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Chris Anderson - A economia do gratuito

Chris Anderson - A economia do gratuito

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Entrevista com Chris Anderson sobre a "economia do gratuito" e o lançamento do seu livro acerca do tema.
Entrevista com Chris Anderson sobre a "economia do gratuito" e o lançamento do seu livro acerca do tema.

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10/16/2013

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Chris Anderson: O Brasil está na vanguarda da economia gratuitaO jornalista inglês Chris Anderson, 49 anos, editor-chefe da revista“Wired”, ficou famoso em 2006 com o livro “The long tail”, no qualexplicava a economia digital a partir do estudo de casos como o daAmazon.com, que transformou-se de uma livraria virtual em um grandesupermercado de produtos os mais variados, uma espécie de entrepostogigantesco de comercio na internet. Agora, porem, Anderson dá um passoalém na análise da economia digital, com uma tese ousada. Ele estálancando o livro “Free” para provar que o futuro dos negócios nainternet tem um “preço radical”: a oferta gratuita de produtos eserviços. Anderson acredita que a rede habituou novas gerações deconsumidores a terem acesso gratuito a informações e que o Google é aempresa modelo dos novos tempos do capitalismo: oferta de serviçosgratuitos para milhões de usuários online e lucros vindos da cobrançade anúncios que aparecem nas buscas feitas por internautas. O livromenciona o Brasil e a China como grandes laboratórios da economiagratuita em mercados emergentes. Nesta entrevista exclusiva, Andersonexplica sua visão do presente e do futuro da economia digital.Não é uma contradição para alguém que fez do trabalho da internet umaprofissão defender a idéia de que empresas e profissionais deveriamoferecer serviços e produtos gratuitos para aumentar os lucros?CHRIS ANDERSON: Sim, é um paradoxo, temos a impressão de que ofereceralgo de graça é algo que se opõe ao lucro. Todos fazem a pergunta:quem vai pagar a conta? Mas o Google é um caso exemplar da economia dogratuito e não pesa na conta do seu cartão de crédito… Muitos alegamque o Google perde muito dinheiro com o YouTube, mas ninguém reparaque graças ao YouTube o Google tem hoje uma audiência mundial paramensagens de texto e de video. E até quando o público de TVtradicional migrar definitivamente para a internet, o YouTube vaiestar pronto para ele. O mercado sonha com o que é gratuito:consumidores livres, num mercado livre, querem produtos e serviçosgratuitos.O seu livro “Free” menciona Brasil e China como as fronteiras daeconomia gratuita, por causa da força da pirataria e dos camelôs derua. No caso brasileiro, a Banda Calypso é citada como um modelo denegócios. O senhor considera que os camelôs brasileiros são um modelode negócios para o futuro do capitalismo?CHRIS ANDERSON: Bem, a Banda Calypso não é o único modelo existentehoje para a indústria de música, mas é certamente um modelo denegócios muito interessante ara pensar sobre a força do gratuito. Eufiquei impressionado ao andar por São Paulo e ver que a banda permitiaque os camelôs vendessem seus CDs e DVDs a um custo tão baixo que erana prática gratuito… A banda Calypso prefere ganhar dinheiro em showse o gesto de dar CDs e DVDs ao público ajudou a popularizar o nome dabanda e fazer dos shows de música tecnobrega um gênero comercialmenteviável. Portanto, os camelôs brasileiros e a Banda Calypso são umexemplo de como a economia do gratuito está sendo desenvolvida em
 
