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Coisa Julgada Penal

Coisa Julgada Penal

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Coisa julgada penalAda Pellegrini Grinover1.Fundamento da coisa julgada.
A coisa julgada é instituto de direito processual, que tem raízes na Constituição. Agarantia constitucional da coisa julgada, inserida no art. 5o, inciso XXXVI, da Lei Maior,é manifestação do princípio da segurança jurídica, enunciado no caput do dispositivo. Natensão entre os princípios de justiça e de segurança, o legislador constituinte escolheu,num determinado momento processual, a segurança jurídica, aplicando o princípio da proporcionalidade. Os recursos colocados à disposição das partes buscam o valor justiça.Mas, uma vez esgotadas ou preclusas as vias recursais, a sentença se estabiliza, dando-se preferência ao valor segurança.
2.Conceito de coisa julgada.
Deve-se a Enrico Tullio Liebman, estudioso italiano que lecionou em São Paulodurante a Segunda Guerra Mundial, a distinção, vitoriosa no Brasil, entre eficácia dasentença e autoridade da coisa julgada. A sentença, enquanto comando do juiz, emanaseus efeitos mesmo antes da coisa julgada e, com o trânsito em julgado (momento em quea sentença se estabiliza), impõe-se a todos. Trata-se aquí da eficácia natural da sentença,distinta da coisa julgada.A coisa julgada, ainda segundo Liebman, é uma qualidade da sentença e de seusefeitos, qualidade esta que consiste em sua imutabilidade. E a autoridade da coisa julgadasó é oponível às partes do processo, sendo que o terceiro juridicamente prejudicado pelasentença pode opor-se a ela, pelos meios postos à sua disposição pelo direito processual.
3.Coisa julgada formal e coisa julgada material.
Quando a sentença passa em julgado, forma-se a coisa julgada formal, quecorresponde à imutabilidade da sentença dentro do processo. As partes, assim, não mais podem discutir a sentença e seus efeitos.A doutrina costuma equiparar a coisa julgada formal à preclusão máxima, comoconseqüência dos recursos definitivamente preclusos.
 No entanto, há diferenças entre preclusão e coisa julgada formal. A preclusão, como perda defaculdades processuais (aqui, pela utilização das vias recursais – preclusão consumativa – ou pela falta desua utilização – preclusão temporal), constitui antecedente da formação da coisa julgada formal, mas esta émais do que preclusão:é a imutabilidade da sentença dentro do processo.
A coisa julgada material, ao contrário, projeta seus efeitos para fora do processo,impedindo que o juiz volte a julgar novamente a questão, sempre que a nova ação tenhaas mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: ou seja, sempre que asações sejam idênticas, coincidindo em seus elementos.
Embora a garantia constitucional da coisa julgada pareça dirigida somente ao legislador, os Códigos processuais se incumbem de estender a garantia em relação ao juiz, que não poderá voltar a julgar a mesma1
 
ação. Trata-se da
 função negativa
da coisa julgada, consubstanciada também no princípio do
ne bis in idem.
Para tanto, o Código de Processo Penal contempla a exceção de coisa julgada (art. 110, par. 2o do CPP),que na verdade é uma objeção, pois pode ser conhecida de ofício.
Mas, como visto, no processo penal o que identifica efetivamente a ação é aimputação, ou seja a causa de pedir, pois o pedido é sempre genérico. Quanto às partes, bastará que o sujeito passivo da ação – o acusado – seja o mesmo. O sujeito ativo serásempre o MP, ou o querelante, na qualidade de substituto processual.
Lembre-se, por oportuno, que a coisa julgada abrange o substituto e o substituído.
4.Imutabilidade e estabilidade da sentença
Como visto, Liebman qualificou como imutabilidade a qualidade da sentença coberta pela coisa julgada. No processo penal, a partir das lições de José Frederico Marques, adoutrina tende a chamar de
coisa julgada soberana
a que se forma sobre a sentençaabsolutória, porque nesse caso esta não poderá ser rescindida em hipótese e tempo algum;e de
coisa julgada
“ tout court” a que se forma sobre a sentença condenatória, que poderáser rescindida a qualquer tempo, pela via da revisão criminal.
 No processo civil, a sentença, de qualquer espécie, pode ser rescindida no prazo de dois anos, a contar do trânsito em julgado, nas hipóteses previstas pelo art. 485. Mas existe uma tendência, conhecida sob adenominação de “relativização da coisa julgada”, que propugna, em casos excepcionais, que, mesmovencido o prazo da rescisória, a coisa julgada possa ceder quando a sentença for inconstitucional,vulnerando princípios constitucionais. Tratar-se-ia, no fundo, de desconsiderar o valor “segurança”, ínsitona coisa julgada, em face de valores constitucionais mais elevados, utilizando o prinpio da proporcionalidade.
Desse modo, observa-se que a qualificação de coisa julgada soberana ou de coisa julgada “tout court” deriva dos casos em que a imutabilidade da sentença possa ser afetada, ou não, com vistas à sua rescindibilidade. Só por esse critério é que se poderiadistinguir, no processo penal, entre a coisa julgada que reveste a sentença absolutória eaquela que reveste a condenatória; ou, no processo civil, entre a coisa julgada relativa àsentença ainda impugnável pela via da rescisória e aquela que não mais o é.Mas, se quisermos adotar esse critério, sugeriríamos outra nomenclatura, inovandoligeiramente na teoria de Liebman. Parece-nos que a qualidade da sentença não (mais)sujeita a desconstituição é efetivamente a imutabilidade; enquanto a qualidade dasentença sujeita a desconstituição seria simplesmente a estabilidade. Para o processo penal, diríamos assim que a qualidade da sentença absolutória passada em julgado érealmente a imutabilidade; enquanto, na sentença condenatória, tratar-se-ia de meraestabilidade.
 Nessa linha de pensamento, para quem adota a teoria da chamada “relativização da coisa julgada” – que conta, aliás, com ferrenhos opositores - , a coisa julgada representaria sempre a estabilidade e não aimutabilidade da sentença.2
 
