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Judeus No Brasil

Judeus No Brasil

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HISTÓRIA DOS JUDEUSNO BRASILSALOMÃO SEREBRENIKEdição Especial por motivo da visita do Presidente de Israel - ZALMAN SHAZAR - ao BRASIL (18 a26 de Julho de 1966)Rio de Janeiro - Colaboração de Manchete
ÍNDICEINTRODUÇÃO
A história dos judeus no Brasil constitui um caso único, pois não se conhece outro país no qual setenham eles instalado logo nas primícias do respectivo povo, ficando-lhe continuamenteassociados e participando do seu desenvolvimento econômico e social.De fato, desde o descobrimento do Brasil até a época presente, os judeus, quase semintermitência, aberta ou disfarçadamente, estiveram integrados nos processos de formação danacionalidade brasileira.Isso não obstante, a historiografia judaica referente ao Brasil não deve ater-se às fases e aosmarcos gerais da evolução política e social do país, e sim orientar-se essencialmente segundo osfatos e acontecimentos históricos que hajam repercutido especificamente nas condições de vidaindividual e sobretudo coletiva dos judeus.De acordo com tal critério, é lícito destacar quatro grandes ciclos na história dos judeus no Brasil,cada qual comportando diversas fases de ascensão, consolidação e declínio: 1 - O Primeiro CicloPortuguês (1500-1630); 2 - O Ciclo Holandês (1630-1654); 3 - O Segundo Ciclo Português (1654-1822); 4 - O Ciclo Cosmopolita (1822-1966).
1 -O PRIMEIRO CICLO PORTUGUÊ
(1500-1630)Verificou-se o descobrimento do Brasil no ano de 1500, quando Portugal se achava no auge da suaexpansão no mundo. Não era então somente a glória militar ou apenas o desejo de dilatar a fécatólica que impeliam os portugueses às suas grandiosas expedições marítimas. Ao lado dessesmotivos, ou mesmo acima deles, imperava o espírito comercial, eis que Portugal visava controlar ointercâmbio com o Levante e ambicionava concentrar em suas mãos as principais atividadeseconômicas daquela época.Mas apenas esses motivos, por mais estimulantes que fossem, não teriam bastado para promover o extraordinário alargamento de Portugal; o grande ciclo das conquistas portuguesas, entre elas ado Brasil, não se teria concretizado sem o longo período de descobertas e aperfeiçoamentoscientíficos que o precedeu, e no qual tiveram papel de sumo relevo os sábios judeus ibéricos.Estes, als, desde o culo XII, vinham se distinguindo sobremaneira nos donios damatemática, astronomia e geografia, ciências essas básicas para a arte náutica, especialmente
 
