própria linguagem cinematográfica. Há naturalmente uma longa arqueologia detoda essa cesura, que ora incide no discursivo, ora atende ao económico,sobretudo, neste último caso, em virtude do progressivo poder que a televisãocomercial foi ganhando na Europa.
1
Christian Metz
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havia referido a questão considerando que televisão ecinema compartilhavam, por assim dizer, alguns dos mesmos recursosexpressivos, na medida em que havia a partilha de uma única e mesmalinguagem. Questão nada pacífica, aliás. Já em 1959, Renato May
3
se refere àquestão, tratando a televisão como um «cinema menor» e procurando separara construção de uma imagem da instantaneidade das imagens e do fluxotelevisivo.O dispositivo do directo, a informação, mas também a sitcom, ou odocudrama são os géneros que trabalham de forma mais específica os códigosdiferenciais existentes entre cinema e televisão. Inicialmente, foi no directo quesurgiu um modo de narrar os factos e de legitimar os acontecimentostotalmente diverso do que se vinha a fazer até então
4
.No directo, como então observámos, a televisão encontra a forma demostrar o
tempo
na sua durée, criando um novo espaço-tempo efémero e semmemória. Mais tarde, o dispositivo técnico e as possibilidades de montagem egravação em video, e o regresso a práticas cinematográficas de edição, porexemplo, agora ao serviço da recomposição do real (televisivo) e das práticas jornalísticas, permitem uma outra apropriação dos materiais pré-registados eda evolução do próprio dispositivo técnico e discursivo da televisão.Surge depois o conceito de rede códica8que se refere à pluralidade dediscursos e ao fluxo contínuo televisivo que integra finalmente um novo código,
1
Veja-se por exemplo o texto de François Niney «Cinéma-Télévision - Les liaisons dangereuses»,
Cahiers du Cinéma
, nº 419-420, Mai 1989.
2
Ver designadamente a sua obra
Langage et cinéma
, Paris, Larousse, 1971.
3
Renato May,
Civiltà delle Immagini - La TV e il Cinema
, Edizione 5 Lune, Roma, 1957, util. traduçãocastelhana,
Cine y Television
, Madrid, Rialp, 1959.
4
Veja-se sobre este tema o capítulo «O dispositivo televisivo» de
O Fenómeno Televisivo
, de F. RuiCádima, Círculo de Leitores, Lisboa, 1995.
5
Stuart Hall, «Le message télévisuel. codage et décodage»,
Éducation et Culture
, Conseil de l'Europe,1974.
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