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Texto introdutório do curso - questões teóricas sobre historiografia

Texto introdutório do curso - questões teóricas sobre historiografia

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1
Prof. José do Carmo Toledo
DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA, ESTATÍSTICA E CIÊNCIAS DA COMPUTAÇÃO – DEMAT
Introdução à História da Matemática
 
Concepções de história – fundamentos teóricos
Há uma espécie de história que é “construída com base na extração e combinação dostestemunhos de diversas fontes” e que pode ser designada por “história de cola-e-tesoura”. Esta forma de história vive a ilusão de alcançar um conhecimento cem porcento objetivo, onde o papel do historiador é silenciado. As fontes têm a verdadeinscrita, salvo se se verificar que estamos perante uma falsificação. A verdaderesultaria, assim, do somatório dos fatos organizados numa narrativa homogênea econvincente. Esta história esquece que as fontes não conservam a verdade. Desdelogo, os caprichos da vida natural e humana fizeram com que tenham “desaparecido”muitos eventos históricos. Com efeito, o que nos foi legado é, desde logo, uma seleçãoproduzida pela própria história da Humanidade. Os contemporâneos dos eventosforam os primeiros a selecionar. Se o critério para a verdade é o da objetividade, entãoconvém dizer que há muita subjetividade no trabalho do historiador (como no dequalquer outro cientista).Há outra questão afeta ao trabalho do historiador e que aqui será discutida apenassumariamente – o anacronismo. Fazer ao passado perguntas que habitam o presenterequer, normalmente, uma série de cuidados: evitar levar para o passado palavras,conceitos e convenções que não lhe pertencem; evitar comparações entre concepçõesde hoje e de ontem. Estes são alguns cuidados que um historiador deve ter para nãoincorrer no anacronismo.
 
2
Entretanto, esses cuidados, quando excessivos, tornam-se verdadeiras barreiras queimpedem o conhecimento de facetas potencialmente fecundas para uma visãoampliada do período estudado e do próprio presente, barreiras que dificultam o
compreender o presente pelo passado e o passado pelo presente.
É importante que ohistoriador ouse mais em suas pesquisas sem, contudo, negligenciar a sutilezanecessária para esse ‘jogo anacrônico’. Entre o atual e o antigo é preciso saber ir e vir,e sempre se deslocar para proceder às necessárias distinções.Percebe-se aí a importância de pensar a história como uma via de mão dupla e anecessidade de importarmos e exportarmos questões, não com o intuito de mudar opassado, mas de repensar o presente. Não se pretende defender a apologia dacontinuidade ou a afirmação de uma possibilidade de igualdade em relação aos gregosda Antiguidade, mas
apreender o que nos faz diferentes
, percebendo aspotencialidades de mudança que o conhecimento de outras formas de pensamentonos oferece. O
 fazer o tempo
é para o historiador sua ação primordial.
Basicamente, a história pode ser vista de dois modos: primeiro, podemos supor queos fatos históricos seguem uma linha de evolução constante desde o aparecimentodo homem na Terra até os dias de hoje. Então, cada século é enriquecido com asconquistas do século precedente e, assim, os tempos atuais seriam a culminação detodo o trabalho da humanidade do passado. Dentre os fatos que parecem corroboraresse ponto de vista apontamos os seguintes:
1.
 
O progresso tecnológico:
Cruzamos os oceanos em aviões a jato, vamos até a lua, recebemos pelatelevisão imagens situadas a milhares de quilômetros de nós, recebemospelo computador fotos, músicas, vídeos e filmes via Internet (com fio ewireless) etc.
2.
 
O progresso científico:
Armados de computadores e aparelhos sofisticados, sondamos os maisíntimos segredos dos átomos, das estrelas, das galáxias, o que pode nos dar
 
3
a sensação de sermos semideuses com domínio quase completo das forçasda natureza; e a medicina, que maravilha! Já conseguimos curar uma enormequantidade de doenças e, com os progressos da genética, até jávislumbramos a possibilidade de criar seres vivos e até mesmo sereshumanos com inteligência superior programados como robôs de carne e osso!E assim por diante. Diante de tudo isso, os vagabundos de plantão – quepoluem o mundo com o furto e as negociatas indecentes – ficamboquiabertos com “tanto progresso”, uma vez que eles se fartam com oslucros que abastecem suas contas bancárias e aplicações financeiras de todaespécie. Entre os intelectuais, o mito do progresso é engolido por vaidadepessoal. A psicologia nos ensina que, salvo raras exceções, nada é maisagradável do que pensar na grandeza das nossas criações nas ciências, nasartes e nas letras. Olhando para o passado como um degrau para galgarníveis mais elevados, são arrogantes e se sentem superiores.É importante mencionar o seguinte:
 
Uma atitude de soberba é mais comum entre os homens de ciência do queentre os artistas. Uma catedral gótica não é superior – nem inferior – a umtemplo da Grécia antiga: é apenas diferente! Mas dizer que a geometriadiferencial moderna não é nem superior nem inferior à geometria de Euclides,
“oh! Isso não!” 
O curioso é que, com todo esse “progresso”, poucas pessoastomam consciência de que nunca houve tanta gente morrendo de fome,doenças e guerras de todo o tipo. Esse pode ser um argumento emocional emuito gasto pelo uso. Mas, verdade seja dita: a vergonha da desigualdadeentre os homens continua berrante. Ancorados solidamente na filosofia,podemos ultrapassar os argumentos emocionais, e elaborar pontos de vistaque evidenciem a ilusão desse mito do progresso que, em particular, nahistória, contamina como uma doença contagiosa, afetando até mesmomentes mais esclarecidas de nossos tempos. Nessa ilusão do novo, o velho édescartado ou tido como “coisa para museu”.

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