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Pcn e a Geografia

Pcn e a Geografia

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II SIMPÓSIO REGIONAL DE GEOGRAFIA“PERSPECTIVAS PARA O CERRADO NO SÉCULO XXI”
Universidade Federal de Uberlândia – Instituto de Geografia26 a 29 de Novembro de 2003 
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OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS E A GEOGRAFIA
Neire Márcia Cunha AlmeidaMaria Luísa Ramos PereiraFaculdade de Educação de Uberabaneire.mca@bol.com.br 
INTRODUÇÃO
O mundo capitalista do pós-guerra fortaleceu os capitais monopolistas e suainternacionalização e construiu as bases para a difusão do neoliberalismo no mundo. Oscapitais extrapolaram as fronteiras. A Guerra Fria desenhou um panorama político deconfronto velado, enquanto a economia avançava na criação de novas tecnologias, cadavez mais sofisticadas, visando o aumento da produtividade, sobretudo industrial, atéchegar ao mundo computacional. Nessa transposição de fronteiras, os Estados Nacionaisassumiram importante papel, pois ofereceram o suporte básico para o desenvolvimentodesse capitalismo mundializado (CAMARGO & FORTUNATO, 1997).Na América Latina, a hegemonia neoliberal foi se consolidando nos anos 80 e 90, e oChile funcionou como experiência-piloto sob a ditadura militar de Pinochet, comresultados satisfatórios aos olhos dos países interessados na nova ordem mundial, masnocivos para grande parte da população chilena, que viu sua qualidade de vidadeteriorada pelo desemprego e alto custo de vida.No Brasil, a inflação desenfreada serviu de motivo para que o país fosseconduzido rumo a reformas significativas no âmbito dos compromissos do Estado,direcionado a uma política explícita de privatização e descompromisso com a dimensãosocial. (CAMARGO & FORTUNATO, 1997).Tendo em vista o quadro atual da educação no Brasil e os compromissosassumidos internacionalmente, o Ministério da Educação e do Desporto coordenou aelaboração do Plano Decenal de Educação para todos (1993-2003), concebido como umconjunto de diretrizes políticas em contínuo processo de negociação, voltado para arecuperação da escola fundamental, a partir do compromisso com a eqüidade e com oincremento da qualidade, como também com a constante avaliação dos sistemasescolares, visando ao seu contínuo aprimoramento.O Plano Decenal de Educação, em consonância com o que estabelece aConstituição de 1988, afirma a necessidade e a obrigação de o Estado elaborarparâmetros claros no campo curricular capazes de orientar as ações educativas do ensinoobrigatório, de forma a adequá-lo aos ideais democráticos e à busca da melhoria daqualidade do ensino nas escolas brasileiras.A LDB reforça a necessidade de se propiciar a todos a formação básicacomum, o que pressupõe a formulação de um conjunto de diretrizes capaz de nortear oscurrículos e seus conteúdos mínimos, incumbência que, nos termos do art. 9º, inciso IV,é remetida para a União. Para dar conta desse amplo objetivo, a LDB consolida aorganização curricular de modo a conferir uma maior flexibilidade no trato doscomponentes curriculares, reafirmando desse modo o princípio da base nacional(Parâmetros Curriculares Nacionais), a ser complementada por uma parte diversificadaem cada sistema de ensino e escola na prática, repetindo o art. 210 da ConstituiçãoFederal.
 
II SIMPÓSIO REGIONAL DE GEOGRAFIA“PERSPECTIVAS PARA O CERRADO NO SÉCULO XXI”
Universidade Federal de Uberlândia – Instituto de Geografia26 a 29 de Novembro de 2003 
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 2O processo de elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais teve início apartir do estudo de propostas curriculares de Estados e Municípios brasileiros, daanálise realizada pela Fundação Carlos Chagas sobre os currículos oficiais e do contatocom informações relativas a experiências de outros países.Os pareceres recebidos, além das análises críticas e sugestões em relação aoconteúdo dos documentos, em sua quase-totalidade, apontaram a necessidade deelaborar novos programas de formação de professores, vinculados à implementação dosParâmetros Curriculares Nacionais.Portanto, considerando as transformações vividas pela educação, faz-senecessário estudar com maior afinco este documento (PCNs), já que como educadoreseste referencial deverá permear nossa prática pedagógica cotidiana.Necessitamos compreender suas concepções sobre o ensino da Geografia e, aomesmo tempo, entender argumentos ideológicos inclusos neste contexto.
CAPITALISMO E EDUCAÇÃO
Pretende-se fazer compreender as medidas governamentais no setoreducacional brasileiro. Para isso, faremos uma retrospectiva histórica e uma reflexãodos problemas educacionais.Para facilitar o nosso estudo, usaremos como ponto de referência o livro“Escola, Estado e Sociedade”, de Bárbara Freitag, que faz a subdivisão da estória emtrês modelos específicos da economia brasileira: o primeiro abrange o Período Colonial,o Império e a I República (1500-1930). Para esse período é característico o modeloagroexportador de nossa economia. Ao segundo período, que vai de 1930 a 1960aproximadamente, corresponde o modelo de substituição das importações. O terceirovai de 1960 aos nossos dias e foi caracterizado como o período da “internacionalizaçãodo mercado interno”.O modelo agroexportador, implantado já na época do Brasil colônia,fundamentava sua organização econômica na produção de produtos primários,predominantemente agrários (açúcar, ouro, café, borracha) que eram destinados àexportação. Com isso nossa economia dependia das oscilações do mercado externo. Asociedade civil da época era representada pela igreja.Neste período, a escola possuía duas funções: transmitir a ideologia da classedominante e reproduzir as relações de dominação.Com a independência política, torna-se necessário fortalecer a sociedadepolítica, o que justifica o surgimento de uma série de escolas militares, de nívelsuperior, ao longo do território nacional. As instituições de ensino não-confessionaispassam, assim, a assumir parcialmente a função de reprodução dos quadros dirigentes.A função de reprodução ideológica, necessária à submissão das classes subalternas àsrelações de dominação e às condições do trabalho explorado, continua sendodesempenhada, paralelamente, pela Igreja e suas escolas confessionais.Caracterizando a política educacional deste período, podemos dizer que com ofortalecimento do Estado ele cria uma política educacional estatal, que até então eramonopolizada pela igreja.Os aparelhos jurídico e repressivo do Estado, como mediadores do processoeconômico, fortaleciam a sociedade política. A atuação do Estado atendia os interessesdos cafeicultores paulistas e do mercado, por isso avalizava os investimentos no setor
 
