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Gestão da autoria de telenovelas. questões preliminares sobre o papel das emissoras

Gestão da autoria de telenovelas. questões preliminares sobre o papel das emissoras

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Published by João Araújo
O presente trabalho expõe as bases teóricas que estão servindo de compasso a um estudo exploratório acerca das práticas de gestão da autoria empregadas na produção de telenovelas pelas emissoras brasileiras, com especial enfoque nos procedimentos aplicados pela Rede Globo. Como a pesquisa ainda se encontra em fase inicial, este artigo é orientado menos pela exposição de resultados do que pela apresentação do projeto de estudos à comunidade acadêmica, o que é feito sobretudo através da explicitação das premissas que o conduzem. Tais premissas são vinculadas à sociologia bourdieusiana, e portanto debitarias da noção de campo; e aos emergentes estudos sobre indústrias criativas, em especial os que abordam as especificidades dos tipos de produtos, das relações de produção e dos modelos de gerenciamento dessa sorte de indústrias.
O presente trabalho expõe as bases teóricas que estão servindo de compasso a um estudo exploratório acerca das práticas de gestão da autoria empregadas na produção de telenovelas pelas emissoras brasileiras, com especial enfoque nos procedimentos aplicados pela Rede Globo. Como a pesquisa ainda se encontra em fase inicial, este artigo é orientado menos pela exposição de resultados do que pela apresentação do projeto de estudos à comunidade acadêmica, o que é feito sobretudo através da explicitação das premissas que o conduzem. Tais premissas são vinculadas à sociologia bourdieusiana, e portanto debitarias da noção de campo; e aos emergentes estudos sobre indústrias criativas, em especial os que abordam as especificidades dos tipos de produtos, das relações de produção e dos modelos de gerenciamento dessa sorte de indústrias.

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 Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXII Encontro Anual da Compós, Universidade Federal da Bahia, 04 a 07 de junho de 2013 www.compos.org.br
1
GESO DA AUTORIA DE TELENOVELAS 
: questões preliminares sobre o papel das emissoras
1
 
AUTHORSHIP MANAGEMENT OF TELENOVELAS:
 preliminary issues on the broadcasters’ role
 
Maria Carmem Jacob de Souza
2
 João Eduardo Silva de Araújo
3
 
Resumo 
: O presente trabalho expõe as bases teóricas que estão servindo de compasso a um estudo exploratório acerca das práticas de gestão da autoria empregadas na produção de telenovelas pelas emissoras brasileiras, com especial enfoque nos procedimentos aplicados pela Rede Globo. Como a pesquisa ainda se encontra em fase inicial, este artigo é orientado menos pela exposição de resultados do que pela apresentação do projeto de estudos à comunidade acadêmica, o que é feito sobretudo através da explicitação das premissas que o conduzem. Tais premissas são vinculadas à sociologia bourdieusiana, e portanto debitarias da noção de campo; e aos emergentes estudos sobre indústrias criativas, em especial os que abordam as especificidades dos tipos de produtos, das relações de produção e dos modelos de gerenciamento dessa sorte de indústrias.
 
Palavras-Chave:
 Autoria de telenovelas. Campo. Indústrias Criativas.
Abstract 
: The present work exposes the theoretical bases which are serving as a compass to an exploratory study on the authorial management practices employed
in the production of telenovelas by the Brazilian broadcasters’, with an special
 focus on the proceedings applied by Rede Globo. Since the research is still in its initial phase, this article is less oriented by the exposition of results than by the  presentation of the project study to the academic community, what is done mostly through the explicitation of the premises that guide it. Such premises are linked to the Bourdieusian sociology, and therefore indebted to the notion of field; and to the emergent studies on creative industries, especially those which approach the  specificities of the types of products, the production relations and the management models of this sort of industries.
Keywords:
Telenovela authorship. Field. Creative Industries.
1
 Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho Estudos de Televisão do XXII Encontro Anual da Compós, na Universidade Federal da Bahia, Salvador, de 04 a 07 de junho de 2013.
2
 Professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia, onde coordena o Laboratório de Análise de Teleficção (a-tevê). Doutorado em Ciências Sociais (PUC/SP). PhD em Letras e Linguística (UFBA). Bolsista de produtividade nível 2 do CNPq. mcjacobsg@gmail.com.
3
 Mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia, integrante do Laboratório de Análise de Teleficção (a-tevê). jesilvaraujo@gmail.com.
 
