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BLOCH, M. a Origem Do Poder Curativo Dos Reis

BLOCH, M. a Origem Do Poder Curativo Dos Reis

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12/01/2013

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MARCBLOCH
 
REIST UM TURGOS
 
carátersobrenaturaldopoderrégio raaeInglaterra
Prefácio: JACQUESLEGOFF
 
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Tradução: JúLIAMAINARDI
 
reimpressão
MPANHIADASLETRAS
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 SORIGENSDOPODER UR TIVODOSREIS
 realezasagradanosprimeirosculosdaIdadedia
AEVOLUÇÃODAREALEZASAGRADA:ASAGRAÇÃO
o
problemaqueagoraexigenossaatençãoéduplo.Omilagrerégioapresenta-sesobretudocomoaexpressãodecertoconceitodepoderpolíticosupremo.
Dessêpônto
devista,explicá-Iose
correlacioná-lo
aoconjuntodeidéiasedecrençasdequeomilagrerégiofoiumadasmanifestaçõesmaiscaracterísticas-poisnãoéexatamenteoprincípiodetodaa explicação cienficafazerumcasoparticularencaixar-senumfemenomaisgeral?Mas,tendoconduzidonossapesquisaatétalponto,oteremosaindaterminadonossotrabalho.Parando,deixaríamosescaparjustamenteoparticular;fal-taráentenderasraespelasquaisoritocurativo,derivadodeummovimen-todepensamentosedIsentimentoscomunsatodaumapartedaEuropa,surgiuemdeterminadomomentoenãoemoutro,naFrançaenaInglaterraenãoemoutrolugar.Emsuma,temos,deumlado,ascausasprofundase,deoutro,aocasião,oempurrãozinhoquechamaparaavidaumainstitui-çãoque,desdelongadata,estavalatentenosespíritos.Mastalvezalguémpergunte:éverdadeiramentenecessáriaumalongain-vestigaçãoparadescobrirasrepresentaçõescoletivasqueesonaorigemdotoquedasescrófulas?Nãoéóbvioqueesserito,aparentementeosingular,ofoinassociedadesmedievaisemodernassenãooúltimoecodessascren-ças primitivas quehoje,graçasaoestudodospovosselvagens,aciênciaconseguiureconstituir?Paracompreenderoritodotoque,nãoésuficientepercorrerosgrandescomndioslevantadoscomtantocuidadoetalentoporsirJamesFrazer,folhearO
ramodeouro
ou
Asorigensgicasdarealeza?
 QueteriaditoLuís
XIV ,
escreveosr.SalomonReinach, sealguémlheprovasseque,tocandoasescrófulas,eleseguiaoexemplodeumchefepoli-
nésio?
EMontesquieu(sobamáscaradopersaUsbeck)jáfalavadomes-mopríncipe: Essereiéumgrandemágico;exerceseudomíniosobreopró-prioespíritodeseussúditos[...]Chegaatéafazê-losacreditarqueoscura
 
