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HSMManagement18
 janeiro-fevereiro2000
A maioria das empresas vê a logística apenas como uma maneira dereduzir custos, e isso é uma realidade no mundo inteiro. Algumas, contudo,começam a utilizar o sistema de distribuição como fonte de vantagemcompetitiva. Conseguem isso personalizando o pacote de serviços oferecido,a fim de atender às necessidades específicas de cada grupo de clientes.Para tanto, tratam de encontrar novas formas de organizar a cadeiade suprimentos e de alinhar seus integrantes à estratégia global.Os autores deste artigo, consultores da Mercer Management Consulting,explicam como pode ser implementada a Logística Orientada parao Cliente. Utilizando exemplos concretos, como o da Dell Computer,expõem seu processo, de quatro etapas: compreender as necessidadesdos clientes, identificar seu estágio de vida, desenvolver pacotes deserviços com foco nos clientes e alinhar toda a cadeia de suprimentosà estratégia da empresa.
Todos os elos da cadeia de suprimentos podemtrabalhar para o cliente e tornar-se fonte de vantagensestrat 
é
gicas se ela for projetada de forma inovadora
Por David M. Bovet e Sridhar Thiagarajan
Logística
orientada para
o cliente
 A capacidade de gerar altoslucros costuma ser resultado diretoda eficácia da cadeia de suprimen-tos. Uma cadeia de suprimentosbem projetada é personalizadapara atender às diversas necessida-des dos vários grupos de clientes,permitindo que se encontre oequilíbrio entre geração de receitae custo do serviço. Apesar disso,muitos dos projetos de cadeiasde suprimentos atuais não atendemàs necessidades dos clientes dealto valor para a empresa.Um dos motivos dessa falha é oaumento da complexidade. Adiferenciação de produtos vemsendo vista há muito tempo comoum caminho para a satisfação docliente e o crescimento lucrativo.Nos últimos anos, porém, temhavido uma explosão na variedadede produtos oferecidos aos clientes–seja a variedade de cores, de
      P      R      O       C       E      S       S       O       S 
 
David M. Bovet
é
vice-presidente da
á
rea de cadeia de suprimentos do escrit 
ó
rio de Boston(Massachusetts, EUA) da Mercer Management Consulting.
É 
especialista em estrat 
é
gia de cadeiade suprimentos, efici 
ê
ncia de transportes e log
í 
 stica internacional.
 
Sridhar Thiagarajan
 
é
s
ó
cio s
ê
nior do mesmo escrit 
ó
rio, especialista em estrat 
é
giade cadeia de suprimentos, modelos de rede e projeto organizacional.
 
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StockPhotos
estilos, seja a de funcionalidade.Surgiu também um aumentosignificativo no número de canaispara servir aos clientes. O resultadoé um aumento da complexidade edo custo da cadeia de suprimentos.Isso torna um desafio ainda maiora atribuição do valor correto aocliente certo pelo preço adequado(veja quadro na página seguinte). A complexidade é um dosmotivos pelos quais os gerentes nãoconseguem realmente adaptar ascadeias de suprimentos paraatender às várias necessidades dosclientes. Mas a maneira de osexecutivos pensarem quanto àcadeia de suprimentos é, também,uma barreira ao progresso:Perspectiva. A logística é vista,geralmente, como um centrode custos e não como um processoimpulsionado pelo cliente.Papel. O projeto dos serviços nãoé considerado tão crucial quanto oprojeto do produto. Embora sejamfeitas pesquisas iniciais de mercado,estas são, em geral, centradas nascaracterísticas do produto e nãoestão ligadas aos processos eserviços da cadeia de suprimentos.Organização. Apesar de ter sidofeito algum progresso nesse senti-do, continuam a existir funçõesque fazem as vezes de silos, impe-dindo a eficácia da cadeia desuprimentos.Medição. O sucesso da logísticaé medido, primeiramente, emfunção dos orçamentos. O serviçoao consumidor é acompanhadoapenas em níveis básicos, taiscomo média de disponibilidade deprodutos e média de tempo deprodução.
Logística com foco no cliente
 As empresas que adotam asmelhores práticas vão além dasformas tradicionais de pensare aprendem a usar a cadeia desuprimentos como uma ferra-menta poderosa para dar aosclientes mais valor. A Logística Orientada para oCliente permite conquistar vanta-gens competitivas, concentrando ofoco cuidadosamente na proposta
 
