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1. Contexto político (Atenas, séc. V)
O período que decorreu entre 450 a 400 a.C. constituiu operíodo glorioso da grande Atenas: ocorreram mudanças políticas esociais profundas com uma actividade intelectual e artística intensa.No séc. V a.C., Atenas foi, na realidade, a maior das cidades-estados gregas. No auge do seu poderio e esplendor, deve ter tidouma população total de aproximadamente 300 000 habitantes. Estacidade deu ao mundo, no espaço de poucas décadas, parte do que háde melhor no campo da arte, como por exemplo, as esculturas deFídias e o esplendor do Partenon e também no campo da produçãointelectual.Após a crise da tirania, no séc. VI a.C., a maioria das cidadesgregas, sobretudo Atenas, animaram-se de uma vida políticaextraordinariamente intensa. O exercício do poder e a gestão dosnegócios públicos tornaram-se a ocupação fundamental, mais nobre emais apreciada do homem grego, que era o objectivo da suaambição.Os antigos atenienses eram pessoas muito práticas: obtinhamdinheiro com facilidade, tinham bons engenheiros, estavam bemequipados em termosmilitares e navais. Paraeles a filosofia e a procurado conhecimento e daverdade como um fim em simesmos, era vista comouma actividade vã edesnecessária à existênciahumana.No entanto, com a vitória sobre os Persas, Atenas enriqueceextraordinariamente e a população começa a interessar-se por outrosassuntos e a aproveitar os tempos de verdadeira prosperidade que seviviam na altura. A arte, o teatro, a poesia, a música e a filosofiacomeçaram a ter lugar na vida dos atenienses. Graças aodesenvolvimento económico, Atenas estabelece cada vez maiscontactos com outros povos, gentes e raças.Homens de letras, artes e ciências provenientes de váriasregiões vinham a Atenas e aí permaneciam em intensa troca desaberes, numa animada circulação de ideias. Poetas, pintores,escultores, arquitectos, cientistas, filósofos, advogados e políticos,reuniam-se e trocavam impressões entre si e com a comunidadeateniense.
Templo Grego
 
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2. O papel da palavra na Atenas democrática
Numa altura em que a política era a ocupação fundamental doscidadãos e em que era cada vez mais importante a escolha daspessoas adequadas para gerir a cidade, a palavra revela-se de grandeimportância. Era frequente, argumentar-se tanto em particular comoem público. O homem eficaz era aquele que se impunha aoadversário, diante de um júri ou perante os juízes, enquanto osoradores hábeis podiam, como os tiranos, fazer com que secondenasse à morte, à confiscação ou ao exílio de quem lhesdesagradasse.Após a constituição de Clístenes, todosos habitantes livres da Ática foram admitidosà cidadania e passaram a poder exercerfunções nos tribunais populares ou naassembleia. Muitos funcionários eramescolhidos por sorte e a assembleia populartinha enormes poderes, entre os quais, opoder de ostracismo (poder do banimento),por voto secreto, de qualquer cidadãoconsiderado perigoso ao bem-estar público.A faculdade oratória reside na capacidade de dizer o que sepretende de uma forma eloquente e bem fundamentada. No estadodemocrático, as assembleias públicas e a liberdade da palavratornaram indispensáveis os dotes oratórios, convertendo-os até numaimportante arma colocada nas mãos do homem do Estado.Foi neste contexto democrático, onde o interesse público eradefendido pela palavra, que os sofistas surgiram. Assim, os sofistasforam sendo cada vez mais necessários. Aquilo que se propunhamfazer foi, aos poucos, sendo visto como a resolução dos problemasdaqueles que queriam triunfar, ser ouvidos e adquirir influênciapública.
Templo Grego
 
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3. O modelo educativo anterior ao aparecimentodos Sofistas
O modelo educativo que existia em Atenas antes doaparecimento dos sofistas, por volta do séc. V a.C., era a Paideia.Inicialmente esta palavra significava “criação dos meninos”, mas como passar do tempo sofreu alterações no campo semântico e na suanomenclatura.O primeiro nome que se atribuiu à Paideia foi Arete. Éentendida como uma qualidade própria da nobreza, que secaracteriza por um conjunto de qualidades físicas, espirituais emorais tais como a bravura, a coragem, a força, a destreza, aeloquência e a capacidade de persuasão.Nos finais da época arcaica, a palavra Arete caiu em desuso epassou-se a usar a palavra Kaloskagathia. Este novo significadopretende alcançar a excelência física e moral e o homem deveprocurar realizar os atributos beleza e bondade. Para alcançar esteideal é proposto um programa educativo que implica dois elementosfundamentais: a ginástica para o desenvolvimento do corpo, e amúsica para o desenvolvimento da alma. No fim da época arcaica,este programa educativo completava-se com a gramática.Mas, se até então o objectivo fundamental da educação era aformação do homem individual como kaloskagathos, a partir doséculo V a. C., exige-se algo mais da educação. Para além de formaro homem, a educação deve ainda formar ocidadão. A antiga educação, baseada naginástica, na música e na gramática deixade ser suficiente. Este modelo educativofoi alterado pelos sofistas. Eles afirmavamque a educação não estava completa coma Paideia, sendo necessário que os jovens adquirissem determinadosconhecimentos ou capacidades que eles afirmavam estar aptos aensinar em troca de dinheiro.Já não era suficiente a honra e glória dos tempos homéricos,mas era preciso alcançar a excelência tanto a nível moral como anível físico. Assim os sofistas proclamam-se professores da aretépolítica e o seu objectivo era ensinar a melhor forma de alcançar opoder e a melhor maneira de triunfar nesse domínio.
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