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“Sono...”, pensou.- Bia? - chamou uma voz, baixinho.- Hum? - fez Bianca, virando lentamente os olhos para o lado,na direção da voz.Era Carla, estava com o corpo projetado um pouco para frenteda cadeira. Passava os olhos pela amiga e pelo professor, ven-do que este continuava a falar e a escrever no quadro, tudo aomesmo tempo.- Você está bem? - indagou Carla.Bianca não falou nada, apenas moveu os lábios, construin-do a palavra “sono”. Carla sorriu e assentiu com a cabeça, vol-tando depois para sua posição inicial.Voltando os olhos para onde quer que eles estivesse fixos -na parede talvez? -, Bianca se lembrou do que tinha acontecidocom aquela outra Carla, na rampa que ligava o nono andar até odécimo. Tinha sido horrível, todo aquele sangue que chegara aescorrer até o chão do nono andar.Bianca se perguntava ás vezes como é que aquilo afetaraaquele “outro lado”.Ela voltou a baixar os olhos até o relógio, 7:55, ainda nãotinha passado nem mesmo dez minutos. Dez míseros minutos!O que eram dez minutos? Era pedir muito, por acaso?Seus olhos se arregalaram enquanto observava o relógio e, derepente, ignorou todo o sono que estava sentindo. Havia surgidoum outro ponteiro de segundos em seu relógio, e estava passan-do pelo 11 enquanto o outro - o original - estava no 3. “Ai... dro-ga”, pensou Bianca piscando os olhos algumas vezes.Em seguida, o ponteiro começou a se mover para o lado,ainda girava, mas estava se deslocando para
fora
do relógio.Era como se ele estivesse flutuando no espaço, como se fossealguma figura sendo vista com aqueles óculos de 3-D.Aquilo só podia ser...O ponteiro finalmente parou no ar, a uns dez centímetros dobraço de Bianca. Logo começaram a surgir ali os outros doisponteiros. Eram sólidos, estavam realmente ali, pelo menos erao que parecia.Bianca continuou olhando para aqueles ponteiros flutuan-tes, até que os números do relógio apareceram, todos eles, do 1até o 12. Depois, foi o relógio em si, a armação redonda e prate-ada. Só faltava agora o...Um braço começou a se formar, era o braço de Bianca. Ela er-gueu a cabeça com um movimento brusco e viu que a sala tambémestava mudando. Outras mesas começaram a surgir misturadasàquelas que já estavam lá, parecia que uma parede estava para olado de fora da janela da sala. Estava acontecendo de novo.Quando Bianca olhou para a porta, viu que havia uma outraali, e estava aberta. Uma pessoa começou a adentrar a sala
atravessando
a porta fechada, a porta “original”.As dimensões estavam se misturando de novo. Iria pararlogo, Bianca tinha certeza disso. A única coisa que a deixavapreocupada era a proporção que aquilo havia tomado. Das ou-tras vezes tinham sido apenas objetos, e nada muito grande -com exceção talvez da vez na biblioteca. Mas agora havia umaparede surgindo do lado de fora da janela. Bianca achava queconseguia ver o pedaço pintado de preto e escrito “Aviso”.Ia terminar rápido, tinha de terminar rápido.Mas em seguida,
ele
iria ...3- Ah! Weskhel, eu presumo - falou uma figura trajando umrobe escuro.Era uma pessoa, um ser humano, carne e osso. Estava para-do diante de um pequeno amontoado de pedras. Usava umamáscara branca com apenas um olho, o resto era todo compac-to e liso. Não tinha orifícios para o nariz ou pinturas.Weskhel tinha surgido de entre um pedaço denso do bos-que, saindo em uma pequena clareira. Encontrava-se, agora,parado fitando o sujeito na clareira aparentemente deserta. Elesabia que havia mais criaturas por ali, espreitando. Nada quefosse trazer maiores complicações. Veria que estava enganado.- Por que não esta com a sua forma verdadeira, amigo Weskhel?As asas podres, as cicatrizes? - indagou o homem no robe.Weskhel não falou nada, limitou-se a fitar o homem.- Não precisa responder se não quiser - disse. - Hum... vocêé mesmo rápido. Estando em outro lugar, eu já deveria ter con-seguido sair tranqüilamente pelo portal sem ter de usar nenhum...nenhum aliado.- Você fala um bocado - começou Weskhel. - Já falaram issopara você?- Não, nunca - respondeu o homem. - Mas eu tenho umanoção sobre isso. Não preciso que nenhum idiota fale isso, muitomenos um anjo caído desgraçado como você.Weskhel não respondeu.- Bom, acho que já vou. O tempo está um pouco apertado.Mas não se preocupe, nos falamos de novo. Ainda vou voltarmuito aqui.Logo que o homem acabou de falar, Weskhel começou acaminhar em sua direção. Mantinha aqueles passos lentos, nun-ca tirando os olhos da figura de robe escuro.Este permaneceu parado, observando a aproximação deWeskhel. “Acho que posso observá-los um pouquinho”, pensouele. Em seguida, ergueu o braço direito para o lado e fez um movi-mento com os dedos, fechando-os um a um. O polegar foi o últimoe, com isso, das árvores atrás das pedras empilhadas, mais quatrocriaturas iguais as que Weskhel enfrentara antes apareceram.- Acho que posso me dar ao luxo de um pequeno espetáculo.o homem assim que a primeira criatura passou ao seu lado,correndo. Quando a primeira criatura chegou a uns dois metrosde distância de Weskhel, este deu salto e passou por sobre acabeça do demônio. No ar ele desembainhou a kodachi e, che-gando ao chão, virou-se rapidamente, decapitando a criaturaantes que conseguisse se virar por completo.A sua cabeça voou, fazendo com que o corpo ainda dessemais um passo para o lado antes de cair.As outras três vieram logo em seguida. Uma mais a frente eas duas seguintes uma ao lado da outra. Gritavam e moviam asgarras velozmente contra Weskhel.Ele deu um passo para o lado e pulou dando uma cambalho-ta para trás. Quando sua cabeça voltou a ficar na direção dastrês criaturas, ele arremessou a kodachi paralelamente ao solo.A lâmina atingiu em cheio a base do pescoço do primeirodemônio, atravessando-a enquanto começava a jorrar uma enor-me torrente de sangue pelo ferimento, colorindo o ar do Bosquedos Suicidas com um vermelho escuro.Weskhel colocou os pés de volta ao solo já tirando a espa-da longa da bainha.Com um golpe na diagonal, cortou o peito da criatura. San-gue jorrou para o alto e ela caiu para trás guinchando de dor,cuspindo aquela saliva esbranquiçada para os lados.Em seguida, a segunda sucumbiu tendo a lâmina cravadano meio de sua barriga.
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