 
 Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXII Encontro Anual da Compós, Universidade Federal da Bahia, 04 a 07 de junho de 2013 www.compos.org.br
2
1. Introdução
Os estudos fílmicos vinculados à narratologia clássica e à tradição semiológica rejeitaram durante décadas qualquer tipo de consideração acerca das equipes responsáveis  pela realização dos filmes
4
. Das inúmeras críticas alçadas a estas tradições, François Jost (2010, p. 57) salienta um aspecto valioso para a reflexão a ser empreendida neste artigo: é  preciso atentar para a definição e a delimitação do olhar do diretor
 – 
 autor diante da realidade que se apresenta para ele
durante a filmagem. É preciso descobrir “como reintroduzir o autor
[dos filmes ou de qualquer outra mídia audiovisual] como partícipe da narrativa
”.
  Numa outra oportunidade, Jost (2009, p. 12) argumenta que a atribuição da função autoral a uma individualidade requer que se compreenda a natureza da obra examinada, que no caso do cinema remete ao seu estatuto de artefato. Tal abordagem indica a tendência de examinar a questão da autoria no audiovisual a partir de duas vertentes associadas entre si. Por um lado, volta-se a atenção sobre a natureza da obra, das condições econômicas, técnicas, artísticas e estéticas que incidem sobre as escolhas operadas pelos reconhecidos e legitimados autores. Por outro lado, atenta-se para as discussões existentes nesses universos específicos sobre a realização dos produtos e sobre as definições a respeito de quem deveria ser reconhecido como autor.  Nesses estudos, observa-se a tendência de investigar a história da posição de quem é creditado como autor no senso comum especializado que construiu um modo legítimo de reconhecê-lo
5
. Pesquisas menos preocupadas em identificar a figura central do autor no  processo examinam ainda as marcas dos produtores, cenógrafos, diretores, roteiristas, figurinistas etc. (SANDEEN; COMPESI, 1990). O que esta tendência costuma problematizar é a complexidade do processo coletivo da realização, marcado pelo conflito e pela colaboração, que se apresenta de modo variado a depender das dimensões simbólica e econômica do produto.
4
 Tal recusa a tratar a questão da autoria se deu sob influência do texto de Barthes (1984) argumentando a morte do autor e mesmo a partir de leituras enviesadas que extrapolavam os argumentos de trabalhos anteriores, como o do célebre ensaio de Wimsatt e Beardsley (1954) censurando exegeses textuais de caráter genético ou  biográfico que sublinhavam uma idealização romântica das intenções do escritor.
5
 No sistema produtivo das telenovelas, séries e minisséries brasileiras, por exemplo, o roteirista-titular é reconhecido como figura autoral. Nota-se que em outros sistemas de criação ficcional televisiva a autoria costuma ser atribuída a distintos agentes envolvidos no processo, como o diretor, na França, onde a televisão herda da política dos autores do cinema a primazia desta figura (BOYD-BOWMAN, 1990, p. 51); ou o  produtor-executivo nos Estados Unidos, onde a visão de tevê como
 show business
 valoriza habilidades gerenciais associadas às criativas.
 
 
 Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação XXII Encontro Anual da Compós, Universidade Federal da Bahia, 04 a 07 de junho de 2013 www.compos.org.br
3
Qual o melhor caminho, então, para reconhecer uma instância autoral? Tal indagação ajuda tanto a recusar noções de morte do autor quanto a reforçar, na esteira de uma leitura menos enviesada de Wimsatt e Beardsley (1954), a perspectiva crítica que busca superar a idealização dos autores legitimados e a excessiva preocupação com os aspectos biográficos e com a inovação. Ao fazermos o balanço dos resultados alcançados pelas pesquisas sobre autoria das telenovelas brasileiras desenvolvidas desde 2001 pelo Grupo de Pesquisa Análise da Teleficção
 – 
 a-tevê (PosCom/Ufba), constatou-se que a idealização dos autores roteiristas da ficção seriada ainda precisava ser superada. Não obstante, esta avaliação mostrou, dentre outros aspectos
6
, que a marca dos autores-roteiristas decorre de lutas e estratégias de reconhecimento postas em ação por eles num ambiente coletivo de trabalho, num sistema complexo de poder e decisões, no qual os interesses das redes de televisão estão em jogo. Circunstância que mostra ao pesquisador a necessidade de aprimorar o quadro de referencias  para evidenciar não só (como classicamente se tem feito) o grau de autonomia que os autores detêm no processo criativo diante dos constrangimentos advindos das pressões das empresas  produtoras, mas o modo como, e as razões pelas quais, as próprias empresas incentivam tal autonomia, conseguida não só à sua revelia, mas também com seu apoio. Descobertas que reafirmaram as desafiantes mediações entre as abordagens que examinam as marcas autorais nos textos das telenovelas e aquelas que examinam as condições de produção e criação dos autores e de suas obras. Nesta fase de vistorias, voltou-se para os autores que nortearam as bases dos estudos do Grupo de Pesquisa a-tevê sobre a construção social da autoria, dentre eles: Pierre Bourdieu, Martín-Barbero, Renato Ortiz e José Mário Ortiz. Abriu-se, também, uma frente de estudos que ampliasse a compreensão sobre o lugar das empresas no processo criativo e autoral das telenovelas. Este artigo explora esta vertente, e introduz contribuições de estudos sobre as indústrias criativas
7
 para apresentar as premissas que estão conduzindo uma investigação exploratória
6
Consultar SOUZA, M.C. O papel das redes de televisão na construção do lugar do autor nas telenovelas  brasileiras: notas metodológicas. In: SOUZA, M.C.; BARRETO, R. (Orgs).
Bourdieu e os estudos de mídia:
campo, trajetória e autoria. Salvador: Edufba, 2013.
7
 O acesso a tal bibliografia seria impossível sem o auxílio do professor doutor Fábio Almeida Ferreira, que explorou o tema em seu doutorado e vem ampliando as reflexões sobre ele em projetos de pesquisa e disciplinas na graduação em Administração, no Mestrado em Desenvolvimento e Gestão Social e no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas, todos na Universidade Federal da Bahia.

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