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A Rosa e a Cruz - Nas Catacumbas

A Rosa e a Cruz - Nas Catacumbas

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A Rosa e a Cruz - Nas Catacumbas
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04/11/2015

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Nas catacumbas
 O Paraíso, distante no alto, fora perdendo as cores até desaparecer por completo. Bem embaixo, e  palpável, um vilarejo sofria com as chamas, mas nem por isso estas ofereciam algum obstáculo para o homem que avanava entre elas, indiferente ao calor, com uma armadura que n!o derretia  possivelmente por haver algo maior e mais importante dentro dela. "lgum tempo depois, extintas as labaredas, alguém escutou um grito gelado# era o desespero de sua nova vi$va amante, que %igmund, um dos do&e cru&ados, cavalgava sem compaix!o sobre uma cama desbotada e r$stica, despida de len'is, com um sorriso que estivera ausente enquanto lutara contra os dem(nios voadores que tinham colocado fogo na aldeia. )enhum receio ou como!o ao cortar a garganta do primeiro, de pálpebras ensanguentadas, ao passo que em suas espadas os drag*es tentavam completar seu ciclo de desespero. Para o segundo inimigo, lanou uma das l+minas ao alto e esta lhe perfurou o peito, a criatura caindo sobre uma casa de teto de palha e arrebentandoo. O caador de seres infernais ficara satisfeito- suas habilidades pareciam melhorar a cada dia, sua fora e precis!o aumentavam, e cogitou se eovigild ficaria orgulhoso. /Poderia até ficar, mas nunca admitiria, me elogiando num segundo e no outro jogando um palavr!o na minha cara e cuspindo no meu pé.0, a rea!o mais l'gica, enquanto a vi$va suplicava para que parasse,  para que n!o cedessem ao pecado, porque o 1iabo estava 2 espreita, e um fedor insuportável, misto de esperma e fe&es, invadia o quarto, o semblante do guerreiro cada ve& mais sard(nico e 2s suas costas uma imensa criatura musculosa de chifres curvos que encobriam sua face, a pele marrom e uma cauda áspera e espinhosa, imundo de sombras- um riso l$gubre escapava do rosto oculto, que devia ser monstruoso, carregando uma respira!o opressiva, superando em destrui!o, agonia e horripil+ncia o terceiro oponente que %igmund eliminara, cortando seu corpo do abd(men para cima e deixando as entranhas para fora. " seriedade, contudo, era esmagada durante o sexo para dar lugar a um humor irritante, que se iniciava em seus lábios e corroía suas partes baixas. " mulher pedia  para que fosse poupada ou, se estivesse fa&endo isso pelo bem dela, que melhor seria a morte do que viver em desonra. Pr'ximo do mar, aquele povoado estava contagiado por uma umidade salgada, que 2s ve&es tampava as fossas nasais do cru&ado, que tinha a impress!o de t3las cheias de sal. "o se concentrar na vontade de ser senhor de seu pr'prio corpo e apertar a base do nari&, conseguia voltar a respirar  bem por algum tempo, depois retornando o entupimento- em outras horas ficava com a impress!o que estava andando embaixo d4água e que a respirava. O céu, enquanto confrontara as criaturas do 5nferno, pareceralhe mais o teto de uma cerrada caverna submarina- e a sensa!o de extremo fechado se ampliara ao montar sobre aquela senhora, indo parar em um cenário onde havia rochas  perpassadas por um vento frio e evasivo, ao passo que ela se via em um bosque de árvores de troncos atrofiados e sem folhas e escutava um contínuo arrastar de pés e ve& ou outra pisadas amortecidas. 6ristais principiaram a titilar ao vento, e depois se quebraram. 1e s$bito, %igmund se viu num impasse# para onde iria7 Pareceulhe que a mem'ria se curvara, e um gr!o de culpa despencara em seu lago e produ&ira ondas perturbadoras. )!o precisava temer# tinha o poder para reagir a qualquer adversidade- e aquela mulher era dele por direito, pois salvara seu vilarejo, e  porque era necessário, temendo a loucura que com uma certa frequ3ncia o levava a rir sem a mínima vontade. 8ocava a testa enrugada de uma m!e de sete filhos ao passo que a penetrava com fora e tampava sua boca com a outra m!o para que parasse de gritar- os berros haviamlhe  parecido, antes de bloqueálos, a cada segundo mais perigosos e estridentes. 9m sua pr'pria boca existia tens!o- sua língua se turvava em balbucios incompreensíveis. 6hegou a se questionar se n!o estava se entregando demais ao pra&er e se isso n!o iria constituir um combustível para uma futura  possess!o- o pecado provinha do excesso. "quela era uma área infestada# passara por cinco aldeias e em todas havia ao menos tr3s dem(nios, que n!o poupavam sequer as igrejas- existia algo de errado na regi!o. 9ntrementes, mesmo com todos esses pensamentos, n!o perdia a aten!o da que naquele momento compartilhava um leito com sua carne. :uando ejaculou, sobreveio um profundo alívio e uma sensa!o de que  poderia se entregar a um torpor soporífero semieterno- porém n!o o fe&. %uas fei*es se
 
