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Cântico de Humanidade
Hinos aos deuses, não.Os homens é que merecemQue se lhes cante a virtude.Bichos que lavram no chão,Actuam como parecem,Sem um disfarce que os mude.Apenas se os deuses queremSer homens, nós os cantemos.E à soga do mesmo carro,Com os aguilhões que nos ferem,Nós também lhes demonstremos
Este poema tem algo em comumcom o tema, pois este poemaexplica muito do que é ahumanidade, e como está empoesia, acho que é esse o objectivodo trabalho.
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Miguel Torga, in 'Nihil Sibi'
 
Os Amigos Infelizes
Andamos nus, apenas revestidosDa música inocente dos sentidos.Como nuvens ou pássaros passamosEntre o arvoredo, sem tocar nos ramos.
A poesia é um bom método paradar vida à humanidade, e talvez osdois se completem.
No entanto, em nós, o canto é quase mudo.Nada pedimos. Recusamos tudo.Nunca para vingar as próprias doresTiramos sangue ao mundo ou vida às flores.E a noite chega! Ao longe, morre o dia...A Pátria é o Céu. E o Céu, a Poesia...E há mãos que vêm poisar em nossos ombrosE somos o silêncio dos escombros.Ó meus irmãos! em todos os países,Rezai pelos amigos infelizes!
Pedro Homem de Mello, in "Os Amigos Infelizes"
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