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ASSÉDIO MORAL
O setor público é um dos ambientes de trabalho onde o assédio se apresenta de formamais visível e marcante.Muitas repartições públicas tendem a ser ambientes carregados de situações perversas,com pessoas e grupos que fazem verdadeiros “plantões” de assédio moral. Muitas vezes, por falta de preparo de alguns chefes imediatos, mas com freqüência por pura perseguição a um determinado professor. Neste ambiente, o asdio moral tende a ser mais freqüente em rao de uma peculiaridade: o chefe não dispõe sobre o vínculo funcional do servidor. Não podendodemiti-lo, passa a humilhá-lo e sobrecarregá-lo de missões inócuas.O assédio moral nas instituições públicas tende a ser mais perverso e penoso do que nas privadas, pois a pessoa suporta o assédio sempre com a esperança de que, quandomudar o comando, as coisas mudem. Existem casos de assédio em empresa pública comduração de oito anos, enquanto na empresa privada o máximo foi de um ano e meio.Outro aspecto de grande influência é o fato de que no setor público muitas vezes oschefes são indicados em decorrência de seus laços de amizade ou de suas relações políticas, e não por sua qualificação técnica e preparo para o desempenho da função.Despreparado para o exercício da chefia, e muitas vezes sem o conhecimento mínimonecessário para tanto, mas escorado nas relações que garantiram a sua indicação, ochefe pode se tornar extremamente arbitrário, por um lado, buscando compensar suasevidentes limitações, e por outro, considerando-se intocável.O fenômeno está sempre presente nessas instituições mas é frequentemente banalizado,e até ignorado; algumas vezes por indiferença, outras por covardia e, até mesmo, por desconhecimento.
O QUE É ASSÉDIO MORAL?
Para Marie-France Hirigoyen, asdio moral é “toda e qualquer conduta abusivamanifestando-se sobretudo por comportamentos, palavras, atos, gestos, escritos, que possam trazer dano à personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica deuma pessoa, pôr em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho”.Assédio moral no trabalho é a exposição dos trabalhadores a situações humilhantes econstrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercíciode suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoririas, onde predominam condutas negativas, relações desumanas e antiéticas de longa duração, deum ou mais chefes dirigidas a um subordinado, desestabilizando a relação da vítimacom o ambiente de trabalho, tornando-o desagradável, insuportável e hostil.O assédio moral desperta no trabalhador um sentimento de ser atingido em suadignidade humana, ofendido, menosprezado, humilhado, rebaixado, submetido,constrangido. Surge na vítima um sentimento de mágoa, inutilidade, revolta, vergonha,indignação, raiva; desencadeia um sentimento de dor, tristeza e sofrimento; corrói a
 
auto-estima da vítima, e desperta o sentimento de ter sido traída. Como resultado pode provocar depressão psíquica, repercutir na saúde física, na vida social e familiar doassediado.As instituições públicas acabam formando um terreno propício para o assédio moral porque a violência moral surge e se propaga em relações hierárquicas assimétricas,desumanas e sem ética, marcadas pelo abuso do poder e manipulações perversas. Àsvezes, a violência é sutil, recheada de artimanhas voltadas para confundir a vítima.Outrossim, instala-se, especialmente, como afirma Hirigoyen, “quando o diálogo éimpossível e a palavra daquele que é agredido não consegue fazer-se ouvir”.O assédio moral provoca a degradação do ambiente de trabalho, que passa a comportar atitudes arbitrárias e negativas, causando prejuízo aos trabalhadores, principalmente aos professores. Compromete, assim, a dignidade e mesmo a identidade do professor, bem como suasrelações afetivas e sociais, causando danos à saúde física e mental. Nesse sentido, cabe destacar que, muitas vezes, o assédio moral vindo do superior emrelação a um professor pode acarretar mudanças negativas também no comportamentodos demais professores, que passam a isolar o assediado, pensando em afastar-se dele para proteger seu próprio emprego e, muitas vezes, reproduzindo as condutas doagressor. Passa a haver, assim, uma rede de silêncio e tolerância às condutas arbitrárias, bem como a ausência de solidariedade para com o professor que está exposto ao assédiomoral.Isso acontece porque o assediador ataca os laços afetivos entre os professores, comoforma de facilitar a manipulação e dificultar a troca de informações e a solidariedade.
COMO SE MANIFESTA O ASSÉDIO MORAL
São inúmeras as formas de manifestação do assédio moral, podendo, a bel-prazer doassediador, assumir diversas roupagens e variações. Algumas formas mais diretas,outras mais sutis e dissimuladas.O assediador assume repetidamente, ao longo do tempo, uma ou mais de uma dasseguintes atitudes, ou outras similares, com relação ao professor:1) Designação de atribuições estranhas ao cargo de professor. A Lei n. 8.112 de 1990(RJU Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos da União, Autarquias eFundações Públicas Federais) proíbe que ao servidor sejam designadas atribuiçõesestranhas ao cargo que ocupa (artigo 117, inciso XVII).O edital do concurso traz uma lista completa das atribuições que podem ser designadasao professor. Dentre elas,
não
constam as atividades de
office-boy
, empregadodoméstico ou secretário particular do chefe: tirar fotocópias, levar documentos às outrasseções, limpar armários, arrumar estantes, encaixotar documentos, repassar recados,afixar cartazes, confeccionar pastas, carregar caixas, pegar material no almoxarifado,
 
redigir o texto das partes para o chefe, pesquisar preços de produtos na Internet,elaborar descrições para licitação, etc. 2) Designação do cumprimento de atividades em condições inexeqüíveis;3) Determinação do cumprimento de missões em prazos extremamente curtos. Para oassediador, todas as missões são para “ontem”.4) Imposão de condões e regras de trabalho personalizadas ao professor,especialmente ao professor “mais moderno” ou “recruta”, caso em que são exigidas, dedeterminado educador, tarefas diferentes das que são cobradas dos demais, maistrabalhosas ou mesmo inúteis;5) Designação de atividades que exijam treinamento e conhecimentos específicos;6) Não contemplação do professor com os mesmos benefícios ou vantagens deferidosaos demais professores;7) Submissão do professor à vigilância constrangedora, querendo saber a todo tempo seele está lendo sobre algo que não diz respeito a sua disciplina. O professor assediadoesproibido de ler algo que o diz respeito a sua disciplina. Para os outros professores, o chefe faz vista grossa;8) Isolamento do professor. A impressão que se tem é que o professor tem uma doençacontagiosa. Ninguém quer ser visto com ele. Alguns professores só dirigem a palavra aoassediado se o chefe não está presente. Aqueles que continuam a manter um bomrelacionamento com a tima começam a ser perseguidos sistematicamente earbitrariamente para que mudem de conduta.9) Imposição de trabalhos urgentes sem necessidade.10) Difamação da reputação do professor assediado para todos que quiserem ouvir;11) Rumores e fofocas em torno do professor assediado: “Você ficou sabendo o que elefez na semana passada?”.12) Enfoque coletivo sobre um incidente crítico que “mostra que tipo de pessoa aquele professor realmente é”.13) Retórica difamatória recheada de emoção em reuniões ou comunicados orais ouescritos;14) Impedimento de afastamentos do trabalho nos casos de previsão legal;15) Imposição de missões (leiam-se tarefas) impossíveis. Por exemplo, encontrar umdocumento ou pasta que simplesmente não existe;16) Comparação de duas ou mais categorias profissionais, apontando ou insinuandodesvalor de uma em relação à outra. Por exemplo, “todo professor civil é vagabundo”.
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