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Vladimir Safatle - Gênese e estrutura do objeto do fantasma em Jacques Lacan

Vladimir Safatle - Gênese e estrutura do objeto do fantasma em Jacques Lacan

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06/24/2013

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Título
: Gênese e estrutura do objeto do fantasma em Jacques Lacan
Title
: Genesis and structure of the phantasm’s object in Jacques Lacan
Autor
: Vladimir Pinheiro Safatle, Professor do Departamento de Filosofia daUniversidade de São Paulo, doutor em epistemologia da psicanálise pela Universidadede Paris VIII
Endereço
: Rua Dr. Homem de Melo, 629, apt. 2021, Perdizes, CEP 05007-001. SãoPaulo – SP
Telefone
: 0 XX 11 3873-9828
E-mail:vsafatle@yahoo.comResumo
: Trata-se de compreender a gênese do problema do objeto do fantasma emLacan a partir da absorção lacaniana das temáticas do objeto parcial e do objetotransicional. Isto nos permitirá pensarmos certas modalidades de travessia do fantasma a partir da recuperação de uma noção possível de reconhecimento. 
Palavras-chaves
: fantasma, objeto
a,
Lacan, reconhecimento, corpo 
Abstract
: The aim of this article is to discuss the genesis of phantasm’s object in Lacan.The articulation between partial objects, transitional objects and object
a
will bestressed. This articulation will open the way to think a kind of recognition after thecrossing of the phantasm. 
Keywords
: phantasm, object
a,
Lacan, recognition, body
 
 
Gênese e estrutura do objeto do fantasma em Jacques Lacan
 
 Amamos sempreatravés de qualidades de empréstimo.
Pascal
 Tal como o ser em Aristóteles, o fantasma em Lacan se diz de várias maneiras. Neste artigo, trata-se de se concentrar na natureza específica e na função dos objetosfantasmáticos, já que foi através do problema do objeto que a reflexão lacaniana sobre ofantasma organizou-se. Se pensarmos, por exemplo, na definição do fantasma comouma cena imaginária na qual o sujeito representa a realização de seu desejo, veremosque tal representação é
 produção
de um objeto próprio ao desejo. Pois o fantasmaaparece como esta construção que indica a maneira singular através da qual cada um denós procura determinar um caminho em direção ao gozo. Este é ao menos o sentido dadefinição lacaniana: “o fantasma faz o prazer próprio ao desejo” (LACAN, 1966, p.774). Não se trata apenas de afirmar que o fantasma indica a predominância do princípio de prazer na realidade psíquica. Lembremos que, para Lacan, o desejo édesprovido de todo procedimento natural de objetificação, o desejo é desejo de nada que possa ser nomeado. Neste sentido, afirmar que o fantasma produz um objeto capaz desatisfazer ou, como gostaria Lacan, de fazer o prazer próprio ao desejo, significa dizer que ele permite que o sujeito forneça uma realidade empírica a um desejo que, atéentão, era pura determinação negativa. Isto mostra como o fantasma é
o único procedimento disponível ao sujeito para a objetificação do seu desejo.
Daí porque eleseria: “a sustentação do desejo” (LACAN, 1973, p. 168) ou ainda “este lugar dereferência através do qual o desejo aprendera a situar-se” (LACAN, 1958-1959, sessãodo 12/08/58). Como nos mostra, por exemplo, Melanie Klein através da descrição docaso de psicose do Pequeno Dick, sem a ação do fantasma o sujeito não saberia comodesejar e estabelecer uma relação de objeto. Toda capacidade de simbolização estariaassim bloqueada, restando apenas uma posição autista angustiante na qual seriaimpossível dizer algo sobre o desejo1.Definido o fantasma desta forma, Lacan tentava demonstrar que sua verdadeirafunção consistira em ser uma barreira de defesa contra a angústia produzida pelo
 
inominável do desejo. Angústia que aparece sob a forma de angústia de castração: estedesvelamento da impossibilidade do sujeito produzir uma representação adequada dosexual.Mas como o fantasma conseguiria produzir um objeto próprio ao desejo? Ouseja, através de qual operação ele poderia inscrever no interior fantasmático e positivar esta falta-a-ser que se determina como essência do desejo? Sublinhemos a importânciada questão já que, através da problematização da genética própria ao fantasma, Lacandesenvolveeste que, em seu ponto de vista, era um dos poucos conceitosmetapsicológicos por ele criado: o objeto
a
.Se quisermos compreender o problema da genética do fantasma, devemosretornar a certos aspectos da teoria freudiana. Sabemos que, para Freud, o movimentodo desejo era coordenado pela repetição alucinatória de experiências primeiras desatisfação. Tais experiências primeiras deixariam imagens mnésicas de satisfação nosistema psíquico. Quando um estado de tensão reaparece, o sistema psíquico atualiza deuma maneira automática tais imagens sem saber se o objeto correspondente à imagemestá ou não efetivamente presente. Através deste processo de repetição, o desejo procuraria
reencontrar 
um objeto perdido ligado às primeiras experiências de satisfação.Mas o movimento tem sua complexidade. Pois, se analisarmos de maneira mais precisa a natureza destas primeiras experiências de satisfação, veremos que elas se dãoatravés da relação entre o sujeito e aquilo que Karl Abraham indicou como sendo o quehoje conhecemos por 
objetos parciais2
.Neste caso, o adjetivo parcial significa principalmente que, devido a uma insuficiência na capacidade perceptiva do bebê, suas primeiras experiências de satisfação não se dão com representações globais de pessoas,como o pai, a mãe ou mesmo o eu enquanto corpo próprio, mas com partes de taisobjetos: seios, voz, olhar, excrementos etc.O caráter parcial dos primeiros objetos de satisfação também estaria ligado àestrutura originariamente polimórfica da pulsão, ou seja, ao fato de que as moções pulsionais apresentam-se inicialmente sob a forma de
 pulsões parciais
cujo alvoconsiste na satisfação do prazer específico de órgão. Pensemos no bebê que ainda nãotem à sua disposição uma imagem unificada do corpo próprio. Neste caso, cada zonaerógena tem tendência em seguir sua própria economia de gozo. Notemos também quetal gozo é auto-erótico porque o investimento libidinal destes objetos parciais ocorreantes do advento da imagem narcísica com sua estrutura de identidades, ou seja, eleocorre em um momento de indiferenciação subjetiva entre interioridade e exterioridade.

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