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f
detodasasesciesdemalestocando-os,tãograndeéaforçaeopoderque temsobreosesritos .
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NopensamentodeMontesquieu,apalavragi-coeraapenasumaexpressãoirônica.Hoje,debomgradodamosaelaseusentidopleno.UseicomoepígrafeessapequenafrasedeMontesquieu;commaisjustaainda,elapoderiatersidoinscritanofrontispíciodasbelasobrasdesirJamesFrazer,quenosensinaramaperceberentrecertasconcepçõesantigassobreanaturezadascoisaseasprimeirasinstituõespolíticasdahu-manidadenculosporlongotempoignorados.Sim,omilagredas
escrófu-
Iastem,incontestavelmente,parentescocomtodoumsistemapsicológicoque,porumaduplarao,sepodequalificarde
 primitivo :
porquetrazamar-cadeumpensamentoaindapoucoevoluídoe<todomergulhadonoirracio-nal;eporqueoencontramosemestadoespecialmentepuronassociedadesqueconvencionamoschamar primitivas .Mas,apóshavermosditoisso,quete-remosfeitoseoindicaraproximadamenteoneroderepresentaçõesmen-taisparaasquaiséconvenientedirigirnossapesquisa?
A
realidadehistóricaémenossimplesemaisricaquesemelhantesfórmulas.SirJamesFrazerescreve: NasilhasdoPaficoeemoutraspartes,alega-sequecertosreisvivamnumaatmosferacarregadadeumaesciedeeletri-cidadeespiritualque,mesmofulminandoosindiscretosquepenetramseurculomágico,possuitamm,porumafelizcompensação,oprivilégiodeconcederasdeporsimplescontato.Podemosconjeturarqueospredeces-soresdosmonarcasinglesesforamoutroraoobjetodeidéiasanálogas:
 es
crôfulaprovavelmenterecebeuonomemaldoreiporqueseacreditavaqueotoquedeumreifossesuscetíveltantodeinfligi-Iaquantodecurá-Ia .
3
En-tendamosbem.SirJamesFrazernãopretendequenoséculo
XI
ounoculo
XII
ossoberanosinglesesoufrancesestenhamsidoconsideradoscapazestantodeespalharasescrófulasemtornodesiquantodecurá-Ias;maseleimaginaqueoutrora,nanoitedostempos,osantepassadosdessessoberanoshaviammanejadoessafacadedoisgumes.Poucoapouco,ter-se-iaesquecidooas-pectotemíveldodomrealeconservadoapenasoladobenéfico.Mas,comosabemos,osreistaumaturgosdosséculos
XI
e
XII
oprecisaramrejeitarpartedaherançaancestralporquenadadesuasmiraculosasvirtudesvinhadeumpassadomuitodistante.Parecequeesseargumentopoderiasersufi-ciente.Entretanto,vamosdescartá-Ioporuminstante.Suponhamosqueopodercurativodospríncipesnormandosoucapengiostenhaorigensmuito
longínquas.A
hitesedesirJamesFrazeradquiririaenomaisfoa?Pensoquenão.Elabaseia-senocasodasilhasTonga,naPolisia,ondecertosche-fes,segundosediz,exercemumahomeopatiadessaespécie.Noentanto,dequevaleesseraciocínioporanalogia?Otodocomparativoéextremamen-tefecundo,masdesdequenãosaiadogeral;nãopodeservirparareconsti-tuirosdetalhes.Certasrepresentaçõescoletivasqueafetamtodaavidaso-cialoencontradas(sempresimilarespelomenosemsuaslinhasgerais)emgrandemerodepovos;parecemsintoticasdedeterminadosesgiosde
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civilização,variamcomeles.Noseiodeoutrassociedades,conhecidasgra- çasapenasadocumentosrelativamenterecentesouincompletos,taisrepre- sentõescoletivasnãooconfirmadashistoricamente.Seriamalidefato inexistentes?
É
provávelquenão;asociologiacomparadapermitereconstit- Iascommuitaverossimilhaa.Masessasgrandesidéiascomunsatodaou aquasetodahumanidadeevidentementereceberamaplicaçõesdiversas,deacordocomoslugareseascircunstâncias.OestudodastribosdaOceaniaesclareceanãodarealezasagrada,talcomoelafloresceusoboutroscéus,naEuropaantigaoumesmomedieval;masnãopoderíamosesperarencon-trarnaEuropatodasasinstituiçõesdaOceania.Numarquilagopolinésio-éoúnicoexemploinvocado-,oschefessãotantofautoresdemoléstiasquantodicos:assimsetraduzafoasobrenaturaldequeodetentores.Emoutrolugar,amesmafoapodeter-semanifestadodeformadiferente-porexemplo,trazendoapenasbenesses,semcontrapartidadesagradável.Entreosprimeirosmissionários,muitosacreditavamreencontrarnos sel-vagens ,maisoumenosapagadas,todasasespéciesdeconcepçõescriss. EvitemoscometeroerroinversoenãotransportemosparaLondresouParisosantípodasporinteiro. Portanto,procuremosretraçaremtodaasuacomplexidadeomovimen-todecrençasedesentimentosque,emdoispaísesdaEuropaocidental,tor-noupossívelainstauraçãodoritodotoque.OsreisdaFraaedaInglaterrapuderamtornar-sedicosmilagrososporquejáeram,haviamuitotempo,personagenssagradas:
