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Princípios de Direito Urbanístico - artigo-revista

Princípios de Direito Urbanístico - artigo-revista

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Published by Élisson Prieto
Artigo publicado na Revista do Curso de Direito da Universidade Federal de Uberlândia, v. 31, em 2003.
Artigo publicado na Revista do Curso de Direito da Universidade Federal de Uberlândia, v. 31, em 2003.

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05/11/2014

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Revista do Curso de Direito da Universidade Federal de Uberlândia, v. 31, p. 237-268, 2003.
PRINCÍPIOS DE DIREITO URBANÍSTICOÉlisson Cesar Prieto
estudante do 5º ano de Direito1. Introdução; 2. Cidade e Município; 3. Urbanização e Urbanificação; 4. Urbanismo; 5. Conceito do DireitoUrbanístico; 6. Posição do Direito Urbanístico; 7. Princípios de Direito Urbanístico; 8. Função Social da Propriedade; 9. Planejamento Urbano; 10. Funções Sociais da Cidade; 11. Considerações Finais; 12. Referências Bibliográficas.
1. Introdução
Este artigo introduz algumas noções sobre este tema jurídico atual, o Direito Urbanístico,objetivando sensibilizar os leitores para a importância do seu estudo, sobretudo, neste momento, emque normatizações têm sido editadas pelo Poder Público para ordenar as nossas cidades.Preambularmente, necessário se faz um breve escorço introdutório. As cidades modernas,como hoje conhecemos, passaram por intensas transformações em decorrência do fenômeno daurbanização, que, ao preço do progresso, trouxeram problemas sociais e estruturais muito grandes. No Brasil, durante os últimos 50 anos, o crescimento urbano transformou e inverteu a distribuiçãoda população no espaço geográfico. Em 1945, a população urbana representava 25% da populaçãototal de 45 milhões. No início de 2000, a proporção de urbanização chegou a 82% do total de 169milhões.
1
 Essas recentes transformões das cidades experimentadas pela sociedade brasileiradestacaram as tensões sociais ocasionadas pela flagrante desigualdade social, como o apartheidsocial, o desemprego, a falta de infra-estrutura adequada de moradia, saneamento sico etransporte e o afastamento da população dos direitos sociais como educação, saúde e segurança.As cidades, como lugar privilegiado destes e outros conflitos e contradições, são atualmenteobjetos de intensas discussões e iniciativas em todos os níveis da sociedade civil e do Estado. OMunicípio é por excelência, o
locus
de solução dos problemas urbanos
2
e como era de se esperar,nas Casas Legislativas Municipais, ou a partir das esferas executivas, têm sido feitas várias propostas que atingem, em cheio, a vida das cidades.Essas propostas jurídicas buscam, na maioria das vezes, transformar o meio urbano paramelhorar os aparelhos estruturais (construções, obras), sem lidar diretamente com a solução dos problemas de desigualdade social. Isso ocorre porque tal tema em discussão é muito novo no ramo jurídico e só tem tido relevância junto a áreas ligadas à Geografia e Arquitetura e Urbanismo,estando ainda muito incipiente dentro da pesquisa do Direito e carente de aplicabilidade dos seus princípios para o saneamento das deficiências produzidas pela inércia dos poderes públicos. No ordenamento jurídico brasileiro, apesar de, há tempos, existirem normas de regulação da propriedade, do uso e ocupação do solo, do sistema viário e outros, somente com o processo dedemocratização do país, que alavancou o surgimento de movimentos sociais em defesa da ReformaUrbana, é que o Direito Urbanístico ganhou importância suficiente para fazer parte da seara política. Na Assembléia Nacional Constituinte, com a apresentação da Emenda Popular da ReformaUrbana e a pressão dos movimentos populares, principalmente aqueles ligados ao direito à moradia,foi possível destacar um capítulo do nosso ordenamento maior para a Política Urbana.
1
RATTNER, Henrique.
 Prefácio à obra ‘A duração das cidades’ 
, p. 9.
2
INSTITUTO PÓLIS e outros.
 Estatuto da Cidade – Guia (...)
, p. 16.
 
