/  8
 
Tome nota:
Portugal apresentou,em 2000, uma pega-da ecológica de 5,34hectares/per capita,é o 6À país europeu eo 13À a nível mun-dial com maiorPegada Ecológica.
(ver pág. 6)
Nesta edição:
Reciclagem na UE
1
MPI reuniu com ADAL
2
Milho Transgénico
5
Pegada Ecológica
6
Breves
7
Anúncios
8
Consumo de Peixe 4Sugestão de Leitura 3
MPI—Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente
B
OLETIM
 I
NFORMATIVO
 
Novembro de 2008
Ano 4, N.º 14
Nesta edição quero destacar o esforço do MPI em relação ao AterroSanitário do Oeste de modo a que o processo de fusão com a Valorsul nãovenha lesar ainda mais as populações envolventes.No que diz respeito aos transgénicos há a destacar uma notícia má euma boa. A má notícia é que pela primeira vez, desde o levantamento damoratória em 2004, foi autorizada a realização de ensaios com novas varie-dades de milho transgénicos, ou seja, variedades que não estão aprovadaspara comercialização. A boa notícia é que a área de cultivo com milhotransgénico embora tenha aumentado ligeiramente no país, houve umaredução substancial na zona do país que mais cultivava transgénicos, oAlentejo, o que significa que os agricultores não estão a sentir as vanta-gens apregoadas pelas empresas das sementes transgénicas. Os agriculto-res são um elo fundamental, pois são eles que lançam a semente à terra,para um mundo sem transgénicos, para além da pressão que todos nós,como consumidores, devemos fazer em defesa da nossa saúde, doambiente e das variedades tradicionais de plantas agrícolas, patrimónioque importa redescobrir.O presidenteHumberto Pereira Germano
EditorialR
ECICLAGEM
 
ANDA
 
PARA
 
TRÁS
 
NA
E
UROPA
 
Parlamento Europeu estabelece meta de reciclagem de 20% para 2020, quando actual-mente se reciclam 27% dos resíduos urbanos
O Parlamento Europeu aprovou em 17 de Junho uma Directiva que estabelece para os resíduosurbanos (RSU) um nível de reciclagem de 20% em 2020, quando
a média da reciclagem de RSU naUnião Europeia é actualmente de 27%
. Esta decisão é ainda mais surpreendente uma vez que oParlamento Europeu tinha votado anteriormente a favor de uma meta de reciclagem de 50% dosRSU para 2020, mas a pressão dos Governos nacionais, entre os quais o Português, levou a que fosseaprovado um texto em que apenas alguns materiais (cerca de 40% dos RSU - plástico, papel, vidro emetais) tenham de cumprir 50% de reciclagem, o que na prática
representaapenas 20% dos RSU
, ou seja
,
inferior ao que já se pratica na generalidadeda União Europeia!Como se isto não bastasse, a
meta
 
não é obrigatória
, sendo assim umaoportunidade perdida para se promover a redução da emissão de gases deefeito de estufa, a criação de emprego e o desenvolvimento tecnológico naEuropa que uma indústria de reciclagem forte poderia trazer.Resta agora que com a transposição da Directiva para o Direito Portu-guês se façam adaptações para taxas de reciclagem mais elevadas.
(adaptado do Comunicado da Quercus de 17/06/2008)
 
