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CONTRACAMPO
“O fato de um passado recente do cinema brasileiro ser objeto deretrospectivas e debates no Brasil e no exterior, ultrapassa o interessepuramente histórico ou acadêmico, sendo mais a reativação de umcapital que pode ter o seu papel no jogo político em que decide aviabilização de seu futuro.”(Ismail Xavier, “O Cinema Brasileiro Moderno”)
A preocupação e a tarefa de elaborar uma história do cinema brasileiro,entendida como tendo seu objeto no fenômeno da produção de filmes nopaís, surge no pós guerra, momento da generalização/democratização deuma outra visão do fenômeno cinematográfico e de suas possibilidadescontraposta à dominante vinculada ao cinema de entretenimento de Roliudemas de forte fatura ideológica. Fruto do trabalho de jornalistas, realizadorescinematográficos e cinéfilos nos anos 50, e, nos anos seguintes, de críticose especialistas dos departamentos de cinema e vídeo das universidadesnacionais, já que a comunidade dos historiadores profissionais brasileirosainda não se vinculou substantivamente a esse projeto nem deu a elequalquer apoio epistemológico ou institucional – no entanto configurou-seo que podemos compreender como uma “história do cinema brasileiro”relatada numa bibliografia importante e bastante sofisticadaacademicamente, cujas linhas gerais se tornaram culturalmentereconhecidas do país, como foram absorvidas pelo imaginário midiático
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nacional.O que peculiariza essa história– numa observação desse ponto de vistade início de milênio que olha para meio século de ocorrências - é que ela,mesmo percebendo a extensão do fenômeno cinematográfico no Brasil,inaugurado em filmagens em águas e terras brasileiras ainda no final doséculo XIX, tem como seu tema central acontecimentos contemporâneos asua própria constituição: o surgimento de um cinema moderno brasileiro emmovimentos político-culturais e a seqüência da atuação desses realizadoresnas últimas décadas. Assim, personagens, filmes e questões surgidas nessepassado recente rivalizam com vantagem na crescente bibliografia apontadapara o cinema brasileiro com temas também, mas muito menos, prestigiadoscomo a chanchada, “Limite”, a “bela época” e mesmo aspectos do cinemabrasileiro contemporâneo.Em termos internacionais, uma vez que são progressivamentecontrolados seus circuitos de exibição pelos distribuidores norte-americanas a partir do final da primeira guerra mundial, com a crescenteproeminência econômica, política, militar e cultural dos Estados Unidos noplaneta, sabemos que o cinema receberia como contrapartida um desapreçoda intelectualidade e do meio acadêmico, ambiente ainda liderado porescolas e pensadores europeus, como um tema culturalmente e
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