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Ontem, Hoje e Amanhã
Em cada país existem datas significa-tivas que marcam pontos de viragempara vidas novas e livres. Em Portugalesse ponto de viragem aconteceu em
1974 quando os militares de forma
organizada e ordeira colocaram fim aum regime autoritário
 – 
o Estado Novo.Iniciou-se um novo período para o paísdo qual todos nós somos herdeiros, umpaís livre e democrático.O 25 de Abril foi comemorado, nanossa escola, de uma forma inovadorae que vai marcar a sua história, parasempre. O Departamento de Históriacom a ajuda da Professora Alcina deEducação Visual fez um mural sobreeste dia tão importante para Portugal.O esboço foi feito pela Professora deE.V. com características da vanguardacubista e esta inspiração proveio da visita de estudo ao Museu Amadeo deSouza Cardoso e das correntes artísti-cas estudadas nas aulas de História eEducação Visual. Este mural pode ser visto numa das paredes exteriores dopolivalente. Houve uma grande adesãodos alunos para a concretização destapintura, pois todos queriam deixar umamarca, desde os mais pequenos do 5.ºano até os finalistas do 12.º B.Este mural não foi a única actividadefeita pelo Departamento de História. Ao longo da semana estiveram expos-tos no polivalente da escola trabalhossobre o 25 de Abril acompanhadospelas músicas do mediático Zeca Afon-so, particularmente a sua famosa
―Grândola Vila Morena‖.
 
C.F. (CJ)
O BERRÃOO BERRÃOO BERRÃO 
EDITORIAL
O final do ano lectivo aproxima-se, trazendo com ele anecessidade de reflectir sobre mais um ano, sobre as suasexperiências educativas, relações humanas, novas realidades.
O Berrão
 
 já vai na terceira edição e constrói
-se, cada vez
mais, com matérias tratadas pelos jornalistas do Clube queganharam um à vontade extraordinário para abordar todos oselementos da comunidade escolar no resgate de uma novida-de, de uma possibilidade de reflexão.É tão bom trabalhar com adolescentes! O desejo de tudoabarcar com suas mãos hábeis, a ambição de dominar temas esituações que os apaixonam ou desiludem, a vontade de tornaros acontecimentos em marcas das suas objectivas, o anseio dese aperfeiçoar, de ser maior do que ontem, de fugir ao redun-dante, ao medíocre, rasgam caminhos de verticalidade profis-sional a toda a equipa, enlaçam alegria e honestidade no tra-balho, enfim, conferem dignidade a qualquer professor.Desta vez, mantiveram-se apostas bem acolhidas pelos leito-res das edições anteriores, como foi o caso das notícias relati- vas aos ex-alunos ou aos finalistas.Tentou-se chegar mais longe no contacto com alguns entre- vistados. Com a escritora Alice Vieira, experimentou-se anovidade ao entrevistá-la por email, evitando desse modopossíveis incompatibilidades ou, até mesmo, escusas decep-cionantes.Deu-se espaço a reflexões que partiram, por exemplo, da
―Política‖ como tema privilegiado, respondendo ao desafio
proposto pelo Jornal Público, no âmbito do concurso de jornaisescolares 2008/2009. Desta feita, lançaram-se textos sobre asfolhas que desenvolvem ideias sobre a sociedade democráti-ca, a cidadania como desafio dos nossos dias, Deus e os políti-cos e educadores, a necessidade de dominar os outros ou aEuropa.Trabalhou-se no sentido de conseguir um jornal que desse àEscola e à comunidade onde esta se insere um retrato doesforço e do empenho dos seus elementos constitutivos, tendoo cuidado de valorizar sobretudo os alunos que a integram eque fazem dela uma escola melhor porque um lugar de diálo-go. Porém, para que o jornal se torne num verdadeiro espelhoé necessário ainda incrementar a participação de todos aque-les que dela dependem, todos os que nela se reconhecempelas mais variadas razões. A consciência de que o jornal doagrupamento é uma aliança entre todos deverá desenvolver-se para o bem da comunidade educativa. Para aprender, ensi-nar, viver e conviver numa escola de qualidade é urgentecontinuar a fazer de
O Berrão
a marca do orgulho de todos.Os jornalistas que terminam o 12º ano merecem muitas pala- vras de agradecimento pela dedicação demonstrada em todasas sessões do clube e por possibilitarem reconhecer e conhe-cer os outros através do seu trabalho.Um bom final de ano lectivo para todos.
P.R.F. (CJ)
 Jornal Online em http://jornalavem.wordpress.com
 Jornal do Agrupamento deEscolas de Murça
 
http://avmurca.org
Edição 3 Junho 2009
1 berrão
 
Impressão: Tipografia Viseense
 — 
Tiragem:300 exemplares
D E S T A Q U E S P. 2 - Notícias de Ex-alunos P. 3 - Conversa com o Director do Agrup. P. 4 - Conhecer melhor Alice VieiraP. 5 - Dia da Europa
 
