Reunidos em São João da Talha, Concelho de Loures, no dia 15/06/2008, as organizações de defesa doambiente Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, MPI – Movimento Pró-Informação paraa Cidadania e Ambiente e ADAL – Associação de Defesa do Ambiente de Loures para apreciarem conjunta-mente o processo em curso - promovido pela EGF, com a cobertura política do Ministério do Ambiente – tendoem vista proceder à fusão dos sistemas de tratamento de resíduos sólidos urbanos da Valorsul, Resioeste, con-cluíram e tornam público:
1.
Prossegue com sinais evidentes de injustificado secretismo
um processo que visa juntar num só, os sistemasde tratamento de resíduos sólidos urbanos da Valorsul, Resioeste;
2.
O caminho que está a ser percorrido e a forma como está a ser conduzido o processo, não apenas
revela amaior falta de transparência de entidades públicas dependentes do Governo,
como se tem revelado deliberada-mente orientado a confundir e enganar as entidades municipais e as respectivas populações;
3.
Os „estudos‰ até agora apresentados aos municípios, designadamente da região Oeste,
suscitam as maioresdúvidas e reservas quanto ao rigor dos dados utilizados, ao equilíbrio das análises e boa fé das conclusões
;
4.
Verifica-se que na zona da Valorsul, e também da Tratolixo (que envia grandes quantidades de resíduos,cerca de 100 mil toneladas/ano, para a incineradora da Valorsul), nem os órgãos municipais, nem as associaçõesrepresentativas das populações tiveram ainda acesso a qualquer documento, enquanto na área da Resioeste sãodisponibilizados documentos desactualizados e insuficientes para a apreciação do processo;
5.
Conclui-se pois, que estão a ser escamoteados dados, informações e análises que urge conhecer, debater etornar do conhecimento geral
;
6.
A Plataforma suspeita e teme, pelas informações que conseguiu reunir, que esteja
em marcha um processoque não visa ganhos ambientais
, que não tem por objectivos um salto em frente no tratamento e destino finaldos resíduos sólidos urbanos com o incremento das recolhas selectivas e o encaminhamento para as fileiras dereciclagem,
mas a concentração de RSU que justifiquem a construção de uma nova linha de queima de resíduosna Incineradora da Valorsul em São João da Talha
;
7.
Simultaneamente, estão a ser feitas diligências para convencer autarcas e populações que haverá uma subs-tancial redução das tarifas a pagar pelo tratamento dos resíduos sólidos urbanos. Os dados económicos a que foipossível ter acesso, levantam as maiores dúvidas sobre que tal possibilidade seja efectiva, a menos que se tratemde valores politicamente determinados para seduzir para o processo as autarquias e as populações. Se for esse opropósito,
cabe-nos alertar para a inevitabilidade de após o primeiro ano de preços „subsidiados‰, a cavalgada dovalor das tarifas vir a ser imparável
;
8.
Tudo indica portanto que o Governo advoga a constituição de uma „montanha económica e accionista quevai parir um rato ambiental‰
. Note-se que no resultado da fusão apenas se aspira a uma taxa de reciclagem demíseros 15%, isto é, igual àquela que já hoje foi atingida;
9.
Donde só se pode concluir que o objectivo será
queimar-queimar-queimar
e
enterrar-enterrar
;Por isso, a Plataforma irá desencadear, desde já, um conjunto de diligências de contacto com autarquias,autarcas e outras entidades interessadas no assunto e, ao mesmo tempo, exigir de quem de direito a disponibili-zação de toda a documentação de suporte já elaborada pelas entidades públicas competentes,
pugnando peloimediato início da apreciação pública dos propósitos do Governo
, das suas justificações,
mas também das alterna-tivas viáveis, ambientalmente adequadas e sensatas e respeitadoras dos cidadãos, dos seus direitos de participa-ção, escolha e bem estar
.
C
OMPLETA
FALTA
DE
TRANSPARÊNCIA
NO
PROCESSO
DE
FUSÃO
V
ALORSUL
-R
ESIOESTE
.
Página 2
B
OLETIM
I
NFORMATIVO
MPI
n.º 14 - Novembro de 2008
L
IVRO
: P
ENSAR
COMO
UMA
M
ONTANHA
Este livro da autoria de Aldo Leopold é o mais debatido clássico da ecologia e da Natureza em todo o Mundo.Foi publicado pela primeira vez em 1949, já depois da sua morte, e só agora, quase 60 anos depois, foi traduzidopara português e publicado pelas edições Sempre-em-Pé (e.mail: contacto@semprempe.pt, site:www.sempreempe.pt)Aldo Leopold nasceu em 1887 nos EUA, diplomou-se em ciências florestais tendo trabalho no Serviço Flo-restal do seu país, entre outras funções que foi desempenhando ao longo da sua vida. Com a sua profunda forma-ção científica e experiência e dotes literários, conseguiu escrever tantas e tão belas considerações e reflexões
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