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Geoprocessamento, ambiente e saúde

Geoprocessamento, ambiente e saúde

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389
Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 12(3):389-397, jul-set 1996
ARTIGO
ARTICLE
Geoprocessamento, ambiente e saúde:uma união possível?
Are geoprocessing, environment, andhealth a possible combination?
1Departamento deInformações para a Saúde,Centro de Informação emCiência e Tecnologia,Fundação Oswaldo Cruz. Avenida Brasil 4365,Rio de Janeiro,RJ21045-900,Brasil.
Christovam Barcellos
1
Francisco Inácio Bastos
1
Abstract
 Abstract The use of geoprocessing techniques allows one to gather socioeconomic,health,and environmental data on a spatial basis.However,interpretation of associations be-tween epidemiological and environmental variables requires the geoprocessing system design.The study scale and object choices precede conception of the system,conditioning the possiblestatistical and visual results.This scale must be compatible with the phenomenon on which oneintends to focus,aiming at internal homogeneity and external heterogeneity of spatial units.Theinterdependency of spatial processes,reflected in the spatial configuration of social,environ-mental,and epidemiological data distribution,affects interpretation of causes for simultaneousprocesses.Geoprocessing allows for knowledge of the context or situational surroundings in which the damage to health takes place.
Key words
Geoprocessing;Environmental Analysis;Environmental Health;Epidemiology;Public Health
Resumo
O uso do geoprocessamento tem permitido a reunião de bancos de dados sócio-econô-micos,de saúde e ambientais em bases espaciais.A interpretação dos resultados de associaçõesentre variáveis epidemiológicas e ambientais depende,no entanto,do desenho do sistema degeoprocessamento.A escolha da escala e objeto de análise precede a concepção do sistema,con-dicionando os possíveis resultados estatísticos e visuais.Esta escala deve ser compatível com ofenômeno que se pretende enfocar,buscando-se uma homogeneidade interna e heterogeneidadeexterna das unidades de análise escolhidas.A interdependência de processos espaciais,que se re-fletem na sua configuração social,ambiental e epidemiológica,pode,se não adotada metodolo-gia correta,impedir o estabelecimento de causas para processos simultâneos.O geoprocessa-mento permite,por outro lado,o entendimento do contexto em que se verificam fatores determi-nantes de agravos à saúde.
Palavras-chave
Geoprocessamento;Análise Ambiental;Saúde Ambiental;Epidemiologia;Saúde Pública
 