P. 6 - Projecto Comenius P. 7 - Os nossos Finalistas P. 8 - 25 de Abril - Dia da Liberdade
Duas Vezes Chá com Livros
 A substrutura de Língua Portuguesa organizou dois encontros neste terceiro
período lectivo da actividade
Chá com livros 
que decorreram, como habitual-mente, na BE/CRE da escola, com um balanço francamente positivo relativa-mente ao interesse manifestado por parte dos alunos pela leitura recreativa.
O primeiro encontro, dia 22 de Abril, apresenta-
do pela professora Palmira Guedes, contou com
13 participantes e títulos diversos. Foi muito o
entusiasmo de todos perante as sucessivas apre-sentações e o chá quentinho com bolachinhas sor-tidas a acompanhar. As escolhas dos participantesrecaíram em títulos e autores para todos os gostose idades. Salienta-se a forte adesão dos alunos do
5º ano a esta actividade virada para a comemora-
ção da leitura.
Desde
 A Ilha do Tesouro
de Robert L. Stevenson ,
Quero ser Outro
 
de Ana Maria Magalhães e Isabel
 Alçada,
 As Andanças do Senhor Forte
 
de António
Mota ,
Crónica dos Bons Malandros 
 
de Mário Zam-
bujal,
 Mafalda
de Quino,
 Patrícia
de Julie Camp-bell,
 Lágrimas Coloridas 
de Ana Macedo,
Ganhei  Milhões na Lotaria
 
de Jerónimo Stilton, todos
sugestões dos alunos, até
 Poemas 
de Mia Coutoou
Seis Personagens à Procura de um Autor 
de Luigi Pirandelo, como propostas de pro-fessores, todos os leitores e leituras foram bem acolhidos e aplaudidos.O segundo encontro, no passado dia 27 de Abril, foi apresentado pela professora Ana Arminda e teve exactamente o mesmo número de participantes. Também desta vez, trezeleitores levaram trajectos de leitura aliciantes para partilhar com todos: o poema
Os Putos 
de Ary dos Santos;
 Lua Nova
de Ste-
phanie Meyer;
 Moushi, o Gato de Anne Frank 
 
de José Jorge Letria;
Sexta-feira ou a Vida Selvagem
de Michel Tournier;
 A FadaOriana
de Sophia de Mello Breyner;
 Amor de Perdição
de Camilo Castelo Branco;
O Egas Desarrumado
de Jocelyn Stevenson,
O Incendiário Misterioso
de Maria Teresa M. Gonzalez,
Os Intelectuais 
de Paul Johnson,
 Alforrecas da Vida
de Guy Browning,
 Lágri- mas Coloridas 
de Ana Macedo e
Um Homem: Klaus Klump
 
de Gonçalo M. Tavares.
 
Este último encontro não deixou de contar com música de fundo e, claro, o chá com bolachas que tanta alegria dá aos alunos eprofessores, trazendo à actividade o gosto pelo convívio e o bem-estar de todos. Pena foi que esta última sessão tenha coincidi-do com uma actividade no âmbito da Música, agendada para a mesma hora, que fez com que muitos dos alunos participantestivessem que se retirar antecipadamente.
CJ
 
