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Carlos Vieira Jabaquara Bancoop

Carlos Vieira Jabaquara Bancoop

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julgo IMPROCEDENTE a presente ação monitória.
julgo IMPROCEDENTE a presente ação monitória.

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09/01/2009

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SENTENÇA
Processo nº:
003.08.109667-0 - Ação Monitória
Requerente:
Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo - Bancoop
Requerido:
Oswaldo Miguel
Juiz(a) de Direito: Dr(a).
Carlos Vieira Von Adamek
Vistos.
COOPERATIVA HABITACIONAL DOS BANCÁRIOS DE SÃOPAULO - BANCOOP
ajuizou a presente
AÇÃO MONITÓRIA
contra
OSVALDO MIGUEL
,aduzindo ser credora do requerido pela importância de R$ 5.197,75 (cinco mil, cento e noventa e setereais, setenta e cinco centavos) (fls. 53), decorrente Resíduo Final previsto de Termo de Adesão eCompromisso de Participação, necessário para o término da obra. Inicial e documentos a fls. 02/44.Citado (fls. 70), o requerido compareceu em juízo e ofereceu embargos(fls. 89/102), sustentando a impossibilidade jurídica do pedido ante a ausência de liquidez, certeza eexigibilidade do título executivo, descumprimento do procedimento estatutário para cobrança do resíduofinal, especialmente a necessidade de se aguardar a conclusão da obra, falta de demonstração doadimplemento pelos demais cooperados, não convocação e realização de assembléia geral ordinária paradeliberação sobre rateio de perdas e cobertura de despesas, além do que teria se instaurado investigaçãocriminal e ajuizado ação civil pública questionando a conduta da requerente.A requerente ofereceu impugnação aos embargos (fls. 103/129).É o breve relatório.
D E C I D O .
A questão é de fato e de direito, não havendo, porém, a necessidade derealização de provas em audiência, cabendo o julgamento antecipado (CPC, art. 330, inciso I).Cuida-se de ação monitoria para cobrança de valores decorrentes determo de adesão a empreendimento habitacional, referentes a resíduo final apurado pela cooperativa,com fundamento na cláusula 16 do contrato.A presente ação não merece prosperar.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
COMARCA DE SÃO PAULOFORO REGIONAL III - JABAQUARA2ª VARA CÍVELRUA JOEL JORGE DE MELO, 424, SÃO PAULO - SP - CEP 04128-080
003.08.109667-0 - lauda
1
 
A demandante indicou em sua petição inicial a inadimplência dorequerido quanto ao pagamento das parcelas referentes à apuração final, vencidas a partir de 30 de abrilde 2006 (fls. 41-vº).o se nega a possibilidade de previsão de cláusula contratual dafamigerada -Apuração Final-, para a finalidade apontada pela autora na petição inicial. Inadmissível,todavia, que após mais de três anos do pagamento da última parcela para aquisição do bem (28.11.2002),proceda a cooperativa um segundo saldo devedor, para novo rateio de resíduos, sem apresentação dequalquer documento hábil demonstrando a origem e a certeza dos débitos.Essa conduta acaba por manter os cooperados indefinidamentevinculados ao pagamento do preço, impedindo a quitação da unidade adquirida. Ainda que o contratoentre as partes preveja dita cobrança (fls. 40), isto é, a possibilidade de exigência de eventual saldoresidual, isso não significa possa fazê-lo da maneira como bem entende, quando lhe convenha, e semdemonstração objetiva e antecipada da composição do crédito.Patente, no caso
sub examine
, a violação do princípio da boa-fé objetiva,na medida em que dá-se ensejo a uma situação de insegurança para os devedores, ante a surpresa da novacobrança, sem o prévio conhecimento ou justificativa para tanto.É certo que no regime cooperativo o preço cobrado pelo imóvel écalculado com base no custeio da constrão do empreendimento, somado a outras despesasadministrativas, inclusive de inadimplemento de outros cooperados, todos partícipes de um contratorelacional.De outro modo, somente com o encerramento das obras ou uma fasedela, deveria ocorrer a realização de assembléia para que houvesse a aferição de eventual resíduo,cobrando-os dos cooperados, o que de fato, não ocorreu, de acordo com o que se noticiou nos autos.Como dito, não há nos autos prova inconteste sobre a origem e aespecificação do débito que se imputa ao suposto devedor, haja vista a inexistência de elementossuficientes a demonstrar sua composição, a forma de cálculo, e os documentos que a amparamNão sequer a comprovação dos custos das obras, dos materiaisutilizados, da mão-de-obra empregada, muito menos a aprovação de referidos gastos pelos cooperadosem assembléia.Ao admitir-se tal cobraa, os cooperados permaneceriamindefinidamente obrigados perante a cooperativa, jamais quitando seu saldo devedor e pagando preçosuperior aos verdadeiros custos de seu conjunto habitacional.Diante disso, a cobrança de apuração final, após quitação de todas asparcelas, da maneira como ocorreu no caso examinado, constitui comportamento contraditório, ou
venirecontra factum proprium,
que atenta contra o princípio da boa-fé
(cfr. Menezes de Cordeiro, Da Boa-Féno Direito Civil, Editora Almedina, Coimbra, 1997, p. 742).TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
COMARCA DE SÃO PAULOFORO REGIONAL III - JABAQUARA2ª VARA CÍVELRUA JOEL JORGE DE MELO, 424, SÃO PAULO - SP - CEP 04128-080
003.08.109667-0 - lauda
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