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Exame Nacional de História chamada 03/07/2003
TEMA 12: TENSÕES POLÍTICAS E EQUILÍBRIOS ESTRATÉGICOS DASEGUNDA GUERRA MUNDIAL AOS NOSSOS DIAS
O AFRONTAMENTO BIPOLAR DO PÓS-GUERRA (1945-1954)
Sumariar as decisões das conferências de Ialta e Potsdam.Ialta (Fevereiro 1945):
 
Estabelecimento da convocação de uma conferência preparatória da Organização das Nações Unidas;
Estabelecimento da divisão provisória da Alemanha em quatro áreas de ocupação, geridas pelas 3 potênciasconferencistas e pela França;
Fixação das fronteiras da Polónia seguindo a linha dos rios Óder e Neisse, perdendo parte do seu território para a URSS, mas recebendo da Alemanha a Prússia Oriental;
Estipulação do supervisionamento dos “três grandes” na futura constituição dos governos dos países deLeste (ocupados pelo Eixo), com base no respeito da vontade política das populações;
Reconhecimento de Tito como legítimo governador da Jugoslávia;
Estabelecimento da quantia de 20.000 milhões de dólares a pagar por parte da Alemanha, como base dereparações da guerra;
Divisão da Coreia em duas zonas de influência:
O Norte, com o apoio da URSS;
O Sul, com o apoio dos EUA;
Potsdam (Julho de 1945)
(após a capitulação da Alemanha):
Ratificação das decisões da Conferência de Ialta;
Criação de um Tribunal internacional para julgar os criminosos de guerra (Tribunal de Nuremberga);
Perda provisória de soberania da Alemanha e sua divisão em áreas de ocupação;
Aplicação de um estatuto especial à cidade de Berlim (que embora ficando na zona soviética, foi divididatambém em zonas de influência);
Divisão, ocupação e desnazificação da Áustria.
Identificar os objectivos que presidiram à criação da ONU.
Manter a paz e reprimir os actos de agressão, utilizando, tanto quanto possível, meios pacíficos, de acordocom os princípios da justiça e do direito internacional;
Desenvolver relações de amizade entre os países do Mundo, baseadas na igualdade entre os povos e no seudireito à autodeterminação (condenação do colonialismo);
Desenvolver a cooperação internacional no âmbito económico, social, e cultural e promover a defesa dosDireitos Humanos (Declaração Universal dos Direitos Humanos – 1948);
Funcionar como centro harmonizador das acções tomadas para alcançar estes propósitos.
Relacionar a extensão da influência soviética na Europa de Leste com a ruptura entre os antigosaliados.
Entre 1945 e 1949, a influência da União Soviética estende-se à Polónia, à Roménia, à Bulgária, à Jugoslávia(que rompe com a URSS em 1948), à Albânia (que rompe com a URSS entre 1961 e 1968), à Hungria, àChecoslováquia, e à RDA.Em Março de 1946, Churchill, num discurso que faz na Universidade de Fulton (Missouri), denuncia a criação por parte da União Soviética de uma “Cortina de Ferro” que se estende “de Stettin no Báltico, a Trieste noAdriático”, por trás da qual se encontram todas as capitais dos antigos estados da Europa Central e de Leste.A ruptura entre os antigos aliados não é ainda formal, pois continuam os julgamentos de Nuremberga, asconversações com vista nos tratados de paz e a cooperação (pelo menos formal) na Alemanha ocupada. Noentanto, os EUA pressionados pelo clima de tensão e desconfiança, vão abandonar a sua tradicional postura denão interferência e isolacionismo, que os levara a não participar na Sociedade das Nações no pós 1ª GuerraMundial: um ano após o discurso célebre de Churchill, o presidente Truman alarga a cisão europeia ao mundo,que considera dividido em dois sistemas antagónicos – um baseia-se na liberdade, o outro na opressão. Aosamericanos compete, perante o enfraquecimento da Europa, liderar o mundo livre e auxiliá-la na contenção docomunismo – 
containment 
, a famosa doutrina Truman, na qual se pode inserir o Plano Marshall, um enorme plano de ajuda económica oferecido a toda a Europa, que aí injectou cerca de 13.000 milhões de dólares para queesta não caísse nas mãos soviéticas.O Plano Marshall afasta ainda mais os EUA da URSS, que, por sua vez, responde com o Plano Molotov, a fimde evitar que os países sob o seu domínio caiam na “manobra imperialista” dos americanos; e é no âmbito desse plano que se cria, em 1949, o COMECON, uma instituição destinada a promover o desenvolvimento integradodos países comunistas sob a égide da União Soviética.