 sanctusenimetchristusDominiest
[ oreiesanto;éoungidodoSenhor ],diziaPierre deBlois,afimdejustificarasvirtudestaumatúrgicasdeseumonarca,Hen- rique
n,
Portanto,convémprimeiroindicardequemodoocatersagrado darealezaveioaserreconhecido,antesdeexplicaraassociãodeidéiasquemuitonaturalmentedepreendeudaí,comoumaespéciedeconclusãoóbvia,opodercurativodosqueeramrevestidoscomessecatersagrado. Oscapetíngiossempresearvoraramemautênticosherdeirosdadinastia carolíngia;eoscarolíngios,emautênticosherdeirosdeClóvisedosdescen- dentesdeste.OsreisnormandosdaInglaterrareivindicaramasucessãodos príncipesanglo-saxões,considerando-aumbempatrimonial.Doschefesdas antigastribosdefrancos,anglosousaesaossoberanosfrancesesouingle- sesdoséculo
XII,
afiliaçãoédiretaecontínua.Portanto,deve-seprimeiro olharparaasvelhasrealezasgermânicas;pormeiodelas,tocamosumfundo deidéiasedeinstituiçõesextremamentearcaicas. Infelizmente,essasidéiaseinstituiçõessãomuitomalconhecidas.Por faltadeumaliteraturaescrita,todaaGermâniaanterioraocristianismoper- maneceráparasempreirremediavelmenteobscura.Nãosepodeentrevermais quealgunsclarões.Estessãosuficientesparaassegurar-nosqueaconcepção derealezaentreosgermânicos,comoentretodosospovosnomesmoestágio decivilização,estavaimpregnadadecaráterreligioso. Tácitoobservava
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que,demododiversodoqueacontecianocasodoschefestemporiosde guerra,livrementeescolhidosemrazãodeseuvalorpessoal,osreiseramen- treosgermânicosescolhidosapenasemcertasfaliasnobres-semdúvi- da,emdeterminadasfaliashereditariamentedotadasdeumavirtudesa- grada. Osreiseramconsideradosseresdivinosou,pelomenos,originados dosdeuses. Osgados ,diz-nosJordanes, atribuindosuasviriasàfelizinflnciaqueemanavadeseuspríncipes,nãoquiseramvernelessimpleshomens;deram-lhesonome
Ases,
istoé,semideuses.
 7
Reencontra-seapa-lavra
Ases
nasantigasnguasescandinavas;ali,elaserviaparadesignaros deusesoucertascategoriasdestes.Conservamosriasgenealogiasgiasanglo-saxãs:todasremontamaWotan. Dessanaorigemsobrenaturaldos reisdecorriaumsentimentolealista.oeralealdadeaesteouàqueleindi-duo:aprimogenituranãoexistia;odireitoheredirionointeriordadinastia .eramalfixado;podia-semudarosoberano,masdesdequeseusucessorfos- seescolhidodentreosmembrosdamesmadinastia.AtalaricoescreviaaoSe- nadoromano: Assimcomoaquelequenascedevóséditodeorigemsena- torial,assimtambémaquelequevemdafamiliadosdescendentesdeAmala -diantedaqualtodaanobrezaperdeobrilho-édignodereinar ;eo mesmopríncipe,misturandoconceitosgermânicoscomumvocaburioro= -mano,falavado sanguedessafalia,consagradoàpúrpura t.?Essases- tirpespredestinadaseramasúnicascapazesdedarchefesverdadeiramente eficazes,poisapenaselasdetinhamessaventuramisteriosa
(quasifortuna,
comodizJordanes)naqualaspessoasviam,maisquenotalentomilitardes- teoudaquelecomandante,acausadosucessodoschefes.Aidéiadalegiti-midadepessoalerafraca;adalegitimidadedistica,muitoforte. ?Nosé- culo
VI,
umgrupoquesesepararadanaçãohérulaestavaestabelecidonare-giãodoDanúbio;umramodalinhagemtradicionalseguira-oefornecia-lhe seuschefes.Chegouodiaemqueesseramopereceuporinteiro.Seuúltimodescendente,comotantosoutrospríncipesnaquelestemposdeviolência,es- tavamorto,assassinadopelosprópriossúditos.Masessesbárbaros,queha- viammassacradoseurei,nãoseresignavamaficarsemsanguegio.Decidi- rammandarbuscarumrepresentantedafamíliarealnalongínquapátriade ondeoutrorapartiraamigração- emThule ,dizProcópio,decertose referindoàpenínsulaEscandinava.Oprimeiroescolhidomorreudurantea viagem;osembaixadoresderammeia-voltaeescolheramoutro.Enquanto isso,osrulos,cansadosdeesperar,colocaramnachefiaumdosseus,de- signadoporcausaapenasdeseuvalorindividual;provavelmenteporquenão ousavamelegê-Ioelesmesmos,haviampedidoqueoimperadoronomeasse. Mas,quandooherdeirolegítimochegou,numasónoitequasetodaagente veiocolocar-seaseulado,emboraelefossedesconhecidopor
todos.'
Julgava-sequeessesreisverdadeiramentedivinospossuíamcertopoder sobreanatureza.Conformeumaconcepçãoqueencontramosemoutrospo- vos(desenvolveu-secomumaforçaespecialnoseiodassociedadeschinesas),
71
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