BERGSON§ 692. BERGSON: VIDA E OBRAA obra de Bergson apresenta-se-nos, logo à primeira vista, como amáxima expressão do espiritualismo francês, que principia comMaine de Biran e continua numa numerosa família de pensadoresfranceses contemporâneos (§ 675). No entanto, pode ser tambémlegitimamente incluída no quadro do evolucionismo espiritualista queteve representantes e defensores em todos os países da Europa (§660). Além disso, interessa-se por alguns temas da critica daciência e do pragmatismo.O seu traço mais característico é, no entanto, o espiritualismo. Otema fundamental, ou antes, o único tema, da investigaçãobergsoniana, é a consciência; mas a originalidade desta investigaçãoconsiste no facto de não considerar a consciência como uma energiainfinita e infinitamente criadora, mas4,@I, 01, energia finita, condicionada e limitada por situações,circunstâncias ou obstáculos que podem também solidificá-la,desagradá-la, bloqueá-la ou dispersá-la. O próprio Bergson declarousob este aspecto o carácter original do seu espiritualismo. "0grande erro das doutrinas espiritualistas - disse ele (Evolutioncréatr., 1911, p. 291)-foi o de crer que isolando a vida espiritual detudo o mais, suspendendo-a no espaço mais alto possível sobre aterra, a colocariam assim ao abrigo de qualquer ataque; como seassim não a tivessem exposto a ser confundida com o efeito de umamiragem". As doutrinas espiritualistas opuseram o testemunho daconsciência aos resultados da ciência sem ter em conta estes