Welcome to Scribd. Sign in or start your free trial to enjoy unlimited e-books, audiobooks & documents.Find out more
Download
Standard view
Full view
of .
Look up keyword
Like this
1Activity
0 of .
Results for:
No results containing your search query
P. 1
A questão ideológica e o desespero da direita no Brasil contemporâneo

A questão ideológica e o desespero da direita no Brasil contemporâneo

Ratings:
(0)
|Views: 18|Likes:
Embora já surrada, a questão do “fim das ideologias”, assim como do “fim da história”, reaparecem de tempos em tempos, abertamente ou de forma subliminar. Trata-se de uma questão internacional, mas com contornos específicos no Brasil.
 
Há, de certa forma, uma espécie de “ideologia da não ideologia”, isto é, a tentativa permanente, aguçada em períodos pré-eleitorais e eleitorais, dos setores liberais e conservadores desqualificarem, por estratégias diversas, os pressupostos, objetivos e formas de atuação dos grupos à esquerda.
Embora já surrada, a questão do “fim das ideologias”, assim como do “fim da história”, reaparecem de tempos em tempos, abertamente ou de forma subliminar. Trata-se de uma questão internacional, mas com contornos específicos no Brasil.
 
Há, de certa forma, uma espécie de “ideologia da não ideologia”, isto é, a tentativa permanente, aguçada em períodos pré-eleitorais e eleitorais, dos setores liberais e conservadores desqualificarem, por estratégias diversas, os pressupostos, objetivos e formas de atuação dos grupos à esquerda.

More info:

Published by: Carlos Antonio Guimarães on Dec 16, 2013
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as ODT, PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

09/30/2014

pdf

text

original

 
: As tentativas da Direita em desqualificar a esquerda pro meio de uma mídia tendenciosa
Da Carta Maior
Embora já surrada, a questão do "fim das ideologias", assim como do "fim da história", reaparecem de tempos em tempos, abertamente ou de forma subliminar.
 
Francisco Fonseca (*
 
Embora já surrada, a questão do !fim das ideologias, assim como do !fim da história, reaparecem de tempos em tempos, abertamente ou de forma subliminar. #rata$se de uma questão internacional, mas com contornos espec%ficos no &rasil.
 
'á, de certa forma, uma espcie de !ideologia da não ideologia, isto , a tentati)a permanente, aguada em per%odos pr$eleitorais e eleitorais, dos setores liberais e conser)adores desqualificarem, por estratgias di)ersas, os pressupostos, objeti)os e formas de atuaão dos grupos + esquerda.
 
esmo que os aspectos concretos quanto + forma de atuar dos grupos sociais - + esquerda, ao centro e + direita no espectro - dependa de um conjunto de circunstncias históricas, tais como o conte/to internacional, a correlaão de foras numa dada sociedade, o grau de organi0aão e mobili0aão das foras sociais, o papel das institui1es pol%ticas, os padr1es do modelo de acumulaão, entre outras )ariá)eis, há elementos essencialmente definidores do significado de esquerda e direita.
 
2ejamos, de forma panormica e sem a pretensão de esgotar suas caracter%sticas, alguns desses elementos essenciais quanto + atualidade da esquerda.
 
3rimariamente, di0 respeito ao tema da igualdade4 pol%tica e social. 5 pensamento + esquerda - concreti0ado em go)ernos - tem como objeti)o central a diminuião das desigualdades e, num plano de longo pra0o, sua eliminaão. Em termos da agenda go)ernamental, esse pressuposto implica4 ampliaão do gasto social (medido em relaão ao 36&7 busca pela uni)ersali0aão de direitos, mas contemporaneamente combinada
 
com focali0aão aos grupos mais )ulnerá)eis7 descrena no !mercado li)re, panaceia )endida pelo liberalismo, uma )e0 que se apoia o direcionamento dos agentes econ8micos, e sobretudo o reconhecimento das assimetrias entre os detentores do capital e da fora de trabalho, reconhecimento que se transforma em pol%ticas de apoio aos trabalhadores )ia pol%ticas p9blicas7 apoio +s formas de participaão popular, como confer:ncias nacionais, audi:ncias p9blicas, entre di)ersas outras7 como decorr:ncia, o est%mulo ao chamado !controle social, em que cidadãos organi0ados em suas comunidades são part%cipes ati)os dos processos de implementaão e monitoramento de pol%ticas p9blicas, caso do e/itoso 3rograma &olsa Fam%lia7 a questão crucial da aceitaão dos conflitos como leg%timos, cuja consequ:ncia  a negociaão e não a repressão policial. 3or fim, do ponto de )ista das rela1es internacionais, a busca por autonomia perante as pot:ncias mundiais e suas institui1es, em que o tema da soberania ganha rele)o, e condu0, claramente, a uma )isão de mundo + esquerda, em clara contraposião com a chamada direita, tradicionalmente associada +s pot:ncias hegem8nicas. Em clar%ssimo contraste, quais são os pressupostos da direita;
 
<eu pressuposto fundamental  a ordem, resultante da rejeião e a)ersão aos conflitos, sobretudo de classe, que permanecem re)estidos majoritariamente como !conflito distributi)o. =a% o discurso clássico da direita ter na )iol:ncia do Estado, por meio do  !endurecimento das penas, da brutalidade policial, da !criminali0aão dos mo)imentos sociais, entre tantas outras formas, uma de suas caracter%sticas marcantes. #al )iol:ncia, destitu%da de controles democráticos, )olta$se + proteão da propriedade e + !harmonia entre as classes (mesmo que se negue sua e/ist:ncia.
 
