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Teoria Geral Do Crime e Da Pena - Apontamentos

Teoria Geral Do Crime e Da Pena - Apontamentos

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TEORIA GERAL DO CRIME E DA PENA
FDUCP
Maria Luísa Lobo
 – 
 2011/2012 Page 1
Capítulo I
 – 
 Introdução à Teoria do Crime I - Noção Geral de Crime e Sua Análise Conceito de Crime
: o CP vigente não define o que seja crime, ao contrario do que sucedia nos Códigos de 1852 e 1886, que o definam enquanto facto voluntário declarado e punível pela lei penal.
Crime, além de fenómeno social, é um facto, um ‘’feito’’ de uma pessoa, um
comportamento humano, uma conduta, não havendo dois que sejam iguais. Substancialmente, o crime é um
facto voluntário que lesa ou põe em perigo de lesão bens jurídicos protegidos pela ordem jurídica
 
 visão insuficiente para a dogmática penal, necessitando de ser completada por uma definição mais analítica. Deste modo,
crime enquanto facto típico, ilícito e culposo, punível
. O Crime é um comportamento humano voluntário, mas para que tal se possa qualificar como criminoso é necessário que:
 
O facto seja típico
 
O facto seja ilícito
 
O facto seja culpável
 
O facto seja punível.
▲ Os
pressupostos das medidas de segurança têm de ser típicos, sendo que o
fundamento da sua aplicação reside na perigosidade do agente (≠ pressuposto da
punição que é a culpa)
 – 
 art. 91º e ss.
Teoria do Crime
: parte da ciência do direito penal que se ocupa de explicar o que é o crime, ou seja o que é o facto humano relevante para o Direito Penal e quais as características que o facto deve ter para poder ser qualificado como crime. Esta explicação visa tornar mais fácil a averiguação da presença do crime em cada facto humano concreto.
Elementos do Crime
: 1.
 
Facto Humano
 (sinónimo de acção humana positiva ou omissiva, de conduta e de comportamento): qualquer comportamento humano, comissivo ou omissivo, que se tenha produzido sob o domínio da vontade do seu agente. O facto, enquanto elemento do crime, é sempre um feito da vontade do seu autor, um produto da sua vontade. 2.
 
Tipo
 enquanto descrição abstracta que a lei faz do facto, expressão da conduta. A
Tipicidade
 enquanto subsunção, na adequação de uma conduta da vida real a um tipo legal de crime. Sendo o tipo um modelo de comportamento proibido, abrange ao descrever a conduta proibida, o sujeito da acção, ou seja o agente do crime, a acção, os seus elementos objectivos e subjectivos, e se for caso, o objecto da acção bem assim como o resultado, com a respectiva relação de causalidade.
 
TEORIA GERAL DO CRIME E DA PENA
 – 
 PROF. GERMANO MARQUES DA SILVA
 
TEORIA GERAL DO CRIME E DA PENA
FDUCP
Maria Luísa Lobo
 – 
 2011/2012 Page 2
 
O tipo legal desdobra-se em vários tipos (tipo de ilícito, tipo de culpa, tipo de  justificação e tipo de desculpa)
 – 
 da conjugação de todos resulta a norma penal incriminadora. 3.
 
Ilicitude ou Antijuridicidade:
 contrariedade entre o facto e o ordenamento  jurídico. A
Ilicitude penal
 é a contrariedade do facto humano ao ordenamento penal. 4.
 
Culpabilidade ou Censurabilidade:
 juízo de reprovação jurídica ao agente por ter perpetrado o facto ilícito. Tem por conteúdo a realizado do facto ilícito, constituindo um juízo axiológico negativo sobre o agente por ter praticado o facto ilícito. 5.
 
Punibilidade:
 consequência lógico-jurídica da prática de um facto típico, ilícito e culposo. Em regra, todo o facto típico, ilícito e culposo é punível, mas não necessariamente
 – 
 a lei, por várias razões, pode exigir algo mais (condição de punibilidade) para que à prática do crime se siga como consequência uma sanção, uma pena. Não se verificando a condição de punibilidade, o crime existe mas não é punível. Pode suceder ainda que embora o facto seja típico, ilícito e culposo, o legislador entenda que o facto não merece punição (art. 74º do CP
 – 
 dispensa de pena).
Estrutura Essencial e Estrutura Acidental do Crime
 
Elementos Essenciais do Crime: aqueles que a lei considera indispensáveis para a sua existência.
 
