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SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em JornalismoVII Encontro Nacional de Pesquisadores em JornalismoUSP (Universidade de São Paulo), novembro de 2009
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 Jornalismo de Agências x Internet: diálogos econflitos
Pedro Aguiar 
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Rafael Pereira do Rego
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Resumo:
O jornalismo de agências de notícias nasceu no século XIX e, a despeito das intensastransformações sofridas pelas tecnologias e formas de organização da produção jornalísticadesde eno, manteve fundamentalmente inalterado seu modelo operacional: doscorrespondentes para a redação central e, destas, para os clientes. Enquanto jornais e outrasmídias sofreram diferentes etapas de modernização e rupturas paradigmáticas nos últimos doisséculos, sofrendo concorrências e adaptações a novos suportes, as agências basicamente iamestendendo sua lógica operacional às novas demandas, sem necessariamente modificá-la. Aconsolidação da digitalização e das redes eletrônicas (não só internet, mas todos os suportesconvergentes) pôs em xeque tal modelo, pela primeira vez, e tem levado estas empresas a buscar novos modelos produtivos e novas práxis jornalísticas. Este trabalho contribui comquestionamentos sobre o “estado da arte” do jornalismo de agências em época de redes econvergência midiática.
Palavras-chave
: agências de notícias; jornalismo de agências; jornalismo internacional;convergência midiática; internet.
O jornalismo de agências de notícias guarda particularidades e idiossincrasiasaté hoje pouco reconhecidas e, no contexto brasileiro, virtualmente ignoradas. Estamodalidade profissional encerra função específica no processo de produção da notícia,apresenta marcadas propriedades estilísticas e encontra-se na gênese da longacaminhada pela globalização da comunicação. Na medida em que tais particularidadessão dialeticamente determinadas tanto pelas condições de produção quanto pelo papelhistoricamente exercido por estas empresas nos sistemas nacionais e internacionais de
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Jornalista, mestrando em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da Universidade Federaldo Rio de Janeiro (ECO/UFRJ), pesquisador do Grupo de Pesquisa em Políticas e Economia política daInformação e da Comunicação (PEIC), bolsista CNPq. pedroaguiar@ufrj.br 
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Graduando em Comunicação Social (Jornalismo) pela Escola de Comunicação da Universidade Federaldo Rio de Janeiro (ECO/UFRJ), bolsista PIBIC do Grupo de Pesquisa em Políticas e Economia políticada Informação e da Comunicação (PEIC). rbandeirante@yahoo.com.br 
 
SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em JornalismoVII Encontro Nacional de Pesquisadores em JornalismoUSP (Universidade de São Paulo), novembro de 2009
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informação, o jornalismo de agências se faz sub-campo específico cujos dispositivos edinâmicas articulam-se com outras esferas das atividades de comunicação, mais visíveise proeminentes.Agências, por não publicarem diretamente para o público, até recentemente eramexcluídas da categoria “mídia”. Os processos de digitalização e convergência, ao expor o conteúdo dos despachos em portais de notícias, gratuitamente, puseram em xeque talcategorização. E sua fuão de distribuidoras de informão eminentementeinternacional tem sido ameaçada, no âmbito do capitalismo pós-industrial, por outrasoperações mais lucrativas e ainda mais dependentes do capital financeiro.A relação contraditória entre a práxis jornalística de agências e o modelo secular deoperação destas empresas, de um lado, e a multiplicação dos canais de distribuição deinformação potencializada pela internet, do outro, é caracterizada por rupturas econtinuidades, conflitos e diálogos, tensões e sínteses. Embora ainda não seja possível prever globalmente o desdobramento destas mudanças, por ser extremamente recente, jáhá pontos que podem ser apontados como relevantes para serem acompanhados. Frente aeste cenário, e baseando-se tanto nas mais recentes análises de conteúdo sobre o campoquanto em entrevistas com profissionais atuantes neste segmento, o presente trabalhocontribui com questionamentos sobre o “estado da arte” do jornalismo de agências emépoca de redes e convergência midiática.