Reunidos em São João da Talha, Concelho de Loures, no dia 15/06/2008, as organizações de defesa doambiente Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, MPI – Movimento Pró-Informação paraa Cidadania e Ambiente e ADAL – Associação de Defesa do Ambiente de Loures para apreciarem conjunta-mente o processo em curso - promovido pela EGF, com a cobertura política do Ministério do Ambiente – tendoem vista proceder à fusão dos sistemas de tratamento de resíduos sólidos urbanos da Valorsul, Resioeste, con-cluíram e tornam público:
1.
Prossegue com sinais evidentes de injustificado secretismo
um processo que visa juntar num só, os sistemasde tratamento de resíduos sólidos urbanos da Valorsul, Resioeste;
2.
O caminho que está a ser percorrido e a forma como está a ser conduzido o processo, não apenas
revela amaior falta de transparência de entidades públicas dependentes do Governo,
como se tem revelado deliberada-mente orientado a confundir e enganar as entidades municipais e as respectivas populações;
3.
Os „estudos‰ até agora apresentados aos municípios, designadamente da região Oeste,
suscitam as maioresdúvidas e reservas quanto ao rigor dos dados utilizados, ao equilíbrio das análises e boa fé das conclusões
;
4.
Verifica-se que na zona da Valorsul, e também da Tratolixo (que envia grandes quantidades de resíduos,cerca de 100 mil toneladas/ano, para a incineradora da Valorsul), nem os órgãos municipais, nem as associaçõesrepresentativas das populações tiveram ainda acesso a qualquer documento, enquanto na área da Resioeste sãodisponibilizados documentos desactualizados e insuficientes para a apreciação do processo;
5.
Conclui-se pois, que estão a ser escamoteados dados, informações e análises que urge conhecer, debater etornar do conhecimento geral
;
6.
A Plataforma suspeita e teme, pelas informações que conseguiu reunir, que esteja
em marcha um processoque não visa ganhos ambientais
, que não tem por objectivos um salto em frente no tratamento e destino finaldos resíduos sólidos urbanos com o incremento das recolhas selectivas e o encaminhamento para as fileiras dereciclagem,
mas a concentração de RSU que justifiquem a construção de uma nova linha de queima de resíduosna Incineradora da Valorsul em São João da Talha
;
7.
Simultaneamente, estão a ser feitas diligências para convencer autarcas e populações que haverá uma subs-tancial redução das tarifas a pagar pelo tratamento dos resíduos sólidos urbanos. Os dados económicos a que foipossível ter acesso, levantam as maiores dúvidas sobre que tal possibilidade seja efectiva, a menos que se tratemde valores politicamente determinados para seduzir para o processo as autarquias e as populações. Se for esse opropósito,
cabe-nos alertar para a inevitabilidade de após o primeiro ano de preços „subsidiados‰, a cavalgada dovalor das tarifas vir a ser imparável
;
8.
Tudo indica portanto que o Governo advoga a constituição de uma „montanha económica e accionista quevai parir um rato ambiental‰
. Note-se que no resultado da fusão apenas se aspira a uma taxa de reciclagem demíseros 15%, isto é, igual àquela que já hoje foi atingida;
9.
Donde só se pode concluir que o objectivo será
queimar-queimar-queimar
e
enterrar-enterrar
;Por isso, a Plataforma irá desencadear, desde já, um conjunto de diligências de contacto com autarquias,autarcas e outras entidades interessadas no assunto e, ao mesmo tempo, exigir de quem de direito a disponibili-zação de toda a documentação de suporte já elaborada pelas entidades públicas competentes,
pugnando peloimediato início da apreciação pública dos propósitos do Governo
, das suas justificações,
mas também das alterna-tivas viáveis, ambientalmente adequadas e sensatas e respeitadoras dos cidadãos, dos seus direitos de participa-ção, escolha e bem estar
.
C
OMPLETA
 
FALTA
 
DE
 
TRANSPARÊNCIA
 
NO
 
PROCESSO
 
DE
 
FUSÃO
V
ALORSUL
-R
ESIOESTE
.
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MPI
n.º 14 - Novembro de 2008
 
L
IVRO
: P
ENSAR
 
COMO
 
UMA
M
ONTANHA
 
Este livro da autoria de Aldo Leopold é o mais debatido clássico da ecologia e da Natureza em todo o Mundo.Foi publicado pela primeira vez em 1949, já depois da sua morte, e só agora, quase 60 anos depois, foi traduzidopara português e publicado pelas edições Sempre-em-Pé (e.mail: contacto@semprempe.pt, site:www.sempreempe.pt)Aldo Leopold nasceu em 1887 nos EUA, diplomou-se em ciências florestais tendo trabalho no Serviço Flo-restal do seu país, entre outras funções que foi desempenhando ao longo da sua vida. Com a sua profunda forma-ção científica e experiência e dotes literários, conseguiu escrever tantas e tão belas considerações e reflexões
 
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NFORMATIVO
MPI
n.º 14 - Novembro de 2008
 
