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QUINZENÁRIO INDEPENDENTE AO SERVIÇO DAS COMUNIDADES DE LÍNGUA PORTUGUESA
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Quinzena de Agosto de 2009Ano XXIX - No. 1069 Modesto, California$1.50 / $40.00 Anual
PALCUS reconhece 
Manuel Eduardo Vieira 
JUVENTUDE
Durante o espectáculoda Juventude da Luso-American, realizadono San José Center for the Performing Arts, aactuação de MichaelRosa, do San JoséYouth Council # 2,valeu-lhe o Prémio de“Best Individual Per-former”, que foi entregue durante o Jantar.A reportagem da Convenção da Luso-Amer-ican sairá na nossa próxima edição de 1 deSetembro.
Michael Rosa, best  performer 
portuguesetribune@sbcglobal.net • www.portuguesetribune.com • www.tribunaportuguesa.com
A Juventude em duas
Convenções
FALECIMENTO
Morreu Raul Solnado 
Morreu aquele que fez rir Portugal, num tem- po em que o nosso País vivia numa sonolên-cia fascizante e onde os coronéis da censuratentavam cortar as raízes ao pensamento dosmaiores artistas portugueses, e onde tambéma justiça (com algumas boas excepções) anda-va de mãos dadas com o poder retrógada da-queles que nunca foram eleitos em Portugal.Raul Solnado ainda teve a sorte de viver 35anos em democracia.Portugal perdeu um grande Homem mas osCéus ganharam um grande Artista.Tinha 79 anos de idade.
RECONHECIMENTO
A PALCUS vai homena-gear o industrial ManuelEduardo Vieira atribuin-do-lhe o Business Lea-dership Award, na Noitede Gala dos LeadershipAwards que se irá reali-zar em 10 de Outubro noClub Português de Har-tford, Connecticut.Os outros recipientes dos Prémios da PAL-CUS serão:Eduardo Vieira - BusinessDavid Leite - National Author - PortugueseTablePilar Coelho - Young Portuguese
Convenção da UPEC
: Princess Kaylee Faria, Supreme President Natalie Batista, UPEC Convention Queen BrittneyAceves, State Youth President Mary Batista
Convenção da Luso-American
- Grupo Vencedor na Categoria “Best Dancing” - Youth Council # 4 Sacramento.Embaixo: Grupo Vencedor na Categoria “Best Musical / Variety” - Youth Council # 11 Mountain View / Santa Clara
 
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15 de Agosto de 2009
SEGUNDA PÁGINA
Year XXIX, Number 1069, Aug 15, 2009
 
