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Criatividade: O Estado da Arte

Criatividade: O Estado da Arte

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Revisão de literatura sobre teorias da criatividade.
Revisão de literatura sobre teorias da criatividade.

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Published by: Bruno Carvalho C. Souza on Aug 25, 2009
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05/31/2013

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text

original

 
Criatividade: o estado da arte
1
 Bruno Carvalho
 Bruno Carvalho Castro Souza
é 
publicit 
á
rio, mestre em Engenharia de Produ
çã
o pela UFSC, bacharel emComunica
çã
o pelo Uniceub, Diretor de Projetos da Associa
çã
o Darwin de Educa
çã
o e Pesquisas e professor dePublicidade e Propaganda.
A quest
ã
o da criatividade vem sendo discutida h
á
muito tempo. H
á
varias defini
çõ
es, algumaslevando em considera
çã
o os aspectos sociais, outras, os psicol
ó
gicos, e, recentemente, algumastentativas para conceituar a cria
çã
o t
ê
m surgido das ci
ê
ncias cognitivas.Para Ghiselin (1952), criatividade
é
“o processo de mudan
ç
a, de desenvolvimento, de evolu
çã
o, naorganiza
çã
o da vida subjetiva”
2
. Fliegler (1959)
apud 
Kneller (1978) declara que “manipulamoss
í 
mbolos ou objetos externos para produzir um evento incomum para n
ó
s ou para nosso meio”.Suchman (1981), Stein (1974), Anderson (1965), Torrance (1965) e Amabile (1983),
apud 
Alencar(1993), citam v
á
rias defini
çõ
es, respectivamente
3
:“o termo pensamento criativo tem duas caracter
í 
sticas fundamentais, a saber:
é
aut
ô
nomo e
é
 dirigido para a produ
çã
o de uma nova forma.”“criatividade
é
o processo que resulta em um produto novo, que
é
aceito como
ú
til, e/ou satisfat
ó
riopor um n
ú
mero significativo de pessoas em algum ponto no tempo.”“criatividade representa a emerg
ê
ncia de algo
ú
nico e original.”“criatividade
é
o processo de tornar-se sens
í 
vel a problemas, defici
ê
ncias, lacunas noconhecimento, desarmonia; identificar a dificuldade, buscar solu
çõ
es, formulando hip
ó
teses arespeito das defici
ê
ncias; testar e retestar estas hip
ó
teses; e, finalmente, comunicar os resultados.”“um produto ou resposta ser
ã
o julgados como criativos na extens
ã
o em que a) s
ã
o novos eapropriados,
ú
teis ou de valor para uma tarefa e b) a tarefa
é
heur
í 
stica e n
ã
o algor
í 
stica.”Cave (1999) v
ê
a criatividade como a tradu
çã
o dos talentos humanos para uma realidade exteriorque seja nova e
ú
til, dentro de um contexto individual, social e cultural
4
. Essa tradu
çã
o pode-sefazer, basicamente, de duas formas. A primeira
é
a habilidade de recombinar objetos j
á
existentesem maneiras diferentes para novos prop
ó
sitos. A segunda, “brincar” com a forma com que ascoisas est
ã
o inter-relacionadas. Em ambos os casos, considera a criatividade como uma habilidadepara gerar novidade e, com isso, id
é
ias e solu
çõ
es
ú
teis para resolver os problemas e desafios dodia-a-dia.Kneller (1978) identifica quatro dimens
õ
es da criatividade:
“As defini
çõ
es corretas de criatividade pertencem a quatro categorias, ao que parece. Ela pode ser considerada do ponto de vista da pessoa que cria, isto
é 
 , em termos de fisiologia e temperamento, inclusive atitudes pessoais, h
á
bitos e valores. Pode tamb
é 
m ser 
1
Esse artigo faz parte da disserta
çã
o de mestrado
Criatividade: uma arquitetura cognitiva
, apresentada pelo autor como parte dosrequisitos para obten
çã
o do t
í 
tulo de Mestre em Engenharia de Produ
çã
o
à
Universidade Federal de Santa Catarina, em 2001.
2
GHISELIN, Brewster.
The creative process
. Berkeley: University of California Press, 1952, p. 2.
3
ALENCAR, Eunice M. L. Soriano de.
Criatividade
. Bras
í 
lia: Editora Universidade de Bras
í 
lia, 1993, p. 13.
4
CAVE, Charles.
Creativity web
. Dispon
í 
 
