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Negrinha (Resumo Dos Contos)

Negrinha (Resumo Dos Contos)

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Resumo dos contos do livro "Negrinha" de Monteiro Lobato

"Negrinha" é uma narrativa em terceira pessoa, impregnada de uma carga emocional muito forte. Sem dúvida alguma é conto invejável: "Negrinha era uma pobre órfã de sete anos. Preta? Não; fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados. Nascera na senzala, de...
Resumo dos contos do livro "Negrinha" de Monteiro Lobato

"Negrinha" é uma narrativa em terceira pessoa, impregnada de uma carga emocional muito forte. Sem dúvida alguma é conto invejável: "Negrinha era uma pobre órfã de sete anos. Preta? Não; fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados. Nascera na senzala, de...

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07/08/2013

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Negrinha
(contos)
 
Org. Prof. Manoel 
 
 Monteiro Lobato
Monteiro Lobato
, natural de Taubaté (SP), nasceu em 18/04/1882. É uma das figuras excepcionais das letrasbrasileiras. Jornalista, contista, criador de deliciosas histórias para crianças, suscitador de problemas, ensaísta ehomem de ação, encheu com seu nome um largo período da vida nacional. Com a publicação do livro de contos"Urupês", em julho de 1918, quando já contava com 36 anos de idade, chama para o seu talento de escritor a atençãode todo o país. Cita-o Ruy Barbosa, em discurso, encontrando no seu Jeca Tatu um símbolo da realidade ruralbrasileira. Lança-se à indústria editorial, publica livros e mais livros — "Onda Verde", "Idéias de Jeca Tatu", "CidadesMortas", "Negrinha", "Fábulas", "O Choque", etc. Fracassa como editor, ao lançar a firma Monteiro Lobato & Cia., masvolta com a Companhia Editora Nacional, ao lado de Octales Marcondes, e triunfa. Tenta a exploração de petróleo, eacaba na cadeia, perseguido pela ditadura de Getúlio Vargas. Não só escreve, como traduz sem pausa, dezenas edezenas de livros, especialmente de Kipling. Uma vida cheia. E uma grande obra, que lhe preservará o nome glorioso.Foi um grande homem, um grande brasileiro e um dos maiores escritores — em todo o mundo — de histórias paracrianças. Basta dizer que, no período de 1925 a 1950 foram vendidos aproximadamente um milhão e quinhentos milexemplares de seus livros.Era, de fato, um ser plural: escritor precursor do realismo fantástico, escritor de cartas, escritor de obrasinfantis, ensaísta, crítico de arte e literatura, pintor, jornalista, empresário, fazendeiro, advogado, sociólogo, tradutor,diplomata, etc. Faleceu na cidade de São Paulo (SP), no dia 04 de julho de 