5.Limites objetivos da coisa julgada.
A questão dos limites objetivos da coisa julgada consiste em saber quais as partes dasentença que fazem coisa julgada material
.
Como vimos, só o dispositivo da sentença, ouseja o comando do juiz é apto a revestir-se da autoridade da coisa julgada, tornando-seimutável (ou estável).
 No entanto, é preciso salientar a observação de Liebman: o dispositivo não deve entender-se emsentido meramente formal, mas material, podendo o comando do juiz ser encontrado em outras partes dasentença. Ademais, os motivos, embora não façam coisa julgada, podem ser úteis para compreender melhor e interpretar o dispositivo.
O parágrafo 2o do art. 110 do CPP, ao tratar da denominada exceção de coisa julgada,determina os limites objetivos da coisa julgada, dispondo que a exceção somente poderáser oposta
em relação ao fato principal,
que tiver sido objeto da sentença.Isso exclui as questões prejudiciais, apreciadas pelo juiz
incidenter tantum
, que a leiconsidera como acessórias, e que portanto não são idôneas a revestir-se da imutabilidadeda coisa julgada material. O mesmo ocorre com os motivos e os fundamentos da sentençaque tampouco têm projeção vinculativa fora do processo.
O art. 469 do CPC tem a seguinte redação: “Não fazem coisa julgada: I – os motivos, ainda queimportantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; II – a verdade dos fatos,estabelecida como fundamento da sentença; III a apreciação da questão prejudicial,decididaincidentemente no processo”. Cumpre lembrar que, no processo civil, a questão incidental pode ser decidida de forma autônoma, por meio de ação declaratória incidental, fazendo assim coisa julgada. Mas no processo penal inexistem questões prejudiciais internas, que possam revestir-se da autoridade de coisa julgada, havendo exclusivamente questões prejudiciais externas, que formam objeto de processo civilautônomo. Toda questão prejudicial, no processo penal, é apreciada
incidenter tantum.
O “fato principal” a que se refere o par. 2o do art. 110 do CPP nada mais é do que ofato material imputado ao acusado, independentemente de sua qualificação jurídico- penal. As circunstâncias do crime, os elementos acessórios e complementares, nãoinfluem no fato principal descrito na imputação, pois esta é que constitui a causa de pedir que identifica o pedido acusatório e a ação penal.Outra visão sobre os limites objetivos da coisa julgada liga-a ao
objeto do processo,
tal como definido pelo pedido e pela causa de pedir. O objeto da sentença modela-sesobre o pedido. O juiz deve responder ao pedido do autor, numa correlação necessáriaentre o pedido e a sentença. O que é objeto do processo torna-se também objeto dasentença, pelo que se pode falar em objeto da demanda, objeto do processo e objeto dasentença como de três aspectos do mesmo fenômeno.Mas é preciso salientar que a coisa julgada alcança a parte dispositiva da sentença emais o fato constitutivo do pedido (a
causa petendi
). As questões que se situam no âmbitoda
causa petendi
se tornam igualmente imutáveis, no tocante à solução que lhes deu o julgamento, quando essas questões se integram no fato constitutivo do pedido (JoséFrederico Marques). Isso é particularmente importante em relação à ão penalcondenatória, onde o pedido é sempre genérico (à condenação) e o fato imputado aoacusado é a causa de pedir.
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