Pensar no futuro
EDITORIAL
Todos nós temos as nossas manias.Antes mesmo da proliferação inter-nética dos Facebook, Twitter, etc.,eu e o meu amigo Miguel Canto eCastro, descobrimos uma maneirade comunicação que serve também para aumentar o nosso ego. Foi um processo muito simples.O Miguel manda-me semanalmentenum envelope amarelo os jornais doPico, e abaixo do meu nome acres-centa pequenas maravilhas titulares,tais como:
José Ávila
Vice-Rei das Índias e AlgarvesComendador dos Mares Nunca Dan-tes NavegadosVisconde da Graciosa e CarapachoSuper Editor do Maior Jornal Portu-guês a Oeste de Mississippi
Maior Cronista Taurino do Pacíco
e ArredoresE eu, de vez em quando, mando-lhe cópias do semanáraio faialenseTribuna das Ilhas ou então CD’s deFados antigos, com o mesmo tipo dereferências elogiosas, tais como:
Miguel Canto e Castro
Barão do Pico e ArrochelaVice-Rei do Brasil Antes da Desco- bertaComendador das Almas PenadasEmbaixador das Ideias Progressistase AbrangentesVisconde de AlamedaEx-Ministro dos Assuntos InsularesMinistro das Repúblicas para o Cen-tral ValleyE como estas coisas são tão visíveis(pois são escritas com letra muitogrande para dar nas vistas), e pas-sam por tantas mãos, não é que outrodia recebemos uma carta do MuseuSmithsonian a pedir cópias dessesenvelopes, porque, segundo diz o psicólogo do Museu, esta é umanova maneira de incutir na almadas pessoas um certo orgulho de ser aquilo de que gostariam de ter sido.É muito salutar e faz bem à saude,dizem eles.E mais. Também o Correio-Mór daAmerica, congratulou-nos por estatão brilhante ideia, que faz com queos carteiros possam aprender umanova linguagem a que não estavamhabituados.É incrível como uma bricandeiratem esta repercussão. Se não se ti-vesse passado connosco, eu nuncaacreditaria.Outro dia numa reunião de amigos perguntaram-me qual teria sido amaior “bofetada” que eu tinha apa-nhado na minha vida.Sinceramente devo ter apanhadovárias, em diversas fases da minha
vida prossional ou social, mas há
uma que eu nunca mais esquecerei. Não por ser muito importante, mas por me ter ferido enormente nosmeus sentimentos e no respeito queeu tenho pelas pessoas.Aconteceu, salvo erro, na últimaviagem da TAP directamente de LosAngeles para a Terceira. Era Dezem- bro, e só havia 11 passageiros, 9 daCalifornia e dois vindos da Austrália para irem de férias às Ilhas.Havia também uma dúzia de fami-liares dos tripulantes.Ao chegarmos às Lajes, Terceira, otempo estava muito feio, muito escu-ro, muito vento e com possibilidadesde chuva, se não mesmo alguns chu-viscos.
Fui o primeiro a sair do avião e 
-quei parado no cimo das escadas.Pude ver um autocarro lá embaixoe uma hospedeira. Esta perguntou àhospedeira de bordo, que estava aomeu lado: “Vieram passageiros na primeira classe?”Respondeu a hospedeira da TAP:“Não, não vieram.”Então, a hospedeira da Terceira vi-rou-se para o condutor e disse-lheque ele poderia ir-se embora. Vi oautocarro desviar-se do avião,
vazio
,e nós descemos a escada do avião e percorremos cerca de 150 metrosa pé, com o vento frio e húmido a bater-nos na cara, até ao edifício doTerminal. Naquele momento senti vergonha deser da mesma terra daquela jovemhospedeira.Só espero que essa hospedeira tenha pesadelos de vez em quando, pelo
acto inqualicável que praticou.
Aproxima-se a passos largos os 30 anos deste jornal. Maisquinze dias e aqui estaremos celebrando esta data, infeliz-mente não na California, mas na Terceira onde estaremos passando uns dias de férias. O jornal chegará às vossasmãos antes do dia 1 de Setembro, mas a edição do dia 15de Setembro, sairá 4 dias atrasada. As nossa desculpas.Prometemos no entanto que durante o ano do aniversárioiremos celebrar esta festividade de diferentes maneiras.O importante para já é que este nosso/vosso jornal conti-nue a ser o arauto dos desejos e anseios da nossa comuni-dade. Que mostre a todo o mundo aquilo que somos.Verdadeiramente aquilo que somos, sem maquilhagensfalsas de ser o que não somos, nem nunca fomos, nemmesmo queremos ser.Quando morrem grandes artistas, como é o caso de RaulSolnado, é que pensamos quão triste e miserável era Por-tugal (político) antes do 25 de Abril.Como foi possível não se poder falar de nada durante tan-tos anos, não se poder escrever livremente como hoje sefaz, não se escrever poemas onde se mencionasse a pala-vra LIBERDADE. A censura cortava palavras como la-drão, assalto, prostituta, greve, reunião de estudantes, etantas e tantas outras. Uma vergonha.Muitos de vós se lembrarão que quando chegávamos àTerceira de barco, vindos das outras Ilhas, abriam-nos asnossas malas e os caixotes que trazíamos. Que liberdadeera essa?Como foi possível suportar tanta idiotice, tanta malandricedaqueles que nos queriam mandar, sem nunca, mas nunca,terem sido eleitos por nós.Miserável País que vivia com as costas voltadas para oMundo. Só Portugal é que era bom, todos os outros não prestavam.A França, a Bélgica, a Holanda, a Inglaterra, perceberamos ventos da mudança e Portugal cego e atrasado, conti-nuou a cantar as glórias do Minho a Timor.Ainda hoje estamos a pagar esse atraso. Que raiva...jose avila
Crónicas do Perrexil
J. B. Castro Avila
 
O Ego, meuscaros...
 
