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GESTOS FLUSSER[1]

GESTOS FLUSSER[1]

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Published by Selma Olli

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01/28/2015

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Os gestos: fenomenologia e comunicação
Vilém Flusser
1991 – Bollmann Verlag, Düsseldorf und Bensheim1994 – Empresa Editorial Herder S.A., BarelonaVers!o "astelhana de "l#udio $anho%e&to de apa da editora Herder A'ueles momentos, em 'ue uma pessoa ou mesmo a humanidade onfere um signifiado a suas pai&(es ou a)(es, onstituem os gestos. *m gesto + o 'ue representa algo, por'ue om ele mesmo somente se trata de dar um sentido a alguma oisa. Este gesto, arregado de moimento sim-lio, + omunia)!o./as o gesto + tam-+m um fen0meno. Deifrar os gestos omo e&press!o de uma li-erdade + o 'ue -usam tanto a fenomenologia omo a filosofia da histria. or+m a filosofia da histria parte do pressuposto de 'ue a li-erdade aontee no tempo, e num tempo muito espe2fio3 o linear. $ra)as a estas hipteses + poss2el alan)ar o ponto de  partida, para a an#lise de um fen0meno omo o do gesto. A fenomenologia dos gestos,  pelo ontr#rio, pretende aan)ar sem pretens!o alguma na medida do poss2el. Da2 'ue se  for)ada a tomar omo ponto de partida o fen0meno onreto dos distintos gestos. Este ar#ter anti5histrio da teoria a'ui proposta + um aspeto importante de seu 6anti5ideologismo7. A filosofia da histria + neessariamente ideolgia. *ma fenomenologia desempenhar#, em troa, o papel de uma filosofia da histria 6desideologi8ada7....Vil+m lusser naseu em raga de uma fam2lia :udia. erseguido, emigrou ao Brasil e nos seus ;ltimos tempos de ida esta-eleeu5se na ran)a. Em noem-ro de 1991 morreu em raga. Sua o-ra est# dediada a ela-orar uma filosofia da linguagem e da omunia)!o. 1
 
1.Gesto e consentimento*
E&erita)!o na fenomenologia dos gestos<Em astelhano – aordamiento – intradu82el do alem!o $estimmtheitor motios de ortesia – e por outros motios tam-+m – um esritor tem 'ue definir seus oneitos. Eu o farei neste ensaio pelo 'ue respeita ao oneito de 6gesto7, e n!o somente por'ue oneituo 6aordamiento7. Espero 'ue o leitor me perdoe esta impertinnia. retendo simular um desonheimento do signifiado de 6aordamiento7, e ainda o-sera uma s+rie de gestos, prouro deso-rir o 'ue se 'uer di8er om essa palara. *ma esp+ie de esfor)o fenomenolgio para surpreender, atra+s da o-sera)!o dos gestos, o 'ue + o 6aordamiento7.Ao longo deste ap2tulo pretendo definir a palara gesto. "reio 'ue muitas pessoas estar!o de aordo em entendermos gestos omo moimentos do orpo, e num sentido amplo, omo moimentos dos instrumentos e ferramentas unidos ao orpo. /as muitos estar!o tam-+m de aordo 'ue n!o se dee hamar de gestos todos esses moimentos.= peristaltismo dos intestinos ou a ontra)!o das pupilas + um deles, assim sendo h# moimentos do orpo 'ue n!o representam o 'ue 'uer se falar so-re os gestos. =s tipos de moimentos a 'ue nos referimos deem ser desritos omo forma de e&press!o de uma inten)!o, proporionando uma -ela defini)!o3 6
Os gestos são movimentos do corpo que expressam uma
 
intenção
7. = resultado dessa defini)!o + muito ;til, pois h# a neessidade de preisar a inten)!o, 'ue + um oneito am-2guo, inluindo o pro-lema da su-:etiidade e da li-erdade e 'ue ertamente nos riaria difiuldades.ara eitar as menionadas armadilhas ontolgias, os tipos de moimentos orporais denominados gestos podem ser definidos metodologiamente. Assim, por e&emplo,  para a formula)!o de uma tese, sem d;ida 'ue os moimentos todos do orpo podem ser e&pliados pela enumera)!o de suas ausas f2sias, fisiolgias, psiolgias, soiais, eon0mias, ulturais, et.. e essa e&plia)!o + perfeitamente aeit#el. /as estou onenido de 'ue leanto o -ra)o por'ue 'uero e 'ue, n!o o-stante todas essas ausas s!o indu-itaelmente reais, n!o leantaria se n!o 'uisesse. or isso o leantamento do -ra)o + um gesto.A partir da2 a defini)!o 'ue proponho3 = gesto + um moimento do orpo, de um instrumento unido a ele, e n!o se d# nenhuma e&plia)!o ausal satisfatria. E defino assim mesmo omo satisfatrio3 em um disurso + um ponto 'ue n!o neessita de nenhuma satisfa)!o ulterior.Esta defini)!o pode sugerir a id+ia de 'ue o disurso, 'ue se refere aos gestos, n!o dee fiar nas e&plia)(es ausais, dado 'ue n!o alan)am o 'ue tm os gestos de espe2fio. As e&plia)(es ausais >no sentido estrito da palara ient2fia? s!o indispens#eis para a ompreens!o dos gestos, mas nos proporionam essa ompreens!o. ara entender os gestos n!o -astam esses moimentos orporais espe2fios 'ue ns reali8amos e 'ue o-seramos ao nosso redor.%am-+m + neess#rio interpel#5los. @uando algu+m assinala om seu dedo um liro, esse gesto n!o deer# ser entendido atra+s do onheimento de todas suas ausas. ara  poder entend5lo dee5se onheer seu signifiado.  e&atamente isto 'ue perseguimos, de forma muito r#pida e efia8. emos os gestos, desde os moimentos apenas  perept2eis dos m;sulos faiais at+ os moimentos mais impressionantes das massas dos orpos 'ue se hamam reolu)(es pg. 9. C!o sei omo ontinuaremos nesse aminho no entanto sei 'ue n!o
contamos com nenuma teoria so!re a interpretação dos gestos.
 /as n!o h# motio algum para
 