O BERRÃO PÁGINA 2 EDIÇÃO 3 - JUNHO 2009
Tiago Ferreira
CJ- Quando é que termi-naste o 12.ºano?
T. F.- Terminei o meu 12.ºano no mês de Junho de
2006.
CJ- O que é que mais temarcou no teu percursoescolar nesta escola?
T. F. - Tudo o que vivi,por mais simples quefosse, me marcou. Noentanto, de tudo que pas-sei posso dizer que o dia em que fui eleito presidente daassociação de estudantes e o dia em que me confrontei comos resultados dos exames nacionais, me marcaram de umaforma especial.
CJ- De que é que não guardas saudades?
T. F. - Bem, não guardo saudade de todos aqueles professo-res que não conseguiram colmatar as minhas maiores difi-culdades.
CJ- O que é que não voltarias a fazer se pudesses voltaratrás no tempo?
T.F. -Sem dúvida, que não voltaria a ver as aulas como aque-
le bloco de ‗seca‘, mas sim como uma peça essencial para
conseguir construir um futuro seguro e acreditem que meaplicaria muito mais. Não estou a tentar passar aquela ima-gem do rapaz que já cresceu e está a ficar homenzinho, massim a de um rapaz que já estuda há 3 anos na faculdade esabe o quanto foi difícil remediar todas as falhas que criei aolongo da minha caminhada na escola. Tenho consciência deque a culpa não é somente minha, mas digo-vos com toda acerteza, que grande parte das dificuldades de aprendiza-gem que vivi e que ainda hoje vivo são culpa da minha pre-guiça e da falta de vontade em querer saber. O bichinho dacuriosidade é que nos torna mais inteligentes e habilidosos.
CJ- Ainda te lembras do teu primeiro dia de aulas do
5.ºano? O que é que guardas na memória?
 
T.F. Infelizmente, não me recordo de muita coisa. A únicalembrança que me vem à memória é a daquele nervoso miu-dinho por saber que iria viver uma experiência completa-mente nova daquela que foi a escola primária.
CJ- O que fizeste a partir do momento em que concluísteo 12.ºano?
T.F.- Confesso que saltei de alegria por ter terminado umagrande etapa, mas depois disso vieram as candidaturas, deseguida a faculdade e até hoje estou a estudar na Universi-dade do Minho.
CJ- Que curso estás a frequentar?
Estou a frequentar o 3.º ano da licenciatura em EngenhariaInformática, na Universidade do Minho, em Braga.
CJ- O que esperas do futuro?
T.F.- Viver feliz para sempre, rodeado de filhotes (estou nabrincadeira...).Sinceramente, não tenho nada definido, tal- vez uma vaga ideia, mas confesso que as alegrias e as triste-zas com que nos confrontamos todos os dias tornam essasdecisões cada vez mais complicadas. No entanto, indepen-dentemente daquilo que seja a minha decisão final, sei quese baseará em conseguir fazer chegar a todos aquilo que
aprendi e ajudar a construir aquilo a que se chama de ―ummundo melhor‖.
 
CJ- Que conselho dás aos alunos desta escola?
T.F.- O mesmo conselho que todos vocês ouvem dos vossospais e professores. Que se apliquem e vejam os livros e aescola como uma peça muito importante, para não dizer amais importante, para conseguirem realizar os vossos objec-tivos. Não desviem o olhar só porque estão a ler aquilo que já estão fartos de ouvir, leiam as minhas palavras como aspalavras daquele colega mais velho que, apesar da poucaexperiência de vida que tem, é capaz de vos dizer que omundo aqui fora não é aquilo com que sonhamos e que asdificuldades que vivemos aí, existem em todo o lado.O melhor conselho que vos posso dar é que sejam vocêsmesmos e que vivam cada dia com a vontade de vencer.Não baixem a cabeça só porque existe um problema queparece ser impossível de ultrapassar. Até hoje não conhecinada que fosse realmente impossível. Lembrem-se de quetudo o que vivemos, seja bom ou mau, nos ajuda a crescer eaquilo que seremos amanhã depende somente daquilo quefizermos hoje.Um grande abraço.
T.M. (CJ)
Notícias de ex-alunos ...
 
