quadrado. A luz escassa, as mesas de sinuca desbotadas, e a variedade detipos até certo ponto, exóticos, entre tantos outros até comuns,representavam dramaticamente um “remake” do clássico de Tarantino (themotherfucker Quentin Tarantino) “Um drink no inferno”.Porém tratava-se da vida real (ou pseudo-vida como costumava proferir Bianca após algumas doses de uísque sem gelo e sexo casual em um quartoqualquer onde poucos trocados são suficientes), a vida de Bianca e de tantosoutros de sua geração, conhecida como a geração dos sonhos quebrados.Algo atraí-ra Bianca para aquele cenário grotesco, algo além da bebidabarata e do cigarro vendido avulsamente por 0,10 centavos. Talvez fosse amúsica...alguém colocou uma canção chamando imediatamente a atenção denossa garota...(uma de suas favoritas, Love Will tear us apart , na voz de Iancurtis, um símbolo do suicídio pré Kurt Cobain).A música então ecoava por todo torpe ambiente, enquanto garotas de trajesprovocantes e cinta-liga agarravam-se por todos os cantos junto de casais esolitários. Outros tantos se aglomeravam no balcão do bar, quando Biancaacendeu um cigarro barato e notou a presença de alguém seaproximando...cabelos desalinhados,olheiras visíveis apenas quando o focodas luzes apontavam em sua direção, e um certo ar rebelado a todos osclichês, embora fosse ele mesmo um clichê do que se convencionou nomear-se por rebeldia. Este certo alguém um tanto quanto misterioso proferiu aseguinte frase direcionada á nossa modelo da não perfeição social-humana:“já sabia que você viria aqui. Na verdade, fui eu quem lhe induzi, você temuma missão e eu fui designado a orientar seus passos”.Perplexidade foi o adjetivo que melhor definiu Bianca no momento, sem nadaa compreender. O rapaz desajeitado e nunca por ela antes visto, nem emseus mais remotos e surreais sonhos após doses extras de prozac e JeanPaul Sartre ao som de Mars Volta mais litros de café gelado, prosseguiu: “euli o seu diário, eu escutei seus pensamentos, mas não serei seu salvador, enão me veja como o novo messias, quem sabe eu até tenha vindo para lheajudar... até gostaria, mas não há garantias muito menos certezas, talvez eutorne tudo um pouco mais complicado para você no início, exatamente por você não suportar o peso real do que se convencionou chamar de verdade.”A música ecoava aos ouvidos de Bianca. Vislumbrava Ian curtisentoando”dance, dance, dance,dance to the radio”, completamente aturdida,se atirou na pista acompanhada de um copo de whisky com gelo.Caro leitor, se você estiver desatento nem se deu conta de que o tempopassou, nô saberei dizer o quanto, mas o suficiente para encontrarmos agoraoutro cenário o qual notaremos Bianca, estirada no sofá de sua casa. Asroupas espalhadas e peças íntimas jogadas dão a impressão de momentosde voluptuosidade recente. Duas taças de vinho barato pela metade decoramagora o ambiente. Bianca então abre os olhos, percebe um corpo junto aoseu, um misto de perfume e suor, um híbrido de algo selvagem porémadocicado pela luxúria. Era Raquel. Uma amiga de infância que por motivosignorados por mim e provavelmente por ela mesma, se encontrava ali, nua,de ressaca e com algo de penúria envolvendo-lhe o olhar.Rebeca bate à porta. 10 horas antes do meio dia. Domingo. Dia o qual adepressão pós moderna de Raquel retrocedia à uma melancoliaperfeitamente moldada pelos personagens ingleses da era elisabetana;Raquel era o que poderíamos chamar de ninfa da fossa shakespeariana.Sua juventude e sedução típicas da inocência de quem não sabe nada sobre
Add a Comment