente dosriscos para a saúde humana e animal. Apesar das referências científicas de testes toxicológicos ser muito limita-do, são já vários os estudos que têm detectado múltiplos problemas na saúde dos animais sujeitos a experimenta-ção. Parece
-
nos pois sensato promover actualmente um maior investimento na investigação e uma menor aposta
no consumo.Note-
se que a EFSA, Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, não desenvolve actualmente quaisquerestudos independentes, baseando as suas avaliações de inocuidade dos transgénicos nos dados apresentadospelas próprias multinacionais que os comercializam. Enquanto a investigação em torno dos potenciais riscos nãofor totalmente independente dos interesses económicos, a alimentação portuguesa e europeia estará sujeita anovas e desagradáveis surpresas.
 

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