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COLABORAÇÃO
Pregadores de Santo Antão
Tribuna da Saudade
Ferreira Moreno
E
mbora conhecido mun-dialmente pelo nomede Santo António doEgipto, onde nasceuem 251 e faleceu em 356 com a provecta idade de 105 anos, noentanto, p’ra nós portugueses ele conti-nua a ser carinhosamente maisconhecido com o nome de SantoAntão.Linda festa vai na rua,Com linda iluminação,P’ra festejar o bom santo,Meu querido Santo Antão.Ó meu senhor Santo Antão,Deparai-me o que eu perdi:O meu saquinho de pão,Que há três dias não comi. Na sumptuosa Igreja Matriz de Nossa Senhora da Estrela, na“minha” Ribeira Grande, em S.Miguel dos Açores, existe umaltar lateral com a imagem doanacoreta Santo Antão. Essaimagem é deveras preciosíssi-ma, pois advém do século 16 ou17. Na Vila do Porto, em SantaMaria, encontramos a igreja deSanto Antão, cuja primitiva er-mida foi erecta no século 16. Asua antiguidade está compro-vada através das referências deGaspar Frutuoso no Livro IIIdas “Saudades da Terra”, capítu-los 6, 18 e 19. Na ilha Terceira, no tempo deFrutuoso, a Praia da Vitóriadispunha duma ermida de San-to Antão “pegada na rocha”, eduma fortaleza “pegada como mar” de nome Santo Antão.Essa ermida desapareceu por completo nos anos 1800, devidoa terramotos então ocorridos,enquanto a fortaleza, ou antigoforte, é presentemente um acer-vo de ruínas.Cruzando até à ilha de S. Jorge,deparamos com a freguesia deSanto Antão, com a respectivaigreja dedicada precisamente aomesmo Santo Antão.Curiosamente, durante o domí-nio espanhol, as ilhas das Florese do Corvo foram abrangidascom o nome de Ilhas de SantoAntão. (Manuel Luís Maldona-do, Fénix Angrense, pgs. 690-691, ed. 1990).O dia da festa litúrgica em honrade Santo Antão ocorre, anual-mente, aos 17 de Janeiro. O seu patrocínio é invocado contra oscontágios e doenças de pele; aele recorrem os salsicheiros, por-queiros e cesteiros, bem como éconsiderado o protector dos por-cos e dos animais em geral.
 Na iconograa é costume repre
-sentar Santo Antão segurando,numa das mãos, um livro sim- bolizando o Livro da Natureza eempunhando (na outra mão) umcajado encimado com uma si-neta. Junto aos pés encostam-sealguns animais, entre os quais o porquinho.Aparentemente, o diabo com- prazia-se em atormentar o ce-nobita Santo Antão com as maissedutoras e obscenas tentações,
quer na voluptuosa conguração
duma mulher, quer na asquerosaforma duma porca, o que certa-mente motivou um afamado pre-gador a proclamar que a imagemda porca, aos pés da estátua deSanto Antão, representava a mu-lher de maus poderes, “daquelasque dão calda aos homens trans-tornados com os touros na Ter-ceira depois de toureados”.Concordo que, originalmente, o porco denotava o diabo, mas nodecurso do século 12 esta repre-sentação artística adquiriu novo
signicado, devido à populari
-dade dos Irmãos Hospitalaresde Santo Antão, ordem religiosafundada em 1906 em Clemont(França), cujas obras de carida-de granjearam a admiração do povo, acumulando-lhes o prvi-légio de poderem apascentar,livremente, os suínos com osfrutos das matas. P’ra maior ên-fase, atavam uma campainha no pescoço de uma ou mais porcasem cada vara de porcos. Esta arazão da sineta ou campainha nocajado ou bordão de Santo An-tão.O saudoso sacerdote, professor e historiador, dr. Jacinto ManuelMonteiro da Câmara Pereira, nomensário mariense “O Baluar-te”, em Fevereirode 2000 relembrou
a gura empolgan
-te do padre VicenteAfonso (que aindaconheci em vida),cuja voz altisso-nante adaptava-seexcepcionalmenteà pregação elo-quente e músicaclássica. Um au-têntico crisóstomo,mas com o “se-não” de possuir,simultaneamente,um temperamentoirascível, que lhecausou, frequen-temente, situaçõesdesagradáveis. Num sermão, en-comendado p’ràFesta de Santo An-tão, o padre Vicen-te Afonso serviu-se do púlpito p’rarebater a superstição popular,dispensando culto a um animalnojento e imundo, e símbolo datentação, equiparando o porcocom o diabo. Gesticulando e batendo no púlpito, num paro-xismo de indignação, o pregador atacou a sensualidade contra aqual Santo Antão se fartara delutar e rematou à mulher todasas culpas do pecado da carne.Em contraste com este estilo deoratória destacou-se o padre Se-
ram de Chaves, distinto poeta
e pregador, natural da Vila doPorto. Com graça e ironia, noseu sermão, lamentou que SantoAntão, no dia da sua festa, “secondoía por ouvir passar as la- bregas da Serra, levando à cabe-ça púcaros, caçarolas e até potescom massame de banha, e eu p’ràqui a tenir, a tenir, a tenir”.O tenir, neste caso, coincidiacom a sineta dependurada no ca- jado de Santo Antão.

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