Analisar a oposição entre o modelo capitalista e o modelo comunista.1
 
Exame Nacional de História chamada 03/07/2003
A concepção liberal alicerçava-se na separação de poderes, no multipartidarismo, no governo representativo.Defendia uma cidadania activa estimulada pela liberdade de expressão, de imprensa e de associação. Fomentavaa livre iniciativa económica e a concorrência. Reservava ao Estado um papel secundário, acreditando que odinamismo de uma sociedade formada por homens verdadeiramente livres supria, com vantagem, aomnipresença do Poder central.A ideologia socialista visava, igualmente, a felicidade e a dignidade do Homem, enveredando por caminhosopostos. Nesta concepção, a liberdade capitalista era um mito que, na prática, resultava na exploração e opressãodos mais desfavorecidos. A verdadeira democracia residia na justiça social e esta pressupunha a igualdadeeconómica de uma sociedade sem classes, que só o fim da propriedade privada e a centralização da economia podiam assegurar.Garante de uma ordem nova e de um sistema mais equitativo, o Estado socialista, expressão dos interessescomuns, sobrepõe-se ao indivíduo, arrogando-se o direito de reprimir todas as dissidências e todos os elementos perturbadores.
Aplicar os conceitos de bipolarismo
(1)
e guerra fria
(2)
à geopolítica mundial entre 1947 e 1954.
1947 marca o início deste período chamado Guerra Fria, com as doutrinas Truman e Jdanov, durante o qual o bipolarismo se fez sentir com toda a força. No centro da discórdia entre as duas superpotências estava o problema alemão. A Alemanha estava divididaem quatro zonas de ocupação e a capital, Berlim, em quatro sectores distintos, cada qual ocupado por um dos países vencedores da guerra (Inglaterra, França, URSS e EUA).A expansão do comunismo no primeiro ano da paz fez com que os ingleses e os americanos olhassem para aAlemanha não como um inimigo derrotado, mas sim, como um aliado imprescindível à contenção do avançosoviético, tendo-se tornado uma prioridade para os americanos o renascimento alemão.É neste contexto que os dois países anglófonos decidem fundir a economia das duas zonas que os dois paísestutelavam, criando uma
bizona
coordenada por um Conselho Económico, que não tardou a transformar-se numautêntico parlamento de representação partidária, intensificando-se os esforços de ali criar uma república federal,visto que qualquer acordo sobre aquele problema seria impossível com a URSS.Em 1948, foi autorizada a convocação de uma Assembleia Constituinte com o fim de elaborar a leifundamental do novo Estado e dias depois procedeu-se à criação de um sistema monetário próprio, apesar detodos os protestos dos russos, que se intensificaram ainda mais quando souberam que as medidas em cursoafectariam também a zona ocidental de Berlim.Como retaliação a estas iniciativas, os soviéticos decidem o corte completo de todas as vias de ligação terrestreentre a Alemanha Ocidental e Berlim. Com esta nova situação os sectores francês, inglês e americano tornaram-se num ilha isolada em território hostil. Depois de alguns dias de intenso dramatismo, em que se pôs mesmo ahipótese de uma nova guerra, o presidente Truman decide abastecer a cidade através de uma ponte aérea.Embora as 13.000 toneladas diárias de alimentos, medicamentos e combustível não tenham evitado privações e oracionamento, permitiram a Berlim Ocidental resistir ao bloqueio. Convencido mais tarde da sua inutilidade,Estaline aceita a “derrota” e negoceia com os EUA o restabelecimento das vias de comunicação.Este bloqueio inaugurou uma época de grande tensão entre as duas superpotências e ditou a integração daRepública Federal Alemã (RFA), pró-ocidental, no Plano Marshall e na NATO, e a da República