Elementos Acidentais: aqueles que fundamentam a sua quantidade ou gravidade. A Ilicitude e a Culpabilidade são juízos de valor não susceptíveis de graduação, sendo o facto objectivamente ilícito é mais ou menos grave, como mais ou menos grave é o facto culpável.
 
Ilicitude contrariedade à lei: facto é ou não ilícito
 
Culpabilidade é a censurabilidade: o facto é ou não censurável Circunstâncias: corresponde às características acidentais, sendo que a maior ou menos gravidade do facto depende de tais.
Ex:
 numa ofensa corporal, desde que haja ofenda não justificada o facto é ilícito, mas a intensidade da ofensa corporal
 – 
 a gravidade da lesão
 – 
 pode variar; também na intensidade da vontade, no dolo (dolo intenção ou dolo eventual); na negligência (simples ou grosseira), desde que voluntário e não desculpável o facto é censurável, culpável, mas o grau e censura do comportamento pode também variar em razão dos motivos e da importância dos deveres (erro sobre a ilicitude censurável
 – 
 art. 17º/2; estado de necessidade atenuante
 – 
 art. 35º/2).
 
TEORIA GERAL DO CRIME E DA PENA
FDUCP
Maria Luísa Lobo
 – 
 2011/2012 Page 3
Ilicitude Formal e Material
 
Ilicitude Formal: um facto humano será ilícito ou antijurídico sempre que se apresente em oposição à ordem jurídica estabelecendo com esta uma relação de contraposição. Trata-se da propriedade de certos comportamentos humanos, seja sob a forma de acção, seja de omissão, de se oporem, de ser contrários à ordem jurídica.
 
 
Ilicitude Material: toma em consideração, tal como a Ilicitude Formal, a lesão do bem jurídico. é o ponto de referencia na criação dos tipos legais e sua aplicação aos casos concretos, para graduação da ilicitude do facto e sua influencia na dosimetria da penal, e para a interpretação teológica dos tipos e admissibilidade de causas supralegais de justificação com base no princípio da ponderação de bens. Deste modo. Não basta que o facto humano seja formalmente submissível ao tipo legal para que se verifique a ilicitude, é necessário que o facto efectivamente lese ou ponha em perigo de lesão o bem jurídico que a norma incriminadora quer proteger (
ex
: encostar a mão na cara de outrem pode formalmente ser uma ofensa corporal ou uma injúria, mas pode também ser um gesto de afecto, uma carícia).
 
A lesão ou o perigo de lesão de um bem jurídico é um elemento do crime, e deste modo a contrariedade à ordem jurídica implica a lesão ou perigo de lesão do bem  jurídico tutelado pela norma. Um facto humano apenas formalmente conforme ao tipo legal de crime, mas que não ofenda (lesando ou pondo em perigo) o bem  jurídico tutelado pela norma, não é contrário ao Direito.
Ilicitude em geral, e Ilicitude penal
▲ A Ilicitude com relevância penal não se limita à
ilicitude típica
 (aquela que decorre da relação do facto com o tipo de crime). Ex: exigência de ilicitude na agressão na legítima defesa (art. 31º)
 – 
 a agressão que autoriza a defesa não precisa de ser um facto ilícito penal, mas deverá no mínimo ser um facto ilícito
ilicitude atípica
. A Ilicitude Penal não se restringe ao campo do Direito Penal: um facto ilícito penal pode ser irrelevante para outros ramos do direito, podendo não ter qualquer relevância administrativa, fiscal, laboral, etc. mas
não pode ser um facto autorizado ou imposto, quando relevante, por qualquer outro ramo, pois um acto permitido ou imposto pelo direito civil não pode ser ao mesmo tempo um ilícito penal
 
 art. 31º/1 CP:o facto ilícito penal é um facto contrário à ordem jurídica na sua totalidade.
 
Um facto ilícito civil, administrativo, fiscal, etc. pode não ser um ilícito penal
 
Um facto ilícito penal não pode ser lícito para qualquer outro ramo do Direito.
Esboço de estrutura da Teoria do Crime
:
 
Feito Humano com Relevância Penal:
 há factos causados pelo homem que não são feitos do homem, não são feitos humanos, enquanto não são produto da sua vontade são meros eventos físicos (ex: factos praticados sob coacção física irreversível e factos praticados em estado de inconsciência).

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