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MACEDO, Tânia. Apostila de Literuraturas Africanas de LP II (2011)

MACEDO, Tânia. Apostila de Literuraturas Africanas de LP II (2011)

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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULOFaculdade de Filosofia, Letras e Ciências HumanasDepartamento de Letras Clássicas e Vernáculas
LITERATURAS AFRICANAS DE LÍNGUAPORTUGUESA IAntologia de Textos
Profa. Dra. Tania Macêdo
2011 – IIº Semestre
 
2
ÍNDICE
Textos críticos
 A oratura em Angola
 –
Tania Macêdo03Prólogo – A memória Africana -
 Amadou Hampâté-Ba
05Modelos criticos de representação da oralidade – Ana Mafalda Leite07Valores civilizatórios em sociedade negro-africanas Fábio Leite16 A década de 50. O movimento dos Novos Intelectuais - Ervedosa25 A CEI no contexto da política colonial portuguesa – Fernando Rosas37...
Trechos de
Retrato do colonizado precedido de retrato do colonizador 
... –Memmi
39Prefácio a
Os condenados da terra
J.-P. Sartre41Trecho do Cap. I –
Os condenados da terra
- F. Fanon50Fragmento de ensaio Manuel Rui54
Textos de poesia e ficção
 Agostinho Neto56 Aires de Almeida Santos58 Antonio Jacinto59 Arnaldo Santos61Boaventura Cardoso63Costa Andrade65José da Silva Maia Ferreira66José Luís Mendonça67Paula Tavares68Ruy Duarte de Carvalho71Uanhenga Xitu 73Viriato da Cruz76Notas biobibliográficas81Obs.:
 Aos textos de poesia e prosa desta Antologia, serão acrescentados outros presentes nas Antologias da União dos Escritores Angolanos denominadas, respectivamente
Todos os sonhos – Antologia da poesia moderna angolana
 Antologia do conto angolano
 A oratura em Angola (trecho do livro
Luanda, literatura e cidade
)
2
 
3
Tania MacêdoDadas as numerosas formas de manifestação que a oratura tradicional angolana assume - amúsica, a poesia, as narrativas e os provérbios e até os testos ou tampas de panela
1
 - optamospor seguir a classificação proposta por Héli Chatelain a propósito dos quimbundo, a qual, deve-sefrisar, não colide com a de outros estudiosos
2
como, por exemplo, Oscar Ribas (1964).Dessa maneira, pode-se afirmar que as manifestões culturais orais angolanasclassificam-se em seis classes principais:
a primeira delas inclui todas as estórias tradicionais de ficção, inclusive aquelas emque os protagonistas são animais. Segundo Chatelain, elas “devem conter algo demaravilhoso, de sobrenatural. Quando personificamos animais, as fábulas pertencem aesta classe, sendo estas histórias, no falar nativo, chamadas de
MI- 
SOSO.
Começame findam sempre por uma fórmula especial” (CHATELAIN, 1964, p. 102) A forma especial de intróito dessas narrativas se dá graças a uma utilização idiomática doverbo
ku-ta
, que significa “contar”, “falar”, “expor”. Uma tradução do uso específico desse verbonas narrativas tradicionais equivaleria aproximadamente a “por uma estória”. Esse uso se observaquando o contador dá início à narrativa com:“Vou por uma estória”. A que o auditório prontamente responde: “Venha ela” (“Diize”)Já com relação ao fecho das narrativas tradicionais, é Óscar Ribas quem informa:No encerramento, diz-se: ‘Já expus (Ngateletele) a minha historiazinha. Se é bonita, se éfeia, vocês é que sabem.’ Quando a história é pequena, finaliza-se: “Uma criança nãopõe uma história comprida, senão nasce-lhe um rabo!” (RIBAS, 1964, p. 28).Referindo-se aos temas e personagens do mi-soso (ou misosso), o mesmo autor ainda dizo seguinte sobre as personagens e ações dos contos tradicionais angolanos:Os contos, ordinariamente, refletem aspectos da vida real. Neles figuram as mais variadaspersonagens: homens, animais, monstros, divindades, almas. Se, por vezes, a açãodecorre entre elementos da mesma escie, outras, no entanto, desenrolam-semisteriosamente, numa participação de seres diferentes. (RIBAS, 1964, p. 30)Nos mi-sosso os animais, assim como os homens, revestem-se de dignidade própria e sãodotados do dom da fala. Entre si tratam-se de forma cortês e ordinariamente as suas relaçõespautam-se não pela escala de hierarquia social, mas tão-somente da familiar. Quando emsociedade, o valor individual reside na corpulência e, por conseguinte na força, constituindo,aparentemente, a inteligência e a astúcia, predicados secundários. Ocorre, entretanto, que via deregra, tal como acontece entre os homens, um animal pequeno, valendo-se da sua esperteza,vence o de porte superior e, assim pode-se verificar que grande parte dos mi-sosso acaba por enaltecer a astúcia, em detrimento da força bruta. Dentre os animais destacam-se:
o
mbewu
(cágado ou tartaruga) que normalmente é apresentado como juiz inteligente esagaz e cuja longevidade lembra a sabedoria dos mais-velhos;
kandimba
(a lebre ou coelho selvagem) – é também juiz, mas não raro foge àsconseqüências, ou seja, dá a sua opinião, decide mas não implementa as decisões,preferindo esconder-se;
njamba (o elefante
) – apresenta-se como representante da força bruta, de modo nasua representação a força física sobreleva a inteligência;
nguli, hosi ou ndumba (leão)
 – assim como o elefante, é representante da força e daferocidade. É, no entanto, representado como facilmente enganável por um animalmais astuto.
1
Para José Martins Vaz (1969- I vol. p. 9), os testos – tampas - de panela são “cartas, bilhetes esculpidos,portadores de mensagem traduzíveis em provérbios (...) “
2 Ver, a respeito, ver a exaustiva bibliografia citada e comentada por Oliveira (2000, vol. I, p. 94)3

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