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psicoterapia existencial

psicoterapia existencial

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Published by: Assim Falou Zaratustra on Nov 05, 2013
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11/05/2013

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1. INTRODUÇÃO
Com as influências da fenomenologia e doexistencialismo desenvolveram-se vários modelosterapêuticos que podem ser genericamentedesignados por psicoterapia existencial e definidoscomo métodos de relação interpessoal e de análise psicológica cujo objectivo é o de facilitar na pessoado cliente um auto-conhecimento e uma autonomia psicológica suficiente para que ele possa assumir livremente a sua existência (Villegas, 1988). Importadesde já referir que não se constituem como técnicasde cura da perturbação mental, mas sim comointervenções cuja finalidade principal é ajudar ocrescimento pessoal e facilitar o encontro do indivíduocom a autenticidade da sua existência, de formaassumi-la e a projectá-la mais livremente no mundo.Em qualquer caso, o centro é o indivíduo e não a perturbação mental. Esta, quando presente, é vistacomo resultado de dificuldades do indivíduo emfazer escolhas mais autênticas e significativas, pelo que as intervenções terapêuticas privilegiama auto-consciência, a auto-compreensão e a auto--determinação.Do encontro entre a fenomenologia, o existen-cialismo, a Psicologia e a Psicopatologia resultouum amplo movimento de ideias, reflexão, investigaçãoe intervenção (Jonckeere, 1989). Trata-se de umconjunto heterogéneo de possibilidades de intervençãoterapêutica de base fenomenológico-existencial,uma pluralidade de métodos e de teorias que, contudo, podem classificar-se em dois gruposdiferentes: a psicoterapia experiencial e a psicoterapia existencial.As diferenças podem estabelecer-se ao nível dosseus objecto, objectivose propostas ou modelos deintervenção (Quadro 1).As diferenças essenciais entre psicoterapiaexperiencial (humanista) e psicoterapia existencialsituam-se na forma como conceptualizam a capacidadedo indivíduo para o processo de mudança, nosconceitos-chave que estão em jogo e, ainda, nafinalidade da intervenção (Villegas, 1989). A finalidadeda intervenção define-se pela auto-descoberta(conhecer-see compreender-se) na psicoterapiaexperiencial e pela construção mais autêntica esignificativa da sua existência na psicoterapiaexistencial (Quadro 2). Na psicoterapia existencial enfatizam-se asdimensões
histórica
e de
 projecto
e a responsa- bilidade individual na construção do seu-mundo.Visa a mudança e a autonomia pessoal. Contudo,vários autores definem a finalidade principal da psicoterapia existencial de diferentes modos: procurade si próprio (May, 1958); procura do sentido daexistência (Frankl, 1984); tornar-se mais autênticona relação consigo próprio e com os outros (Bugental,1978); superar os dilemas, tensões, paradoxos edesafios do viver (Van Deurzen-Smith, 2002);facilitar um modo mais autêntico de existir (Cohn,1997); promover o encontro consigo próprio paraassumir a sua existência e projectá-la mais livrementeno mundo (Villegas, 1989) e aumentar a auto-cons-
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Análise Psicológica (2006), 3 (XXIV): 289-309
Introdução à psicoterapia existencial
 JOSÉA. CARVALHOTEIXEIRA (*)
(*) Médico Psiquiatra. Instituto Superior de PsicologiaAplicada, Lisboa. Sociedade Portuguesa de PsicoterapiaExistencial.
 
ciência, aceitar a liberdade e ser capaz de usar assuas possibilidades de existir (Erthal, 1999). Noessencial, a perspectiva existencial pretende ajudar o cliente a escolher-se e a agir de forma cada vezmais autêntica e responsável.Em qualquer caso, resulta claro que o conceitode psicoterapia não é o de uma técnica destinadaa “curar” perturbações mentais, mas sim o de umaintervenção psicológica que contribui para o cresci-mento e para a transformação do cliente como pessoa.Mais especificamente, que promove o encontroda pessoa com a autenticidade da sua existência, para que venha a assumi-la e possa projectá-la maislivremente no mundo.
2. FUNDAMENTOS
2.1.
 Psicologia existencial 
A
 psicologia existencia
é a psicologia da existênciahumana com toda a sua complexidade e paradoxos(Wong, 2004), considerando que a existência humanaenvolve pessoas reais em situações concretas.Com a finalidade de introduzir fundamentos de psicologia existencial em que assentam diferentes propostas de psicoterapia existencial, faz-se umarevisão sumária sobre o que caracteriza a existênciaindividual, o que é estar-no-mundo, como se caracte-riza o confronto do indivíduo com os dados daexistência e procura-se situar o perturbar-se mental-mente como uma possibilidade do existir.2.1.1. O que caracteriza a existência individualO que caracteriza a existência individual é o ser que se escolhe a si-mesmo com autenticidade,construindo assim o seu destino, num processodinâmico de vir-a-ser. O indivíduo é um ser cons-ciente, capaz de fazer escolhas livres e intencionais,isto é, escolhas das quais resulta o sentido da suaexistência.Ele faz-se a si próprio escolhendo-se e é umacombinação de realidades/capacidades e possibi-lidades/potencialidades, está “em aberto” ou melhor está em projecto. Este, é a maneira como ele escolheestar-no-mundo, o que se permite ser através da
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QUADRO 1
 Diferenças entre psicoterapia experiencial e psicoterapia existencial 
PSICOTERAPIA EXPERIENCIAL PSICOTERAPIA EXISTENCIALInfluências
Kierkegaard / Buber / William James Husserl / Heidegger / Sartre
Objecto
Vivência Existência
Dimensão
Actual Histórica
Objectivo
Crescimento Autonomia
Método
Heurística Hermenêutica
Dinâmica Psicológica
Emoções Constructos pessoaisQUADRO 2
 Diferenças entre psicoterapia experiencial e psicoterapia existencial 
PSICOTERAPIA EXPERIENCIAL PSICOTERAPIA EXISTENCIALCapacidade de mudança
Concretização de potencialidades Responsabilidade da liberdade de escolha
Conceitos-chave
Actualização. Descoberta Construção. Projecto
Finalidade
Autodescobrir-se Construir a sua existência
 