DemocráticaAlemã, na esfera soviética, tendo-se baixado entre elas a “cortina de ferro”.O afrontamento entre as duas superpotências arrastou o mundo atrás de si. Considerando que a sua segurançadependia não só da contenção do inimigo mas também do esforço das suas posições, os EUA e a URSS procuraram assegurar o maior número possível de adesões ao bloco que lideravam.O bloqueio de Berlim acelerou ainda mais as negociações entre EUA, Canadá e as nações da Europa Ocidentalna criação de uma aliança militar – o Tratado do Atlântico Norte (1949) que veio dar origem à Organização doTratado do Atlântico Norte (NATO), cujo pacto definia como objectivo “desenvolver a capacidade individual oucolectiva de resistir a um ataque armado”, que os soviéticos viam com um carácter agressivo, e como respostadirecta, a URSS concluiu com os seus aliados o Pacto de Varsóvia (1955), que é, no fundo, uma organizaçãosimétrica à NATO, sendo, no entanto, o potencial inimigo o Ocidente.Estas duas alianças foram as mais significativas do pós-guerra e são, normalmente, tomadas como símbolo de bipolarização do Mundo. A geopolítica mundial organizou-se em dois blocos antagónicos, sem lugar para umaterceira força, tornando-se muito difícil para qualquer país manter-se neutro face às pressões de toda a ordemdesenvolvidas de um ou de outro lado.Os EUA, sobretudo, lançaram-se numa autêntica “pactomania”, firmando, para além da NATO, aliançasmultilaterais por todo mundo, sendo que, cerca de 1959, três quartas partes do Mundo alinhavam, de uma formaou de outra, pelo bloco americano.A URSS não constitui um leque tão vasto de alianças, orientando os seus esforços mais para o auxílio aosmovimentos comunistas dos países asiáticos. Em meados dos anos 50, o mundo comunista estendia-se por umavasta mancha que, para além da URSS e da Europa de Leste, englobava a Mongólia, a Coreia do Norte, oVietname do Norte e a China, entre os quais se estabeleceram, igualmente, tratados de cooperação e amizade.
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Com estas políticas de alianças, havia que manter a coesão dos respectivos blocos, sendo que, à URSS e aosEUA reservava-se o direito de reprimir pela força as tentativas de abandono de algum Estado-membro. Assim seexplica, a intervenção soviética na Hungria (1956) e na Checoslováquia (1968), assim como o envio de forçasamericanas para a Guatemala (1954), para Cuba (1960-62) ou para a República Dominicana (1965).Para além da estratégia das alianças, havia a estratégia do armamento. O lançamento das bombas atómicas noJapão acabou sim com o terrível flagelo que foi a II Guerra Mundial mas iniciou uma era de terror. No início só os americanos possuíam o segredo da bomba atómica, desenvolvida no segredo do ProjectoManhattan, mas, quando, em 1949, os russos fizeram explodir a sua primeira bomba atómica, a confiança doOcidente desmoronou-se. De imediato os cientistas americanos começaram a trabalhar, e já em 1952 se testavano Pacífico a bomba de hidrogénio (bomba H), mil vezes mais potente que a bomba de Hiroshima. Tinhacomeçado a corrida ao armamento. No ano seguinte, já os russos tinham a bomba H e o ciclo reiniciou-se,levando as duas superpotências à produção maciça de armas nucleares.Esta estratégia obrigava ao dispêndio constante de enormes somas em pesquisa e armamento de forma a evitar a supremacia do lado contrário, sendo que, em 1952, a URSS gastava, em despesas militares, 80% do orçamentodo Estado. Era o “equilíbrio instável do terror”, nas palavras de Churchill, um dos traços mais salientes da guerrafria.O afrontamento bipolar do pós-guerra prolongou-se até aos finais dos anos 80, altura em que o bloco soviéticose desmoronou, tendo atingido o seu ponto máximo entre 