G
RAÇA
A.
O meu nome é Graça e estu-
dei desde o ensino básico (2.ºe 3.º ciclos) ao secundário, naescola de Murça.
Recordo os meus tempos de
secundário com alguma sau-dade, pois há coisas queficam na memória e relembrá--las sabe sempre bem.
Sei que parte do que sou
passou por aquilo que apren-di na escola, não só da leiturados manuais escolares e tra-balhos de casa, mas principalmente da relação directaestabelecida com colegas e professores. E da constantenecessidade de responder aos desafios diários, da tentati- va de aprender algo com eles.Posso retirar, a título de conclusão, deste percurso, quetemos que ver as coisas sempre como uma oportunidadee que cabe a nós mesmos decidirmos se a queremosaproveitar ou não.Terminei o Ensino Secundário no ano de 2004 e, nessemesmo ano, ingressei no Ensino Superior. Na EscolaSuperior de Educação do Porto, encontro-me a concluir o
5.º ano (Licenciatura Bi
-
etápica) do curso de Gestão do
Património.Estou a estagiar numa empresa de projectos artístico-culturais, enquanto trabalho em part-time, aos fins-de-semana. Em paralelo, e ao longo destes anos, tenho parti-cipado em várias actividades, tais como no voluntariado.Não sei, nem posso adivinhar o que o futuro me reserva,mas encaro-o com optimismo e vontade de construí-lo.Trabalhar será uma das prioridades, mas sem deixar delado o tempo de lazer e o divertimento, pois tudo se con- juga, quando repartido da melhor forma. Aos alunos da Escola de Murça gostaria de desejar feli-cidades para a vida futura e que possam tirar partido detodas as situações bem como lutar por aquilo que acredi-tam.
Graça A.
Cindy Enes - Testemunho de uma aluna francófona
Chamo-me Cindy Enes, tenho 17 anos e nasci em Neuchâtel,na Suíça. Tive a sorte de viver e estudar num dos lugares maisbelos do mundo: todos os dias, quando saía de casa para irpara o liceu Jean Piaget via a Montanha do Jura e o maior lagosuíço, o lago de Neuchâtel. Estive lá 16 anos com os meus paise a minha irmã mais nova, Sabrina.Quanto à escola, há algumas diferenças relativamente a Por-tugal. Na Suíça, no nosso horário escolar não há tanto tempolivre. Frequentei o 10.º ano, ainda em Neuchâtel, antes de virpara Murça e, nesse ano, entrava sempre às 8h15m, e saía às
12 horas. Voltava a entrar às 13 horas. Como a escola não tinha
cantina, almoçava no centro comercial mais perto qualquercoisa rápida. Tinha apenas uma tarde livre, a terça-feira. Nasrestantes tardes saía duas vezes às 15h30m, uma vez às
16h30m e, finalmente, a outra vez às 17h15m. Algumas vezes
pedíamos aos professores, essencialmente ao de Contabilida-de e ao de Inglês, para nos dar uma aula extra semanal, de 45minutos. Quando o professor estava disponível, aceitava dar essa aula para tirar as dúvidas aum grupo de alunos mais necessitado.Lá, os alunos não têm que pagar os manuais escolares, estes são gratuitos e fornecidos pelosprofessores na primeira aula das várias disciplinas. Assim, é muito melhor para os estudantese para as suas famílias.Quando fazíamos testes, eram os professores que nos davam a folha de teste. Cá, somos nósque temos que a comprar e ter a responsabilidade de nos lembrarmos dela. Também sentique cá há mais benevolência e lá, são mais exigentes. Por exemplo, no cumprimento de pra-zos para entrega de trabalhos, na minha escola, não havia uma segunda oportunidade. O alu-no não cumpria, tinha zero. Os professores portugueses cedem mais, são mais humanosporém, levam os alunos a abusar por, exemplo, no pedido de adiamento de testes, na descul-pabilização da não realização dos tpc, etc.Outro dado diferente é que na Suíça só existem dois períodos lectivos. As aulas começamem meados de Agosto e terminam em finais de Fevereiro, terminando assim o primeiro perío-do. O segundo período começa após duas semanas e termina em finais de Junho como emPortugal.Enquanto que cá o trabalho dos alunos se concentra muitas vezes numa ou duas semanas, assemanas dos testes e da apresentação de trabalhos, lá o trabalho era mais repartido pelo anolectivo. Todos os dias tínhamos que realizar tarefas: fazer uma ficha de trabalho, concluir exer-cícios práticos começados nas aulas, etc. Também não podíamos ter mais do que dois testespor