Goiânia, 23 de agosto de 2009
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XPEDIENTE
Uma política para a cultura
Fortalecimento do Fundo Nacional de Cultura e a própria definição depolíticas públicas para o setor estão no centro do debate sobre a LeiRouanet
Edson Wander
Na disputa de argumentos de lado a lado sobre a reforma da Lei Rouanetproposta pelo Ministério da Cultura está um ponto nevrálgico desseinstrumento de fomento à cultura e da própria configuração de uma políticapública para o setor: o fortalecimento do Fundo Nacional de Cultura (FNC) eos critérios de avaliação de projetos.Críticos como Leonardo Brant, do Instituto Pensarte, afirmam que não há naproposta da reforma instrumentos claros que garantam mais recursos aosdiversos fundos que seriam criados a partir do desmembramento do FNC(seriam cinco no texto original e depois da consulta esse número subiu parasete, com a inclusão de um fundo específico para artes cênicas e outro paraliteratura e humanidades). Para Brant, além da questão do aumento dosrecursos, um dos grandes gargalos do FNC se refere à transparência nadistribuição. “O FNC é a verdadeira caixa-preta desse ministério, apenas 20%do orçamento é executado via editais”, critica.Sobre a dotação prevista na reforma, Brant diz que “a única coisa que oProfic (Programa de Fomento e Incentivo à Cultura) fala é na criação de umaloteria federal, algo que vem sendo tentado sem sucesso desde a gestão doGil (o ex-ministro Gilberto Gil). Então, não há nada na proposta que definaquanto e de onde virão os recursos para reforçar o caixa do fundo.”Roberto Nascimento, do MinC, diz que “não há cifras”, mas “diretrizes” queserão regulamentadas depois da aprovação da lei. “Tem vários instrumentoslistados na proposta e mencionaria agora, além da loteria da cultura cujodesenho está sendo feito com a área econômica do governo, as contribuiçõessetoriais. A indústria editorial, por exemplo, terá de contribuir com 1% de seulucro para o fundo”, informa.Leonardo Brant esclarece que é a favor do modelo de um fundo parafomentar a cultura, “mas o governamental”. Para ilustrar sua opção, cita aexperiência da Inglaterra, que tem conselhos de arte regionais e semparticipação de governos nem de classe artística. “Lá quem define sãorepresentantes da sociedade civil e os recursos saem de uma loteria diretopara a conta dos projetos aprovados”, comenta.Depois de ter viajado a diversos países, Brant diz ter se convencido de umtema que estará em seu próximo livro, O Poder da Cultura. “Está na hora deinvertermos uma lógica que nos aprisiona, a de achar que o Estado precisabancar a arte. A arte precisa ser sustentada pela sociedade civil. A sociedadeprecisa bancar a construção do espaço de construção do imaginário”, teoriza.
Dirigismo
Para aplacar a acusação de “dirigismo cultural” que a proposta vemrecebendo de diferentes setores, o MinC garante que vai vetar a análisesubjetiva de projetos candidatos aos benefícios da lei e estuda incluir (a partir das contribuições da consulta pública) a figura do “sistema de avaliação entrepares”. Por esse sistema, os produtores que ingressassem com projetos nalei seriam convidados a avaliar outros projetos em suas respectivas áreas.Neste caso, a Comissão Nacional de Incentivo Cultural (Cnic), que hoje éresponsável pela avaliação final dos projetos (depois dos pareceristastécnicos), passaria a funcionar como um órgão formulador do ministério.Essa discussão vai ganhar ainda mais lenha por causa da aprovação,semana passada, de um projeto de gravação de DVD do ex-ministro GilbertoGil. A produtora do cantor, um dos mais destacados da MPB, apresentouproposta para registrar o show Gil Luminoso no valor de R$ 539,5 mil e teveaprovado a captação de R$ 445,3 mil.
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