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Entrevista a Michel Giacometti

Entrevista a Michel Giacometti

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Entrevista de Mário Vieira de Carvalho a Michel Giacometti (1971).
Entrevista de Mário Vieira de Carvalho a Michel Giacometti (1971).

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“AS CANÇÕES TRADICIONAISSOBREVIVEM NA MEMÓRIA DO POVO”Entrevista com Michel Giacometti, efectuada em 1971
 A entrevista que a seguir se transcreve com MICHEL GIACOMETTI foiconduzida por MÁRIO VIEIRA DE CARVALHO, e publicada no Diário deLisboa, em 18 de Junho de 1971.Tinha como causa próxima a edição, nesseano, de mais um disco da “Antologia da Música Regional Portuguesa”organizada por Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, disco que contémuma amostragem da prospecção realizada durante cerca de dois anos na Beira Alta, Beira Baixa e Beira Litoral.
“As canções tradicionais sobrevivem na memória colectiva do povo”
 A recente publicação de mais um disco da “Antologia da Música Regional Portuguesa” organizada por Michel Giacometti e Fernando Lopes-Graça, discoque contém uma amostragem da prospecção realizada durante cerca de dois anos na Beira Alta, Beira Baixa e Beira Litoral, é a causa próxima desta entrevista.
 
 Quando tomamos contacto com as manifestações genuínas do folclore musical,com os ritmos trepidantes de certos “cantos de romaria”, como a “Senhora do Almurtão” (restituído ao seu ambiente ritual e coreográfico africano), com canções ou ritmos de trabalho como a “Bacelada” ou o “Bendito”, com o estilo selvático e  pagão do “S. João” do Rosmaninhal, com a melopeia dolente da “Cantiga da Roda”, com a espontaneidade reivindicativa do “De quem é o Carvalhal?” (“océu é de quem o ganha e a terra de quem a amanha”), com a “lengalenga” mista de canto e de fala do “Alvoio” ( para citar apenas exemplos colhidos ao acaso nodisco das Beiras) quando descobrimos, portanto, a música autêntica do povoautêntico, começamos a fazer uma ideia da leviandade com que, entre nós, se costuma falar de folclore, folclorismo, música folclórica, música popular, música  portuguesa.
 
 No meio da confusão reinante na matéria, o depoimento de Michel Giacometti pode ser decisivo para uma tomada de consciência.
 
 
 
Quando é que começou a interessar-se pela investigaçãoetnomusicológica em Portugal?
Em 1959, quando li, no Museu do Homem, uma obra póstuma domusicólogo norte-americano Kurt Schindler, que esteve no Nordestede Trás-os-Montes em 1928 e registou algumas melodias tradicionaisda região. Pretendi retomar esse trabalho e procedi a uma rápidainvestigação no mesmo local, tendo recolhido alguns documentos de valor que apresentei à Comissão de Etnomusicologia da FundaçãoGulbenkian, composta pelos Profs. Artur Santos, Jorge Dias e Lopes-Graça. A votação foi-me favorável por dois votos contra um (o doprimeiro), mas mesmo assim não consegui o patrocínio que mepermitiria continuar a prospecção (na altura, tencionava limitar-me aoNordeste transmontano). Em face da decisão negativa da Fundação,Fernando Lopes-Graça demitiu-se da Comissão de Etnomusicologia,e foi então que lhe propus que trabalhássemos juntos, pelos nossospróprios meios. Voltámos a Trás-os-Montes, onde passámos maistrês meses em condições muito difíceis. O material recolhido nestaprospecção e na anterior está na origem do primeiro disco da“Antologia da Música Regional Portuguesa”, publicado em 1960: Tínhamos decidido fazer a cobertura sistemática do país.
Para recolha dos documentos utilizaram, portanto, meiosmecânicos de gravação e não a notação musical escrita.
 A notação escrita não oferece as garantias do registo directo em fitamagnética. Alguns aspectos estilísticos que caracterizam uma cançãofolclórica escapam à transcrição. Os camponeses não cantam ascanções duas vezes da mesma maneira e não se subordinam a umaregra geométrica do ritmo. Quando muito, a notação limita-se aassinalar o recorte da melodia.
 
 
 Anteriormente já tinha siso utilizado no nosso país o método doregisto magnético de documentos folclóricos?
O primeiro a utilizá-lo em Portugal, com verdadeiro espírito deinvestigação etnomusicológica, foi o já citado Kurt Schindler. Asgravações que realizou encontram-se depositadas na Universidade deColumbia, nos Estados Unidos.Entretanto não tenho conhecimento de que algum organismoportuguês oficial ou privado, procurasse obter cópias. Eu própriotentei fazê-lo e escrevi nesse sentido à Universidade norte-americana,mas infelizmente ainda não pude satisfazer as condições financeirasexigidas.Depois de Kurt Schindler, é de assinalar a prospecção realizada em1940 pela Emissora Nacional, que enviou uma brigada por todo opaís durante cerca de quatro semanas, trabalhando sob a orientaçãode Armando Leça. Esta missão teria importado em muitas centenasde contos. Só que os documentos registados, conservados em caixasdurante quase vinte anos, ao que parece sem nunca terem sidoradiodifundidos ou por outra forma utilizados acabaram pordeteriorar-se parcialmente. Das poucas dezenas que restam, apenasuma meia dúzia terá interesse musicológico.Há que referir ainda os trabalhos de Artur Santos, este limitado aos Açores (S. Miguel, Santa Maria e Terceira) e publicado já depois dosprimeiros volumes da nossa “Antologia”, de Virgílio Pereira eErnesto Veiga de Oliveira, que beneficiaram duma bolsa daGulbenkian, tendo realizado obra honesta e valiosa e finalmente dopróprio Lopes-Graça, que fez uma primeira prospecção da BeiraBaixa em 1953, utilizando meios de gravação rudimentares.
Devo concluir, no entanto, que antes da vossa “Antologia daMúsica Regional Portuguesa”, não foi dada a público qualqueroutra edição fonográfica do folclore musical português...
 A não ser discos de “ranchos folclóricos”, que não satisfazem

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