BARCELLOS, C. & BASTOS, F. I.
390
Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 12(3):389-397, jul-set 1996
“Essa cidade que não se elimina da cabeça é co-mo uma armadura ou um retículo em cujos es-paços cada um pode colocar as coisas que dese- ja recordar:nomes de homens ilustres,virtudes,números,classificações vegetais e minerais,da-tas de batalhas,constelações,partes do discur-so.
Italo Calvino em “As cidades invisíveis”
Introdução
 A relação entre exposição ambiental a agentesde risco e condições de saúde tem sido estuda-da principalmente na dimensão temporal. Asassociações entre qualidade do ar e mortalida-de por doenças pulmonares (Anto, 1989;Schwartz & Marcus, 1990) são exemplos de es-tudos valiosos no campo da saúde ambientalque procuram avaliar o impacto de condiçõesambientais adversas sobre a saúde em curtosperíodos de tempo. Se estas relações são obser-vadas no tempo, não são da mesma maneiraevidentes na dimensão espacial. Isto porque noespaço encontram-se superpostas outras ins-tâncias da sociedade, como a econômica e acultural-ideológica, além de fatores propria-mente ambientais (Santos, 1988), que se mani-festam em variáveis sócio-econômicas quanti-ficáveis que podem atuar como fatores de con-fusão (‘confoundings’) em estudos ecológicos(Jacobson, 1984). A indistinção entre variáveis de saúde, seusdeterminantes e seus contornos sócio-econô-micos fez com que diversos preconceitos étni-cos, culturais e ambientais fossem incorpora-dos à chamada ‘geografia médica’. Os primei-ros trabalhos desta disciplina procuraram vin-cular áreas endêmicas de doenças a determi-nadas características culturais, raciais e climá-ticas de ambientes e grupos populacionais demaneira determinista (Lacaz et al., 1972). Estascorrelações foram estabelecidas de forma mar-cadamente inclusiva (as “doenças tropicais”)ou disjuntiva (a idéia dos cordões sanitários;Gould, 1993). Alguns destes equívocos meto-dológicos não podem ser imputados à carênciade informações e de instrumentos de análiseno passado. O geoprocessamento, entendidocomo “um conjunto de técnicas de coleta, exi-bição e tratamento de informações espaciali-zadas” (Rodrigues, 1990), permite a análiseconjunta de uma gama de variáveis sócio-am-bientais, mas pode, da mesma maneira, indu-zir a estes equívocos. A regionalização é freqüentemente utiliza-da em estudos epidemiológicos como uma va-riável de análise junto a outras, como sexo, ida-de e classe social. Este tipo de análise tem ser-vido a estudos exploratórios mas não permitepor si só a incorporação do espaço e seus ele-mentos no âmbito da pesquisa em saúde. Asdiferenças de incidências de câncer entre di-versos países têm permitido o estabelecimentode hipóteses etiológicas da doença (Hutt &Burkitt, 1986). Se é verdade que a incidência decâncer de estômago no Japão é significativa-mente mais alta que a média mundial, morarneste país não pode ser considerado aprioristi-camente como fator de risco. Antes disso, estadiferenciação sugere a existência de padrõesgenéticos, culturais ou ambientais que podemcontribuir para a determinação de risco àquelapopulação. Isto porque a diferenciação espa-cial subentende diversos outros diferenciais,tais como cultura, educação, renda, caracterís-ticas genéticas e habitacionais.Na tentativa de estabelecer pesos para fato-res genéticos e ambientais, estudos epidemio-lógicos têm concentrado esforços sobre mi-grantes, que deveriam manter seu perfil demorbi-mortalidade no país de destino se o fa-tor genético fosse predominante. Vários traba-lhos, no entanto, têm mostrado que as taxas demortalidade de migrantes tendem a se aproxi-mar daquelas observadas no país de destino(WHO, 1983), o que demonstra a pressão do fa-tor ambiental sobre os padrões de morbi-mor-talidade.Se a categoria espaço é depositária de umasérie de variáveis inter-relacionadas, como iso-lar os fatores ambientais dos demais nas análi-ses epidemiológicas? Se este espaço é resulta-do da ‘acumulação desigual dos tempos’ (San-tos, 1988), como entender a relação entre estasvariáveis através de cortes transversais? Estetrabalho levanta algumas questões pertinentesà utilização do geoprocessamento nas análisesde ambiente e saúde. Longe de tentar esgotar oassunto, o trabalho procura incorporar a estaanálise alguns conceitos desenvolvidos naGeografia e propõe um conjunto de técnicas demapeamento, buscando a análise integrada deriscos à saúde decorrentes de agentes ambien-tais.
Escala e objeto de análise
Fatores culturais, econômicos, demográficos eambientais estão presentes em todas as escalasem que se represente o espaço. É talvez na es-cala global que as variáveis culturais apresen-tem maiores diferenciais. Estes contrastes, po-rém, estão presentes na escala nacional, regio-nal e local com menor intensidade, ou se mos-tram ‘desbotados’ em relação a outros fatores
 
Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 12(3):389-397, jul-set 1996
de diferenciação populacional. A variável ren-da possui fortes diferenciais em todas as esca-las possíveis de análise. Serve para distinguirconjuntos de países, da mesma forma que con- juntos de bairros. A rigor, não existe o que secostuma denominar ‘regiões homogêneas’,uma vez que o espaço é infinitamente divisívele diferenciado internamente. O espaço geográ-fico é definido por Harvey (1980) como “com-plexo, não homogêneo, talvez descontínuo equase certamente diferente do espaço físico”. A delimitação do objeto, objetivos e hipóteses deestudo é que impõem uma homogeneização daunidade de análise, no interior da qual não épossível observar diferenças espaciais. Apesardo geoprocessamento permitir a construção eoperação de bases cartográficas em diversasescalas, a estrutura e inter-relacionamento dosbancos de dados fixa um modelo de agregaçãode dados por unidade espacial. Ao se definir o objeto de estudo, elege-seuma escala de análise que deve ser compatívelcom o fenômeno sobre o qual se deseja traba-lhar. A homogeneidade interna da unidade es-pacial depende basicamente dos critérios – evariáveis – utilizados na concepção do sistema.Uma importante mudança de ponto de vista sedá entre atividades de planejamento e análise,que se utilizam do espaço como categoria detrabalho (Piquet et al., 1986). Para os planeja-dores, as diferenciações intra-regionais são su-peradas face à relação inter-regional que dese- jam enfocar. Tendo como território de atuaçãoos limites administrativos do estado (sua ‘re-gião de planejamento’), o secretário de saúdedecide a localização de um centro de saúde emum ou outro município, baseado em critériosepidemiológicos, políticos e administrativos,que diferenciam municípios entre si. Por suavez, os gestores de centros de saúde dificilmen-te distinguem condições diferenciadas inter-namente a suas ‘áreas-programa’. Sua escala deanálise é o território intra-regional e pressupõehomogeneidade. Deste modo, a concepção daregião como área homogênea “baseia-se na de-limitação de um território a partir da uniformi-dade de certas características”, onde os crité-rios e objetivos de trabalho indicarão as variá-veis a serem utilizadas para regionalização (Pi-quet et al., 1986). Na fase de análise e avaliação,as unidades espaciais são definidas buscandoos maiores diferenciais inter-regionais, de mo-do a estabelecer as relações entre as unidadesde análise escolhidas, e adotando como terri-tório para análise as “regiões polarizadas”. A preocupação com estas relações ressalta as di-ferenciações inter-regionais e pressupõe hete-rogeneidade entre unidades.
GEOPROCESSAMENTO, AMBIENTE E SAÚDE
391
No caso do geoprocessamento, a escolha daescala de trabalho se delineia com o estabele-cimento
a priori
das unidades de agregaçãode dados e da extensão do território de traba-lho. Por exemplo, ao se trabalhar com os mu-nicípios do Brasil (numa escala de 1:1.000.000)as cidades podem ser representadas por pon-tos. Neste caso, as diferenciações internas àscidades desaparecem e opta-se por analisar asrelações entre cidades. Esta escolha terá con-seqüências importantes sobre os processosque se pretende estudar espacialmente. Nestaescala pode-se traçar, por exemplo, os cami-nhos do cólera no Brasil, sua introdução e di-fusão em regiões do país. Numa escala local(1:10.000) a incidência de cólera pode revelarvariáveis ligadas ao ambiente e habitação. Ofamoso mapa de Snow permitiu a identificaçãode populações de risco e forneceu pistas paradesvendar o modo de transmissão da doença.Como se transmite o cólera, em quais residên-cias as pessoas têm maior risco de contrair có-lera, em quais regiões o cólera se desenvolvecom maiores taxas? São perguntas diferentesque terão respostas diferentes devido às unida-des de análise escolhidas. A primeira questãonão pode ser resolvida pelo geoprocessamen-to, enquanto as demais encontram nele um po-deroso instrumento de análise. Além de restringir sua abrangência, a esca-la de análise condiciona os estudos em saúdeambiental, fornecendo maior ou menor peso afatores sociais, ambientais e econômicos. Se-gundo Lacoste (1988), cada escala evidenciaum conteúdo próprio do território enfocado.Nas palavras de Dollfus (1975), uma mudançade escala “implica uma alteração de fenôme-nos, alteração esta não apenas nas proporçõesdestes fenômenos como também em sua natu-reza”. Isto se dá exatamente porque de uma pa-ra outra escala mudam as unidades geográfi-cas. Bairros, cidades e países possuem organi-zações internas diferentes, o que conduz a aná-lise para campos do conhecimento que melhoras expliquem. Desta maneira, as respostas aquestões acerca dos padrões de distribuiçãoespacial de agravos à saúde podem variar deacordo com a escala adotada. Um exemplo dis-so é a verificação da alta mortalidade por aci-dentes de trânsito em áreas da periferia da Re-gião Metropolitana de São Paulo (Stephens etal., 1994). Neste caso, este agravo está relacio-nado à pobreza, através das condições de in-fra-estrutura urbana e de acesso a formas maisou menos seguras de transporte. Na escala na-cional, é razoável supor que a mesma mortali-dade por acidentes de trânsito esteja indireta-mente associada à riqueza, através do aumen-

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