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Introdução a Durkheim, Marx e Weber. Rodrigues, A. T.

Introdução a Durkheim, Marx e Weber. Rodrigues, A. T.

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, 2000.A vida social segundo os clássicos da sociologia
O homem faz a sociedade ou a sociedade faz o homem? Num de seus sambas, Paulinho da Viola narra a trajetória de um malandro do morro,Chico Brito. Na canção, ele é malandro, sim, vive no crime e é preso a toda hora. Paulinho, porém, não atribui sua condição a uma falha de caráter. Chico era, em princípio, tão bom comoqualquer outra pessoa, mas "o sistema" não lhe deixara outra oportunidade de sobrevivência quenão a marginalidade. O último verso diz tudo: "a culpa é da sociedade que o transformou". Já emoutra canção, bem mais conhecida, Geraldo Vandré dá um recado com sentido oposto: "quem sabefaz a hora, não espera acontecer".Somos nós que fazemos a hora? Ou a hora já vem marcada, pela sociedade em quevivemos? O que, afinal, o "sistema" nos obriga a fazer em nossa vida? Qual a nossa margem demanobra? Qual o tamanho da nossa liberdade?Data dos primeiros esforços dos fundadores da sociologia como disciplina com pretensões científicas a dificuldade em lidar com essa tensão existente entre, de um lado, a possibilidade de ver a sociedade como uma estrutura com poder de coerção e de determinaçãosobre as ações individuais e, de outro, a de ver o indivíduo como agente criador e transformador da vida coletiva.Diante da necessidade de demarcar um espaço próprio dentro do campo científico para esta nova disciplina acadêmica, alguns se empenharam em demonstrar a existência plena deuma vida coletiva com alma própria, acima e fora das mentes dos indivíduos. Buscavam com issodelimitar um campo de investigação que estivesse fora da alçada da psicologia (que já lidava coma mente do indivíduo) ou de outra ciência humana qualquer. Outros pensaram em tratar a açãoindividual como o ponto de partida para o entendimento da realidade social e, embora tambémfugissem do "psicologismo", colocaram a ênfase não no peso da coletividade sobre os homens,mas na capacidade dos homens de forjar a sociedade a partir de suas relações uns com os outros.É provável que todos tivessem razão. Os homens criam o mundo social em que vivem – de onde mais ele viria? – e ao mesmo tempo esse mundo criado sobrevive ao tempo de vida decada indivíduo, influenciando os modos de vida das gerações seguintes. Como pensar o históriahumana sem resgatar a biografia dos homens? Como escrever uma biografia sem considerar asociedade e o momento histórico em que o biografado viveu? Portanto, a sociedade faz o homem
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na mesma medida em que o homem faz a sociedade. Preferir uma parte do problema emdetrimento da outra é apenas uma questão de ênfase [...][...] Com a palavra, esses inquietos senhores, os formuladores da teoria sociológica. Ecomecemos logo por aquele que foi e continua sendo um dos mais influentes pensadores dasociologia [...]
Durkheim e o pensamento sociológico.