explanada por meio dos processos mentais – motiva
çã
o, percep
çã
o, aprendizado, pensamento e comunica
çã
o – que o ato de criar mobiliza. Uma terceira defini
çã
o focalizainflu
ê
ncias ambientais e culturais. Finalmente, a criatividade pode ser entendida em fun
çã
o de seus produtos, como teorias, inven
çõ
es, pinturas, esculturas e poemas.”
5
Alencar, por sua vez, identifica duas dimens
õ
es que parecem permear a no
çã
o de criatividade:
“(...) pode-se notar que uma das principais dimens
õ
es presentes nas mais diversasdefini
çõ
es de criatividade propostas at 
é 
o momento diz respeito ao fato de que criatividadeimplica emerg
ê
ncia de um produto novo, seja uma id 
é 
ia ou inven
çã
o original, seja areelabora
çã
o e aperfei
ç
oamento de produtos ou id 
é 
ias j
á
existentes. Tamb
é 
m presente emmuitas das defini
çõ
es propostas
é 
o fator relev
â
ncia, ou seja, n
ã
o basta que a resposta sejanova;
é 
tamb
é 
m necess
á
rio que ela seja apropriada a uma dada situa
çã
o.
Para compreender melhor o contexto e a variedade das defini
çõ
es,
é
interessante uma an
á
lisehist
ó
rica das teorias da criatividade. A interpreta
çã
o do que
é
criativo, bem como a explica
çã
o doato propriamente dito, acontece sempre em um contexto que percebe fatores sociais, culturais etecnol
ó
gicos. A hist
ó
ria permeia, portanto, a evolu
çã
o do conceito de criatividade e a suarealiza
çã
o como ato individual.
Evolu
çã
o hist
ó
rica da criatividade
Os m
é
todos para abordar a criatividade estiveram sempre ligados
à
s doutrinas filos
ó
ficas ecient
í 
ficas de sua
é
poca. Assim, a explica
çã
o da cria
çã
o atravessou diferentes pontos de vista,desde o enfoque filos
ó
fico, nos tempos antigos, at
é
o recente cognitivismo. N
ã
o havendo aindateoria universalmente aceita para a criatividade, s
ã
o apresentadas v
á
rias vis
õ
es, na busca de umentendimento amplo sobre o assunto.Teorias filos
ó
ficas da criatividadeO contexto hist
ó
rico da Antig
ü
idade Cl
á
ssica utilizou-se do pensamento filos
ó
fico para entender acria
çã
o. Essas teorias tinham como sustenta
çã
o a atividade mental aplicada ao entendimento domundo como este era concebido. Perduraram at
é
o surgimento do m
é
todo cient
í 
fico quando,gradualmente, a criatividade come
ç
a a possuir fundamenta
çõ
es mais s
ó
lidas e verific
á
veis.Criatividade como inspira
çã
o divinaSegundo Hallman (1964)
apud 
Kneller (1978), uma das mais velhas concep
çõ
es da criatividade
é
asua origem divina. A melhor express
ã
o dessa cren
ç
a
é
creditada a Plat
ã
o:
“E por essa raz
ã
o Deus arrebata o esp
í 
rito desses homens (poetas) e usa-os como seusministros, da mesma forma que com os adivinhos e videntes, a fim de que os que os ouvemsaibam que n
ã
o s
ã
o eles que proferem as palavras de tanto valor quando se encontram fora de si, mas que
é 
o pr 
ó
 prio Deus que fala e se dirige por meio deles.”
Essa concep
çã
o ainda encontra defesa, por exemplo, em Maritain (1953): o poder criativo dependedo “reconhecimento da exist
ê
ncia de um inconsciente, ou melhor, preconsciente espiritual, de que
5
KNELLER, George Frederick.
 Arte e ci
ê
ncia da criatividade
. 17 ed. S
ã
o Paulo: Ibrasa, 1978, p. 15.
6
ALENCAR, Eunice M. L. Soriano de.
Criatividade
. Bras
í 
lia: Editora Universidade de Bras
í 
lia, 1993, p. 15.
7
Plat
ã
o
apud 
KNELLER, George Frederick.
 Arte e ci
ê
ncia da criatividade
. 17 ed. S
ã
o Paulo: Ibrasa, 1978, p. 32.
 
