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análise crítica de dom casmurro e quincas borba

análise crítica de dom casmurro e quincas borba

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RESUMO DE DOM CASMURRO, Machado de Assis.- (resumo)
Dom Casmurro foi publicado em 1900 e é um dos romances mais conhecidos deMachado. Narra em primeira pessoa a história de Bentinho que, por circunstâncias várias, vai sefechando em si mesmo e passa a ser conhecido como Dom Casmurro. Órfão de pai, criado comdesvelo pela mãe, Dona Glória, protegido do mundo pelo círculo doméstico e familiar (tiaJustina, tio Cosme, José Dias), Bentinho é destinado à vida eclesiástica, em cumprimento a umaantiga promessa da mãe.A importância da imaginação na sua personalidade influenciou-o por toda vida. Na puberdade chega quase na obsessão sexual. Quando o ciúme começa a abrir em sua alma as primeiras feridas, sua reação é quase histérica.O Bentinho evocado por Dom Casmurro tem dois sinais: sexualidade tardia e predomínio da fantasia sobre a realidade. A presença dessa neurose foi o terreno onde medraramas flores doentias do ciúme.Bentinho, fisgado de “puro ciúme” sequer procurava esclarecer as dúvidas quanto asatitudes de Capitu. A imaginação continuava a correr e com ela corre o ciumento. No capítulo LXXII, retoma-se a tragédia de Shakespeare, Otelo, para a preposição deuma reforma dramática, entretanto, na reconstrução do seu drama memorialista preferia ocaminho tradicional.Dom Casmurro não ousa deixar as coisas “em pratos limpos”, quase a ansiedade chega por vezes ao 1paroxismo de uma crise de nervos, com impulsos agressivos contra Capitu. No capítulo CXIII, o narrador começa a direcionar suas suspeitas à Capitu, que não quisacompanhar o marido ao teatro em razão de uma indisposição. Bentinho vai só, mas volta paracasa no final do primeiro ato e encontra Escobar no corredor de sua casa. O episódio e tratadocom fria ironia , levando o leitor as mais variadas interpretações sugeridas pela coincidênciaentre o mal-estar de Capitu e a visita não anunciada do amigo.“Dúvida sobre dúvida” (cap. CXV) é o saldo da visita de Escobar . Na conversa que sesegue o assunto são as dúvidas e recomenda D. Casmurro que era ele um poço delas , coaxavamdentro dele como verdadeiras rãs.A necessidade do delírio, associada a perturbação do sono , configura a fase que os psiquiatras chamam de epofenia.A vida do seminário não o atrai, já de namoro com Capitu, filha dos vizinhos. Apesar decomprometida pela promessa, também D. Glória sofre com a idéia de separar-se do filho único,interno no seminário. Por expediente de José Dias, agregado da família, Bentinho abandona oseminário e, em seu lugar, ordena-se um escravo.Correm os anos e com eles o amor de Bentinho e Capitu. Entre o namoro e o casamento,Bentinho se forma em Direito e estreita sua amizade com um ex-colega de seminário, Escobar,que acaba se casando com Sancha, amiga de Capitu.José Dias chama Ezequiel de “filho do homem” e isso irrita Capitu. Essa tenta corrigir omodo de andar do filho que imita José Dias e o modo de olhar que imita Escobar. Bentinhoacredita que as imitações de Ezequiel é uma prova de paternidade e não decorrente daconvivência.Os dois casais, Bentinho e Capitu, Escobar e Sancha, planejam uma viagem paraEuropa, porém tal viagem não ocorre, pois, Escobar morre tragicamente. Nesse momento da obra, o ciúme se instaura para sempre no coração de Bentinho. Ofato determinante surgiu nos momentos que precederam o enterro, quando a viúva é amparada por Capitu, que parecia vencer a si mesma.O olhar fixo de Capitu para o defunto, leva Bentinho a uma interpretação exorbitante.Suas dúvidas tornam-se agora firmes e certas , já alimentando a sede de vingança.A partir da morte de Escobar, Bentinho anda aborrecido, mergulha de vez namelancolia. E começa a fazer projetos de suicídio. A paranóia do ciúme se incorpora de talforma que ele passa a tratar sua mulher com aspereza e toma o filho para transformá-lo emdocumento de traição.Ezequiel é afastado para um colégio da Lapa, no entanto, esse afastamento não diminuide Bentinho a idéia do suicídio. Certo dia, quando esperava o café D. Casmurro pensou emmatar-se ; chega a derramar o veneno na xícara , tremendo , com “os olhos vagos à memória em
 