acalmaram, o sorriso cessou, os passos pararam, o dem(nio atrás se recolheu e o cru&ado dirigiu sua express!o congelada para as paredes ranhentas. " porta entreaberta, porque aquele vilarejo era t!o  precário que n!o havia por ali um serralheiro capa& de fa&er uma fechadura, rangia parecendo liberar um choro estrídulo e angustiado, similar ao que provinha da recémviolentada, que resistiu s' mais um pouco antes de desmaiar com os olhos molhados. O nari& do cru&ado agora escorria. :uando deixou a aldeia, a bolsa que carregava cada ve& mais cheia de moedas, sem aceitar de modo algum presentes alternativos como p!es, carnes ou tortas, dirigiuse em seu cavalo para a floresta que havia por perto, que percorreria para alcanar a pr'xima e $ltima requisi!o agendada. " 5greja pedira para que deixasse esta por $ltimo por ser a mais perigosa, quiá onde residia um dem(nio maior ou um feiticeiro ou bruxa de grandes poderes responsável pelos problemas da regi!o e pela presena de todas aquelas criaturas sombrias. Buscou respirar bastante enquanto galopava entre as árvores, se sentindo melhor longe das pessoas, sem vo&es para perturbálo. 8odavia, a uma certa altura do caminho comeou a escutar a aproxima!o de outro cavalo- seus sentidos eram excelentes, e conseguiu até visuali&ar, pelo tipo de trote, os cascos antes que este despontasse, um  belo animal de um p3lo rubro brilhante, e sobre este um homem de barba e cabelos ruivos que o fitou com intensidade# era ;alcolm. Os dois pouco se conheciam e quase nunca tinham se falado,  porém eram companheiros de vista e ao menos n!o possuíam nada um contra o outro. O ingl3s ficara aliviado, no dia da indica!o, ao saber que n!o seria 6harles que estaria ao seu lado durante o trabalho, apesar de pena que n!o fosse "ntenor.Olá, %igmund. 6umprimentou o austríaco. O padre <onathan disse que aqui iria acabar por encontrálo. 9sperei alguns dias, mas voc3 veio.Peo perd!o se me atrasei. 9ram mais monstros do que o esperado. /)!o esperava outro de n's aqui. %e os padres vermelhos o mandaram, isso significa que a ameaa por vir é bem pior do que os seres abjetos que enfrentei nesse meiotempo.0)!o se desculpe, afinal n!o esperava me encontrar aqui e n!o tinha pra&o. Os padres me enviaram depois de reavaliar sua miss!o e dedu&ir que teria algumas dificuldades no pr'ximo passo.6ompreendo. 5sso deve significar que há algo desafiador 2 nossa espera. 8em ideia do que seja, foi informado de algo7 /9les nunca d!o todas as informa*es. Parece que nos testam o tempo todo- querem que arrisquemos nossas vidas sem questionar e que caminhemos sem hesita*es com as nossas pr'prias pernas. 8alve& este seja o melhor método, porém um tanto duro e pouco crist!o.0=alaramme sobre uma caverna onde diversos bruxos se re$nem para evocar dem(nios, e é por isso que esta regi!o foi assolada por eles. 8emos que ser rápidos, pois a tend3ncia é o caos aumentar em frequ3ncia e intensidade. /Olhandoo mais de perto e com aten!o, ele dá a impress!o de ser um pouco parecido comigo. )!o é desrespeitoso como 6harles, nem distraído ou efusivo como s!o "ntenor ou %aosh>ant- acho que vamos nos dar bem.0, observou o ingl3s, diferente do outro# /)!o sei por que, mas ele n!o me passa uma boa impress!o. 8emo que se me visse fa&er certas coisas, me denunciaria- n!o tem um olhar confiável. Preciso ficar alerta.0?amos nos apressar ent!o.%' que teremos que esperar pela noite. 1e dia n!o aparecem.%eremos pacientes nisso. "o que ;alcolm concordou com um aceno de cabea e partiram com seus cavalos, que embora fossem animais comuns se tornavam infinitamente mais rápidos com cru&ados montados sobre suas costas, de alguma forma interagindo com o sangue que percorria as veias dos condutores e as energias vitais emanadas por estes. O andar e o trote podiam ser normais, mas o galope se tornava frenético, as pernas adquirindo uma fora inaudita, derrubando qualquer acompanhante normal que se propusesse a montar junto, os cru&ados n!o sendo insensatos a ponto de permitir isso. " noite foi descendo calmamente, sem a menor precipita!o.@m primeiro acabou de entrar. 8empo depois, ;alcolm apontou, os dois ocultos entre as folhagens, quando um homem ou uma mulher, sob máscara e capu&, entrou em uma gruta que tinha uma cru& de pedra no alto, por isso suspeita para os cru&ados, aos quais havia sido dada uma descri!o compatível- aquela fora uma capela r$stica e, mesmo com todas as tentativas dos adoradores do 1em(nio, que deviam t3lo golpeado e tentado arrancálo a todo custo, o símbolo no alto s' mostrava algumas discretíssimas rachaduras, quase imperceptíveis.
 
