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CRU-A-009

CRU-A-009

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revista CRU-A-009
revista CRU-A-009

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05/11/2014

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Regressámos de férias com vontades renovadas. Vimos coisas novas nos mesmoslugares e partimos de outros princípios. Procurámos além das verdades diárias econtiuamos a sonhar no limite.CAPA Bonde do Rolê
Fotograa de Pavla Kopecna
DIRECTOR DE ARTE E CONTEÚDOSRicardo GalésioCOLABORADORESConstança Carvalho Homem
Eolo PerdoFernando Montiel Klint
Hugo MortáguaLambros FisFis
Pavla Kopecna
Pedro PalrãoPedro RioSara Toscano
 
Tenho tudo guardado. Cuidadosamente claro…não quero que nada seestrague… A arca no canto do quarto está sempre bem arrumada e encerrada…está bem…
nem sempre. Às vezes gosto de me sentar na cama e ver as fotograas que lá
guardo no meio de tudo…ainda que não tenham muito que ver com tudo o restoque lá está.Especialmente estes dias assim…abro a janela e deixo que por entre as frestas dosestores tapando algum do calor, passe a brisa quente que o Sol sopra glorioso.São fotos antigas…não o parecem e se eu dissesse o tempo que realmente têmrir-se-iam possivelmente…mas para mim são… As pessoas enchem o peito deorgulho quando dizem que a idade é um estado de espírito, e eu não o nego…aliás, em tal acredito piamente, e por tanto acreditar interpreto o tempo que passapor mim consoante a minha disposição, consoante o peso das passadas comas quais vou passando pela vida… Por isso digo que são antigas, porque umasaudade intensa e imensa me dilacera o coração, como que algo perdido há tempoesquecido…Rodopio numa constante tentativa de esquecer o tempo que passa,tentar compensá-lo de alguma forma…roubar-lhe a importância que provoca asdores de alma, a gravidade da vida e do ritmo com a qual a percorremos. Claroque à partida não é algo que eu queira que regresse, mas relembro tudo comsaudade…mesmo que por pouco tempo que tenha passado, para mim nunca étanto assim, e eu quase me reconheço diferente.Mas gosto muito de olhar para os retratos, é como digo, reconheço-me diferentee tento não esquecer aquilo que me parece não ser mais parte de mim. Relembro-me frequentemente, com os retratos na mão, de quando por vezes não mereconhecem as pessoas de mim mais próximas…consigo rever na memória asgargalhadas sentidas, os elogios forçados…o amargo de boca que engulo e juntoao peso no peito que me acompanha…Ninguém sabe o que me assola cá dentro,ninguém reconhece o tumulto dos meus desejos que vencem os medos, para estesdeixarem ressurgir à superfície quando a sua vitória deixa de fazer sentido…É quando o arrependimento me assola que me sento a ver as fotos…É irónico, de
facto, porque vê-las decerto me conrmará que os meus medos se concretizaram…
e durante algum tempo evitava abrir a arca por pensar exactamente tudo isso.Mas, um dia, perdi o medo e abri. Ao ver tudo o que já havia guardado e as fotos,cuspi duas gotas grossas e salgadas do canto dos olhos, mas senti-me aliviar,senti o peso no peito aligeirar-se. Emoldurado pelas duas gotas escorrendo rosto
abaixo surgiu-me um sorriso no nos lábios que me aqueceu por dentro. Agoragosto de me sentar na cama e ver as fotograas que lá guardo no meio de tudo…
ainda que não tenham muito a ver com tudo o resto que lá está. Porque nunca
se sabe…guardo a esperança de um dia poder desfazer tudo aquilo que z e que
agora me parece errado. Nunca se sabe…
Quando abro a arca para guardar as fotograas estou de tal forma a pairar numa
realidade antiga que chego a enojar-me perante a visão que encontro. Mas fechoos olhos, levanto-me e contemplo-me no espelho para me ver no tempo quecorre…só assim…só assim consigo ver beleza no que encerro para guardar. Só
com o motivo pelo qual z o que z bem presente no pensamento consigo olhar o
que resta e sorrir, e, mesmo que por pequenos instantes, sinto o orgulho a pulsarnos olhos.Mas, claro, alturas há nas quais me arrependo, nas quais desejava nada terfeito…Com uma tempestade de confusão a invadir-me contemplo-me, ecessa o arrependimento por se ver eclipsado por um profundo sentimento de
insatisfação…um sentimento de frustração por ver a gura que retribui o olhar noreexo do espelho. E é então…é então que começa a borbulhar no meu ânimo a
vontade…não!, a necessidade última e essencial de mudança que me trará aquiloque eu procuro…a saciedade desta sede de procurar alcançar a perfeição quecalculo nas alterações que imagino e projecto em mim. Olho-me, torno a olhar-me…chego por vezes a contemplar o meu corpo nu e recortá-lo no ar…remendá-lo,ajustá-lo…quem dera que fosse um pouco de barro para moldá-lo como bem meaprazasse…mas não sou…Recorro a quem mo pode tornar à imagem do que desejo como último redutopara a minha ânsia e raras vezes me desiludi…Mas rápido vejo imperfeições naperfeição que julgava ter alcançado…Rápido retorna o pesar cá dentro…Rápidoo meu coração cede perante o peso da frustração…Rápido recorro ao que guardo

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