1948.Monteiro Lobato foi tão importante pelo que foi e o que fez quanto pelo que escreveu.O que foi e fez: Foi empresário, editor e estimulou definitivamente a leitura no Brasil;Foi uma das mais importantes e críticas mentes do início do século XX;Defendeu bravamente as pesquisas em busca de poços de petróleo no Brasil, sendo ele próprio responsável pelaperfuração de um;Atacou duramente a condição de atraso em que se encontrava o interior do estado de São Paulo, especialmente oVale do Paraíba;Foi iconoclasta e envolveu-se na célebre polêmica com a pintora Anita Malfatti, fato que desencadeou as ações dosmodernistas para a realização da Semana de Arte Moderna;O que escreveu:Sua literatura adulta apresenta de forma crítica os problemas do Brasil, em especial o atraso econômico e o descasodos governantes com as classes menos favorecidas;Criou a figura imortal do Jeca Tatu, o caipira preguiçoso, que colhe todos os frutos da lei do menor esforço, quesintetiza o modo de ser do brasileiro rural;No universo infantil, Lobato criou o mágico mundo do Sítio do Pica-pau Amarelo, revitalizando e revolucionando aliteratura infanto-juvenil no Brasil.Em Negrinha, Lobato nos apresenta seu talento como contador de causos, histórias da gente da roça, dos maispoderosos e dos mais simples, criando obras-primas do conto brasileiro, em especial O Colocador de Pronomes,grandiosa crítica à retrógrada gramática do português.
RESUMO DOS CONTOSNEGRINHA
"Negrinha" é uma narrativa em terceira pessoa, impregnada de uma carga emocional muito forte. Sem dúvida alguma éconto invejável: "Negrinha era uma pobre órfã de sete anos. Preta? Não; fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços eolhos assustados. Nascera na senzala, de mãe escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros dacozinha, sobre velha esteira e trapos imundos. Sempre escondida, que a patroa não gostava de crianças."D. Inácia era viúva sem filhos e não suportava choro de crianças. Se Negrinha, bebezinho, chorava nos braços damãe, a mulher gritava: "Quem é a peste que está chorando aí?" A mãe, desesperada, abafava o choro do bebê, eafastando-se com ela para os fundos da casa, torcia-lhe belicões desesperados. O choro não era sem razão: era fome,era frio: "Assim cresceu Negrinha magra, atrofiada, com os olhos eternamente assustados. Órfã aos quatro anos, porali ficou feito gato sem dono, levada a pontapés. Não compreendia a idéia dos grandes. Batiam-lhe sempre, por açãoou omissão. A mesma coisa, o mesmo ato, a mesma palavra, provocava ora risadas, ora castigos. Aprendeu a andar,mas quase não andava. Com pretexto de que às soltas reinaria no quintal, estragando as plantas, a boa senhora
 