semana e estes não podiam realizar-se em dias consecutivos, tendo que haver um interva-lo de pelo menos dois dias entre eles. Acho que lá há mais organização. Mesmo as férias sãomais distribuídas: duas semanas em Outubro para podermos vindimar; duas semanas noNatal; duas semanas no Carnaval que coincidiam com a passagem do primeiro para o segun-do período; uma semana em Março para irmos para o campo de esqui e esta actividade erasempre organizada pela escola por isso havia um professor a acompanhar cada uma das tur-mas; duas semanas na Páscoa; e finalmente 6 semanas de férias de Verão. Havia esporadica-mente paragens devido a feriados. As minhas férias preferidas eram sempre as de Verão pois vinha a Portugal ver a família e, claro, as férias no campo de esqui. Estas eram muito diverti-das, permitindo aprender a esquiar com um professor da especialidade, conviver com os alu-nos da escola, fazer piqueniques, desfrutar da montanha, enfim, divertir-me. Estou cá em Por-tugal por decisão dos meus pais pois eles sempre quiseram regressar às suas origens. Sinto-me feliz cá em Murça e completamente integrada. Sinto que não perdi tudo ao vir para cá. Fizmuitos amigos.
Cindy Enes
Zhuwenwen e Zhuyingying, duas Alunas Chinesas
Somos irmãs. Eu chamo
-me
Zhuwenwen e tenho 14 anos. A minha irmã mais velha cha-ma-se Zhuyingying e tem 15anos. Vivemos em Xangai atéaos meus 13 anos e 14 anos daminha irmã. Chegámos a Mur-ça em 2007 e foi por conselhode uma amiga da nossa mãeque conhecia bem Vila Realque ficámos a viver cá.
O Português é difícil, sobre-
tudo compreender o que sediz. Mas para nós o mais difí-cil é falar. Também a leituratraz dificuldades. Desde o anopassado temos tido aulas deapoio com a professora Ana Arminda. Temos aprendido muito com imagens e textos.Na China gostávamos muito de Matemática. Frequentámos a Escola Shimen emXangai, em sistema de internato. Só íamos a casa no fim-de-semana. A nossa turmaera muito grande, tinha 60 alunos mas aprendíamos tudo. Todos estavam atentosdurante as aulas. As disciplinas do currículo da nossa escola em Xangai eram as mes-mas. Tínhamos as mesmas disciplinas do que aqui e também diferentes professores.Todas as aulas duravam 45 minutos. Os intervalos eram todos de 10 minutos. A horade almoço começava às 11h50m e a duração variava consoante era Inverno ou Verão.No Inverno a hora de recomeço das aulas era às 13h30m mas no Verão só se entravaàs 14h00m pois como fazia muito calor, os alunos podiam deitar-se nos dormitórios edormir um pouco. Cada quarto tem 4 beliches e também uma mesa e cadeiras. Oedifício da escola é muito alto. Tem 6 andares, não é como as escolas portuguesas.O horário em Xangai também era diferente dos nossos cá em Murça. De manhã asaulas começavam às 6h30m. A esta hora todas as turmas iam para o campo durante 30minutos dançar e cada Director de Turma tomava conta de nós. Às 7h00m íamos parauma aula normal e tínhamos outros 30 minutos para lermos o livro que quiséssemosindividualmente. Podíamos escolher a disciplina e a matéria que quiséssemos. Tam-bém se tivéssemos dúvidas podíamos chamar o professor para nos esclarecer. Ter-minado o tempo, íamos tomar o pequeno-almoço ao bar da escola. Havia sempremuita oferta: leite e pão com doce, sumos, chá (lá não comíamos pão com manteigaou com fiambre!); legumes, carne frita, massa, arroz chau-chau, sopa, etc. Ficávamoscom muita energia e vontade para aprendermos. Às oito horas começavam as aulasdas várias disciplinas. Só terminávamos as aulas às 17h30m, já era de noite. Nesteintervalo, às vezes, íamos para a biblioteca jogar no computador, passeávamos noparque que tinha lagos com peixinhos muito bonitos, íamos ler um livro no nossoquarto, podíamos ir jogar ping-pong, ir para o campo fazer outro desporto, ver tele- visão, etc. A seguir jantávamos, convivíamos com os outros colegas e recomeçáva-mos as aulas às 19h00m. Tínhamos duas aulas com o respectivo professor. Fazíamosfichas de trabalho sobre as matérias das diversas disciplinas. Agora gostamos de viver cá em Portugal. Somos felizes. Podemos dizer que gostamos tanto de estar cácomo de estar em Xangai. Mas lá trabalha-se muito mais do que aqui. É diferente.
ZhuwenweneZhuyingying
 
