• Embed Doc
  • Readcast
  • Collections
  • CommentGo Back
Download
 
 Tasso da Silveira (1895-1968)
 O movimento do Sigma não nasceu do desespero, como os movimentos que geraram oEstado novo europeu sob os seus vários aspectos. À entrada deste capítulo sobre adoutrina integralista, sinto-me instintivamente compelido a assentar essa afirmação.Mussolini, Dollfuss, Hitler, Carmona-Salazar surgiram no trágico momento em que aItália, Áustria, Alemanha e a pátria lusa imergiam no abismo da desagregação final.Com todos os seus gravíssimos problemas e todas as sinistras ameaças que sobre o seudestino pairavam, o Brasil do após-guerra era ainda um país em que se respirava apulmões plenos. Isto porque, do ponto de vista econômico, a sua vitalidade ésurpreendente. E do ponto de vista humano, a sua mansuetude é infinita. Havia o dramavivo das populações sertanejas, abandonadas, ou pouco menos do que isto, a sua própriamiséria física, moral e intelectual. Havia o drama acerbo das populações dos grandescentros de atividade, submetidas a um processo lento de proletização geral. E havia otrabalho surdo de erosão de toda a vasta realidade brasileira por parte de secretas edesagregadoras energias que, misteriosamente, consumiam os resultados do nossoesforço construtor. Mas, não obstante tudo isto, era sensível, no país inteiro, a pulsaçãodas forças de crescimento. Em vez de atirar-nos para a desesperança e o desalento, acatástrofe mundial como que nos foi acordando, aos poucos, para a consciência dasnossas possibilidades formidáveis. Enquanto no Velho Mundo os povos se debatiam emtranses de agonia, com a Exposição do Centenário da Independência, nós dávamos,como que por instinto, um balanço completo a nossa capacidade de realização. Eensaiávamos um grande esforço de cultura, que resultou no período presente demultíplice atividade da inteligência.Não foi, pois, do desespero que nasceu o Movimento do Sigma. Foi de umacondensação subitânea da nossa vontade de vencer. Tanto assim, que as suas origens seconfundem com as origens do movimento de renovação estética, de tão profundasignificação criadora, como mais tarde se verá, com que os artistas e pensadores dageração a que pertenço abriram perspectivas ilimitadas para o espírito do Brasil. Tantoassim, que foi da pena e dos lábios de um poeta que partiu a palavra transfigurada a queo Brasil deverá sua grandeza futura, e que hoje ressoa como um grito novo da Américaem face da realidade universal.
NÚCLEOS INTEGRALISTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO 
Visite nosso portal:www.integralismorio.org 
contato@integralismorio.org
O MOVIMENTO DO SIGMA II
Por Tasso da Silveira
 
Mas se o Brasil, apesar de tudo, crescia, e por essa forma se mostrava exuberante deforça, por que, para que, essa palavra de revolução, de transformação, de integração?Porque havia um destino de povo a realizar-se, destino que dados concretos, estatísticos,apresentavam como susceptível a uma efetivação maravilhosa, e que vinha sendo, noentanto, retardado, frustrado, negado, por obscuras contingências, extrínsecas a suaprópria essência superior. Para que, num fundo impulso de ânimo heróico, noslibertássemos de peias seculares ou recentes, que nos prendiam músculos e membros, enos afirmássemos perante o mundo como sentimos que podemos ser.
A FACE PROFUNDA DO MOVIMENTO MODERNISTA
No despertar da ansiedade nova de beleza que se expressou no chamado “movimentomodernista” da literatura brasileira ao fim da segunda década do século, os primáriosnada mais viram do que um vão prurido de imitação de movimentos congênereseuropeus. Os primários nunca perceberam que cada grande período de nossa histórialiterária (Romantismo, Naturalismo, Simbolismo), oriundo, embora por força de leisuniversais do espírito, de impulsos iniciais vindos de fora, representam, para nós, algode profundamente diferente dos períodos literários europeus do mesmo nome. Nunca seaperceberam de que nós não “refletimos” simplesmente, porque não podemossimplesmente “refletir”, em razão de não sermos simples superfície. Mas “refractamos”sempre, e com violência, por motivos de extrema densidade do nosso ambiente de alma.Assim, o Romantismo, que foi na Europa afirmação do indivíduo e ruptura dahierarquia interior, com a superposição do sentimento à inteligência, constituiu noBrasil, embora conservando muito do seu caráter europeu, uma afirmação denacionalidade.
Y-Juca Pirama
e os
Timbiras
, de Gonçalves Dias, são o anseio deheroicidade de um povo tentando ingenuamente explicitar-se por meio da ingênuaalegria. Toda a novelística de Alencar é uma tomada de posse da realidade física eespiritual brasileira, e, nas páginas de
Iracema
(o nosso poema védico, se se pudessedizer), aparece como primeira tentativa de interpretação simbólica de nosso mistérioracial. Os Naturalistas e Parnasianos foram filhos, sem dúvida, do espírito negativista ecético que caracterizou a geração européia de que provieram. Coube-lhes, no entanto,para além de tal sentido ideológico, entre nós, refundir o idioma e descobrir melhor arealidade aos nossos olhos, com o apuramento do nosso senso de observação. OsSimbolistas vieram, inegavelmente, marcados de muitas das taras lamentáveis que aobra de um Baudelaire, de um Rimbaud, de um Verlaine, na velha Europa registrou.Mas o que, sobretudo, a obra de um Cruz e Souza, de um Emiliano Perneta, de umSilveira Neto ficou significando foi o retorno de nossa inteligência à fonte daespiritualidade profunda, a procura do sentido de eternidade do espírito – o despertar daansiedade metafísica no Brasil (1). Os primários não repararam em que, com os poetassimbolistas, apareceram Farias Brito, Euclides da Cunha, Alberto Torres, Nestor Vitor...Assim como não repararam em que o “movimento modernista” surgiu (não obstante opuro caráter estesíaco de alguns dos seus corifeus, e não obstante o ânimo destrutivo dealguns dos seus propugnadores) de funda fermentação de pensamento, não apenasestético, mas, principalmente, político, filosófico, religioso.Teriam notado os primários, se lhes sobrasse capacidade para tal, que havia uma ligaçãosubterrânea entre o apostolado pela “ordem”, de Jackson de Figueiredo (que acordounossa inteligência, com a sua palavra, para o interesse profundo pelo destino coletivo) e
 