sua liberdade, sendo que as escolhas podem ser feitas em função do futuro ou em função do passado:escolher o futuro envolve ansiedade (associadaao medo do desconhecido) e escolher o passadoenvolve culpabilidade (associada à consciênciadas possibilidades perdidas).A
autenticidade
(Cabestan, 2005) implica aceitar a condição humana tal como é vivida e conseguir confrontar-se com a ansiedade e escolher o futuro,reduzindo a culpabilidade existencial. A autenti-cidade caracteriza a maturidade no desenvolvimento pessoal e social. A
escolha
é um processo centrale inevitável na existência individual e a liberdadede escolher-se envolve responsabilidade pela autoriado seu destino e compromisso com o seu projecto.A liberdade de escolha não só é parte integranteda experiência como o indivíduo é as suas escolhas:a identidade e as características do indivíduo seriamconsequências das suas próprias escolhas.O
 projecto existencial 
é a união, o “fio condutor”entre o passado, presente e futuro, a continuidadecompreensível das vivências, coerência internado mundo individual, que reflecte a escolha origináriaque o indivíduo fez de si e que aparece em todasassuas realizações significativas, quer ao nível dossentimentos, quer ao nível das realizações pessoaise profissionais. O mundo interno exprime-se nasimbolização (categorias cognitivas que representama experiência na sua ausência), na imaginação(recombinação de categorias mentais que seassemelhamà experiência mas sem interacçãocom o meio) e juízo (avaliação em relação àexperiência), associadas à intimidade, ao amor, àespontaneidade e à criatividade. O processo deindividuação opõe-se ao conformismo com as normase papéis sociais, o que conduz a um funcionamentoestereotipado e inibidor da simbolização e da imagi-nação. O indivíduo está comprometido com a tarefa,sempre inacabada, de dar sentido à sua própriaexistência.Em síntese, a existência individual caracteriza-se por três palavras-chave
cuidado
,
construção
e
respon- sabilidade
 – na medida em que o indivíduo cuidada sua existência procurando conhecer-se e compre-ender-se, descobrindo-se na relação com o outro,constrói o seu-mundo dando sentido à sua existênciae escolhendo viver de acordo com os seus valores(o que confere um carácter único e singular) eresponsabiliza-se por si próprio na realização doseu projecto. Assim, a existência individual é umatotalidade, única (singular) e concreta.2.1.2. O que é estar-no-mundoA existência enquanto estar-no-mundo envolvea unidade entre o indivíduo e o meio em quatrodimensões, que são as dimensões da existência(Van Deurzen-Smith, 1996, 1998) e o processoterapêutico seria a exploração do mundo docliente nas suas várias dimensões (Cohn, 1997):-
 Física
 – É o mundo natural (
Umwelt 
), o darelação do indivíduo com os aspectos bioló-gicos do existir e com o ambiente e queenvolve as suas atitudes em relação ao corpo,aos objectos, à saúde e à doença e no qualse exprime em permanência uma procurade domínio sobre o meio natural, que se opõea submissão e aceitação das limitações impostas,nomeadamente pela idade e pelo ambiente.O sentimento de segurança é aqui dado pelasaúde e bem-estar -
Social 
 – É o mundo da relação com os outros(
 Mitwel
), do estar-com e da inter subjectividadeonde se revela e descobre o que se é, mundoque envolve as atitudes e os sentimentosem relação aos outros, tais como amor/ódio,cooperação/competição, aceitação/rejeiçãoe partilha/isolamento. Inclui os significadosque os outros têm para nós, quer sejam osfamiliares, os amigos ou os colegas de trabalho,significados que dependem das modalidadesda nossa relação com eles. Esta dimensãorelacional é uma premissa fundamental domodelo existencial (Spinelli, 2003)-
 Psicológica
 – É o mundo da relação consigo próprio (
 Eigenwel
), da existência subjectivaefenomenológica de si-mesmo, da construçãodo mundo pessoal, com auto-percepção desi, da sua experiência passada e das suas possibilidades, recursos, fragilidade e contra-dições, profundamente marcado pela procurada identidade própria, assente na auto-afir-mação e numa polaridade de actividade/passi-vidade-
 Espiritual 
 – É o mundo da relação com odesconhecido (
Ueberwelt 
), que envolve umarelação com o mundo ideal, a ideologia e osvalores, onde se pode exprimir o
 propósito
da existência individual, numa tensão perma-nente entre o propósito/absurdo e esperança//desespero.Cada indivíduo centra-se na construção de signi-
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