vinha; o seu sentido específico é “destruição de um corpo por um animalselvagem”. Um pouco mais tarde, os cristãos de Damasco o descreveram comoaquele que tinha causado um “extermínio” em Jerusalém (v. 21), onde o verboempregado é
portheo
(como em Gálatas 1:13.23), que C.S.C. Williams, traduz“espancar”. Continuando a mesma imagem, J.A. Alexander sugere que a mençãode Saulo “respirando ameaças e morte” (v. 1) era uma “alusão ao arfar e ao bufardos animais selvagens”, enquanto que mais tarde, de acordo com Calvino a graçade Deus é vista “não apenas em um lobo tão cruel sendo transformado numaovelha, mas também em ele assumir o caráter de um pastor”.Esse, portanto, era o homem (mais animal selvagem do que ser humano) que empoucos dias seria um cristão convertido e batizado. Mas ele não estava propensoa considerar as reivindicações de Cristo. Seu coração estava cheio de ódio e suamente estava envenenada por preconceitos. Em suas próprias palavras, estava“demasiadamente enfurecido” (26:11). Se o tivéssemos encontrado quando saiade Jerusalém e (podendo prever o futuro) lhe disséssemos que antes de chegar aDamasco ele se tornaria cristão, ele teria considerado ridícula a idéia. Mas foi oque aconteceu. Ele tinha deixado a graça soberana de Deus fora de seus cálculos.
2 – Saulo e Jesus: sua conversão na estrada de Damasco (9:3-9).
Mas, seguindo ele viagem e aproximando-se de Damasco, subitamente o cercouum resplendor de luz do céu; e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia:Saulo, Saulo, por que me persegues? Ele perguntou: Quem és tu, Senhor?Respondeu o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; mas levanta-te e entrana cidade, e lá te será dito o que te cumpre fazer. Os homens que viajavam comele quedaram-se emudecidos, ouvindo, na verdade, a voz, mas não vendoninguém. Saulo levantou-se da terra e, abrindo os olhos, não via coisa alguma; e,guiando-o pela mão, conduziram-no a Damasco. E esteve três dias sem ver, e nãocomeu nem bebeu. (Atos 9:3-9)A segunda evidência de que a conversão se devia apenas a graça de Deus é anarrativa de Lucas sobre o que aconteceu. Vamos coletar dados de todos os trêsrelatos em Atos, num capítulo posterior vamos compará-los e contrastá-los. Sauloe sua escolta (não sabemos quem eram) tinham quase completado sua viagem decerca de 240 quilômetros, que deve ter levado por volta de uma semana. Quandose aproximaram de Damasco, um lindo oásis cercado pelo deserto, perto do meio-dia, de repente, uma luz do céu brilhou ao seu redor (v. 3), mais clara do que osol (26:13). Foi uma experiência tão gloriosa que ele ficou cegado (v. 8,9) e caiupor terra (v. 4), “prostrado aos pés de seu conquistador”. Então uma voz dirigiu-se a ele (em aramaico, 26:14), de forma pessoal e direta: Saulo, Saulo [Lucasmantêm o original aramaico, Saoul ], porque me persegues? E, respondendo apergunta de Saulo sobre a identidade daquele que falava, a voz continuou: Eusou Jesus, a quem tu persegues (v. 5). Imediatamente, Saulo deve ter entendido,pela forma extraordinário como Jesus se identificou com os seus seguidores, quepersegui-los era perseguir a Ele, que Jesus estava vivo e que suas afirmaçõeseram verdadeiras. Assim obedeceu prontamente a ordem de levantar-se e entrarna cidade (v. 6), onde lhe seriam dadas outras instruções. Enquanto isso, os seuscompanheiros de viagem, pararam emudecidos, ouvindo a voz, não vendo,contudo, ninguém (v. 7). Eles também não entenderam as palavras do orador
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