Proponho que aguardemos um pouco. ?amos entrar quando estiverem em plena cerim(nia. Pegos de surpresa, concentrados que se encontrar!o em suas evoca*es, n!o ter!o tempo de lanar feitios contra n's nem de resistir 2s nossas espadas.%erá mesmo essa a melhor estratégia7 9 se n!o n!o forem apenas feiticeiros e houver algum dem(nio dando as ordens lá dentro7 %e demorarmos a agir, logo os inimigos ir!o se multiplicar e  poderá se tornar muito mais difícil.Por esse lado voc3 tem ra&!o. 1e todo modo, nem o austríaco e nem o ingl3s tomaram alguma iniciativa a princípio. ;alcolm já vinha de uma caa a bruxos e bruxas no norte e matara mais de vinte feiticeiras em um ritual orgiástico em que os surpreendera, capturando outras e outros e depois contribuindo nas torturas das que foram levadas para Aoma, algumas das quais se declaravam crist!s em sua terra natal#" mentira está na base, na rai& do pecado. Por isso que di&em que o 1iabo é o pai da mentira. 9 n!o ouse me contestar, sua imunda 9ncarara com intenso 'dio e simult+nea excita!o uma bela  bruxa de olhos a&uis e cabelos loiros cacheados que caíam pelas suas costas, os braos pendurados com as m!os presas por correntes. 9m breve teria seus lábios grossos arrancados para que nunca mais beijasse o falo do 1iabo ou fi&esse coisas ainda piores com tal membro impuro.?oc3 é um ignorante. )!o conhece e nem respeita as nossas práticas e n!o compreende que o sexo n!o é sujeira e sim vida, ou como acha que nasceu, seu crist!o hip'crita7" quem chama de hip'crita, se voc3 se passava por crist!7=a&ia isso para n!o passar pelo que estou passando agora, vítima da sua 5greja abominável. :ueria pa& e fa&er amor, apenas amor- n!o é disso que o 6risto falava7 )'s seguimos a nature&a e encontramos nela o 9spírito de todas as coisas.?oc3 n!o é digna de citar o nome de 6risto @ma boca lasciva que passou por quantos membros, inclusive lambendo o de %atanás7 1entro de pouco os seus beios ser!o arrancados. %eu rosto vermelho suava, seus olhos ficavam da mesma cor dos cabelos- em sua m!o direita, tentando desfaar o tremor, um látego. 9 id3ntico será o destino da sua língua, para que deixe de proferir  blasf3mias e de tocar no nome de 1eus em v!o. O Pai e o =ilho deixar!o de ouvir seus perj$rios.%e n!o sou digna de nomear o 6risto, por que outros /pecadores0 e /pecadoras0 chegaram a conviver com ele, entre cobradores de impostos e prostitutas7 "cho que me esqueci que voc3s n!o s!o e nunca ser!o <esus, n!o passam de aproveitadores que abusam do nome dele para perpetrar  barbaridades e exercer poder e autoridade. )!o s!o sequer capa&es de entender a nature&a, que deveriam homenagear e agradecer com amor pelos frutos que recebem.)!o somos como voc3s, pag!os que veneram ídolos e dem(nios disfarados de deuses 1eixara de resistir e permitira que o golpe violento desabasse sobre a carne da moa, rasgando inclusive a veste sutil que a cobria- o grito de dor disparara e uma ferida grosseira se abrira de imediato. Os olhos da jovem bruxa se encheram de raiva. " 6ria!o há muito tempo foi corrompida pelos homens que pecam. O paraíso terrestre, $nico local imaculado, está distante de n's. Aestanos caminhar por uma terra governada por %atanás e ceder a ela nosso p', na esperana que 1eus tenha a piedade de buscálo de volta, retirando do 1em(nio o que pertence somente a quem 6riou, assim como 6risto redimiu "d!o e os patriarcas.%' responde e observa o que lhe interessa. )!o passa de um hip'crita "pesar de fingir que seguia uma doutrina com a qual n!o me identificava, pelo menos era sincera na que realmente era a minha fé, e fi& minha essa ?erdade. ?oc3, diferente disso, s' tem viol3ncia no cora!o e fala em nome de um deus do amor)!o tolera pessoas do tipo das que seguiram o messias que voc3 venera- julga impura a 6ria!o do seu pr'prio 1eus 9nt!o como esse 6riador pode ser puro7 )!o entende como deturpa a vida7Pelo seu linguajar, deve ser de boa família. 6omo foi cair na feitiaria7 5magine o desgosto dos seus pais )!o teve piedade deles7 )!o... "ntes que ela pudesse responder, chicotearalhe a boca com fora- os lábios queimaram. Bruxas nunca t3m piedade ou compaix!o %!o monstros em formas humanas atraentes, que enganam e sedu&em. ?oc3 é uma abomina!o... 9 o golpe seguinte fora no abd(men- n!o tivera como impedir a ere!o.;alcolm, meu bom ;alcolm, vá com calma "inda temos muito a extrair dela. ?á devagar, ou a

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