 
O Reforço das Lideranças nas Escolas
 A escola portuguesa encontra-
se numa fase de profundas alterações,
que irão condicionar a sua actuação nos próximos anos. Um dos ele-mentos legislativos que está na base dessas alterações é o Decreto-Lein.º 75/2008, de 22 de Abril. Fazendo uma análise genérica do docu-mento podemos identificar que está organizado em função de trêsobjectivos bem definidos: 1.
«Reforçar a participação das famílias ecomunidades na direcção estratégica dos estabelecimentos de ensino»;
2. «Reforçar a liderança das escolas» e 3. Reforçar a «autonomia das 
escolas» (preâmbulo do Decreto-Lei n.º 75/2008).
No passado dia 18 de Maio, o Conselho Geral do Agrupamento Vertical de Murça (AVM)procedeu à eleição do seu director, aspecto decorrente do segundo objectivo definido nalei. A figura do novo director apresenta diferenças marcantes em relação ao cargo dePresidente do Conselho Executivo. Enquanto que este chefiava uma equipa, o director éum órgão unipessoal coadjuvado por um pequeno número de adjuntos. De notar que, oConselho Geral, não elegeu uma equipa, mas sim uma pessoa para dirigir o AVM nos pró-ximos quatro anos. Salienta-se também o facto de no acto eleitoral não poder participarum universo mais alargado, como acontecia anteriormente. O Conselho Geral, é umórgão com vinte e um elementos, sendo a ele que cabe a tarefa de analisar os projectosde intervenção, os
curricula
e as entrevistas de cada um dos candidatos ao cargo de
director (n.º 3, do artigo 7.º da Portaria n.º 604/2008, de 9 de Julho).Os poderes do director são mais vastos que a figura que ele vem substituir, salientando-se o poder de nomeação dos coordenadores de departamento curricular, principaisestruturas de coordenação e supervisão pedagógica, que responderão pela execução daslinhas de orientação definidas pelo director. Num debate promovido no AVM, no início de
2008, defendi que me parecia que se exagerava nas atribuições previstas para o cargo de
director. Hoje mantenho essa opinião, todavia, no espírito de quem legislou prevaleceu anecessidade de
“criar condições para que se afirmem boas lideranças e lideranças fortes,
 para que em cada escola exista um rosto, um primeiro responsável, dotado da autoridade necessária para desenvolver o Projecto Educativo e executar localmente as medidas de polí-tica educativa
‖ (
 preâmbulo do Decreto-Lei n.º 75/2008).
Uma coisa é o que a lei prevê, outras poderão ser as práticas que se virão a instituir.Quem faz a escola é todo um conjunto de partes interessadas, que vão desde os alunos,aos professores, aos pais e encarregados de educação, aos funcionários e à restantecomunidade educativa. O director pode desempenhar um papel importante neste novoregime de autonomia e gestão dos estabelecimentos de ensino, no entanto, precisará docontributo de todos para que se possa atingir o verdadeiro desígnio do sistema educativoque consiste em
“dotar todos e cada um dos cidadãos das competências e conhecimentos 
que lhes permitam explorar plenamente as suas capacidades, integrar-se activamente na
 sociedade e dar um contributo para a vida económica, social e cultural do País” 
(
 preâmbulodo Decreto-Lei n.º 75/2008).
 Votos de um bom trabalho para o director eleito, que possa contribuir decisivamente,com o contributo de todos, para a melhoria do AVM.
Humberto Óscar Parreira Nascimento
Conversa com o Director do Agrupamento
CJ- Que perfil tem o novo director da nossaescola?D-
Perfil humanista, dialogante e, espero,mobilizador do melhor de cada um para ocolocar ao serviço de todos, ao serviço donosso agrupamento.
 CJ- Para ser director tem que deixar deleccionar?D-
É uma decisão que terei de tomar. A leipermite-me leccionar uma turma. A complexi-dade do cargo, no entanto, exige muito tempoe energias. Como não quero prejudicar osalunos, receio ter de optar pela não docência.
CJ- O que valoriza no seu projecto?D-
O meu projecto valoriza os professores, osalunos, a autoridade e o respeito na relaçãopedagógica, a componente desportiva e a abertura do agrupamento às realidades culturais, cien-
tífica, universitárias…
 