Revista do Curso de Direito da Universidade Federal de Uberlândia, v. 31, p. 237-268, 2003.
 O avanço obtido foi grande, entretanto, a quase totalidade dos instrumentos urbanísticos previstos na Constituição dependiam do estabelecimento de uma norma geral por lei específica – Lei Federal de Desenvolvimento Urbano – que veio a ser aprovada e sancionada quase treze anosdepois da CF/88, a Lei 10.257 de 10.07.2001, conhecida como Estatuto da Cidade.A nova lei urbanística, originou-se de um projeto de lei (n.º 5.788/90) apresentado pelo ex-Senador Pompeu de Souza. No mesmo período tramitaram vários outros projetos com o mesmointuito de regulamentar os artigos 182 e 183 da Constituição de 1988, porém, o PL 5.788/90,tornou-se referência por ter sido aprovado no Senado Federal em 1990. Por mais de dez anos, oEstatuto da Cidade tramitou na Câmara dos Deputados, tendo recebido inúmeras emendas, muitasdelas com a participação de entidades civis organizadas que atuam no ramo urbanístico e sofrendovárias alterações que originassem o texto final aprovado recentemente
3
.Com a vigência do Estatuto da Cidade, aguarda-se com grande expectativa a implementaçãode um direito à cidade para garantir um desenvolvimento urbano que possa reduzir as desigualdadessociais e promover a justiça social e a melhoria da qualidade de vida urbana. É verdade que, se a população não tem acesso à moradia, transporte público, saneamento, cultura, lazer, segurança,educação, saúde, é impossível postular a defesa de que essa cidade esteja atendendo à sua missãosocial, preconizada no ordenamento jurídico vigente.
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E é justamente essa idéia que se pretendeinstigar nos leitores com esse artigo.
2. Cidade e Município
Antes de qualquer estudo sobre o urbanismo, é essencial definir o seu objeto. Daí anecessidade de apresentar a cidade, em seus conceitos e abrangência, para, depois aprofundar odebate sobre as questões relativas aos princípios do Direito Urbanístico.Urbanismo vem do latim
urbs
que significa cidade, daí os conceitos de urbanismo e decidade estarem estreitamente ligados. Segundo De Plácido e Silva, em
Vocabulário Jurídico
, cidade“vem do
civitas
latino, com significado muito mais amplo do que aquele em que é tido pela técnica-administrativa. Nesta, com melhor razão, adotou-se o sentido de
urbs
, também como tradução decidade”.
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Apesar das primeiras cidades terem se desenvolvido por volta do ano 3500 a.C., na antigaMesopotâmia, somente na primeira metade do século XIX, em decorrência da Revolução Industrial,é que apareceu o fenômeno da urbanização, característico das cidades como conhecemos.As cidades modernas caracterizam-se por agregarem atividades comerciais e industriais,estabelecendo uma diferenciação com o espaço rural, onde a atividade predominante é a agrícola.José Afonso da Silva assevera que nas cidades devem estar presentes quatro requisitos: “1-densidade demográfica específica; 2- profissões urbanas como comércio e manufaturas, comsuficiente diversificação; 3- economia urbana permanente, com relações especiais com o meio rural;4- existência de camada urbana com produção, consumo e direitos próprios”.
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Raquel Rolnik buscou expressar a cidade como a realidade de vários espaços, percebendo-a,ao mesmo tempo, como cidade-imã, que atrai as pessoas com a oferta de trabalho e moradia; comocidade-escrita que traduz símbolos e formas em estruturas arquitetônicas (construções); cidadecomo ‘civitas’ ou cidade-política, porque da vida urbana emerge necessariamente uma vida públicacoletiva, da qual decorre a organização política-administrativa (poder) e; como cidade-mercado,
3
SAULE JÚNIOR, Nelson.
 Novas Perspectivas do Direito Urbanístico Brasileiro (...)
, p. 171/172.
4
SAULE JÚNIOR, Nelson.
 Novas Perspectivas do Direito Urbanístico Brasileiro (...)
, p. 61.
5
SILVA, De Plácido e.
Vocabulário Jurídico
, p. 169.
6
SILVA, José Afonso da.
 Direito Urbanístico Brasileiro
, p. 19.
 