a procura do “pitoresco” e dos temas originalmente nossos, na poesia, e ainda o “Rappela l’ordre” da campanha restauradora do chamado “grupo da Festa” (2). Que havia essamesma ligação entre os “poemas continentais” de Ronald, ou o canto admirável deMurilo Araújo em
A Cidade de Ouro
, ou as estrofes raciais de
Martim Cererê
, e ofascínio que arrastou um Tristão de Athayde, por exemplo, com muitos outros de seuscompanheiros de luta, à renúncia de uma “filosofia” própria, para se darem, com fervorincontido e humildade perfeita, ao pensamento da Igreja.Teriam notado, sobretudo, que na obra de Plínio Salgado havia, não uma dispersivamultiplicidade de direções, como pareceu de começo, mas uma totalização de anseios,desejos e tendências, que forçosamente deveria corresponder, por ser uma totalização, aum qualquer sentido particular profundo.
O MANIFESTO DE OUTUBRO
Este sentido que, para irromper, forçava os paredões da construção estética e filosóficaque toda uma geração mal consciente dos seus supremos motivos interiores vinhaerguendo, aflorou; por fim explicou-se nos escritos políticos do “visionário” de
OEstrangeiro
. Escuso-me a historiar as diferentes tentativas de entrada em ação, pelolutador solitário e incompreendido, durante os quatro ou cinco anos que precederam ohoje célebre “Manifesto de Outubro”. Este documento político, lançado em São Paulo,no mês referido do ano de 1932, é, por um lado, a cristalização depurada de toda a vastaexperiência e meditação anteriores do fundador do Integralismo,e, por outro lado, poisque as suas fundamentais disposições são as que ainda neste instante dirigem omovimento na sua expansão prodigiosa, a prova da estabilidade e da solidez dopensamento do Sigma.Que dizia esse manifesto? Que Deus é que dirige o destino dos povos. Que o homem sóvale pela sua espiritualidade, pela sua capacidade de sacrifício, pelo seu poder criador.Que os homens e as classes podem viver em harmonia, desde que os conjugue umasuprema finalidade comum. Que a riqueza é um bem passageiro que a ninguémengrandece, desde que não sejam cumpridos pelos seus detentores os deveres querigorosamente se impõem, para com a sociedade e a pátria. Que a Nação brasileira deveser organizada, una, indivisível, forte, próspera e feliz, sendo mistér, para isso, abolir noseu seio os motivos de divisão, coordenando-lhe os homens em classes profissionais.Que uma Nação, para progredir em paz, para ver frutificar os seus esforços, para lograrprestígio no Interior e no Exterior, precisa ter uma perfeita consciência do princípio deautoridade. Que o cosmopolitismo, isto é, a influência estrangeira é um mal de mortepara a realidade que sonhamos. Que precisamos afirmar-nos como somos na essência denós mesmos, procurando sublimar esta essência numa extrema tensão da inteligência eda vontade. Que o materialismo histórico é um erro grande e uma mentira, e o seutrágico fruto, o extremismo soviético, uma negra ameaça contra nós. Que os partidospolíticos, no Brasil, fazendo o jogo do espírito naturalista-negativista, por um lado, edos consórcios financeiros por outro, são uma causa precípua de desagregação. Que sãouma indignidade todas as conspirações, todas as tramas, conjurações, conchavos debastidores, confabulações secretas, sedições, porque quem se bate por princípios nãoprecisa combinar coisa alguma nas trevas, e quem marcha em nome de idéias nítidas,definidas, não precisa de máscaras. Que a questão social deve ser resolvida com a
of 00

Leave a Comment

You must be to leave a comment.
Submit
Characters: ...
You must be to leave a comment.
Submit
Characters: ...