sobre as relações entre o Homem e a Natureza. É sem dúvida um livro que não só merece ser lido mas sobretudoser meditado.
Seguem-se alguns excertos
Página (P.) 22 – „Mas seja onde for que possa resistir a verdade, há pelo menos uma coisa clara como cristal: anossa sociedade de sempre-maior-e-sempre-melhor comporta-se hoje como um hipocondríaco de tal forma obce-cado com a sua própria saúde económica que acabou por perder a capacidade de permanecer saudável.
Nadapoderia ser mais salutar nesta fase do que um pouquinho de saudável desdém por essa pletora de bênçãos mate-riais.‰P. 130 – O momento em que o autor, que era caçador, se converte à ecologia„Nesses tempos nunca tínhamos ouvido dizer que se pudesse desperdiçar uma oportunidade de matar umlobo.‰
 „Chegámos junto da velha loba a tempo de observar um altivo fogo verde a morrer nos olhos dela. Com-preendi nesse momento, e nunca mais deixei de o saber, que havia algo de novo em mim naqueles olhos – algoque apenas ela e a montanha conheciam. Nesse tempo eu era jovem, e cheio de prontidão no gatilho; pensava,porque menos lobos significavam mais veados, que o desaparecimento total dos lobos ária o paraíso dos caçado-res. Mas depois de ter visto aquele fogo verde a extinguir-se, senti que nem o lobo nem a montanha concorda-vam com essa maneira de ver.Desde então vivi o suficiente para ver estado atrás de estado extirpar os seus lobos. Observei a face demuitas montanhas onde os lobos tinham acabado por ser exterminados, e vi as vertentes voltadas a sul ganharemrugas num dédalo de novos rastos de veados. Vi todos os arbustos e plantas novas comestíveis serem roídos pelosveados, primeiramente ao ponto de ficarem anémicos e inúteis, e a seguir até à morte.
enquanto um veado abatido pelos lobos pode ser substituído em dois ou três anos, uma cordilheiradesarborizada por um excesso de veados não consegue reconstituir-se em tantas outras décadas.O mesmo se passa com as vacas. O vaqueiro que livra a sua cordilheira dos lobos não compreende queestá a impedir a tarefa do lobo de desbastar a manada por forma a que ela se adapte à cordilheira. Ele não apren-deu a pensar como uma montanha. É por isso que temos áreas desertas devido à erosão, e rios que arrastam ofuturo para o mar.‰„Todos nós lutamos por segurança, prosperidade, conforto, vida longa, e monótona rotina. O veado lutacom as suas longas pernas flexíveis, o vaqueiro com armadilhas e veneno, o estadista com a caneta, a maioria denós com máquinas, votos e dólares, mas tudo dá no mesmo: paz no tempo que vivemos. Um pouco de êxito nistoé uma excelente coisa, e é talvez um requisito para um pensamento objectivo, mas o excesso de segurança pare-ce ter somente por resultado perigos a longo prazo.
É talvez esse o significado escondido de uivo do lobo, hámuito conhecido das montanhas, mas raramente vislumbrado pelos homens.P. 159 – Sobre o recreio ao ar livre que em vez de proporcionar o reencontro do Homem com a Natureza aca-ba muitas vezes por agudizar o seu já estado vulnerável, escreveu:
„Por consenso geral, é bom para as pessoas regressarem à natureza. Mas onde é que reside o benefício eque se pode fazer para incentivar a sua busca? Sobre essas questões as recomendações são confusas, e só as men-tes mais desprovidas de sentido crítico estão livres de dúvidas.‰
„Cartazes publicitários fixados sobre as próprias rochas e leito dos rios comunicam a toda a gente a localiza-ção de novos refúgios, paisagens, campos de caça e lagos de pesca, logo adiante daqueles que acabaram de serdevastados. Departamentos da administração constroem estradas em novas regiões afastadas, e depois comprammais terrenos afastados para absorver o êxodo acelerado pelas estradas. A indústria de acessórios fornece almofa-das para proteger os clientes da natureza em bruto; a arte de viver na floresta torna-se a arte de usar essa quin-quilharia.
para quem procura algo mais, o recreio ao ar livre tornou-se um processo auto-destrutivo de procu-rar sem nunca encontrar, uma enorme frustração da sociedade mecanizada.‰...„Quem procura o seu lazer na caça ao troféu apresenta peculiaridades que contribuem de forma subtil paraa sua própria ruína. Para desfrutar tem que possuir, invadir, apropriar-se. Daí que a natureza selvagem que elenão pode ver pessoalmente não tenha valor para ele. Daí o pressuposto universal de que as terras remotas nãoutilizadas não prestam quelquer serviço à sociedade. Para quem é desprovido de imaginação, um lugar vazio nomapa é um desperdício sem préstimo; para outros, a parte mais valiosa. (Será a minha parte no Alasca sem valorpara mim porque nunca lá irei? Precisarei eu de uma estrada para me mostrar as pradarias do
˘ 
rctico, as pasta-gens de gansos do Yukan, o urso de Kodiak, as pradarias de carneiros situadas para além dos montes Mckinley?)
„O desenvolvimento do lazer não está em construir estradas para chegar a regiões que são já dignas deamor, mas em construir receptividade na mente humana ainda desprovida de amor.‰

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