Revista do Curso de Direito da Universidade Federal de Uberlândia, v. 31, p. 237-268, 2003.
  porque esta surge, historicamente, do excedente de produção que deve ser trocado, tornando-acentro de produção e consumo.
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Relevante ainda, principalmente para o direito, distinguir os termos Cidade e Município. “Acidade compreende o que, vulgarmente, se diz de perímetro urbano, não se estendendo, pois, a seusarredores rurais e términos, melhormente compreendidos na jurisdição municipal, não citadina. Daíse infere a distinção da cidade e do município. Onde termina a zona urbana termina a cidade. OMunicípio é o todo que compreende a cidade, a zona suburbana e a zona rural, sob sua jurisdição,ou intendência”.
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  No Brasil, há também uma relação jurídica entre ambas, uma vez que a cidadeestá caracterizada como sede do governo municipal.
3. Urbanização e Urbanificação
A caracterização do modelo de cidade como é hoje conhecido só foi possível em decorrênciado fenômeno da urbanização, que é o processo no qual a população dos centros urbanos cresce em proporção superior à população rural. Trata-se, portanto, de um fenômeno de concentração de pessoas.
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O fenômeno da urbanização ocorreu na Europa a partir do ressurgimento do comércio noséculo XVI, acentuando-se com a Revolução Industrial e que rapidamente se estendeu por todo omundo, levando as cidades a tornarem-se os maiores aglomerados populacionais.Com a urbanização, surgiram problemas no espaço habitado como a falta de saneamento básico, falta de moradias, surgimento do desemprego, utilização do solo e subsolo de formairracional, principalmente, devido a dois fatores: a vinda de população do meio rural que via nacidade a possibilidade de ascensão social não obtida com a atividade agrícola e a falta de planejamento desse desenvolvimento urbano.É diante desse quadro de agonia das cidades, quer surge a urbanificação, entendida justamente como o conjunto de medidas que procuram transformar o espaço, corrigindo os problemas surgidos com a urbanização. O termo foi utilizado por Gaston Bardet
para advertir quea urbanização era o mal e a urbanificação o redio. Toshio Mukai asseverou também anecessidade de proceder às medidas técnicas e políticas de urbanificações, para tornar a urbanizaçãodesordenada em algo disciplinado e conformado a uma existência digna do homem.
O aumento dos problemas estruturais e sociais das cidades decorridos da urbanizaçãodesordenada e a demanda por medidas de urbanificação fizeram necessários que os conceitosadotassem uma metodologia mais científica, fazendo surgir os primeiros estudos do urbanismo.
4. Urbanismo
Os problemas criados pela urbanização, que necessitavam serem corrigidos por medidas deurbanificação, originaram um conjunto de planos e políticas técnicos e científicos, conhecido comourbanismo.A fim de disciplinar as massas que traziam problemas devido a sua concentração em certos pontos do espaço, uma nova ciência de aplicação eclodiu, a ciência da organização das massas
7
ROLNIK, Raquel.
O que é Cidade
, p. 13 a 29.
8
SILVA, De Plácido e.
Vocabulário Jurídico
, p. 169.
9
SILVA, José Afonso da.
 Direito Urbanístico Brasileiro
, p. 21.
10
BARDET, Gastón.
O Urbanismo
, p. 7, nota 2.
11
MUKAI, Toshio.
Curso de Direito Urbano-Ambiental 
, p. 48.

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