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16 a 31 de Maio de 2009 Jornal de Teatro
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De Eça de Queiroz, o espetáculo - dirigido por Dan Rosseto- estréia de 5 de julho, no Teatro Brigadeiro, em São Paulo
O Primo Basílio - O Musical
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Banco que mais patrocinou o teatro, em 2008, cria oSantander Cultural, destinado a gerir e gerenciar a arteTécnica relativamente nova no Brasil é utilizada por atorese atrizes como ferramenta da aprimoramento profissional
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Qual a função social de umespetáculo de teatro?
Na hora de buscar um patrocínio para determinado espetáculo é co-mum os produtores apresentarem para a empresa a contrapartida queos
nanciadores terão: o valor implícito em divulgação de marca e asso-ciação do produto. Quando essa marca é associada a espetáculos “ousa-dos” algumas adaptações são necessárias. Dois nomes presentes nessaedição do Jornal de Teatro mostram que é possível traçar um caminhoparalelo (para não dizer alternativo), na hora de produzir montagenscom uma preocupação maior em conteúdo do que em forma. AugustoBoal é a prova viva (sim, muito viva) de que o teatro tem um papel socialmuito além do comercial. Seu pensamento revolucionou as artes cênicasmundiais, sem falar nas pessoas bene
ciadas com a distribuição de arte,oras gratuita, ora
nanciada. O seu Teatro do Oprimido sempre priori-zou o ensino através da palavra, do texto, e do conteúdo já presente na vida de cada um. Presente, mas muitas vezes desconhecido pelo próprioator. O trabalho de Boal mostrou ao público que é possível pensar e sermais crítico do que o chamado senso comum. Se estes conceitos sãoimportantes no teatro, imagina quando levados às escolas, prisões e pro-jetos sociais. O espectador é o grande protagonista de um espetáculo,envolvido com a trama da sua própria existência e, principalmente, comos condicionantes sócio-econômicos da sua situação.“Sem público é muito difícil você se interessar pelo que você está fazen-do” disse nossa outra representante de um teatro vivo, orgânico, presentenessa edição, Maria Alice Vergueiro. A ousadia da atriz “brechtiniana”revela a di
culdade que às vezes encontra para levar aos palcos as idéiasque defende. E defende há mais de 40 anos de sucesso e reconhecimentode toda a classe artística. A senhora de 74 anos revela que gostaria de levarseu espetáculo “As Três Velhas” para escolas da periferia, para motivar umpensamento crítico nos alunos. Sem preparar o público, ela quer colocarsua arte no palco e sentir a resposta dos espectadores. Aliás, você vai conferir nas próximas páginas uma entrevista comLígia Cortez, coordenadora da Escola de Teatro que leva o nome de suamãe, Célia Helena. Em suas palavras também estão presentes a preocu-pação com o papel social do ator, “o poder transformador que o teatrotem na pessoa e na sociedade”.Faz-se teatro para agradar ou criticar o público? Boal e Maria Alicemostram que há um grande aprendizado na dúvida. Quando alguém épressionado a decidir um ponto de vista, analisa todos os possíveis eassim cria novos conceitos pessoais. O êxtase do ator no palco é pessoal,mas quando o público se envolve e re
ete sobre cada palavra escolhidaminuciosamente, a emoção passa a ser coletiva. Essa é a função socialde um espetáculo. Atingir em cheio um grupo de dez pessoas que presti-giam um espetáculo ou encontrar um representante – entre uma platéiade mais 300 – que leve consigo um pouco mais que os conceitos quetrazia antes de entrar no teatro.
Rodrigoh Bueno
Editor do Jornal de Teatro
“Já fiz drama, tragédia, comé-dia... Tudo é um prazer quandose gosta do que se faz.” AssimElias Andreato resume sua vida
Pág.: 21
Reportagem
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