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Educação Indígena no século XX

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Educação Escolar Indígena no século XX
Maria Aparecida Bergamaschi
*Texto originalmente publicado no livro:Histórias e Memórias da Educação no Brasil:Séculos XVI-XVIII - Vol. IIISTEPHANOU e BASTOS (orgs).
Nos primeiros anos do século XXI as Escolas Indígenas se tornam maisviveis no cerio da educão escolar brasileira, tanto pela pujaanumérica, como pelo diferencial que propõem, amparadas por um conjunto deleis específicas que destoam da legislação escolar de cunho nacional. Se aescola para os índios constituía uma preocupação do Estado no início do séculoXX, por razões que serão expostas na seqüência do texto, um século depois, otema reaparece forte no panorama da educação escolar, pautando agora umafecunda discuso acerca do ensino diferenciado, em que os própriosinteressados estão à frente desse movimento, inaugurando um novo períodona história da educação dos povos indígenas e abrindo fendas na marcantehomogeneidade das práticas escolares dominantes.Segundo dados do Ministério de Educão (2002), 1.392 escolascompõem o universo escolar ingena no Brasil, onde lecionam 3.059professores índios e estudam, aproximadamente, 93 mil pessoas,representando 218 povos, distribuídos em todo o país. Mesmo distante damultiplicidade que se apresentava no início da colonização, o que demonstraquão destrutivo foi o contato com os europeus, temos hoje exemploscontundentes da poncia e da singularidade de cada um desses povos,falantes de 180 idiomas e que, progressivamente, vêm afirmando diferenças esemelhanças culturais, produzidas na dinâmica histórica de cada etnia.Abordar a história da educação dos povos indígenas é, sem dúvida,abordar a história de cada um desses grupos, bem como suas peculiaridades,engendradas no interior de cosmologias próprias. Porém, aqui me atenho àtemática da educação escolar indígena, a partir das ações que caracterizaramas políticas públicas produzidas no século XX. A análise genérica que sobressaiao considerar a temática da escola indígena e que parte da acepção “índios”para denominar a diversidade étnica já apontada, será atenuada com algunsexemplos, advindos da pesquisa que realizo sobre educação escolar indígena
 
no Rio Grande do Sul, especialmente junto aos Guarani das parcialidades Mbyáe Xiripá ou Nhandeva, bem como, de pesquisas representativas das situaçõeshistóricas aqui referidas. A abordagem das políticas públicas não se atémapenas às ações governamentais, visto que os atores sociais, neste caso ascomunidades indígenas a quem se destinam essas políticas, também oresponsáveis por elas, na medida que suas ações e proposições interagem comsetores governamentais.A tendência predominante no senso comum, de não reconhecimentodas diferenças étnicas dos povos que viviam na América desde os temposanteriores à invasão européia, não é casual, mas constituída ao longo dahistória, na seqüência de ações que buscaram enquadrar a multiplicidade nadenominação gerica “índios”. Esse olhar foi incapaz de enxergar adiversidade das formas de vida, as trajetórias e apropriações que cada grupofez nas relações de contato, elaborando tradições através de um processo quedemonstra sua atualidade, mesmo considerando a intervenção da escola paraos índios, planejada desde uma cosmologia ocidental moderna. Ribeiro (1977,p.14) afirma que o ingena foi submetido a um processo que o forçaconstantemente a
“transformar radicalmente seu perfil cultural (...)transfigurando sua indianidade, mas persistindo como índio” 
. A advertência sefaz necessária para pensar essa “terra de mil povos”, que foi e ainda épovoada por grupos que criam e recriam suas concepções de mundo, buscandoa cada momento religar o que ocorre na natureza com o dinâmicoordenamento do mundo social. Portanto, a história da educão escolarindígena é modulada pelas nuanças da interação da escola com a diversidadedo grupo a que se destina.Implementar escolas entre os índios é uma das práticas mais antigas deintervenção, comum no peodo colonial pois, mesmo reconhecendo asrelões de educão inseridas no modo de vida dos grupos ingenascontatados, como expressam os cronistas dos culos XVI e XVII, õeseducativas introduzidas pelas missões religiosas, que incluíam em alguns casoso ensino escolar, produziram marcas de europeização e de cristianização queainda hoje se mantêm. Contudo, mesmo diante de um processo colonial quetentou destituir a memória coletiva dos povos indígenas, as marcas do contatoforam sendo apropriadas e ressignificadas, constituindo cosmologias híbridas,
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porém o menos ingenas. As mudaas, impostas pelo colonialismo,exigiram e exigem das sociedades indígenas uma constante reavaliação dasestratégias de contato. Atualmente, a educação escolar tem sido requisitadapor muitos grupos,
“valorizada como instrumento para a compreensão dasituão extra-aldeia e para o donio de conhecimentos e tecnologiasespecíficas que elas podem favorecer” 
(Silva, 2002, p. 57).A história da educão escolar ingena, por suas característicasespeficas, configura alguns peodos, o lineares, mas marcados porpregnâncias, sincronias e diacronias. Ferreira (2001) destaca um primeiroperíodo, caracterizado como colonial, em que predominou a catequese e asações educativas para desmantelar culturalmente os povos indígenas e suasdistintas identidades. Exemplo conhecido na história foram as reduções jesuítico-guarani que, através de aldeamentos e práticas sistemáticas decatequese, que incluía o ensino de leitura e escrita, tentaram implementarvalores adequados ao colonialismo, contribuindo para destruir a nação Guaranie empurrar para longe de suas terras as parcialidades que não se submeteramà ação dos religiosos. Preocupados em instalar uma moral cristã, os jesuítasnão mediram esforços para desmantelar instituições como o xamanismo e ossistemas de parentesco.Segundo Ferreira (ibid.), esse peodo se estendeu até o advento daRepública, quando o Estado Nacional começou a demonstrar preocupaçõesconcretas com a educação das populações indígenas, implementando açõesvoltadas especificamente aos índios. Até então, a escola para os índios esteveexclusivamente a cargo de representantes da igreja católica, incentivados pelogoverno colonial e imperial. As poucas iniciativas governamentais verificadasno século XIX não ultrapassaram à retórica, porém fomentaram a criação deum órgão estatal para dedicar-se exclusivamente ao cuidado dos índios, o SPI Serviço de Proteção ao Índio. Segundo Lima (1995), os debates em torno daquestão indígena no limiar do século XX eram intensos e a criação do SPIatendeu ao movimento de opinião pública nacional e internacional, quer porexplicitar preocupações com a preservação e a qualidade de vida dessespovos, ou pela necessidade de mantê-los à margem da nova etapa deocupação das terras.
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