estar orgulhosos dele e alardear, por e&emplo, de nossa misteriosa intui)!o. Cos tempos  pr+5ient2fios ao er air uma pedra tinha5se a id+ia de sa-er 'ual era o motio. Co entanto, somente 'uando dispusemos de uma teoria lire, ompreendemos o assunto.  Ceessitamos tam-+m a'ui de
uma teoria da interpretação dos gestos
.As denominadas inias humanas ou inias do esp2rito pareem 'uerer proporionar essa teoria. Co entanto, fa8em de forma orretaF Est!o so- o
 feitiço
das inias da nature8a, e assim nos d!o umas e&plia)(es ausais ada e8 melhores e mais ompletas. Sem d;ida 'ue tais e&plia)(es n!o s!o t!o estritas omo as da f2sia e da 'u2mia, e tale8 n!o heguem a s5lo nuna, mas n!o + isso 'ue as fa8 satisfatrias.= aspeto pouo satisfatrio das inias do homem est# em seu aesso ao fen0meno do gesto.
"onsideram#no simplesmente como um fen$meno e o como uma interpretação codificada
. E, mesmo admitindo o ar#ter interpretatio dos gestos >+ o 'ue antes se denominaa sua dimens!o espiritual?, edem, no entanto, a tendnia de redu8ir o gesto a umas e&plia)(es ausais >'ue se hama nature8a?. E o fa8em para ter o direito de hamar inias. or isso + :ustamente o 'ue impede as ditas disiplinas >psiologia, soiologia, eonomia, as distintas espeialidades histrias, a lingü2stia? ela-orar uma teoria da interpreta)!o do gesto. E&iste sem d;ida essa noa disiplina de inestiga)!o om sua massa de onheimentos em resimento r#pido, 'ue se denomina
investigação da comunicação%
e 'ue paree estar espeiali8ada em ela-orar uma teoria interpretatia. A singularidade semiolgia desta disiplina, 'ue a distingue do ar#ter fenomenolgio das demais inias do esp2rito, paree ser um sinal de 'ue o estudo da omunia)!o se oupa dos mesmos fen0menos 'ue outras inias dos homens, mas pelo menos pelo seu aspeto sim-lio. "om efeito, palaras omo digo, mensagem, memria, informa)!o, apareem om fre'ünia no disurso relatio G inestiga)!o da omunia)!o humana, e s!o palaras t2pias para a interpreta)!o. Co entanto hega5se depois a um proesso urioso, e no meu entender nem sempre o-serado. Essas palaras semiolgias passam da inestiga)!o da omunia)!o humana para as disiplinas ausais e modifiam seu signifiado original. %emos assim oneitos tais omo3 6digo gen+tio7, 6mensagem su-liminar7, 6memria geolgia7 e tantos outros. E depois esses oneitos retornam G inestiga)!o da omunia)!o no entanto, ao se ter feito essas e&plia)(es, :# n!o serem para interpreta)!o. aree 'ue omo se a inestiga)!o da omunia)!o, 'ue haia ome)ado por ser uma disiplina semiolgia, na sua tendnia de moda por onerter5se em ient2fia, logo se onerte numa disiplina e&pliatia.esumindo3 uma maneira de defini)!o do gesto onsiste em entend5lo omo um moimento do orpo de um instrumento unido a si mesmo, para o 'ual n!o se d# nenhuma e&plia)!o ausal satisfatria. A fim de poder entender os gestos assim definidos, + neess#rio deso-rir seus
significados
.  e&atamente o 'ue fa8emos a ada  passo, e isso onstituiu um aspeto not#el da nossa ida otidiana. Co entanto, n!o temos nenhuma teoria da interpreta)!o dos gestos e estamos limitados a uma leitura emp2ria,
intuitiva
, do mundo dos gestos, do mundo odifiado ao nosso redor. E isto signifia 'ue, no 'ue se refere G edua)!o de nossa leitura, n!o dispomos de rit+rios onfi#eis. Isto + neess#rio reordar para prosseguir na inten)!o de, a partir de agora, ler os gestos om istas a deso-rir o 6
acordamiento
7. A defini)!o do gesto a'ui proposta sup(e tratar5se de um
movimento sim!&lico
. Se algu+m espetar o meu -ra)o, eu o moo, e essa rea)!o permitir# a um o-serador afirmar 'ue o moimento do meu -ra)o e&pressa ou 6artiula7 uma dor 'ue senti. Haer# uma onatena)!o ausal entre dor e moimento e uma teoria fisiolgia para e&pliar esse moimento onatenado, om o 'ue o o-serador estar# em seu direito de J

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