1947 e 1955, período ao qual chamamos guerra fria,termo que ficou popular entre os jornalistas norte-americanos para designar o clima de terror e hostilidade que sehavia apoderado das relações internacionais; as batalhas davam-se nos jornais, nos laboratórios...a verdadeiraguerra parecia iminente.O poder destrutivo das novas armas introduziu na política mundial uma característica nova: a dissuasão, que serevelava na tentativa de persuasão por parte de um bloco em relação ao outro, dizendo que não hesitaria em usar o seu armamento nuclear. No entanto, ambas as superpotências tinham consciência das consequências que issotraria. Portanto, evitavam o confronto directo, remetendo as acções armadas para os conflitos localizados, ondeapoiariam a facção que se identificasse mais com os seus ideais. Daí que, ao longo da “cortina de ferro”, onde atensão teoricamente seria maior, a guerra fria nunca tenha degenerado em guerra declarada.O mundo dividia-se em os maus e os bons. Esta visão maniqueísta dos dois sistemas era atiçada por umagigantesco aparelho de propaganda que inculcava nas populações a ideia de superioridade do seu sistema e arejeição e o temor do lado contrário, ao qual atribuíam as intenções mais sinistras e os planos mais diabólicos.É neste contexto que os servos de informão e seguraa (CIA e KGB) ganham um crescente protagonismo, e o mundo de espiões e agentes secretos alimenta o clima de suspeita, de intolerância e defanatismo que varreu o mundo nos anos da guerra fria.A IRRADIAÇÃO DA GUERRA FRIAA guerra fria inicialmente centrou-se em torno do problema alemão, mas com a delimitação do espaço deinfluência de cada superpotência, essa vai adquiriu um caris mundial com os conflitos que proliferaram nos países pobres do Terceiro Mundo.
O conflito israelo-árabe
Desde há muitos séculos dispersos pelo mundo, os judeus nunca perderam a esperança de regressar à TerraPrometida. No entanto, só com a publicação da obra “O Estado Judaico”, em finais do séc. XIX, por Theodor Herzl, é que o desejo de regressar a Sião (refere-se a Jerusalém) – e daí o termo sionismo (movimento político-religioso com o objectivo de criar um Estado hebraico na Palestina) ganhou consistência. O movimento foiigualmente ajudado pela alargada receptividade internacional que se fez sentir após à 2ª Guerra Mundial, após asatrocidades cometidas em relação ao povo judeu. No entanto, a criação de um Estado judaico na Palestina era rejeitada por todo o mundo árabe, que nãoaceitava perder território que lhes pertencia há séculos como reparação por um genocídio pelo qual não eramresponsáveis.Os judeus movimentam-se para a Palestina, enveredando numa luta contra o poder britânico lá instalado. Aoser colocado o problema nas mãos da ONU, esta apresenta um projecto de fragmentar a Palestina em doisEstados – um árabe e outro judeu –, o que uniu, de imediato, os países muçulmanos contra o projecto, até porquea ONU reservava 55% do território para os judeus, quando não excediam 30% da população local.A 14 de Maio de 1947 é proclamado o Estado de Israel, e logo no dia seguinte se dá uma invasão pelos paísesárabes. A guerra israelo-árabe tinha começado.Mas a força dos israelitas era bem mais superior e, ao fim de oito meses, os árabes, vencidos, assinaram oarmistício, aumentando Israel para 78% do território palestiniano.Aqui surge o problema dos refugiados: milhares fogem da ocupação israelita, em direcção aos Estados árabesvizinhos, mas em 1949, mais de meio milhão de fugitivos estavam em campos de refugiados no meio dasmaiores privações. E apesar dos avisos da ONU, Israel não lhes permitiu o regresso, privando-os até dacidadania e confiscando-lhes os bens.
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