Desdêmona inocente”. A presença de Ezequiel corta-lhe o impulso suicida e surge comviolência o desejo de liquidar o filho. Dom Casmurro, por um momento acreditou-se vítima deuma grande ilusão, a volta de Ezequiel lança-o novamente ao mundo de seus fantasmas.Santiago isola Capitu e o filho na Suíça. Capitu morre. O primeiro e único amor estavamorto e enterrado, mas o ciúme não: ressurgia na figura do filho que de volta de uma dasviagens o visitara inesperadamente. Bentinho constata as semelhanças entre o filho e o antigocolega de seminário. Ezequiel volta a viajar e morre no estrangeiro. Bentinho, cada vez maisfechado em suas dúvidas, passa a ser chamado de D. Casmurro pelos amigos e vizinhos e põe-sea escrever a história de sua vida: o romance em questão.
 Estudo e análise: Depois de um século, "Dom Casmurro"continua gerando polêmica.
Por: NELSON SOUZA
*
 Dom Casmurro, de Machado de Assis, é o romance mais famoso da literatura brasileira. Nestelivro está o talento de seu autor ao analisar psicologicamente seus personagens bem como acriação do clima de dúvida e ambigüidade quanto ao adultério de Capitu - uma das personagens da obra.
Publicado em 1899 em 148 capítulos (todos titulados e curtos) o romance é narrado em primeira pessoa. O Dr. Bento Santiago, familiarmente chamado Bentinho, relata a sua própria história a partir de um "flashback" da velhice para a infância, com o objetivo de
"atar as duas pontas davida, e restaurar na velhice a adolescência"
. Marcado para ser padre, pois sua mãe - DonaGlória tinha feito uma promessa: o filho seguiria a vida sacerdotal, Bentinho - órfão de pai -cresceu num ambiente típico de uma família burguesa: Tio Cosme, prima Justina e o agregadoJosé Dias. Entretanto o garoto não deseja ser padre e já aos quinze anos começa umrelacionamento com uma vizinha - Capitu (garota de 14 anos, de origem pobre, que vivia comos pais: Pádua e Fortunata). A convivência e as brincadeiras vão aproximando Bentinho eCapitu que de amigos passam a namorados. Os pais de Capitu posicionam-se favoravelmente aonamoro uma vez que vêem neste relaciona- mento uma forma de ascensão social; já donaGlória, alertada por José Dias, sente a promessa ameaçada; por isso coloca Bentinho noseminário. No seminário, Bentinho conhece Escobar, ficam amigos íntimos (os dois descobremafinidades - ambos estão no seminário sem vocação sacerdotal). Anos depois, Escobar abandonao seminário e dedica-se ao comércio, posteriormente Bentinho toma a mesma atitude e forma-seem Direito. Escobar casa-se com Sancha, amiga de Capitu, e Bentinho contrai matrimônio comCapitu, ratificando o namoro da adolescência. Assim a amizade dos dois pares solidifica: moram perto e tornam-se muito unidos. O casamento entre Bentinho e Capitu começa a entrar em crisea partir do nascimento do filho Ezequiel que apresenta uma semelhança física com Escobar oque induz Bentinho a imaginar que Capitu o traiu com o seu melhor amigo. Da constatação, Dr.Bento consome-se em ciúme, o tempo vai passando e Ezequiel fica cada vez mais parecido comEscobar o que dá a certeza de que o garoto não é seu filho. Passado algum tempo, Escobar morre afogado no mar. Ao observar no velório a reação de Capitu -
"ela olhou alguns instantespara o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumaslágrimas poucas e caladas"
. Bentinho chega a uma comprovação: houve o adultério; ele nãoconsegue suportar a" presença da mulher e do filho chegando até a pensar em matá-Io. Passa ocasal a ter uma vida conjugal de aparência: estão, de fato separados, porém convivem (observe asutil crítica machadiana à classe burguesa - relação hipócrita). É tentada uma reconciliaçãoatravés de uma viagem do casal à Europa, não dá certo, Bentinho volta; Capitu e Ezequiel permanecem na Suíça. Mais tarde Capitu morre sem ter revisto o marido. Já adulto, Ezequielretoma ao Brasil para visitar o pai que mais uma vez constata a semelhança física entre o filho eEscobar. Pouco depois Ezequiel morre no estrangeiro. Bentinho, cada vez mais Casmurro,fecha-se em sua dúvida. Agora, você decide:
Capitu - culpada ou inocente?
 
