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Liberdade de Imprensa em Santa Catarina em vinte anos de redemocratização

Liberdade de Imprensa em Santa Catarina em vinte anos de redemocratização

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Published by Joel Minusculi
Em 2005, celebraram-se duas décadas do retorno da democracia ao país, deixando para trás um
período de privação de liberdades, de perseguições, de violência e de arbítrio. Nos quase 21 anos de
ditadura militar, uma das formas mais evidentes de opressão foi a censura aos veículos de
comunicação e ao meio artístico-cultural. Esta pesquisa objetivou avaliar como vigorou a Liberdade
de Imprensa nos últimos vinte anos de redemocratização (1985-2005), concentrando o foco no
estado de Santa Catarina. Foram levantados casos de atentados a esta liberdade no período citado e
foram entrevistados jornalistas, pesquisadores e especialistas na área, de forma a se compor um
balanço do cenário local. As ocorrências encontradas são escassas, mas a avaliação dos
profissionais acerca do atual momento do exercício jornalístico aponta para outras modalidades de
cerceamento da Liberdade de Imprensa (por meios jurídicos ou financeiros) e outras variantes que
tornam mais complexa a atividade jornalística, como a concentração do mercado, a desarticulação
política dos jornalistas e a dependência econômica do setor.
Em 2005, celebraram-se duas décadas do retorno da democracia ao país, deixando para trás um
período de privação de liberdades, de perseguições, de violência e de arbítrio. Nos quase 21 anos de
ditadura militar, uma das formas mais evidentes de opressão foi a censura aos veículos de
comunicação e ao meio artístico-cultural. Esta pesquisa objetivou avaliar como vigorou a Liberdade
de Imprensa nos últimos vinte anos de redemocratização (1985-2005), concentrando o foco no
estado de Santa Catarina. Foram levantados casos de atentados a esta liberdade no período citado e
foram entrevistados jornalistas, pesquisadores e especialistas na área, de forma a se compor um
balanço do cenário local. As ocorrências encontradas são escassas, mas a avaliação dos
profissionais acerca do atual momento do exercício jornalístico aponta para outras modalidades de
cerceamento da Liberdade de Imprensa (por meios jurídicos ou financeiros) e outras variantes que
tornam mais complexa a atividade jornalística, como a concentração do mercado, a desarticulação
política dos jornalistas e a dependência econômica do setor.

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 1
Liberdade de Imprensa em Santa Catarina em vinte anos de redemocratização
1
 
Rogério Christofoletti
2
 Joel Minusculi
3
 
Resumo
Em 2005, celebraram-se duas décadas do retorno da democracia ao país, deixando para trás umperíodo de privação de liberdades, de perseguições, de violência e de arbítrio. Nos quase 21 anos deditadura militar, uma das formas mais evidentes de opressão foi a censura aos veículos decomunicação e ao meio artístico-cultural. Esta pesquisa objetivou avaliar como vigorou a Liberdadede Imprensa nos últimos vinte anos de redemocratização (1985-2005), concentrando o foco noestado de Santa Catarina. Foram levantados casos de atentados a esta liberdade no período citado eforam entrevistados jornalistas, pesquisadores e especialistas na área, de forma a se compor umbalanço do cenário local. As ocorrências encontradas são escassas, mas a avaliação dosprofissionais acerca do atual momento do exercício jornalístico aponta para outras modalidades decerceamento da Liberdade de Imprensa (por meios jurídicos ou financeiros) e outras variantes quetornam mais complexa a atividade jornalística, como a concentração do mercado, a desarticulaçãopolítica dos jornalistas e a dependência econômica do setor.
Palavras-chave
Liberdade de Imprensa – Violência - Democracia – Jornalismo Catarinense - JornalistasEm janeiro de 2005, o Brasil comemorou duas décadas do fim da ditadura militar. Celebroutambém o conseqüente retorno da democracia, com a eleição de Tancredo Neves no ColégioEleitoral e a vitória da oposição sobre o candidato situacionista à presidência. Com isso, o regimeiniciado em 1964 ruía definitivamente, permitindo um novo momento para a realidade nacional. Seos quase 21 anos de ditadura trouxeram um desenvolvimento econômico incomum e uma “solução”para a instabilidade política, o período também foi marcado pelo sufocamento das liberdadesindividuais, opressão, violência, tortura e morte. O regime perseguiu quem considerava seusinimigos, fechou o Congresso três vezes, censurou a imprensa e as manifestações artísticas.
1
Este artigo é resultado do projeto de pesquisa de mesmo nome desenvolvido em 2005-2006 com recursos do governo de SantaCatarina, conforme determina o artigo 170 da Constituição Estadual.
2
Jornalista, doutor em Ciências da Comunicação e professor do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade do Valedo Itajaí (UNIVALI). Orientador desta pesquisa e responsável pelo Grupo de Pesquisa Monitor de Mídia, onde foi realizado o estudo.E-mail:rogerio.christofoletti@uol.com.br 
3
Acadêmico do curso de Comunicação Social – Jornalismo e bolsista de iniciação científica nesta pesquisa. E-mail: joelminusculi@gmail.com
 