1. Particularidades do Jornalismo de Agências
As definições sobre agências de notícias nem sempre se fundamentam em suanatureza e em seu papel econômico e sua função produtiva no setor da comunicação.Agências são às vezes confundidas com meros
agenciadores
de conteúdo jornalístico,equivalentes àquilo que no mercado da imprensa anglo-saxão é denominado desyndication. No entanto, estas empresas guardam características intrínsecas e universaise, conseqüentemente, e o jornalismo que praticam é por estas condicionado. De fato,agências de notícias “
são empresas especializadas em coletar informações de interesse jornalístico dispersas, formatá-las como notícia e redistribuí-las para assinantes” (AGUIAR,2008; 22), sejam estes veículos de comunicação ou outras instituições e até mesmo indivíduos.
 
SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em JornalismoVII Encontro Nacional de Pesquisadores em JornalismoUSP (Universidade de São Paulo), novembro de 2009
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Por conta da massificação e da economia de escala em que operam,
Paterson (2005) e Boyd-Barrett & Rantanen (2002) lembram que as agências costumam ser classificadas como“atacadistasde informão, enquanto os veículos jornais, revistas,
websites
,emissoras de rádio e TV – são equivalentes aos “varejistas”.
Agências de notícias foram, e em parte ainda são, instituições-chave emqualquer sistema de mídia – o centro nervoso que conecta todas as suas partes, sejam mídia eletrônica ou impressa, grande ou pequena, capital ou provincial. Mas agências de notícias são também uma classe em si,comparada a outras formas de mídia e comunicação. Agências de notíciasnão são nem mídia nem comunicação, mas ainda assim compartilhamcaracterísticas típicas de ambos. Agências de notícias são mídia no sentidode que transmitem seu conteúdo em massa, mas não têm um público; comomeios de comunicação, agências de notícias em geral fornecem conteúdo àmídia, que por sua vez utiliza tal conteúdo para se tornar mídia de massa eatingir seu público. O ‘público’ de uma agência de notícias são outros meiosque na verdade são os clientes da agência e fornecedores de notícias aomesmo tempo. Portanto, as pessoas não utilizam agências de notíciassocialmente. Entretanto, com o desenvolvimento de novas tecnologias decomunicação, as agências de notícias podem [passar a] enviar seu conteúdodiretamente para o público (por exemplo, pela Internet), mas ainda nãoalcançam uma audiência de massa no mesmo sentido da mídia de massatradicional (pessoas consumindo no mesmo lugar ao mesmo tempo).(RANTANEN, 2002; 65)
O jornalismo de agências se diferencia daquele exercido nos veículos decomunicação tanto em aspectos de forma (que aqui denominamos “sintáticos”) quantode conteúdo (“semânticos”). Nem a formatação do produto final, nem o escopo deassuntos cobertos por uma agência de notícias coincidem com os de qualquer suporte para publicação – nem mesmo a web, ainda que por vezes se tente forçar umasemelhança, apenas pelo fato de ambas trabalharem com o fluxo contínuo de notícias. Na medida em que tais particularidades são dialeticamente determinadas tanto pelas condições de produção quanto pelo papel historicamente exercido por estasempresas nos sistemas nacionais e internacionais de informação, o jornalismo deagências se faz sub-campo específico cujos dispositivos e dinâmicas articulam-se comoutras esferas das atividades de comunicação, mais visíveis e proeminentes. Ou, deacordo com Silva Jr.,
a estruturação das agências de notícias configura características operacionaise de fluxo próprias, que surgem na articulação entre a ação de agenciamentoe os dispositivos tecnológicos envolvidos; a inserção das agências noambiente de circulação de notícias e informações está diretamente ligada àsua capacidade de estabelecer fluxos de informações constantes, regulares e
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