CJ- Mudanças, quais?D-
Reduzir a burocracia, responsabilizar directamente cada actor (professor, aluno, pai…), agili-
zar processos e procedimentos, aumentar a componente desportiva, criar eventos de aproxima-ção entre os membros da comunidade educativa, envolver os alunos mais velhos no acompanha-
mento dos mais novos…
 CJ- O que mais teme neste desafio?D-
Que o diálogo esmoreça e que a solidariedade e capacidade de entrega a uma causa comumdeixe de envolver todas as nossas competências. Cada um de nós terá de estar profundamente vinculado a uma realidade de pertença (agrupamento).
CJ- Que lugar consagrará ao nosso jornal quando assumir o cargo de director?D-
 Vejo o jornal ―O Berrão‖ como o veículo necessário para transmitir a nossa realidade, ligando
-a ao concelho. Isto só será possível reforçando a sua tiragem e trazendo até si, artigos e preocu-pações da própria comunidade.
CJ- O que fará pelos nossos professores?D-
Tudo o que puder. Como? Motivando-os, ouvindo-os, trabalhando ao seu lado, responsabili-zando-os e fazendo-os sentir imprescindíveis neste processo sempre em construção que é o ensi-no e a educação.
CJ- E para os nossos alunos?D-
Os alunos precisam de gostar da escola, de a sentir sua. É importante criar espaços de conví- vio, dentro de fora das salas, dinamizados pelos próprios alunos. Tudo isto com plena assunçãode regras de respeito mútuo. Por outro lado, e isto é muito importante, a escola deve existir paratodos, bons e maus alunos, sem qualquer prejuízo mútuo. Não vou admitir que alunos mal com-portados condicionem e prejudiquem efectivamente os alunos que querem trabalhar e têm objec-tivos a alcançar. Não podemos continuar a ser permissivos com alunos que já tiveram todas asoportunidades e receberam todo o apoio e que rejeitam qualquer mudança no seu comportamen-to.
CJ- Qual é a sua visão acerca desta reforma do ensino?D-
Sou muito crítico. Há mexidas a mais, intempestivas algumas, incoerentes outras, pouco articu-ladas quase todas. A necessidade de mostrar serviço, construiu alicerces frágeis, estruturas inse-guras. Na educação as alterações devem ser poucas, lentas e envolver quem sabe da obra, ouseja, os professores. Como seria construir uma casa desprezando o saber dos engenheiros? Oufazer uma intervenção cirúrgica expulsando os médicos do bloco operatório? É isto o que temsido feito aos professores.
 CJ- O que pensa dos professores do Agrupamento, que chefiará em breve?D-
Para mim são os melhores. É com eles que conto. Temos de potenciar as suas capacidades,diminuir as suas fragilidades. O ser humano é sempre passível de melhoria. Não devemos desis-
tir dos nossos sonhos e de prosseguir o ideal de perfeição. ―Que homem é aquele que não contri-bui para melhorar o mundo em que vive?‖
-
frase do filme ―O Reino dos Céus‖
- que tivemos opor-tunidade de ver no Ciclo de Cinema.
CJ- A juventude está perdida?D-
Nunca esteve, não está e nunca estará. A juventude é um conceito generalista. Há jovens res-ponsáveis e outros que o são menos. Sempre foi assim. Uma coisa para mim é certa: não se cons-trói o futuro sem os jovens e o futuro será o resultado da acção dos jovens. Deitemo-nos pois aotrabalho que o tempo urge e há tanto a fazer!
CJ- Porque é que acha que o ensino caiu em descrédito?D-
Há política a mais no ensino. Há alterações a mais. Ouve-se pouco quem está no terreno. Oensino está, por vezes, à mercê de teóricos, homens e mulheres que não dão aulas há muito tem-po e só conhecem os alunos através de filtros e preconceitos recuados os vanguardistas. Ensinaré uma obra de paciência, de vitórias e de derrotas. Queremos, com frequência, esconder as der-rotas e não cuidamos suficientemente das vitórias. Parece que todos os problemas do país têm deser resolvidos pela escola e na escola! Estranho, não acham?
CJ- É professor de História e ficará na História deste Agrupamento. O que pretende que seeternize?D-
Gostaria que se eternizassem a felicidade, a solidariedade, a partilha, a responsabilidade e,especialmente, a memória. Hoje, não temos memória da memória. Quem não tem memória vive àderiva, correndo o risco de ser fantoche de vontades alheias.
CJ- Que valores é que mais preza?
D- Trabalho, honra, dignidade, integridade, honestidade. Há mais; no fundo, todos os valores queagigantam a nossa humanidade e a vontade de partilhar o futuro.
CJ- Indique-nos aquilo de que nunca prescinde.D-
 A luta pela verdade, pela dignidade, a defesa dos mais fracos, a defesa de todos os valoresque indiquei e da matriz espiritual e cultural da vida humana, hoje tão pouco respeitada e valori-zada. Somos muito mais do que aquilo que temos e do que compramos. Reparem: somos!
