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Direitos exclusivos para língua portuguesa:
Copyright © 2007 L P BaçanPérola — PR —
Brasil
Edição do Autor. Autorizadas a reprodução e distribuição gratuita
desde que sejam preservadas as características originais da obra.
 
 
RESUMO 
Roberto Nogueira esmurrou violentamente as teclas do piano e se levantou, caminhandonervosamente pela ampla sala. Franziu a testa, enquanto olhava o seu primeiro disco de ouro,numa moldura especial na parede. Havia sido uma fulgurante carreira. Em menos de seismeses ele chegara ao primeiro posto entre os ídolos do rock nacional. Fora um começo difícil,mas Roberto não pensava nisso naquele momento. Toda sua raiva se voltava contra aquelasmalditas e fascinantes teclas brancas e pretas do piano, de onde ele já tirara as melhorasmúsicas de sua carreira. Mas agora todo o seu esforço era inútil. Por mais que se esforçasse,não conseguia arrancar nada que se parecesse com seus primeiros sucessos.Três meses atrás, ele conseguia compor. As combinações de notas lhe vinham comfacilidade. Bastava olhar para os olhos azuis de Milene e seu coração se enchia de música.Mas ela estava agora separada dele. Roberto fora aconselhado a deixá-la. E não fora difícilisso para ele. Bastava estalar os dedos e as garotas caíam sobre ele. Até que ele percebeu,finalmente, que estava só, uma solidão perdida no meio da multidão que o amava. A angústia eo tédio se aliaram ao cansaço pelos constantes compromissos. Compor cada nova canção foificando cada vez mais difícil. Já não havia mais uma promessa ou um sonho para motivá-lo.Tudo estava a seus pés.Menos o amor, menos Milene
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I – A CAMINHO DO SUCESSO
 
Roberto Nogueira, um cantor da noite, batalha pelo sucesso. Benê Ferreto, um empresário,interessa-se pelo trabalho do jovem. Milene, a namorada do cantor, procura incentivá-lo a persistir ecrer no próprio talento.
Benê Ferreto, um dos mais destacados empresários do meio artístico preparava-se parasair com seus amigos, após algumas rodadas de aperitivo num barzinho do bairro do Bixiga,em São Paulo. Cintra, o dono da casa, percebeu a movimentação do pessoal e apressou-seem deixar seu posto e ir até aquela mesa.— Benê, meu amigo, você não vai me fazer essa desfeita, meu caro. Espere o rapaz seapresentar, ele já está se preparando — pediu, praticamente empurrando Benê de volta a suacadeira.— Lamento mesmo, Cintra, mas não posso. Estou com um pouco de pressa. Estes aquisão os rapazes do grupo Pandeiro, deve conhecer. Eles tem um show daqui a uma hora e...— Sim, eu conheço esses pagodeiros. São bons, mas o que você vai ouvir é um sujeito
 
original, com músicas próprias, coisa para fazer sucesso de verdade. Fique e ouça uma músicaapenas. Se não gostar, pode ir embora em seguida.— Que tipo de música ele toca? — quis saber o empresário.— Rock da melhor qualidade. Olhe ao seu redor, veja como está cheio. Depois que eu ocontratei, a casa vive cheia. Por favor, Benê, só uma música, está bem?Benê hesitou, olhando para os rapazes que o acompanhavam.— Cintra, o rock não vende mais, não é comercial. O que está mandando no mercado épagode e música sertaneja...— Não, Benê, você está errado. O que vende é qualidade, meu caro. Qualidade. Fique,por favor! — insistiu Cintra.— Ora, Benê, cinco minutos a mais ou a menos não vão fazer diferença nenhuma. Nósnunca começamos o show no horário? — lembrou um dos rapazes do grupo.— Justamente por causa de coisas assim. Está bem, vamos ouvir uma música emconsideração ao Cintra.— Ótimo! Vou mandar mais uma rodada para vocês, dessa vez por conta da casa.Uísque para o Benê e água mineral para os rapazes, está certo?— Um pouquinho de conhaque na água não vai me prejudicar em nada — lembrou umdeles, rindo.Benê olhou o relógio. Aquela cena era a mesma em todo lugar que entrasse. Semprehavia alguém que conhecia um artista ansioso para fazer sucesso. Num país de milhões detécnicos de futebol, Benê descobrira que havia também milhões de caçadores de talento,sempre com um nome para recomendar. Nem sempre, porém, o artista correspondia. Cantoresda noite, cantores de final de semana, artistas amadores, ninguém correspondia nemcompensava o investimento. Fazer o nome de um artista ou fabricar um astro exigia uminvestimento muito grande e empresário nenhum estava disposto a isso. Apenas aceitavaempresariar um artista ou um grupo quando este já havia conseguido um certo nome. Tudoficava mais fácil. Trabalhar com anônimos e desconhecidos era tolice.No palco, um rapaz acomodava-se ao piano, ajeitava o banquinho e o microfone,preparando-se para cantar. Ao lado havia uma guitarra, indicando que o rapaz deveria ser umbom músico. Ponto a favor dele, pensou Benê. O problema era que o rapaz iria interpretarmúsicas próprias. Isso era um ponto contra ele. Como comparar sua qualidade, se ele cantavauma música que ninguém conhecia, que ninguém famoso havia cantado ainda. Não haviacomo estabelecer comparações nem aferir seu potencial.— O rapaz já vai começar. É só um instantinho e já sairemos — disse ele.No palco, o rapaz apresentou-se. Seu nome era Roberto Nogueira, mas ele gostava deser chamado apenas de Beto Nogueira. Benê bocejou, preparando-se para ir embora, assimque o rapaz começasse sua apresentação. No momento seguinte, os acordes afinados dopiano prenderam sua atenção. A introdução da música era original e muito interessante,revelando criatividade e uma certa genialidade. Gostou disso, mas não achou que o resto seriatão bom. Quando Beto começou a cantar, no entanto, tudo que havia deduzido a respeito deleperdeu o sentido. Até os rapazes do grupo de pagode pararam de conversar para prestaratenção. A música era ótima e a interpretação, excelente. Benê arrepiou-se. Seu sexto sentidoalertou-o. Estava diante de um talento de primeira, um cantor de elite e um compositor de rara
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