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Brasil: agora, o país da intolerância laica?

Brasil: agora, o país da intolerância laica?

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Published by Uziel Santana
Artigo publicado no Jornal Correio de Sergipe em 07 de agosto de 2009.
Artigo publicado no Jornal Correio de Sergipe em 07 de agosto de 2009.

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Published by: Uziel Santana on Aug 08, 2009
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BRASIL: agora, o país da intolerância laica? 
“Nós, representantes do Povo Brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para
instituir um Estado Democrático de Direito (...), promulgamos, sob a proteção de Deus, aseguinte Constituição da Rep
ública Federativa do Brasil.” 
 (PREÂMBULO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988)
O nosso artigo da semana passada foi
profético
”, para não dizer, simplesmente,
desvelador
. Enquanto nós afirmávamos nesta coluna que “
o Direito nada mais é do que
 
umconjunto de palavras, de dizeres bonitos e muitas vezes incompreensíveis a olho nu, que são
aplicados e interpretados, para a “resolução” dos litígios, de acordo com a conveniência
individual ou institucional de quem tem o poder de o dizer ou de afirmá-lo, isto é, uminstrumento de legitimação das mazelas do ser humano (e das suas instituições) que tem o poder de decidir 
”,
o Ministério Público Federal em São Paulo, através da sua ProcuradoriaRegional dos Direitos do Cidadão, praticava, exatamente, isso. E a pergunta ressoou, mais umavez,
em meus ouvidos: “
O que é mesmo o Direito? 
”.
O MPF-SP ajuizou uma Ação Civil Pública para obrigar a retirada de todos ossímbolos religiosos ostentados em locais de ampla visibilidade e de atendimento ao públicoem repartições públicas federais no Estado de São Paulo. Em outras palavras, o MPF em SãoPaulo, mais uma vez, interpretou a Constituição Federal a seu bel-prazer, ao seu sentir e,muito mais que isso, desconsiderou que o Sistema Jurídico existe para o Povo e não o Povopara o Sistema Jurídico. No entender do Procurador Regional da República Jefferson AparecidoDias
 –
mentor intelectual da ação
 –
que, segundo ele, é católico praticante
, dos que “
comungae confessa
”, é inconstitucional existir afixado
, ou em destaque, num prédio oficial, uma Bíbliaou a imagem de uma cruz ou crucifixo.Na verdade, o que está por trás de tudo isso é mais um engodo terminológico dainterpretação do direito, contaminada pelos valores da esquerda totalitária. O pano de fundodesta Ação é o denominado conceito de
Estado Laico
, forjado a partir do final do século XIX,com a doutrina filosófica do
Laicismo
. Tal doutrina defende e promove a separação total entreo Estado e as igrejas e comunidades religiosas, assim como também a neutralidade do Estadoem matéria religiosa.Se pararmos para fazer uma análise histórica do surgimento desta concepção deEstado
 –
o Estado laico, sem compromisso com Deus ou com a Igreja
 –
perceberemos quequem perdeu
 –
em muito
 –
com esta separação foi a sociedade, sobretudo se pensarmos quea separação que se imprimiu aí foi entre o Estado e o Cristianismo,
com todos os valoresinerentes a ele
. Mas, enfim, não podemos desconsiderar, também, que a Igreja, enquantoinstituição, em muito contribuiu para a derrocada do Estado Cristão porque assentiu em váriasmazelas da condição humana. Por assim ser, não queremos discutir isso neste artigo. O quequeremos discutir, efetivamente, aqui é a intolerância do Estado laico, como se quer fazer,agora, começando em São Paulo, no Brasil.
 