CJ- Sabemos que reside em Mirandela mas que já trabalha cá há muitos anos. Que signifi-cado tem Murça para si?D-
Gosto de Murça. Sou um privilegiado pois sinto-me em casa nos dois lugares. As pessoas destaterra sempre me trataram muito bem. Gosto também delas. Qualquer obra que eu possa fazeraqui é uma obra feita em casa.
CJ- O que é que o motivou a candidatar-se a este cargo?D-
 A vontade de servir e de contribuir para o crescimento deste agrupamento. Já o fiz noutras ediversas funções, agora chegou a altura de ser com Director.
CJ- Como lida com o poder?D-
Com respeito e com desconfiança. Com respeito porque o poder é essencial na orgânica dasnossas sociedades, com desconfiança porque não quero ser dominado por ele. Não quero esque-cer nunca que ao meu lado, repito, ao meu lado, estão pessoas que comigo lutam para melhorar onosso agrupamento.
CJ- Sabendo que o seu cargo acarretará uma responsabilidade acrescida, qual é a posiçãoda sua família face a esta nova realidade?D-
Não me teria candidatado a esta nova função se não tivesse o apoio da minha família. Em todosos momentos da minha vida sempre o tive. Há uma profunda solidariedade entre nós. Falamosabertamente de tudo e as decisões são tomadas em grupo.
CJ-
 A História ―passou à história‖?
 D-
 A História pode reflectir sobre ela própria mas isso não é uma forma de se ultrapassar. Nãopodemos e não devemos fugir da História. Anular o passado é impossível e não é convenientefechar os olhos às realizações humanas, no que tiveram de positivo ou de negativo. Não quereraprender, achar que o futuro é algo de inteiramente novo, surgido do vazio ou do nada, é umaatitude pouco fundamentada. A História ensina-nos a ter cuidado com povos ou sociedades semmemória. Não cultivar a memória, não respeitar o esforço/ trabalho de todos os que viveramantes de nós, é malbaratar uma herança que altruisticamente nos foi doada, é sentirmo-nos Deu-ses quando, na realidade, nem homens pequenos somos.
CJ
O BERRÃO PÁGINA 3 EDIÇÃO 3 - JUNHO 2009
O Desafio da Cidadania
Confrontado com o desafio colocado pela Associação de Estudantesdo Agrupamento de Escolas de Murça, para escrever um pequenoartigo sobre o Conselho Geral Transitório e a minha experiência,enquanto presidente desse órgão, não deixei de pensar o quanto asgerações se têm alterado, e como os nossos jovens, se ouvidos eincentivados, se deixam fascinar pela cidadania e pelas questões daspolíticas públicas.O acto de fazer parte de um órgão com a importância do ConselhoGeral na escola actual é não só um direito, mas sobretudo um deverque toda a comunidade deve considerar como um valor inigualável. A escola ocupa hoje um lugar na sociedade que não pode ser des-considerado. A protecção de valores que induzam o caminho da transparência e da since-ridade, é cada vez mais um património que as comunidades devem almejar, visando oreforço de uma matriz cultural assente em princípios humanistas que devem alimentar eorientar as sociedades democráticas modernas. Neste contexto, a escola assume umpapel extremamente relevante, que através dos seus órgãos traçam estratégias e orienta-ções que podem fazer toda a diferença na comunidade.O Conselho Geral é por excelência o órgão de administração e gestão, com atribuiçõesestratégicas, responsável pela definição das linhas orientadoras da actividade do agrupa-mento, assegurando a participação e representação da comunidade. Trata-se de umórgão que deve desenvolver uma actividade crítica, constante, no sentido de percebertoda a envolvência, com a aspiração de ser motor na introdução de processos e dinâmicasalternativas e inovadoras, que puxem pelos vários pólos que compõem o nosso tecidosocial. O interior não pode obviamente ser esquecido. A participação dos alunos nesteprocesso é por demais importante. O incremento do orçamento participativo, o planoanual e plurianual de actividades são dois documentos que podem incutir um sentido depertença e de responsabilidade para a cidadania, que importa considerar. A minha experiência como Presidente do Conselho Geral Transitório sintetizo -a, dizen-do que, enriqueceu o meu ser. Destaco acima de tudo, a forma aberta e clara de cada umdos membros que dele fizeram parte: pelo sentido e empenho como agarraram o desafioe pelo facto de terem acreditado num pai para dirigir o órgão, rompendo com algo que hámuito pouco tempo era impensável. Dando um sinal de que as realidades são mutáveis, eque podem transformar-se numa arma contra o comodismo e o desinteresse. No entanto,é também com base em experiências como estas que cada um de nós cresce, aprende eacima de tudo respeita e agarra aquilo que dá significado à nossa existência.
 Mário Sampaio
Clube de Jornalismo
 
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