>final, o pressuposto do pensamento liberal?conser)ador  justamente a !ideologia do mrito, re)estida de !meritocracia, em que os indi)%duos - independentemente de suas condi1es coleti)as históricas - de)em competir, sobressaindo$se os !melhores. =a% o clássico mote do jornal 5 Estado de <. 3aulo, de certa forma compartilhado por toda a grande m%dia, de que as elites são constitu%das pelos !melhores e mais capa0es, )enham de onde )ierem. =o ponto de )ista internacional, a aceitaão da !ordem mundial tal como dada e ao papel subalterno conferido ao &rasil pela !di)isão internacional do trabalho fe0 e fa0 parte do conser)adorismo liberal encarnado na perspecti)a da direita.
 
@eAnes, mesmo não sendo um intelectual de esquerda, já ha)ia chamado a atenão, num proftico artigo publicado em BCD, intitulado !#he end of laisse0 faire, a respeito dos efeitos noci)os da competião sem regras e da falácia da !mão in)is%)el do mercado, ambientes em que a ideologia do mrito prospera. #rata$se de pressupostos intr%nsecos ao pensamento conser)ador e liberal, que conflui )igorosamente + direita no espectro.
 
>lbert 'irschman, num primoroso li)ro sobre o pensamento conser)ador e liberal - encarnado na direita não na0ista -, intitulado a !etórica da 6ntransig:ncia4 per)ersidade,
 
futilidade, ameaa (publicado no &rasil pela Gia. das Hestras em BCCD, demonstra detalhadamente os argumentos esgrimidos ao longo de dois sculos contrários + introduão dos direitos ci)is, pol%ticos e sociais no mundo ocidental. <ão fortemente reati)os em sua nsia por garantir pri)ilgios.
 
Io &rasil não tem sido diferente, embora nossa direita, sobretudo no sculo JJ, tenha se caracteri0ado pela adesão a golpes !clássicos, e tambm aos !brancos (mais sutis, respecti)amente o golpismo ci)il?militar at BCK, e toda forma de casu%smo anti$institucional4 emenda da reeleião em plena regra que a proibia, populismo cambial,  !enga)etadores gerais da ep9blica etc.
 
ais ainda, no marcante momento da >ssembleia Gonstituinte de BCL?LM, um sem$n9mero de cr%ticas ácidas, na perspecti)a analisada por 'irschman, foram desferidas contra a !Gonstituião Gidadã. >nalisei detalhadamente tais cr%ticas em meu li)ro !5 Gonsenso Forjado - a grande imprensa e a formaão da agenda ultraliberal no &rasil (Editora 'ucitec, DNNO, e pude obser)ar quão conser)adora, em plena redemocrati0aão, fora a direita reunida em torno do !Gentrão.
 
Em outras pala)ras, essencialmente falando, como sugerido por Iorberto &obbio, há diferenas cruciais entre esquerda e direita, ideologias - ou doutrinas, termo mais correto, pois indica um corpus conceitual e )alorati)o sist:mico - que continuam )i)as e antag8nicas, cujos efeitos go)ernamentais sob seu comando são sentidos na )ida dos cidadãos comuns, notadamente os pobres.
 
Io &rasil, embora as grandes coali01es partidárias, resultantes, por seu turno, do financiamento pri)ado legal e ilegal das campanhas e da lógica pri)atista do sistema pol%tico brasileiro, embaralhem e tur)em a posião de ambas as ideologias, isso não significa que sua )ig:ncia seja menor. >o contrário.
 
>s contradi1es nos Po)ernos Hula e =ilma e/pressam justamente os efeitos nefastos de um sistema pol%tico fundamentalmente protetor das elites, cujas reformas sociais são sempre incrementais e marginais, como tenho escrito em di)ersos artigos neste 3ortal. Em outras pala)ras, uma )erdadeira !in)ersão de prioridades (oramento, crdito, infraestrutura, gastos sociais, d%)ida p9blica, uni)ersali0aão de direitos, transpar:ncia e participaão popular?controle social etc, capa0 de !radicali0ar a democracia,  tra)ada em ra0ão da grande aliana conser)adora4 de classes, que se e/pressa no sistema pol%tico.
 
> sensaão de !geleia geral do sistema partidário, e mesmo a desilusão perante o 3artido dos #rabalhadores de amplas parcelas da sociedade brasileira não destituem o legado - reconhecido sistematicamente nas urnas - de que a obra do pensamento + esquerda está presente nos Po)ernos Hula e =ilma. >pesar de suas imensas contradi1es e da aus:ncia

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->