Neste sentido, é inelutável e antidemocrático deixar de considerar o fato de que,se o nosso Estado é laico
 –
porque separado da Igreja
 –
cerca de 95% dos brasileiros sãocristãos, segundo o último censo do IBGE. Ora, se assim o é, é impensável que uma tal açãodessa venha a prosperar. Porque, se o Estado é laico, as pessoas não o são e tem o direito delivremente expressar sua fé e o seu culto, seja através de palavras, de atos ou do uso desímbolos em suas repartições de trabalho. Não há fundamento constitucional que embase talAção Civil Pública. Haveria se, por exemplo, houvesse uma lei, federal, estadual ou municipalque obrigasse o uso de símbolos religiosos, como o crucifixo, a cruz e a Bíblia (e a bem daverdade o objetivo desta Ação Civil Pública é ir de encontro a esses símbolos da fé cristã) nasrepartições. Isso, sim, seria inconstitucional, mas não é o caso. O que está latente aí é aintolerância dos laicos e das famosas minorias para com os que têm a fé cristã. Tanto é assimque, quem está por trá
s disso é o grupo chamado “Brasil para Todos” formado pelos seguintes
membros: - Iyalorisa Sandra M. Epega - Presidente da ONG Respeito Brasil Yorubá; Pai Celsode Oxaguián; Monja Coen Sensei - Missionária da tradição Soto Shu - Zen Budismo; MahesvaraCaitanya Das - sacerdote Vaishnava; Pr. Djalma Rosa Torres - Igreja Batista Nazareth; Rev.Cristiano Valério - Igreja da Comunidade Metropolitana de São Paulo; Ricardo MárioGonçalves, PhD, monge budista; Monge Genshô, Diretor-Geral do Colegiado Budista Brasileiro;Jagannatha Dhama Dasa - sacerdote hinduísta Vaishnava; Milton R. Medran Moreira -Presidente da Confederação Espírita Pan-Americana. Em síntese: a idéia é combater os valoresda fé cristã, tal como se fez na França em 1880, quando se proibiu o uso de Bíblias e crucifixosnos colégios e tribunais. Interessante, para não dizer catastrófico, é perceber que, entre esses,há um pastor evangélico que, na verdade, deveria defender a liberdade da fé cristã.O que percebemos em tudo isso, na verdade, é o Estado, através do MinistérioPúblico Federal, tentando fazer renascer no Brasil um conflito religioso que não existe mais nonosso meio. É a mesma coisa que acontece com o movimento dos racialistas. Vivem
inventando políticas “afirmativas” de conflitos que já
não existem mais no imaginário dasociedade brasileira. Isso é um absurdo, um grande erro. Mas, como dissemos, todas essascoisas tem a ver com o
Direito
que, no nosso caso, é interpretado da forma que é convenienteao grupo que pode decidir e tem poder para tal. É o mesmo que acontece com o argumentodaqueles que dizem que na Constituição não existe vedação para o casamento entre pessoasdo mesmo sexo. Ora, se o raciocínio é este, então, podemos fazer casamento entre pessoas eanimais, porque a Constituição não veda. É uma argumentação pueril, para não dizer absurdae mal-intencionada.
Como afirmamos na semana passada, “
o Direito, na sua essência, deveria, deve esempre deverá ser a expressão, no plano jurídico e normativo, dos valores, dos ideais, doscostumes e daquilo que a sociedade considera, de geração a geração, o seu bem, o seu belo e asua verdade. Se assim não o for, não estaremos diante do Direito da Sociedade, mas sim doque é Torto na Sociedade
”.
Por isso, quando lemos na Constituição Federal, logo no seupreâmbulo, isto é, no momento inicial, onde existem os denominados vetores fundamentaisda interpretação autêntica
 –
aquela que é feita pelo próprio legislador
 –
que o nosso Brasil e asua ordem jurídica foram implementados
sob a proteção de Deus
 
é porque, efetivamente, oPovo esta ali a expressar os seus valores genuínos da fé cristã de modo que esses devem serrespeitados em sua integridade e o Estado não pode ir de encontro a eles. Não pode porque oEstado é formado a partir do Povo e não o contrário.

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