punha-a na sala, ao pé de si, num desvão da porta. - Sentadinha aí e bico, hein?" Ela ficava imóvel, a coitadinha. Seuúnico divertimento era ver o cuco sair do relógio, de hora em hora.Ensinaram Negrinha a fazer crochê e lá ficava ela espichando trancinhas sem fim... Nunca tivera uma palavra sequerde carinho e os apelidos que lhe davam eram os mais diversos: pestinha, diabo, coruja, barata descascada, bruxa,pata choca, pinto gorado, mosca morta, sujeira, bisca, trapo, cachorrinha, coisa ruim, lixo. Foi chamada bubônica, porcausa da peste que grassava... "O corpo de Negrinha era tatuado de sinais, cicatrizes, vergões. Batiam nele todos osdias, houvesse ou não houvesse motivo. Sua pobre carne exercia para os cascudos, cocres e belicões a mesmaatração que o ímã exerce para o aço. Mãos em cujos nós de dedos comichasse um cocre, era mão que sedescarregaria dos fluidos em sua cabeça. De passagem. Coisa de rir e ver a careta..."D. Inácia era má demais e apesar da Abolição já ter sido proclamada, conservava em casa Negrinha para aliviar-secom "uma boa roda de cocres bem fincados!..." Uma criada furtou um pedaço de carne ao prato de Negrinha e amenina xingou-a com os mesmos nomes com os quais a xingavam todos os dias. Sabendo do caso, D. Inácia tomouprovidências: mandou cozinhar um ovo e, tirando-o da água fervente, colocou-o na boca da menina. Não bastasseisso, amordaçou-a com as mãos, o urro abafado da menina saindo pelo nariz... O padre chegava naquele instante e D.Inácia fala com ele sobre o quanto cansa ser caridosa...Em um certo dezembro, vieram passar as férias na fazenda duas sobrinhas de D. Inácia: lindas, reconchudas, louras,"criadas em ninho de plumas." E negrinha viu-as irromperem pela sala, saltitantes e felizes, viu também Inácia sorrirquando as via brincar. Negrinha arregalava os olhos: havia um cavalinho de pau, uma boneca loura, de louça.Interrogada se nunca havia visto uma boneca, a menina disse que não... e pôde, então, pegar aquele serzinhoangelical : "E muito sem jeito, como quem pega o Senhor Menino, sorria para ela e para as meninas, com assustadosrelanços d'olhos para a porta. Fora de si, literalmente..." Teve medo quando viu a patroa, mas D. Inácia, diante dasurpresa das meninas que mal acreditavam que Negrinha nunca tivesse visto uma boneca, deixou-a em paz, permitiuque ela brincasse também no jardim.Negrinha tomou consciência do mundo e da alegria, deixara de ser uma coisa humana, vibrava e sentia. Mas se foramas meninas, a boneca também se foi e a casa caiu na mesmice de sempre. Sabedora do que tinha sido a vida, a almadesabrochada, Negrinha caiu em tristeza profunda e morreu, assim, de repente: "Morreu na esteirinha rota,abandonada de todos, como um gato sem dono. Jamais, entretanto, ninguém morreu com maior beleza. O delíriorodeou-a de bonecas, todas louras, de olhos azuis. E de anjos..."No final da narrativa, o narrador nos alerta: "E de Negrinha ficaram no mundo apenas duas impressões. Uma cômica,na memória das meninas ricas. - "Lembras-te daquela bobinha da titia, que nunca vira boneca?" Outra de saudade, nonó dos dedos de dona Inácia: - "Como era boapara um cocre!..."É interessante considerar aqui algumas coisas: em primeiro lugar o tema da caridade azeda e má, que cria infortúniopara os dela protegidos, um dos temas recorrentes de Monteiro Lobato; o segundo aspecto que poderia ser observadoé o fenômeno da epifania, a revelação que, inesperadamente, atinge os seres, mostrando-lhes o mundo e seuesplendor. A partir daí, tais criaturas sucumbem, tal qual Negrinha o fez. Ter estado anos a fio a desconhecer o riso e agraça da existência, sentada ao pé da patroa má, das criaturas perversas, nos cantos da cozinha ou da sala, deram aNegrinha a condição de bicho-gente que suportava beliscões e palavrórios, mas a partir do instante em que a bonecaaparece, sua vida muda. É a epifania que se realiza, mostrando-lhe o mundo do riso e das brincadeiras infantis dasquais Negrinha poderia fazer parte, se não houvesse a perversidade das criaturas. É aí que adoece e morre, preferindoausentar-se do mundo a continuar seus dias sem esperança.
AS FITAS DA VIDA
Um velho, ex-soldado da Guerra do Paraguai, sozinho e cego, acaba por engano sendo levado ao prédio daimigração em São Paulo. Velho e cego, ele declara que gostaria de reencontrar seu antigo capitão, ao qual serviudurante a guerra. Ele acredita que o bom homem seria capaz de cura-lo até mesmo da cegueira. Coincidentemente, oseu antigo capitão, objeto de sua grande estima, fora promovido a chefe do departamento de imigração, pois eramédico. Ao encontrar o antigo soldado, o médico-capitão o encaminhou para uma cirurgia de catarata, devolvendo-lhede fato a visão.
O DRAMA DA GEADA
Um rico fazendeiro do café enlouquece, depois de ver todo seu cafezal queimado pela geada. Durante a noiteele desaparece e, depois de muito procura-lo, seus parentes o encontram pintando de verde as folhas amareladas pelageada.
 