Fortemente influenciado pelo cientificismo do século XIX, principalmente pela biologia, e extremamente preocupado com uma delimitação clara do objeto e do método dasociologia, o francês Emile Durkheim (1858-1917) vislumbrou em sua obra a existência de um“reino social”, que seria distinto do mineral e do vegetal. Não por coincidência, ele chamava este reino social, às vezes, de "reino moral". Oreino moral seria o lugar onde se processariam justamente os “fenômenos morais”, e seriacomposto por meios-ambientes constituídos pelas “idéias" ou pelos "ideais" coletivos. Toda vidasocial se dá, para Durkheim, nesse “meio moral”, que está para as consciências individuais assimcomo os meios físicos estão para os organismos vivos.Entender que esta dimensão de fato exista, que tal meio coletivo seja real edeterminante na vida das pessoas, não é algo evidente por si mesmo, e não é tarefa para qualquer um, achava Durkheim. O sociólogo é o único cientista preparado para detectar esses estadoscoletivos. Para tanto, ele deveria enfrentar sua aventura intelectual com a mesma postura dosdemais cientistas, colocando-se num estado de espírito semelhante ao dos físicos, químicos ou biólogos em seus laboratórios. Se a lei da gravidade ou a da inércia são leis da natureza – não se pode questioná-las, não se pode mudá-las, e só nos resta conhecê-las para melhor viver – domesmo modo a sociedade, a vida coletiva, deve ter suas leis próprias, independentes da vontadehumana, que precisam ser conhecidas. A física newtoniana descobriu as leis da gravidade e dainércia dos corpos. Cabe à sociologia, na visão de Durkheim, descobrir as leis da vida social.Sua pretensão é apresentar a sociologia como uma ciência positiva, como um estudometódico. Seguindo os métodos certos, portanto, o sociólogo poderá descobrir as leis sociais.Durkheim compreendia “lei” (lei científica, nesse caso) como uma “relação necessária”, como adescoberta da lógica inscrita no próprio real e apresentada na forma de um enunciado pelocientista. Esse positivismo é, para ele, a única posição cognitiva possível. Na explicação que ele proporciona, o "fator social" é sempre o determinante. Em tal universo intelectual, a verdadeiraCiência só aparece quando ocorre a perfeita separação entre teoria e prática. O meio moral queserve de entorno aos indiduos deve ser tomado como um dado bruto à observão do
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investigador, que não deve em momento algum assumir os valores nele contidos. Durkheimescreve que os principais fenômenos sociais, como a religião, a moral, o direito, a economia ou aeducação são na verdade sistemas de valores. Se estivermos contaminados com os valores queesses fenômenos expressam, não teremos a isenção necessária para entendê-los.A sociologia, enuncia Durkheim, é o estudo dos fatos sociais. E fatos sociais são justamente aqueles modos de agir que exercem sobre o indivíduo uma
coerção exterior 
, e queapresentam uma existência própria, independente das manifestações individuais que possam ter.Os fatos sociais, em suma, devem ser considerados como
coisas
. Durkheim nota que na vidacotidiana temos uma idéia vaga e confusa dos fatos sociais – como o Estado, a liberdade, ou o quequer que seja – justamente porque sendo eles uma realidade vivida, temos a ilusão de conhecê-los.O senso comum, as maneiras habituais de pensar, são portanto contrárias ao estudo científico dosfenômenos sociais. À maneira da lógica cartesiana, ele acha necessário desconfiar sempre das primeiras impressões. Daí a necessidade de tratar os fatos sociais como coisas, para livrar-se das pré-noções, dos preconceitos não científicos. Para conhecê-los cientificamente o fundamental éestarmos convencidos de que eles não são inteligíveis imediatamente.Mas cuidado aí com as palavras, caro leitor. Veja lá que conclusões vai tirar delas.Durkheim não afirmou que os fatos sociais são de fato coisas materiais, mas apenas que devemser tratados como se fossem coisas tais como as coisas materiais. "Coisa" para ele é todo objeto deconhecimento que a inteligência humana não penetra de modo imediato, necessitando o auxílio daciência. Tratar os fatos sociais como coisas, portanto, é uma postura intelectual, uma atitudemental.Por outro lado, é possível reconhecer o fenômeno social porque ele se impõe aosindivíduos, ou seja, os fatos sociais exercem coerção sobre os comportamentos individuais, comoo demonstram a moda, o casamento, as correntes de opinião. Um crime, por exemplo, éreconhecido como tal porque é de conhecimento coletivo que todo crime suscita uma sanção, quedeve ser punido pelas regras que a sociedade estabelece (no caso, pelas leis jurídicas). A leiestabelece punição porque o crime fere a consciência coletiva, contradiz as convicções mais vivae profundamente compartilhadas. No entanto, o crime não é uma aberração. Se existem regrassociais que prevêem o que será e o que não será crime é porque o crime é algo normal. O crime, portanto, é um fato social, assim como a lei que prevê sua punição. São fatos sociais não só porque são normais. Mas porque são percebidos como fatos sociais pelos membros da sociedade.Porque exercem alguma pressão sobre os indivíduos, alguma coerção, alguma obrigatoriedade.Ou seja, o recado de Durkheim, com essa conversa toda sobre como definicorretamente os fatos sociais, é que não adianta simplesmente dizer que o homem é um ser 
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Daniele Serafim Pereira added this note
Parabéns pelo conteúdo exposto de maneira muito explicativa e compreensível!
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