economias emergentes.O senhor também menciona o ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, quelançou seu CD pela internet, e o escritor Paulo Coelho, que pirateouseus próprios livros. Mas há enorme diferença entre um artista depalco e um escritor…CHRIS ANDERSON: O caso de Gilberto Gil mostra que um artista que foiministro tem uma compreensão muito aguda das transformações que estãoocorrendo agora no mercado. E que o governo brasileiro também estáatento, como também revela o programa de medicamentos gratuitos paraportadores de HIV, criado por Fernando Henrique Cardoso e levadoadiante no governo Lula. O Brasil tornou-se um dos maiores mercadosmundiais de mediamentos genericos, o que também revela a força daeconomia do gratuito.No caso da indústria farmacêutica, houve intervenção do Estado, mas nocaso da indústria cultural as mudanças atuais são regidas apenas pelomercado. Por isto, vale a pergunta: será que o sucesso editorial dePaulo Coelho pode servir de exemplo para outros escritores? Não setrata exatamente do oposto, de um caso excepcional?CHRIS ANDERSON: Bem, certamente não. Paulo Coelho tem livros quevenderam 100 milhões de exemplares, como “O Alquimista”. Mas o fato deque ele inventou um site chamado “Pirate Coelho” para piratear seuspróprios livros e permitir o download gratuito de suas históriasmostra que ele é um autor que soube perceber que a internet não irianibir e sim impulsionar a venda de seus livros. Coelho enfrentou aeditora HarperCollins e causou a polemica que levou à explosão dosucesso editorial de seus livros. Foi uma excelente estratégia demarketing.E como vão sobreviver autores de livros que não tiverem o sucessoeditorial de Paulo Coelho se a internet tornar os livros disponíveisgratuitamente online? Como poderia sobreviver um filósofo, porexemplo?CHRIS ANDERSON: Bem, existem várias espécies de escritores dainternet. Os filósofos vão precisar da Academia para sobreviver…Muitos filósofos disponibilizam seus escritos na internet e ganham avida participando de palestras ou dando aulas… No caso dos jornalistasvai ser um pouco mais complicado…Qual o futuro do jornalismo? O senhor lê algum jornal diário? O San
 
Francisco Chronicle está numa situação delicada e pode desaparecer…CHRIS ANDERSON: Eu não iria sentir falta do San Francisco Chronicle…Aliás, eu sequer saberia o que estaria perdendo… Leio notícia pelotwitter. Não preciso procurar as notícias em jornais ou em sites. Asnotícias chegam até mim e elas não são produzidas apenas porjornalistas. Muita gente que não é jornalista escreve ótimas históriasna internet e as publica gratuitamente pelo twitter…Mas o senhor considera que notícia, media e jornalismo são coisas doséculo passado?CHRIS ANDERSON: Não! Eu tenho de fato problemas com as palavras“notícia”, “media” ou “jornalismo”. Porque acho que se usarmos essaspalavras apenas no seu contexto commercial estaremos limitando a nossacompreensão do novo cenário tecnológico em que a informação se produz.Nós precisamos de novas palavras para definir o que está acontecendohoje. Aquilo que chamamos de “social media”, que se compõe de milharesde blogs, sites, twitters, produz também informação e a entrega deforma gratuita para os usuários da internet…Mas isto quer dizer que o jornalismo profissional está em vias deextinção? Que as empresas de comunicação vão desaparecer?CHRIS ANDERSON: As empresas de comunicação e os profissionais dejornalismo deverão repensar seus negócios e suas atividades. Oproblema é que a “social media” distribui informações na mesmaplataforma que é usada pelas empresas de comunicação. Hoje, muitas dasinformações que eu leio, que eu ouço e que eu vejo em vídeos nainternet não são produzidas por empresas comerciais. Então há umaconcorrência na produção de conteúdos com a qual os jornalistas e asempresas não contavam. E ambos terão que ajustar-se aos novos tempos.Por enquanto, a “social media” é apenas um passo na direção certa, nosentido da economia do gratuito… Ainda estamos no começo de uma enormetransformação do modo de produzir e distribuir informações no mundodigital.Isto significa o desaparecimento da profissão de jornalista ou damedia como negócio?CHRIS ANDERSON: De jeito nenhum. Isto significa que as empresas terãoque repensar seus modelos de negócio para torná-los comercialmenteviáveis. E os jornalistas vão ter que oferecer aos leitores algo queos amadores e os diletantes da internet não oferecem… As empresas decomunicação não têm mais o monopólio do acesso à informação e esta éuma grande mudança. Isto vale para jornais, TVs, radios, produtoras decinema, gravadoras… Vale enfim para toda a indústria de produçãocultural.

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