O BUGIO MOQUEADO
O narrador nos fala de sua experiência assustadora depois de ter visitado um bruto fazendeiro no MatoGrosso. Ele jantou com o homem e viu que uma estranha carne fora servida à esposa do fazendeiro. Ela comeu acontra-gosto o esquisito prato. Mais tarde, conversando com um amigo negro, descobrira que esse tal fazendeiro teriaassassinado e moqueado (preparado a carne) um negro de sua fazenda por suspeitar que ele tivesse tido um casocom a sua esposa, o que se supunha pura maledicência.
O JARDINEIRO TIMÓTEO
O casarão da fazenda era ao jeito das velhas moradias coloniais: frente com varanda, uma ala e pátio interno. Nesteficava o jardim, também à moda antiga, cheio de plantas antigas cujas flores punham no ar um saudoso perfumed’antanho. Quarenta anos havia que lhe zelava dos canteiros o bom Timóteo, um preto branco por dentro. Timóteo oplantou quando a fazenda se abria e a casa inda cheirava a reboco fresco e tintas d’óleo recentes, e desd’aí – lá seiam quarenta anos – ninguém mais teve licença de pôr a mão em “seu jardim”.Verdadeiro poeta, o bom Timóteo.Não desses que fazem versos, mas dos que sentem a poesia sutil das coisas. Compusera, sem o saber, ummaravilhoso poema onde cada plantinha era um verso que só ele conhecia, verso vivo, risonho ao reflorir anual daprimavera, desmedrado e sofredor quando junho sibilava no ar os látegos do frio. O jardim tornara-se a memória vivada casa. Tudo nele correspondia a uma significação familiar de suave encanto, e assim foi desd’o começo, aoriscarem-se os canteiros na terra virgem ainda recendente a escavação. O canteiro principal consagrava-o Timóteo ao“Sinhô velho”, tronco da estirpe e generoso amigo que lhe dera carta d’alforria muito antes da Lei Áurea. Nasceufaceiro e bonito, cercado de tijolos novos vindos do forno para ali ainda quentes e embutidos no chão como rudecíngulo de coral; hoje, semi-desfeitos pela usura do tempo e tão tenros que a unha os penetra, esses tijolosesverdecem nos musgos da velhice.(...)Ninguém, a não ser Timóteo, colhia flores naquele jardim. Sinhazinha o tolerava desde o dia em que ele explicou: – Não sabem, Sinhazinha! Vão lá e atrapalham tudo. Ninguém sabe apanhar flor...Era verdade. Só Timóteo sabia escolhê-las com intenção e sempre de acordo com o destino. Se as queriam para florira mesa em dia de anos da moça, Timóteo combinava os buquês como estrofes vivas. Colhia-as resmungando. – Perpétua? Não. Você não vai pra mesa hoje. É festa alegre. Nem você, dona violetinha! ... Rosa maxixe? Ah! Ah!Tinha graça a Cesária em festa de branco!...(...)Vendeu-se a fazenda. E certa manhã viu Timóteo arrumarem-se no trole os antigos patrões, as mucamas, tudo o queconstituía alma do velho patrimônio. – Adeus, Timóteo! – disseram alegremente os senhores-moços, acomodando-se no veículo. – Adeus! Adeus!...E lá partiu o trole, a galope... Dobrou a curva da estrada... Sumiu-se para sempre...Pela primeira vez na vida Timóteo esqueceu de regar o jardim. Quedou-se plantado a um canto, a esmoer o dia inteiroo mesmo pensamento doloroso: – Branco não tem coração...Os novos proprietários eram gente da moda, amigos do luxo e das novidades. Entraram na casa com franzimentos denariz para tudo. – Velharias, velharias...E tudo reformaram. Em vez da austera mobília de cabiúna, adotaram móveis pechisbeques, com veludinhos e frisos.Determinaram o empapelamento das salas, abertura de um hall, mil coisas esquisitas... Diante do jardim, abriram-seem gargalhadas. – É incrível! Um jardim destes, cheirando a Tomé de Souza, em pleno século das crisandálias!E correram-no todo, a rir, como perfeitos malucos. – Ó tição, vem cá!Timóteo aproximou-se, com ar apatetado. – Olha, ficas encarregado de limpar este mato e deixar a terra nuazinha. Quero fazer aqui um lindo jardim. Arrasa-meisto bem arrasadinho, entendes?Timóteo, trêmulo, mal pôde engrolar uma palavra: – Eu? – Sim, tu! Por que não?O velho jardineiro, atarantado e fora de si, repetiu a pergunta: – Eu? Eu, arrasar o jardim?O fazendeiro encarou-o, espantado da sua audácia, sem nada compreender daquela resistência. – Eu? Pois me acha com cara de criminoso?

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Erika Goes added this note
muitooooooo bom mesmooo esse resumo mim ajudou a apresentar a pesquisa de português kkk

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