para a navegação oceânica, e os governantes portugueses aproveitaram de forma esgotante talacervo científico israelita em prol da ascensão de Portugal à posição de grande potência naval.Assim, para a direção da “Escola de Sagres”, primeira academia portuguesa de navegação,fundada em 1412, foi escolhido um dos mais famosos cartógrafos do século XV, o judeu JehudaCrescas, cuja missão essencial era ensinar aos pilotos portugueses os fundamentos da navegaçãobem como a produção e o manejo de cartas e instrumentos náuticos. Mais tarde, outros judeus derenome científico prestaram sua colaboração à “Escola de Sagres”, destacando-se os sábios JoséVizinho, Mestre Rodrigo e, sobretudo, Abraham Zacuto, autor do “Almanaque Perpétuo de Todosos Movimentos Celestes”.Mas, a contribuição judaica ao descobrimento de novas rotas e de novas terras para a coroaportuguesa não se limitou ao campo científico de feição preparatória, senão também se traduziuem participão direta nas temerias viagens, inclusive na expedição que resultou nodescobrimento do Brasil, eis que, na frota dirigida por Pedro Álvares Cabral, viajavam comoconselheiros especialistas pelo menos três judeus: Mestre João, astrônomo equipado com osinstrumentos de Abraham Zacuto, Pedro Nunes, navegador, e Gaspar de Lemos, intérprete ecomandante de navio, justamente considerado pelos historiadores como co-responsável pelodescobrimento do Brasil.Logo nos primeiros anos após a descoberta do Brasil, arrefeceu o interesse do rei de Portugal pelanova terra. A corte era naquele tempo verdadeiramente uma grande casa de negócio e como, por um lado, estivesse fundamente absorvida com as dispendiosíssimas expedições à Índia, ondepretendia estabelecer um vasto império colonial, e, por outro lado, não enxergasse lucrosapreciáveis e imediatos na exploração do Brasil, este ia sendo relegado a um simples ponto deligação nas viagens à Índia, uma escala de refresco e aguada.É assim de todo compreensível que, tendo o monarca D. Manoel recebido em 1502, de umconsórcio de judeus dirigido pelo cristão novo Fernando de Noronha, uma proposta paraexploração da nova colônia mediante contrato de arrendamento, ele a aceitasse de bom grado; eraa colonização do Brasil que se lhe oferecia, para ser feita a expensas de particulares, sem riscos esem ônus ou quaisquer encargos para o erário público. O contrato, que era um monopólio decomércio e de colonização, foi firmado em 1503, pelo prazo de 3 anos, tendo sido, com algumasmodificações, sucessivamente renovado até 1515.A exploração concentrou-se especialmente na madeira de “pau-brasil” (também chamada naqueletempo “madeira judaica”), artigo então grandemente procurado nos mercados europeus para asindústrias de corantes. Tão intenso se tornou o comércio do pau-brasil durante o arrendamento dopaís a Fernando de Noronha, e de tal importância econômica ele se revestiu, que deu origem àdenominação de “ciclo do pau-brasil”, sob o qual é conhecido, na história do Brasil, aquele período,além de ter determinado a adoção do nome definitivo da terra - Brasil - em substituição ao deSanta Cruz, como era antes designada.Admite-se que, ao lado dos objetivos comerciais, Fernando de Noronha, ao propor ao governoportuguês o arrendamento do Brasil, visasse ainda facilitar o êxodo dos judeus, então perseguidosem Portugal. De qualquer forma, é do consenso geral que, nas expedições comerciais do sindicatode Fernando de Noronha, judeus constituíram a maioria, cabendo-lhes assim o mérito de teremlançado no solo da nova pátria os primeiros marcos da civilização.Na altura do ano de 1515, o Governo de Portugal despertou para a realidade: teria que tomar contado vastíssimo território brasileiro se não quisesse expor-se ao risco de perder o comércio com ele emesmo a soberania. Efetivamente, esse perigo existia, pois, àquele tempo, o litoral brasileiro eratambém freqüentado grandemente por franceses contrabandistas, que procuravam traficar com osindígenas, infringindo assim o monopólio português do pau-brasil; era visível, além disso, que asimples exploração localizada dessa essência florestal não poderia conduzir à colonização eocupação da nova terra.Interrompeu então o Governo de Portugal o contrato com Fernando de Noronha e passou a tomar medidas de proteção militar do território brasileiro, bem como a incentivar a sua colonizaçãomediante a implantação da cultura da cana-de-açúcar. Mas, a despeito das expressivas facilidades
 