Conheça, a seguir, uma amostra da polêmica história da recepçãocritica de "Dom Casmurro" o "sobretudo em relação ao pontomais discutido do livro, a questão do adultério.
José Veríssimo
-"("Dom Casmurro" trata de) um homem inteligente, sem dúvida, mas simples,que desde rapazinho se deixa iludir pela moça que ainda menina amara, que o enfeitiçara com asua faceirice calculada, com a sua profunda ciência congênita de dissimulação, a quem ele sedera com todo ardor compatível com o seu temperamento pacato." ("História da LiteraturaBrasileira").
Lucia-Miguel Pereira
- "Capitu, se traiu o marido, foi culpada ou obedeceu a impulsos ehereditariedade ingovernáveis? É a pergunta que resume o livro. (...) Há a idéia central de saber se Capitu foi uma hipócrita ou uma vítima de impulsos instintivos. Em outras palavras, se podeser responsabilizada."("M.de Assis")
Augusto Meyer
-"Capitu é o melhor exemplo daquilo que Bentinho afirmava, a propósito de simesmo: 'Chega afazer suspeitar que a mentira é, uma vez, tão involuntária como a transpiração'.Capitu mente como transpira, por necessidade orgânica." ("Capitu", em "Textos Críticos").Antonio Cándido -"Dentro do universo machadiano, não importa muito que a convicçao deBento seja falsa ou verdadeira, porque a conseqüência é exatamente a mesma nos dois casos:imaginária ou real, ela destrói sua casa e a sua vida." ("Esquema de Machado de Assis", em'Vários Escritos").
Silviano Santiago
-"Os críticos estavam interessados em buscar a verdade sobre Capitu, ou aimpossibilidade de se ter a verdade sobre Capitu, quando a única verdade a ser buscada é a deDom Casmurro." ("Retórica da Verossimilhança", em "Uma Literatura nos Trópicos")
Antônio Cândido
-"Respeite-nos um dos dogmas da nossa literatura, que é o da maculadaconceição do filho de Capitu com Escobar. Cultuemos a sua infidelidade e não afastemos de nósa negra inveja que sentimos de Escobar" (Na Folha, em 12/10/1994).
Dalton Trevisan
-"Até você, cara - o enigma de Capitu? Essa, não: Capitu inocente? Começaque enigma não há: o livro, de 1900, foi publicado em vida do autor - e até sua morte, oito anosdepois, um único leitor ou critico negou o adultério?" (Na Folha, em 23/5/92).
Otto Lara Resende
-"Quem fica tiririca, e com toda a razão, com essa história mal contada, etão mal contada que desmente o próprio Machado de Assis, é o Dalton Trevisan (...) Dar oBentinho como o 'nosso Otelo' é pura fantasia. Bestialógico mesmo." (Na Folha. em08/01/1992).
 DOM CASMURRO - MACHADO DE ASSIS 
A TEMÁTICA
Em rigor o tema abordado por Machado de Assis não é o adultério e sim ociúme, tão doentio que atinge uma deformação patológica. Capitu é considerada adúltera naótica de Bentinho que se apresenta como vitima, por isso o romance é uma verdadeira acusação.O ciúme do Dr. Bento Santiago é tão forte que ele não consegue o controle emocional (na mortede Escobar, Bentinho não consegue ler as palavras de despedidas por causa do ódio ao morto e aCapitu).
FOCO NARRATIVO
A polêmica do romance: Capitu é ou não é adúltera está concentrada nofoco narrativo de primeira pessoa, pois Bentinho é o personagem que narra sua própria história.Dúvidas existirão sobre a culpabilidade de Capitolina uma vez que o narrador não é confiável. Acriação mimada, protetora excessivamente que teve, transformou-o num homem inseguro, de personalidade fraca, por isso Bento pode estar distorcendo os fatos. Tudo nos leva a crer que onarrador pretende única e exclu-sivamente incriminar Capitu.
RELATIVIZAÇÃO
Em sua narrativa, Bento afirma o adultério, mas é uma acusaçãoinconsistente. A principal prova de que dispõe é a semelhança física entre Escobar, amigo docasal, e Ezequiel, contestada, pois há uma também identidade física entre Capitu e a mãe deSancha, que nem parentes são. Outro exemplo que põe em dúvida o posicionamento de

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