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de maior valor, como tambémexigem menos assistência técnicae informações. Em segundo lugar,a Dell entende profundamente asnecessidades desses clientes doponto de vista logístico e elaborouuma cadeia de suprimentos feitasob medida, totalmente concebidapara atender a essas necessidades.Em terceiro lugar, a Dell introdu-ziu o modelo de vendas e entregasque não usa varejistas. O resulta-do é uma cadeia de suprimentosque permite a entrega rápida edireta de máquinas criadas espe-cialmente para os clientes, a umpreço muito baixo. Recentemente,a Dell colocou com sucesso essemodelo de vendas diretas nocanal da Internet.Em razão do baixo custo deestoque e entrega, da diminuiçãodo ciclo do produto, dos relaciona-mentos diretos com o cliente edo uso da estratégia de LogísticaOrientada para o Cliente, aDell conseguiu um crescimentorápido e um valor significativopara o acionista.
Um programa de quatro etapas
Como outras empresas conse-guem atingir certas inovações nacadeia de suprimentos capazes delogística de valor e cultivandorelacionamentos lucrativos com ocliente. Trata-se de um método deusar a logística para ir além dadiferenciação de produtos, chegan-do à diferenciação de serviços.
Estudo de caso: Dell Computer
 A Dell representa um exemploclaro de como a abordagem centra-da no serviço pode produzirvantagens mercadológicas significa-tivas. A Dell logo reconheceu queo canal de distribuição multiescalo-nado típico não era eficaz paraatender às necessidades de serviçode um grande segmento de merca-do de microcomputadores –aquelede usuários finais tecnicamentesofisticados. Ao contrário de outrosusuários, as pessoas deste segmentonão estão interessadas em informa-ções e instruções que costumamservir de base para a compra. Emvez disso, esses clientes queremmicrocomputadores configuradospara atender a suas necessidadesespecíficas com rapidez e o melhorcusto–benefício. Tal pacote deserviços é bem diferente do quese vê comumente nos canais derevenda convencionais. Mudançasrápidas de tecnologia, de preço ede exigências dos clientes tornamdifícil a abordagem tradicionaldo tipo “produzir–transportar–vender” pelos revendedores, compouca capacidade de resposta eonerosa para o segmento dousuário final. A abordagem de serviço centra-da no cliente incorpora trêselementos estratégicos. Emprimeiro lugar, concentra-se nosclientes tecnicamente sofisticados,que oferecem grandes margens delucro. A Dell reconhece que essesclientes não só compram produtos
 A Dell Computer representa um exemploclaro de como a abordagem centradano servi 
ç
o pode produzir vantagensmercadol 
ó
gicas significativas
Aumento da variedade de produtos + Proliferação de canais = Desafios para a cadeia de suprimentos
A COMPLEXIDADE DE PRODUTO E CANALAUMENTA OS DESAFIOS DA CADEIA DE SUPRIMENTOS
Índice de variação de produtopara uma amostragem de produtosde consumo (unidades estocadas porproduto, ou SKU na sigla em inglês)LojasLojas de departamentosLojas especializadasSupermercadosLojas atacadistasLojas de conveniênciaQuiosquesMarketingMala diretadiretoCatálogosTelemarketingServiço de InternetCompra em casaTerceirosAtacadistasDistribuidoresParcerias/aliançasRevendedores comvalor agregadoEquipe dePrópriavendasTerceirizada
 
Desenvolver formas de gerenciaruma ampla gama de combinaçõesde produtos e canais.
 
Adaptar todo o pacote deprodutos e serviços para atenderàs necessidades do cliente.
 
Reagir às mudanças denecessidades dos clientesde forma contínua.
 
Gerenciar o custo do serviçonesse ambiente complexo.
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