 
 2Sepultada a ditadura, demoraram a desaparecer as estratégias de cerceamento da liberdadede imprensa. Em plena Nova República, ocorreram casos de censura, como a conhecida proibiçãode
 Je Vous Salue Marie
, do cineasta francês Jean-Luc Godard, nas salas de exibição nacionais. Nosanos seguintes, a imprensa foi amordaçada ou ameaçada de outras formas, seja pelo Estado ou poroutros atores sociais.O fato é que, transcorridos vinte anos, já é tempo para se questionar que saldo se pode colherda liberdade de imprensa no período. E mais: que formas a censura vem assumindo? Como está oBrasil em relação a esse quadro? E o estado de Santa Catarina? Com que vigor se observa aLiberdade de Imprensa hoje nesses âmbitos?
Aspectos metodológicos
Para responder a tais questionamentos, recorreu-se a quatro técnicas de pesquisa: revisãobibliográfica, acompanhamento de
websites
de organizações que monitoram a Liberdade deImprensa, pesquisa em bancos de dados de entidades classistas e entrevistas a especialistas e jornalistas catarinenses.Na primeira fase, temas como censura, autocensura, Liberdade de Imprensa e exercícioprofissional de jornalistas foram perseguidos na tentativa de caracterizar as formas de cerceamento,seu alcance, sua natureza e sua vigência. Em paralelo, foram efetuadas buscas em arquivos paraidentificar casos que pudessem evidenciar como a censura se aplica no período analisado. Nestesentido, observou-se a pouca incidência de relatos que dessem conta de casos de censura, já quemuitas das ações violentas se dão no interior da empresa jornalística, o que – evidentemente –impede o vazamento das ocorrências e sua publicização. Nos casos em que a censura se exerce peloEstado ou pela Justiça, também há poucas condições para registrá-los, seja porque alguns eventosficam sob sigilo judicial ou ainda porque as empresas jornalísticas ainda dependam de verbaspublicitárias do Poder Executivo, fator que contraria interesses.Mesmo com a dificuldade na obtenção de dados, o acompanhamento de oito
websites
quemonitoram o exercício profissional dos jornalistas permitiu alguma visibilidade de violações entre1985 e 2005. Foram observados os
sites
da Federação Nacional dos Jornalistas(http://www.fenaj.org.br), do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (http://www.sjsc.org.br), do Observatório da Imprensa (http://www.observatoriodaimprensa.com.br
 
), do Comitê deRepórteres para a Liberdade de Imprensa (http://www.rcfp.org
 
), da Sociedade Interamericana deImprensa (http://www.impunidad.org
 
), dos Repórteres Sem Fronteiras (http://www.rsf.fr
 
), doComitê para Proteger Jornalistas (http://www.cpj.org
 
) e da Rede em Defesa da Liberdade deImprensa – ANJ/Unesco (http://www.anj.org.br).
 
 3Com os dados em mãos, foi necessário traçar um quadro mais analítico desses vinte anos deredemocratização no Brasil e da vigência da Liberdade de Imprensa no meio jornalístico. Para tanto,foram entrevistados jornalistas, especialistas e dirigentes classistas que atuam no mercadocatarinense por pelo menos quinze anos.
Caracterizando a censura
A Liberdade de Imprensa é um princípio do Jornalismo. É um valor da democracia e umacondição básica para que os jornalistas profissionais exerçam suas funções de informar, fiscalizar ospoderes e denunciar abusos. Mas a Liberdade de Imprensa pode prejudicar interesses diversos equando isso acontece, forças se articulam para calar, imobilizar, impedir.O avesso da Liberdade de Imprensa é a Censura, e esta se manifesta de formas variadasseguindo regimes silenciosos e discretos. Perseu Abramo (1991) enumera um decálogo para acensura. Para o autor, a censura é de aço e segue uma lógica férrea; ela se constitui de negação e senega a si mesma; é letal; é global; é seletiva; e impessoal; é direcionada; e sua existência éreveladora; ela é perecível; mas funciona como uma Fênix, o pássaro mitológico que renasce desuas próprias cinzas. Mutante, movediça, insinuante e viperina, a censura “nasce na covardia, cresceno opróbrio, fortalece-se na ignomínia”.Para Kushnir (2004), a censura se mostra como “ato violento, explícito, mas tambéminsidioso, a demonstração do reconhecimento da força das idéias do inimigo, o recuo para um lugaronde o debate e o conflito de opiniões cedem suas posições à violência” (p. 11). Como um sinônimode medo, a censura é usada por aqueles que exercem poder e se sentem ameaçados. Por isso, usam“o poder do veto censório como forma de exprimir e demarcar a sua força” (p. 37).Fernando Jorge (1992) faz um relato minucioso das violências dispensadas aos jornalistas nopós-1964. Fartamente documentada (e adjetivada), a narrativa aponta as modalidades de atentadoscontra a Liberdade de Imprensa naquilo que o autor chamou de “sanha contra a imprensa”, umaespécie de ódio, antigo, “rebento do autoritarismo”.Kushnir (
op.cit.
) demonstra maior distanciamento crítico e menciona uma cultura dacensura, nascida à base de autoritarismo e exclusão. Neste sentido, a censura é resultado de umcotidiano de violência, opressão e desrespeito a direitos
4
. Censurar, então, tornou-se política deEstado, e a ação individual (ou em grupo) de analisar obras artísticas ou jornalísticas para permitirou não a sua difusão caracteriza-se como a censura, propriamente dita.
4
Para uma brevíssima história da censura, ver Albim (2002) que faz um rápido sobrevôo no tema entre as pp. 10 e 17.Na obra, o autor narra episódios que testemunhou na condição de membro do Conselho Superior de Censura.Historiador, jornalista e homem da cultura, Ricardo Cravo Albim apresentava pareceres sobre programas de TV, filmes,discos, etc... e tentava, muitas vezes, convencer seus interlocutores da ausência de motivos para a censura.

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