concedidas pelo Governo português nessa tentativa de colonização dirigida, tais como transporte,equipamentos e assistência técnica, raros eram os colonos portugueses cristãos que quisessememigrar para o Brasil - provavelmente em virtude da atração que sobre eles continuava a exercer aÍndia - razão por que, ao lado de criminosos, condenados ou exilados, se destacaram osvoluntários judeus, que constituíam a maioria das levas imigratórias.Verifica-se, assim, que, não apenas no descobrimento e nas primeiras explorações do Brasil, mastambém na colonização inicial do país, parece ter cabido aos judeus uma honrosa participaçãofundamental.Com os crescentes incentivos do Governo português à ocupação e ao povoamento do territóriobrasileiro - inclusive através da sua divisão, entre os anos de 1534 e 1536, em 14 capitaniashereditárias, entregues a donatários - , novos motivos de estímulo foram se apresentando para avinda de judeus ao Brasil. Os donatários, desejosos de imprimir prosperidade às suas capitanias,porfiavam em atrair colonos, mas, ainda desta feita, os portugueses cristãos preferiam a Índia,cujos efeitos atrativos perduravam. Não restava aos donatários senão recorrer mais uma vez aos judeus, que, aliás, se revelaram excelentes colonizados: estavam familiarizados com a indústria doaçúcar, que já vinha sendo, desde muitos anos antes, a ocupação preferencial dos judeus das ilhasda Madeira e de São Tomé - de onde provavelmente foi a cana-de-açúcar transplantada para oBrasil - e, além disso, eram os colonos judeus hábeis no trato com o gentio, a cujos hábitos elíngua logo se adaptavam, passando a contar depressa com a sua amizade.Assim, as possibilidades de progresso das capitanias dependiam em bom grau dos judeus, e,graças a essa circunstância, puderam eles gozar de bastante liberdade de costumes. E mesmoquando, depois de 1548, se implantou no Brasil um novo sistema de governo - o dos GovernosGerais -, a situação favorável dos judeus não sofreu qualquer alteração, muito embora na mesmaocasião se fixassem no país os jesuítas. As condições eram tais que as autoridades se viramforçadas a uma política de transigência e cautela. Na contingência de ou perderem as esperançasde colonização do Brasil, ou levarem a bom termo a missão de que se achavam incumbidas,optaram pela segunda alternativa e, para tanto, tiveram que fazer tábua rasa das exigências daInquisição.Esse panorama de tolerância contrastava vivamente com a onda de ódio e discriminação quevarria Portugal, onde crepitavam sem cessar as fogueiras dos autos de fé. É assim compreensívelo efeito que entre os judeus de Portugal deviam exercer as notícias ali chegadas sobre a vida judaica no Brasil. Tangidos pela fúria avassaladora da perseguição religiosa, sentiam-se os judeusde Portugal impelidos a tentar vida nova no Brasil, que se lhes afigurava como refúgio seguro,onde poderiam concretizar-se os seus anseios de paz e liberdade.Em tais condições, tudo favorecia o estabelecimento de uma intensa e ininterrupta correntemigratória de judeus portugueses para o Brasil, onde, prosperando rapidamente, passaram aformar numerosos cleos, dando mesmo início a uma razoável vida coletiva, como otestemunham referências encontradas sobre uma sinagoga que funcionava numa casa depropriedade do cristão novo Heitor Antunes, na cidade de Salvador - sede do Governo Geral - esobre uma outra que fazia parte de um centro marrano em Camaragibe, capitania de Pernambuco,capitania que chegou a contar com um “rabi” - o cristão novo Jorge Dias do Caia.Essa situação bonançosa dos judeus brasileiros, nos meados do século XVI, pôde concretizar-seem virtude da existência dos principais fatores que permitem a evolução de uma comunidademinoritária: havia “suficiência numérica”, tendo os judeus, graças à intensa imigração e aocrescimento natural, alcançado uma proporção razoável em confronto com a população geral, osuficiente para se opor ao risco de assimilação; havia “refrescamento imigratório”, pois o processode imigração era contínuo, e as sucessivas levas de judeus portugueses exerciam um papelreativante, contra-aculturativo; finalmente, havia “liberdade de culto”, com tolerância bastante paraque os judeus mantivessem abertamente suas práticas religiosas, ainda que algo sincretizadascom o catolicismo.Entretanto, por volta de 1570, passou a toldar-se o horizonte judaico no Brasil, até então sereno.Começaram a surgir sinais de restrição à liberdade, que com o tempo se avolumaram, fazendo

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