II SIMPÓSIO REGIONAL DE GEOGRAFIA“PERSPECTIVAS PARA O CERRADO NO SÉCULO XXI”
Universidade Federal de Uberlândia – Instituto de Geografia26 a 29 de Novembro de 2003 
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 3ferroviário, fazia empréstimos para a expansão da produção, incentivava a imigração deforça de trabalho.Durante a crise de superprodução cafeeira o Estado se encarregou da“socialização das perdas”, comprando o produto dentro da sua política de valorização,com créditos adquiridos no exterior, causando o aumento da dívida externa.O modelo de substituições de importações surge no Brasil em conseqüência dacrise mundial de 1929 que encaminha as mudanças estruturais, provocando a crisecafeeira, ou seja, a baixa do preço do café, e o impedimento da importação de bens deconsumo, pela falta de dinheiro. A crise favorece, então, o aparecimento da indústria noBrasil.Neste período, ao sistema educacional cabia produzir e reproduzir a força detrabalho para o processo produtivo e consolidar a reprodução da sociedade de classes.A Igreja passa a ter influência cada vez menor sobre o sistema educacional. OEstado a partir da sociedade política toma conta progressivamente do sistemaeducacional transformando-o gradualmente de instituição outrora privada da Igreja emum perfeito aparelho ideológico do Estado.A política educacional do Estado Novo visa, acima de tudo, transformar osistema educacional em um instrumento mais eficaz de manipulação das classessubalternas, outrora totalmente excluídas do acesso ao sistema educacional. São lhesabertas as novas chances que seria a criação das escolas técnicas profissionalizantes.A verdadeira razão dessa abertura se encontra, porém, nas mutações ocorridas nainfra-estrutura econômica.Com a segunda guerra mundial os países que estavam em guerra passaram a produzir sóarmas e materiais de guerra, deixando de lado a produção de bens de consumo eexportação. Diante disso, a indústria nacional brasileira teve chance de desenvolver-sesem competição dos produtos estrangeiros.A fase de 45 a 60 corresponde à aceleração e diversificação do processo de substituiçãode importações.Esquematicamente podemos dizer que esse último período se caracterizou pelacoexistência contraditória, e às vezes, abertamente conflitiva, de uma tendênciapopulista e de uma tendência antipopulista.A política educacional refletia a ambivalência dos grupos no poder. Política que sereduz à luta em torno da Lei de Diretrizes e Bases de Educação Nacional e à Campanhada Escola Pública. Elaborada em 1948, só foi aprovada em 1961, encaminhada à câmarapelo Ministério da Educação Clemente Mariani. Esse projeto procura corresponder acertas ambições da classe subalterna, visando atender a gratuidade do ensino noprimeiro e segundo grau e criar a equivalência dos cursos de nível médio com os cursosde termos formais e flexibilidade permitindo a transferência do aluno de um curso paraoutro.Por ser progressista para a época, este projeto é engavetado. Surge então, um novoprojeto de Lei, o “Substitutivo Lacerda”, com suas inovações. O novo projeto propõeque o ensino deve ser ministrado por instituições privadas para que os pais pudessemoptar livremente pelo tipo de ensino que seus filhos receberiam. Porém, essa colocaçãoesconde um interesse de classe. O ensino particular é ensino pago. Que liberdade teriamos pais operários para escolher uma escola particular para seus filhos? Essa propostaomitia também o parágrafo da gratuidade do ensino no Brasil. Diante da situação,acontece o “manifesto dos educadores” alertando o povo e o governo das implicaçõesdessa lei.

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