UM CONDOR SOLITÁRIO
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com introdução e notas de Jackson da Silva Lima, publicada pela Editora Record com 378 páginasem 1989 em edição comemorativa por ocasião do Centenário da República.O que observo nos estudos que se fizeram até o momento sobre sua obra é que boa partedos críticos classificam-no como um grande pensador, filósofo e revolucionário das idéias, não comopoeta. Realmente o foi, leve-se em conta que a maior parte de sua produção tenha tido cunhofilosófico, conta-se apenas um único livro de poesias. Entretanto, ao contrário de outros autores de“livro único”, como o paraibano
Augusto dos Anjos
, que tiveram seu nome registrado na histórialiterária brasileira, Tobias Barreto é sempre colocado num segundo plano.Sua obra, quando mencionada por alguns críticos ilustres, ocupa pouquíssimas linhas emque se delineiam comentários não muito amistosos.
José Veríssimo
(1) chega mesmo a afirmar quesua educação
roceira
e
rudimentar
fazia sobressair-lhe nos textos mais o aspecto
rústico
do que oletrado de sua personalidade, o que justificaria sua predileção pela
vulgaridade
, que não raro chegavaao
chulismo da expressão
.
Afrânio Coutinho
(2) afirma que sua produção lírica descai para o
maugosto
e para a
banalidade
, que
Dias e Noites
(1881) nada vale e ninguém se lembraria de TobiasBarreto, não fossem as apologias de seu amigo
Sílvio Romero
. Sugerindo ainda que alguns de seustextos nada mais eram que
plágio
de poesias de
Casimiro de Abreu
. E ainda, além disso, quasesempre a crítica coteja sua produção com a do poeta baiano
Castro Alves
colocando-se em evidênciaesta em detrimento daquela.Não pretendo aqui, por puro bairrismo, supervalorizar a obra do sergipano encontrando-lhe forçosamente traços de genialidade turvados pelo visível preconceito a ele dirigido pela crítica.Tampouco colocá-lo nos píncaros da glória como fazem, o mais das vezes, com o seucontemporâneo baiano. Busco, sobretudo, uma reflexão equilibrada sobre o real valor literário quepode ser atribuído a vários poemas seus e, de certa forma, pretendo, mesmo que de maneiraincipiente, dissipar a densa nuvem de segregação que se instaurou sobre sua obra poética,obscurecendo-lhe a importância no cenário literário brasileiro.Talvez o primeiro contato com a poética
tobiática
não pareça despertar no leitor asensação de grandiosidade e altivez que se nota em alguns poemas de
Castro Alves
ou de
Gonçalves Dias
. Entretanto, “genialidade” não é algo que se possa requerer de nenhum artista, tampoucoconstância. Os grandes nomes de nossa Literatura não produziram somente obras-primas. Umaanálise criteriosa (talvez tendenciosa) de qualquer grande obra quase sempre termina por encontrar-lhe o que se poderia chamar, levianamente, de falhas. Houve os que, pretensiosamente, encontraram-
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