davam conta Plat
ã
o e os s
á
bios, e cujo abandono em favor do inconsciente freudiano apenas
é
sinalda estupidez de nosso tempo”
8
.Criatividade como loucuraTamb
é
m creditada
à
Antig
ü
idade, esta explica
çã
o concebe a criatividade como forma de loucura,dada a sua aparente espontaneidade e sua irracionalidade. Plat
ã
o, novamente, parece haver vistopouca diferen
ç
a entre a visita
çã
o divina e o frenesi da loucura. Durante o s
é
culo XIX, Lombroso(1891) alegou que a natureza irracional ou involunt
á
ria da arte criadora deve ser explicadapatologicamente
9
.Criatividade como g
ê
nio intuitivoEsta explica
çã
o deve suas origens
à
no
çã
o do g
ê
nio, surgida no fim do Renascimento, para explicara capacidade criativa de Da Vinci, Vasari, Tel
é
sio e Michel
â
ngelo. Durante o s
é
culo XVIII, muitospensadores associaram criatividade e genialidade. Kant
apud 
Kneller “entendeu ser a criatividadeum processo natural, que criava as suas pr
ó
prias regras; tamb
é
m sustentou que uma obra de cria
çã
oobedece a leis pr
ó
prias, imprevis
í 
veis; e da
í 
concluiu que a criatividade n
ã
o pode ser ensinadaformalmente”
. Al
é
m de g
ê
nio, essa teoria identifica a cria
çã
o como uma forma saud
á
vel ealtamente desenvolvida da intui
çã
o, tornando o criador uma pessoa rara e diferente.
É
a capacidadede intuir direta e naturalmente o que outras pessoas s
ó
podem apurar divagando longamente quecaracteriza essa teoria.Criatividade como for
ç
a vitalReflexo da teoria da evolu
çã
o de Darwin, a criatividade foi considerada como manifesta
çã
o de umafor
ç
a inerente
à
vida. Assim, a mat
é
ria inanimada n
ã
o
é
criadora, uma vez que sempre produziu asmesmas entidades, como
á
tomos e estrelas, enquanto a mat
é
ria org
â
nica
é
fundamentalmentecriadora, pois est
á
sempre gerando novas esp
é
cies. Um dos principais expoentes dessa id
é
ia
é
 Sinnott (1962), quando afirma que a vida
é
criativa porque se organiza e regula a si mesma eporque est
á
continuamente originando novidades
.Teorias psicol
ó
gicasA partir do s
é
culo XIX, cria
çã
o passou a receber um tratamento mais cient
í 
fico, proporcionadopelo desenvolvimento da Psicologia. As principais contribui
çõ
es foram o associacionismo, a teoriada Gestalt e a psican
á
lise. Essas contribui
çõ
es seriam uma das bases para a forma
çã
o dos conceitosmodernos de criatividade.AssociacionismoAs ra
í 
zes do associacionismo remontam a John Locke, no s
é
culo XIX. Parte do princ
í 
pio de que:
8
MARITAIN, Jack.
Creative intuition in art and poetry
. New York: Pantheon Books, 1953, p. 91.
9
LOMBROSO, Cesare.
The man of genius
. Londres: Walter Scott, 1891.
10
KNELLER, George Frederick.
 Arte e ci
ê
ncia da criatividade.
17 ed. S
ã
o Paulo: Ibrasa, 1978, p. 35.
11
SINNOT, Edmund. Creative imagination: man’s unique distinction.
The graduate journal
, University of Texas, Spring, 1962, p.194-210,
apud 
KNELLER, George Frederick.
 Arte e ci
ê
ncia da criatividade.
17 ed. S
ã
o Paulo: Ibrasa, 1978, p. 36.

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